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sábado, 31 de dezembro de 2011

Jogar Flores no Mar


É tempo de ofertar flores a Iemanjá. Entenda a simbologia desse ritual
Elas exalam aromas, representam um ciclo vital e, por isso, são símbolo de transformação. Em momentos de recomeço e balanço pessoal, como agora, as flores também ganham outros espaços, expandem seus significados. O sincretismo religioso se fortalece em dezembro e as pessoas lançam mão de um gesto que ganha cada vez mais adeptos com o passar dos anos no país. Entregar flores às águas do mar e, ao mesmo tempo, alimentar-se de pensamentos positivos para o ano que se aproxima é um ato que vai além dos rituais das religiões afro-brasileiras, que cultuam a divindade Iemanjá, considerada a rainha do mar. Agnósticos e mesmo seguidores de outras crenças também usam o simbolismo das flores e do mar como inspiração para alimentar os desejos de colher bons frutos ao longo dos próximos 12 meses.

Ninguém duvida que as flores têm o poder de transformar um dia comum em uma data especial; um ambiente simples em um local aconchegante. No candomblé e na jurema, elas são muito mais. “As flores têm importância para nós porque representam a conclusão de um ciclo vital da planta, pois são elas que dão início aos frutos. Ela transborda energia de transformação”, comenta Alexandre L’Omi L’Odò, juremeiro. A simbologia é tamanha na religião que seus seguidores costumam usar banho de flores como forma de recarregar as energias. “As divindades também apreciam as flores como presentes, principalmente Iemanjá e Oxum, que reina sobre as águas doces”, completa L’Omi L’Odò.

Rosas ou cravos brancos são usadas para agradecer a Iemanjá o ano que passou, tenha sido ele positivo ou não, e com isso descarregar as energias negativas, abastecer-se de desejos de paz, amor, prosperidade. Não importa o dia, mas se for nos horários onde o sol está menos presente e no momento de romper o ano, melhor. “Há quem leve perfumes para o mar para presentear Iemanjá. Também é importante pular sete ondas”, ensina a yalorixá Valda de Sango Ayra.

Sagrado - Para quem tem fé, dezembro é o mês de agradecer, seja a quem for, seja a o que for, buscando o mar como inspiração e as flores como instrumento para se chegar ao sagrado. “Nessa época do ano, é como se todo mundo virasse adepto do candomblé. Prova disso é que as pessoas usam roupas brancas e ninguém tem vergonha de jogar flores ao mar, por exemplo”, observa a yalorixá Valda.

O que vale é a intenção que contagia cada um. “O mar representa o infinito. Todos gostam de reverenciá-lo, seja porque veem Jesus nesse ambiente ou qualquer outra divindade. Isso é o que importa”, destaca L’Omi L’Odó.


Cravos e rosas brancas podem ser presenteados a Iemanjá, a “rainha do mar”. Mas é importante que a pessoa entregue as flores nas ondas, como um agrado, e não as jogue

No momento da entrega, a pessoa deve se esvaziar dos pensamentos cotidianos e chamar vibrações positivas, como desejo de saúde e amor

A entrega das flores pode ser feita em horário de sol ameno, como 6h ou 17h. Fazer o
ritual no momento de romper o ano também é muito representativo, segundo os seguidores de religiões afro, já que a homenagem também vai para a divindade que regerá o ano que acaba de chegar

Derramar perfume - como Seiva de Alfazema - nas águas do mar também agrada Iemanjá. Para completar, pode-se saltar sete ondas

Outra dica é usar roupa branca ou azul clara. No caso das mulheres, saia; no caso dos homens, calça

Olokun é outra divindade do candomblé agraciada pelas flores jogadas ao mar

Para os que preferem presentear Oxum, basta jogar flores e rosas amarelas nas águas do rio e seguir o mesmo ritual dedicado a Iemanjá

Fonte: Alexandre L’Omi L’Odò (juremeiro) e yalorixá Valda de Sango Ayra
Do Diario de Pernambuco


 

IEMANJÁ E O ANO NOVO

 


Texto publicado originalmente no jornal O Globo, no dia 21 de dezembro de 2010.

