Pesquisar este blog

quinta-feira, 29 de março de 2012

Mais do mesmo. Mesmo?

175-mu-crit
O ex-Beatle Paul McCartney. Em Kisses on the Bottom, o cantor inglês conta com a colaboração de Diana Krall e Eric Clapton
 
Durante as sessões de gravação de seu mais recente álbum, houve um momento em que Paul McCartney ficou indeciso com uma questão qualquer. Em vez de perder o sono, ele disparou: “Não tô nem aí. Estou em Los Angeles. Sou britânico. Sou um turista. Estou no estúdio A da gravadora Capitol, cantando no microfone de Nat King Cole. Estou de férias!” O relato se encontra no encarte de Kisses on the Bottom e resume o astral do CD. Trata-se de um disco de férias, uma diversão a que um cara com o currículo de Paul pode se permitir de vez em quando.
O ex-Beatle acalentou por anos a ideia de registrar músicas que a geração de seus pais cantava nas festas de fim de ano. Ou seja, standards do jazz, gemas do grande cancioneiro norte-americano, coisas que o pequeno Paul aprendeu em casa pouco antes de descobrir Elvis Presley e Chuck Berry. Em Kisses on the Bottom, o cantor mergulha nessa memória afetiva pré-roqueira, com arranjos reverentes, mas sem abandonar seu saudável hábito de acrescentar algo diferente.
Em vez de gravar Cheek to Cheek ou The Way You Look Tonight, algumas de suas músicas favoritas e que seriam escolhas óbvias, Paul preferiu pesquisar temas menos batidos, chegando até mesmo a interpretar uma composição que nunca havia escutado antes: More I Cannot Wish You, do musical Guys and Dolls. Faixas como essa pintaram porque o cantor ouviu sugestões do experiente produtor Tommy LiPuma e da pianista Diana Krall, que toca praticamente no disco inteiro. Paul é amigo e parceiro de Elvis Costello, marido de Diana, mas esse não participa do álbum. O escalado para cuidar das guitarras foi John Pizzarelli, que lançou em 1998 um disco com clássicos dos Beatles vertidos para a linguagem do jazz.

À Beira dos 70
Escorado num time dessa categoria, o inglês só precisou cantar. E isso ele fez com muito charme. Paul se beneficiou da natureza dos temas peneirados, quase todos românticos e para cima (segundo o músico, os preferidos das famílias que se recuperavam da Segunda Guerra Mundial), tais como Ac-cent-tchu-ate the Positive e My Very Good Friend the Milkman. O único momento cafona é My Valentine, ironicamente uma das duas inéditas que Paul escreveu para o repertório. Nem o violão de Eric Clapton salva a enjoativa balada. Já Only Our Hearts, com Stevie Wonder na gaita, é mais simpática.
Trabalhos como Chaos and Creation in the Backyard (2005) e singles como Ever Present Past (2007) não deixam dúvida de que Paul vinha num grande momento autoral. Mas, prestes a completar 70 anos, é compreensível que ele dê uma olhadela para trás. A nós, fãs, cabe esperar o fim de suas merecidas férias bem embalados por Kisses on the Bottom.

José Flávio Júnior é jornalista.

http://bravonline.abril.com.br/materia/mais-do-mesmo-mesmo

Kisses on the Bottom






Feliz Aniversário Salvador

Salvador (fundada como São Salvador da Bahia de Todos os Santos[7]) é um município brasileiro, capital do estado da Bahia e primeira capital do Brasil. Os habitantes são chamados de soteropolitanos, gentílico criado a partir da tradução do nome da cidade para o grego: Soterópolis, ou seja, "cidade do Salvador", composto de Σωτήρ ("salvador") e πόλις ("cidade").

Aniversário de Salvador será marcado por apresentações musicais e exposições que retratam a história da cidade

29/03/2012


Salvador comemora 463 anos de história nesta quinta-feira (29). A cidade, também conhecida como a “Capital da Alegria”, devido aos grandes festejos populares, e “Roma Negra”, por ser considerada a metrópole com maior percentual de negros fora da África, será tomada por uma grande quantidade de eventos culturais, com temas pertinentes à cultura do povo baiano. O destaque fica para o Museu Tempostal, no Pelourinho, que preparou uma programação especial para a data.
O local, que reúne o mais rico acervo de imagens antigas de Salvador e do Recôncavo Baiano, promove exibição do vídeo “(Per)cursos patrimoniais – Centro Histórico de Salvador”, distribuído pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), e visitas mediadas à mostra “Pelos Caminhos de Salvador”. A visita ao museu é uma forma inusitada de viajar pela história da capital baiana, tendo como suporte cartões-postais e fotos de várias épocas.

