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domingo, 1 de abril de 2012

Tempo é dinheiro

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- Deus?
- Sim.
- Posso perguntar uma coisa?
- Pode, meu filho.
- O que significa um milhão de anos para o senhor?
- Um segundo.
- E R$ 1 milhão?
- Um centavo.
- O senhor se incomodaria de me dar um centavo?
- Claro que não me incomodo! Espere só um segundo.

Piada publicada na VIP de abril

De tudo restará ao menos uma flor?

Última Vontade
 
Millôr Fernandes
“Enterrem meu corpo em qualquer lugar.
Que não seja, porém, um cemitério.
De preferência, mata;
Na Gávea, na Tijuca, em Jacarepaguá.
Na tumba, em letras fundas,
Que o tempo não destrua,
Meu nome gravado claramente.
De modo que, um dia,
Um casal desgarrado
Em busca de sossego
Ou de saciedade solitária,
Me descubra entre folhas,
Detritos vegetais,
Cheiros de bichos mortos
(Como eu).
E, como uma longa árvore desgalhada
Levantou um pouco a laje do meu túmulo
Com a raiz poderosa,
Haja a vaga impressão
De que não estou na morada.
Não sairei, prometo.
Estarei fenecendo normalmente
Em meu canteiro final.
E o casal repetirá meu nome,
Sem saber quem eu fui,
E se irá embora,
Preso à angústia infinita
Do ser e do não ser.
Sol e chuva ocasionais,
Estes sim, imortais.
Até que um dia, de mim caia a semente
De onde há de brotar a flor
Que eu peço que se chame
Papáverum Millôr”
 

Sou brasileiro. Não me desplugo nunca

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“Um escritor português amigo meu foi quem falou: Portugal tem o Saramago, Chile o Pablo Neruda, Argentina o Borges, Colômbia o Márquez. O Brasil tem a televisão. Isso quando não tem Paulo Coelho. Não. Diz meu amigo: não falo de autoajuda. Falo do romance-exportação. Novel em inglês é romance. Novela em espanhol idem. Já novela, aqui, é a que passa em horário nobre. O pobre fez da TV o seu livro de cabeceira. Diz meu amigo português: sabe por que a internet é tão acessada no Brasil? O Face, o Twitter, não sabe? Porque o brasileiro, no fundo, gosta é de ver TV. Daí o sucesso dos iphones, não se engane. O tempo inteiro estamos ‘assistindo’ a algo. Somos mais telespectadores que leitores. Damos audiência muito mais do que atenção. Não fomos treinados para a concentração. Brasileiro adora o conteúdo pronto. Em movimento. Desistimos há tempo da literatura complicada. Machado de Assis que nada! Dizemos que não temos tempo para abrir uma página. Mas abrimos linques como quem muda de canal. Segundo o meu amigo: por causa dessa cultura televisiva, estamos sendo os primeiros a levarem a sério os e-books, os livros animados, os tablets cheios de efeitos especiais. Eta danado! O Brasil sempre esteve na frente, entende, meu caro? Vocês largaram os livros porque já sabiam o fim deles. A extinção. Alienados, não. Defende o português: antenados é o que vocês são.”
Tudo a Ver, post de Marcelino Freire no blog Ossos do Ofídio
 

bye, bye mega millions...

The best readers’ comments on Mega Millions

Tammy Redlen (C) and Sierra Luchien (L) are jubilant as they walk in Bluebird liquor store after waiting in line …


The Mega Millions $640 million jackpot produced three winning tickets on Friday night. After the drawing, as the nation began to settle down from its lottery frenzy, thousands of Yahoo! readers commented on not beating the odds in order to strike it rich.
Some of the comments were hilarious, others showed honesty. And, as always, a few were a little too disturbing for general consumption.
Here are the top 10 editors' picks:

10) Maggy (Providence, Rhode Island): "I guess 1,2,3,4,5 with a Mega ball of 6 was a bad choice?"
9) Stugots: "Oh well I was going to split it with all the Yahoo comment posters maybe next week."
8) Brian (Mt. Prospect, Illinois): "Guess i told my boss 'to shove it' a little earlier than i should have..."
7) Gracie: "I won Ten Dollars, Please no Phone calls."
6) Queenie: "Is any Lotto money still going to ED-Joo-KAY-shun?"
5) Norman: "Well honey, there is bad news and there is good news.......the bad news is that we didn't win anything in the MegaLottery......the good news is that we won't be hearing from your relatives."
4) AstroBoy: "I am glad it is over, now I can go back to fantasizing about women again instead of money."
3) Vik (Miami, Florida): "Only time I won a lottery was in 1972 when I was drafted into military service at #85. So did I win or did I lose?"
2) John Joe: "Now [the winners] can afford to buy gas."
1) Justin Kase: "At least not winning saves a whole lot of deleting of Facebook friends this morning."

http://news.yahoo.com/blogs/

12 músicas de protesto para lembrar o golpe

 




Em memória do assombrado dia do golpe militar de 1964, ainda hoje definido pelos coronéis de pijama como Revolução, a Redentora, fizemos um long-play com 12 faixas de músicas de protesto dos anos 60 até agora.