A comemoração do Ano Novo no primeiro dia de janeiro é mais recente do que, provavelmente, o leitor imagina. Ao longo dos tempos e das diversas civilizações, a data de celebração de um novo ciclo mudou inúmeras vezes. Os babilônicos costumavam comemorar o novo ano no equinócio da primavera; os assírios e egípcios realizavam os festejos em setembro; os gregos celebravam o furdunço em finais de dezembro. Chineses, japoneses, judeus e muçulmanos ainda têm datas próprias e motivos diferentes para comemorar o ano bom. Entre os povos ocidentais, a data de primeiro de janeiro tem origem entre os romanos (Júlio César a estabeleceu em 46 A.C.). Só em 1582, com a adoção do calendário gregoriano, a igreja católica oficializou o primeiro dia de janeiro como o início do novo ano no calendário ocidental. Muito tempo depois do Papa Gregório VIII, mais precisamente em 1951, Chico Alves e David Nasser fizeram Adeus, Ano Velho, a mais popular canção brasileira sobre a tradição das festas de fim de ano.

Em várias civilizações o início de um novo ciclo é comemorado com muito barulho, gritaria, bater de bumbos, tambores, fogos, fogueiras, fanfarras, cambalhotas e outros salamaleques. Os antigos diziam que fazer a barulheira era fundamental para despachar os maus espíritos para os cafundós mais distantes e garantir a boa colheita, a saúde e a prosperidade. O negócio, portanto, é mandar ver no furdunço para garantir a boa ventura contra todo tipo de urucubaca.

Entre o povo da cidade do Rio de Janeiro, naturalmente festeiro, o hábito de se comemorar o réveillon na praia virou uma tradição mundialmente conhecida, que influenciou várias cidades litorâneas a fazer a mesma coisa. Há que se reconhecer, porém, que os cariocas devem grande parcela do costume da festa na praia aos umbandistas, que durante muitos anos ocupavam as areias praticamente sozinhos para louvar Iemanjá – a orixá africana que se transformou na mais brasileira das deusas, miscigenada com a Nossa Senhora católica e a Uiara dos indígenas.

Era bonito ver a orla ocupada pelos terreiros e a noite iluminada pelas velas em louvor a Iemanjá, tudo isso ao som de atabaques e cânticos misteriosos - verdadeiros presságios brasileiros de boa sorte. Quem chegasse perto, fosse umbandista, católico, espírita, evangélico, hindu, muçulmano, judeu, flamenguista, vascaíno, tricolor ou botafoguense, era muito bem recebido e ainda começava o ano novo devidamente garantido contra o infortúnio. Conheço muitos ateus que, por via das dúvidas, abriam uma exceção ao misticismo e garantiam o ano bom recebendo passes de caboclos e pretos velhos nas areias, com direito a cocares, charutos e quejandos.

A confraternização que todo ano ocorre em Copacabana é bacana pacas, tem seus méritos, virou atração turística da cidade, atraí gente de tudo quanto é canto, gera divisas e garante a ocupação da rede hoteleira. É necessário, porém, colocar um pouco de água nesse chope dos entusiastas da festa atual e lembrar que o Rio de Janeiro tem uma dívida enorme com o povo da umbanda, que hoje se encontra praticamente excluído do fuzuê. Os shows de roqueiros, sambistas, astros pop, sertanejos, rappers, DJs de música eletrônica, revelações adolescentes, cantoras baianas, blocos carnavalescos e o escambau, além de transformar a festa em um verdadeiro sarapatel sonoro, calaram os tambores rituais. A elitização da festa, que já se manifesta em espaços reservados nas areias, controlados por grupos privados, hotéis, quiosques e que tais, lembra muito o processo de mercantilização que atingiu as escolas de samba. De entidades culturais representativas da cultura carioca, as agremiações se transformaram em alguma coisa próxima do que o Império Serrano, em um samba premonitório, chamou de super-escolas de samba S.A.

Que a tradição do fim de ano, portanto, não encontre no poder público um agente legitimador de interesses privados, sob o falso argumento de uma festa para todos que, cada vez mais, perde a espontaneidade e a vitalidade que sempre a caracterizaram. Em nome de gestões modernosas e engenharias financeiras, corre-se o risco de se transformar o adorável e popular furdunço em algo mais parecido com um bloco carnavalesco com abadás e cordas, para gringo ver e o Comitê Olímpico Internacional aplaudir.

Odoyá!!
 
 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Santo de casa faz milagre - Mariene de Castro



Queridos amigos, 2012 à altura de vocês, bjs
Agradecimento especial para Maria Olivia Soares, irmã atenta e generosa, razão da minha alegria em repartir com vocês o canto da Bahia e muitos outros em CDs enviados com amor.
Muita luz pra iluminar nossos caminhos!!!!

Abraço arrochado...

regina


desejo inalcançado

Um só pedido no ano que se finda

Um único desejo e meta

não alcançado, pelo visto,

irreconciliável distância...