“A exposição tem um caráter bastante relevante, pois conta a história da cidade de forma linear e ajuda a entender a cultura de vários grupos étnicos que vieram para o Brasil no passado, sobretudo os africanos”, conta a museóloga Antônia Barros Pinheiro.
Na mostra, é possível encontrar postais com imagens curiosas, como a primeira versão do Elevador Lacerda (que até 1896 chamava-se Elevador Hidráulico da Conceição da Praia); a presença de bondes na Ladeira de São Bento e na Praça Castro Alves; e a primeira versão do Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, ainda sem os anéis superiores.
“Houve uma época em que se desenvolveu a comunicação através dos postais. Isso incentivou fotógrafos e editores a publicarem cada vez mais essas imagens, levando esse tipo de comércio ao auge, no início do século XX. Aliás, no passado, os postais eram colocados em álbuns e chegavam aos destinatários em caixas sofisticadas”, completa Antônia.
O acervo do museu é um dos mais completos do país, com cerca de 45 mil peças, dentre elas postais, fotografias e estampas do final do século XIX e meados do século XX. Boa parte das imagens fazia parte da coleção do sergipano Antônio Marcelino, que desde garoto colecionava recortes de jornais e livros ilustrados.
Um dos espaços do local é dedicado a exposições de curta duração. Neste momento de comemoração, está sendo exposta a mostra intitulada “Arquitetura Religiosa da Bahia”, que revela imagens de algumas igrejas de Salvador e do Recôncavo Baiano e que expressam a fé e a religiosidade do povo que mora nessas áreas.
O Museu Tempostal, localizado na Rua Gregório de Matos, no Pelourinho, funciona de terça a sexta, das 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. A entrada é franca e o visitante, brasileiro ou estrangeiro, terá o acompanhamento de guias especializados durante a visita.
OUTROS EVENTOS
Nesta quinta-feira (29), dia em que se comemora a fundação de Salvador, o concerto de abertura da temporada 2012 da Orquestra Sinfônica da Bahia homenageia o aniversário da cidade na Sala Principal do Teatro Castro Alves. A regência é do maestro Carlos Prazeres, e a entrada custa R$ 20. No mesmo dia, às 19h, a Praça Tomé de Sousa recebe o sarau do tradicional grupo de choro de Salvador, “Os Ingênuos”, com participação das cantoras Lia Chaves e Noeme Bastos.
Já no Museu da Cidade, segue aberta ao público, até sexta (30), a exposição “Um Olhar sobre Salvador”. Diferentes artistas plásticos do Centro Histórico expõem telas sobre a capital baiana. Na Biblioteca Professora Denise Tavares, na Liberdade, o público também tem acesso à mostra fotográfica “Um olhar sobre a Liberdade”, formada pelo acervo do Arquivo Histórico Municipal de Salvador e por fotografias tiradas por crianças moradoras da região. A exposição segue até sexta-feira (30), das 9h às 17h.
No dia do aniversário da cidade também será realizada a premiação do Concurso Nacional de Ideias para Requalificar os Largos do Pelourinho, no Palácio Rio Branco, a partir das 10h. O certame foi idealizado pela Secretaria de Cultura do Estado, através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), e contou com o apoio do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/BA). Ao todo, profissionais de todo o país participaram do concurso que visa à reabilitação dos largos Tereza Batista, Quincas Berro D´Água e Pedro Archanjo – batizados com nomes de personagens dos romances de Jorge Amado.
Para encerrar as comemorações, Salvador também recebe uma homenagem especial no Farol da Barra, um dos principais cartões-postais da cidade. No domingo (1º de abril), o cantor e compositor Magary Lord vai agitar baianos e turistas com um show que terá a participação especial de Márcia Short, Lazzo Matumbi, Roberto Mendes, Peu Meurray e Toni Garrido. A filha do cantor, Kalinde Maiara, também participa da festa, que tem início às 19h30.

http://www.bahia.com.br/noticias/2012-03-29/aniversario-de-salvador-sera-marcado-por-apresentacoes-musicais-e-exposicoes-que

Feliz aniversário, Salvador / Bahia!!!!!