1) “Carcará” – João do Vale. Talvez a mais forte de todos os tempos. Pega, mata e come! Veja aqui o vídeo.
2) “Cálice” – Chico Buarque. Recentemente o rapper Criolo vez uma versão que atualiza a letra para o drama social das periferias.
3) “Pra não dizer que não felei das flores” – Geraldo Vandré.
4) “É proibido proibir” – Caetano Veloso. Feita no período da Ditadura, cairia muito bem agora na gestão do Kassab em SP.
5) “Aquele abraço” – Gilberto Gil. Chacrinha continua balançando a pança…
6) “Vozes da Seca” – Luiz Gonzaga. Uma esmola para um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.
7) “O pequeno burguês” – Martinho da Vila. Vestibular, passei no vestibular…
8) “Todos os olhos” – Tom Zé. Esse poderia emplacar o LP inteiro.
9) “Deixe esse vergonha de lado” –Odair José. Um hino da luta de classes em louvor das empregadas domésticas.
10) “A cidade” – Chico Science & Nação Zumbi. “O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas/Que cresceram com a força de pedreiros suicidas. Perfeita para o debate sobre a especulação imobiliária que ataca o Recife.
11) “Diario de um detento” – Racionais MC´s. O grupo firmou a nova música de protesto nos anos 90. Histórico.
12) “Pânico em SP”, -Inocentes. O punk-rock paulista poderia emplacar também umas dez do Cólera. “Passeata” seria uma delas.

Óbvio que cometeremos algumas injustiças com alguns grupos, cantores e compositores. Agora que ouvi, por exemplo, “Dedo na ferida”, do Emicida, que atualiza nossas tragédias até o episódio de Pinheirinho.
Você está aí para reparar as nossas falhas e omissões, como sempre neste blog. Quem você acha que não deveria ficar de fora?

http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/

sexta-feira, 30 de março de 2012

Bahia de luto







Prata da casa, madeira de lei, a própria alma da Bahia, EDERALDO GENTIL.
Que soem os atabaques, agogôs e berimbaus, que as ruas de Salvador se encham de suas  músicas...

‘Oásis de Bethânia’

Bem acompanhada, Maria Bethânia lança disco ‘solitário’

 

Álbum soa como resposta, ora doce, ora dura, às críticas recebidas por blog de poesia


Maria Bethânia lança novo disco, ‘Oásis de Bethânia’, com arranjadores convidados
Foto: Mônica Imbuzeiro / O Globo
Maria Bethânia lança novo disco, ‘Oásis de Bethânia’, com arranjadores convidadosMônica Imbuzeiro / O Globo