RS 12/30/11




bitter-sweet alienation



Não há ilusões, acha. Assiste, desdenhoso, a outro episódio da vida alheia e fuma o centésimo cigarro. Ri, aplaude, anui. Não há ilusões, confirma. E por isso, continua a mesma lenga-lenga, semana após semana, pretendendo seduzir a plateia e enganar-se a si mesmo. E consegue.

«So, so you think you can tell heaven from hell,
blue skies from pain
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil
Do you think you can tell?

And did they get you to trade your heroes for ghosts? Hot ashes for trees
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year
Running over the same old ground
What have we found?
The same old fears
Wish you were here»

Roger Waters
 
 

Todos nus

Naked Crisis


He can see through clothing!
Nus somos todos mais pare­ci­dos uns com os outros. Nua, a nossa empro­ada e anti­pá­tica vizi­nha de casa pas­sa­ria a ter um ar bas­tante mais abor­dá­vel. Nu, o nosso ges­tor de conta até pare­ce­ria um ser humano. Creio que nus, os nos­sos polí­ti­cos, per­de­riam a capa­ci­dade de men­tir. Todos nus e tal­vez esta crise eco­nó­mica fosse mais fácil de suportar.
From “Naked People”
Clothing is our second skin. It dis­gui­ses, reve­als– it can reflect our inner­most being or con­ceal it. Through one’s clothing, he or she is able to exhi­bit his or her pro­fes­sion, social sta­tus, or mood. A suit lets us assume the bea­rer is a ban­ker, office wor­ker, insu­rance agent… In our soci­ety this is a dis­tin­guishing cha­rac­te­ris­tic of res­pec­ta­bi­lity. But, how often is such an assump­tion true? Can we abso­lu­tely trust this cove­ring? What really is under­ne­ath? Could the illu­sion be des­troyed at the dis­co­very of a tat­too, or leave the per­son as ins­cru­ta­ble as before?
Go see.

http://www.escreveretriste.com/

Tu e eu


Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobo
eu sou mais albônico.
Tu, fão.
Eu, fônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu, cano.
Eu, clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo.

Luis Fernando Verissimo

sonho desfeito






No oitavo dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares de edifícios; que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho?

Entretanto a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar. O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar; e assim três, quatro vezes sucessivas.

Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro. Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante.

Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha. Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez, que, sentado, de frente para a janela por onde se filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: "Meu Deus, seus olhos estão esverdeando":

Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro: inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível, como um lento bailado.spacca_braga2.jpg (17305 bytes)

Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam?

Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos. Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago.

Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos. O homem fez um grande embrulho de jornal; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação.

E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre acabara; alguém viera e batera à porta, e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo o recibo de uma carta registrada, e quando o telefone bateu foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre — senti que ela me disse isso num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo não os via assim, em plena luz), um olhar de apelo e de tristeza onde entretanto ainda havia uma inútil, resignada esperança.


Texto extraído do livro "Figuras do Brasil – 80 autores em 80 anos de Folha", Publifolha – SP, 2001, pág. 132.

Ilustração: Spacca

João Spacca de Oliveira (1964), nasceu em 1964, em São Paulo (SP), é cartunista e ilustrador. Fez "storyboards" para filmes publicitários no começo da carreira, depois, entre 1985 e 1995, criou charges políticas para o jornal "Folha de São Paulo" e ilustrou o suplemento infantil "Folhinha" por dois anos. Escreveu histórias em quadrinhos para as revistas "Níquel Náusea" e "Front", e também trabalhou com animação. Atualmente faz charges para a versão on-line do "Observatório da Imprensa" e para publicações empresariais. Ilustrou , para a "Companhia das Letrinhas", "O Mário que não era de Andrade", de Luciana Sandroni; "O jogo da parlenda", de Heloísa Prieto; "A reunião dos planetas", de Marcelo Oliveira; e "Vice-versa ao contrário", de vários autores. Escreveu e ilustrou "Santô e os pais da aviação — A jornada de Santos-Dumont e de outros homens que queriam voar" (vencedor do prêmio HQMIX 2006 nas categorias Desenhista Nacional, Edição Especial Nacional e Roteirista Nacional); "Debret em viagem histórica e quadrinhesca ao Brasil", e "D. João Carioca — A corte portuguesa chega ao Brasil (1808 - 1821)", publicados pela Cia. das Letras. Em 2005, Spacca recebeu o primeiro prêmio de charge no Salão Internacional de Humor de Piracicaba.


Um belo texto

O Desaparecido

Rubem Braga




Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.

Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.

Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.


Do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 112, extraímos o texto acima.



O mundo é grande


O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.


(Carlos Drummond de Andrade in “Amar se Aprende Amando”)