 


São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra de Nosso Senhor
Pedaço de terra que é meu
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do branco mulato
A terra do preto doutor
São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do Nosso Senhor
Do Nosso Senhor do Bonfim
Oh Bahia, Bahia cidade de São Salvador

quarta-feira, 28 de março de 2012

Vamos recordar "O Pasquim": a Revolução pelo Cartoon






Ademilde Fonseca - Choro Chorão (Hoje choramos sua partida)

Samba na Gamboa

Millôr Fernandes - O Poeta




Era um homem bem vestido
Foi beber no botequim
Bebeu muito, bebeu tanto
Que
s
aiu
d
e
l
á
a
ssim.
As casas passavam em volta
Numa procissão sem fim
As coisas todas rodando

O moço entra apressado
Para ver a namorada
E é da seguinte forma
escada.
a
sobe
ele
Que
Mas lá em cima está o pai
Da pequena que ele adora
E por isso pela escada

ele

embora.


Poema Matemático - Millôr Fernandes






Um Quociente apaixonou-se
Um diaDoidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela.
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode-me chamar de Hipotenusa.
"E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas senoidais.
Escandalizaram os ortodoxosdas fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianase pitagóricas.
E, enfim, resolveram-se a casar

Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações ediagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
IntegralE diferencial.
E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes

Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
o Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais
Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo o que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

Millôr Fernandes - O Cartoonista



Image DetailImage DetailImage DetailImage DetailImage DetailImage DetailImage DetailImage Detail

Image DetailImage DetailImage DetailImage DetailImage DetailImage DetailImage Detail

Millôr Fernandes disse....

Ricardo Moraes - 13.nov.04/Folhapress
O escrito Millôr Fernandes em seu estúdio, em Ipanema, no Rio
O escrito Millôr Fernandes em seu estúdio, em Ipanema, no Rio
Só louco rasga dinheiro? Bobagem. Nem louco rasga dinheiro. Experimente jogar uma nota de cinquenta reais (ou mesmo de um!) num pátio de insanos. A briga vai ser feia.
*
Bhundismo da semana: Menina, a caridade é mais importante do que a castidade. Dê para um desempregado.
*
Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor.
*
O aumento da canalhice é o resultado da má distribuição de renda.
*
Nunca tantos deveram tanto a tão porcos.
*
Mordomia é ter tudo que o dinheiro - do contribuinte - pode comprar.
*
Chama-se de herói o cara que não teve tempo de fugir.
*
Infelicidade: Nascer com talento melódico numa época em que o pessoal só se interessa por percussão.
*
A gente tem que experimentar de tudo. Desde que seja de graça e não doa muito.
*
Calúnia na internet a gente tem que espalhar logo, porque sempre é mentira.
*
Repito, mais uma vez: supremo eu só conheço o de frango.
*
O homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é.
*
Em agosto, nas noites de frio, a pobreza entra pelos buracos da roupa.
*
Idade da razão é quando a gente faz as maiores besteiras sem ficar preocupado.
*
O preço da fidelidade é a eterna vigilância.
*
Beber é mal. Mas é muito bom.
*
Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem.
*
Nunca conheci ninguém podre de rico. Mas já vi milhares de pessoas podres de podre.
*
Eu sei sempre do que é que estou falando.
*
O capitalismo não perde por esperar. Em geral ganha 6% ao mês.
*
Quem confunde liberdade de pensamento com liberdade é porque nunca pensou em nada.
*
Toda lei é boa desde que seja usada legalmente.
*
Tirando isso não sei mais nada.
*
Eu também não sou um homem livre. Mas muito poucos estiveram tão perto.
*
Todo homem nasce original e morre plágio.

O desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes

28/03/2012

Millôr Fernandes
Clique nas imagens para ver os álbuns

Entrevista com o desenhista Millôr Fernades, em seu estúdio, em Ipanema, zona sul do Rio de JaneiroO desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes em sua casa, no Rio de JaneiroO jornalista e escritor Millôr Fernandes durante entrevista no programa "Roda Viva", da TV CulturaORG XMIT: 252501_0.tif Desenho de Millôr Fernandes no site do artista.Ilustração da capa do livro "Tempo e Contratempo" de Millôr Fernandes, que assina a obra com o pseudônimo de Vão GôgoO jornalista e escritor Millôr Fernandes durante entrevista no programa "Roda Viva", da TV CulturaO escritor Millôr Fernandes durante lançamento de "O Livro Vermelho dos Pensamentos de Millôr", em São PauloO jornalista e escritor Millôr Fernandes durante entrevista no programa "Roda Viva", da TV CulturaMillôr Fernandes junto a painél que idealizou para parede do Laboratório Fleury, em São PauloO escritor, humorista e chargista Millôr Fernandes durante entrevista à Folha de São de Paulo, em seu estúdio, em Ipanema, no Rio de JaneiroMillor Fernades em seu estúdio em Ipanema na zona sul do Rio de Janeiro Ilustração da obra "Mausoléu" de Millôr FernandesIlustração de Millôr Fernades para a coluna "Pif Paf" da revista "O Cruzeiro"O desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes em fotografia de 1970 Leia maisO desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes em fotografia de 1970 Leia maisMillôr Fernandes participa de entrevista no programa "Roda Viva", da TV Cultura Leia maisMillôr Fernandes junto a painel que idealizou para parede do Laboratório Fleury, em São Paulo (SP) Leia maisMillôr Fernandes é fotografado no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro Leia maisMillôr Fernandes durante entrevista à Folha em seu estúdio em Ipanema, no Rio de Janeiro Leia maisEstúdio de Millôr Fernandes em Ipanema, no Rio de Janeiro Leia maisMillôr Fernandes durante entrevista à Folha em seu estúdio em Ipanema, no Rio de Janeiro Leia maisUma das assinaturas do cartunista Millôr Fernandes que fazem parte do livro "Um Nome a Zelar", com suas criações gráficas Leia maisCapa da revista "PIF PAF", liderada por Millôr Fernandes Leia mais

Ricardo Moraes - 13.nov.06/Folhapress

O último texto publicado, no dia 12 de agosto de 2001:

Da eutanásia
Mais cedo ou mais tarde todo articulista decente tem que falar da eutanásia, razão pela qual eu custei tanto a me decidir. De saída é uma palavra tão bonita que, se a pronunciamos contra o céu azul do colocar-do-sol (antigo pôr-do-sol) de um dia de domingo, qualquer pessoa, por menos poética que tenha a alma, percebe imediatamente que somos muito cultos e lidos. De qualquer forma não é necessário esperar o domingo para usar a eutanásia, já que nos dias comuns essa palavra também pode ser empregada, embora só em legítima defesa.
Porém, que é a eutanásia? A eutanásia, inventada no ano de 1200 por Sir Lawrence Olivier Lancelot, tornou-se imediatamente muito popular entre médicos que tinham pressa em receber as contas das viúvas. Aplicada aos doentes, ela dá excelentes resultados, curandoos completamente dessas tola mania de chamar médicos quando está doente. Médicos só devem ser chamados quando se está vendendo saúde. Por exemplo, aos 18 anos, fazendo surfe no Arpoador.
Outrossim (que eliminou da língua o outronão), é muito fácil saber se você contraiu eutanásia: basta olhar pro canto e ver se a junta médica está falando em voz baixa. Se estiver, é porque você acabou de ser convocado para fim de herói russo no período comunista ou pra doador de órgãos na China atual. Isso, no Brasil do século XIX, ainda não se chamava eutanásia, se chamava "Voluntários da Pátria".
Na Idade Média (aproximadamente 40 anos) essa ciência chegou a ser muito praticada, principalmente em Caxias, no Rio, tendo até mesmo o Sr. Tenório Cavalcanti publicado um livro sobre as melhores maneiras de se empregar a referida Euterpe com metralhadora Lurdinha. Floresceu muito, também, entre os Médicis de Florença e só não floresceu mais porque Florença temeu a concorrência e juizes severos praticaram a eutanásia na eutanásia, tendo ela embarcado para a França, onde apareceu num filme de André Cayatte e posso garantir que estava mais bonita do que nunca.
Mas o local onde crescem as maiores eutanásias que já tive oportunidade de saborear, é no 2o. pavilhão para tratamento psicológico, no Carandiru.
Olha, explico melhor --no tempo em que o cavalo de Tróia ainda era potro, já a eutanásia tinha dado duas voltas ao mundo, usada muitas vezes por pessoas que não tinham a mínima experiência e tentavam apagar alguém praticando a eutanásia e acabavam liquidando sem que a eutanásia sequer desse as caras. (Aqui conviria falar de Hiroshima e Nagasaki, mas eu agora estou sem vontade de me meter na guerra fria, pois acho que essa era até bem quente. Prefiro chuveiro. A propósito, alguém ai tem cinco notas de dez, dessas elásticas estou precisando lavar dinheiro).
Isso é a eutanásia, em suma. Quem souber mais e melhor que me diga, sendo que a bibliografia a respeito é muito rica, estando mesmo Trotsky preparando um grosso volume sobre o assunto quando Stalin praticou a eutanásia nele. E mais não digo porque, aqui pra nós, estou com eutanásia de assunto.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1068397-leia-textos-de-millor-fernandes-publicados-na-folha.shtml