RIO - No fim de 2011, Maria Bethânia teve o impulso de entrar em estúdio para preparar um disco. Só sabia, então, que queria fazê-lo sozinha.
— Queria assinar, arcar com toda a responsabilidade. Meu desejo era por algo solitário, me expressar só. Se pudesse, faria à capela — exagera, sorrindo. — Porque nasci só, vou morrer só, não tenho filhos... Sou só.
Paradoxalmente, porém, o núcleo do CD "Oásis de Bethânia" (Biscoito Fino) está em "Carta de amor" — com refrãos de Paulo César Pinheiro e texto da cantora —, que já na abertura anuncia o oposto da solidão: "Não mexe comigo/ Que eu não ando só". Em seguida, Bethânia declama: "Eu tenho Zumbi, Besouro, o chefe dos Tupis/ (...) Eu tenho Jesus, Maria e José". E continua: "Eu posso engolir você/ Só pra cuspir depois". Palavras que podem ser lidas como resposta às críticas dirigidas a ela quando se soube que o Ministério da Cultura autorizou a captação de R$ 1,3 milhão para o projeto que ficou conhecido como "blog da Bethânia" — proposto a ela por Hermano Vianna, ele consistia na publicação de 365 vídeos com a cantora declamando poemas.
— Eram palavras que eu precisava dizer. Uma urgência. Quem quiser vestir a carapuça que vista — diz a cantora sobre "Carta de amor", justificando o longo silêncio desde a polêmica, há um ano. — Estava fazendo coisas, mas nada que precisasse que eu falasse com a imprensa. Até porque o assunto ia ser só um.
Musicalmente, Bethânia também não anda só. Apesar da instrumentação econômica que confirma seu desejo de solidão (muitas vezes há apenas um músico a seu lado), ela se cercou de boa companhia em "Oásis de Bethânia". Depois de ter Jaime Alem como fiel arranjador por 30 anos, a cantora convidou Jorge Helder (que assina com ela a "criação geral" do CD), Djavan, Hamilton de Holanda, Lenine, Mauricio Carrilho, Marcelo Costa e André Mehmari, além do próprio Alem, para assinar os arranjos — ao espalhar a autoria entre muitos, ela acaba reafirmando sua assinatura, solitária, como a mais forte do disco.
Das dez faixas, cinco são inéditas
Para cada faixa escolhida, vinha à sua mente o arranjador ideal. "O velho Francisco", de Chico Buarque — compositor ao qual a cantora planeja dedicar uma série de CDs ("No mínimo 12!", diz, rindo) — ficou a cargo de Lenine ("Seu Lenine é o que há de mais tradicional e mais moderno, traz uma novidade no entendimento rítmico"). Alem faz "Fado" ("A exuberância dele na viola, para mim, seu forte"). Carrilho está em "Calúnia" ("Seu violão filho de Baden").
— A primeira que pensei foi "Lágrima". Ouvia muito com Orlando Silva, já cantei, mas nunca pensei em gravá-la. Quis logo chamar o Hamilton (de Holanda, bandolinista). Gravamos juntos, ao vivo. Quase todo o CD foi assim. Ouvi "Salmo" (de Raphael Rabello e Paulo César Pinheiro) com Amélia Rabello e o próprio Raphael. Quando ouvi o violão dele, pensei: "Não posso gravar com violão". Chamei o (pianista André) Mehmari, que foi lindo. Aliás, depois que me botaram no pelourinho, tive muita sorte com essas pessoas que chamei. Vieram com tanta doçura, parecia uma coisa de Deus, unguentos de Maria de Bethânia mesmo.
Ela faz referência à personagem bíblica que ungiu os pés de Cristo e batizou a cidade israelense Maria de Bethânia, que inspirou o nome do CD:
— Conheci a cidade, que fica num oásis — conta, lembrando que o nome foi retirado do texto de "Carta de amor". — E meu oásis é o sertão, como na foto de Gringo Cardia na capa do disco.
Com dez faixas, "Oásis de Bethânia" — lançado junto com o aplicativo da cantora para iPhone — traz cinco inéditas: "Vive", de Djavan; "Casablanca" e "Fado", de Roque Ferreira (que tem três no CD); "Calmaria", de Jota Velloso; e "Carta de amor":
— Djavan me disse: "Desde 1978 não componho para você, quero fazer isso agora". Falei para escrever sobre o que quisesse e ele veio com uma de suas melhores. Já "Calmaria" tem a ver com meu momento de isolamento. E Roque, fora do samba de roda, mostra sua grande admiração pelo Caymmi romântico.
Num acaso, "Vive" acaba tocando numa ideia central do CD: o saber viver. Ou seja, chorar quando for para chorar ("Lágrima"), louvar a grandeza da existência ("Salmo"), ter a consciência da calmaria e da tempestade ("Calmaria"), assim como da passagem do tempo ("O velho Francisco"). E, acima de tudo (referência ao episódio do blog?), marcar a poesia como uma instância superior da vida. Bethânia sorri com a observação sobre a repetição no CD de palavras como poesia e poeta e destaca uma ocorrência:
— Fiquei muito com o repertório de Dalva (de Oliveira) para fazer o disco. E "Calúnia", sobre essa mulher que foi traída, caluniada, me pareceu uma boa preparação para "Carta de amor". "Deixa a calúnia de lado se de fato és poeta" (cita o verso de "Calúnia"). Boa parte da grandeza da canção está aí.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/bem-acompanhada-maria-bethania-lanca-disco-solitario-4447063#ixzz1qeasuale

Bares mortos

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Ruy Castro -

RIO DE JANEIRO - Você sente que o mundo mudou quando, ao voltar a seu bar favorito depois de longa folga, não reconhece ninguém ao redor. São outros os rostos, outra a cor dos drinques nas mesas, outra a música de fundo no ambiente, outros, até, os garçons. E, definitivamente, outros os retalhos de conversa que saem das mesas vizinhas -falam de um mundo a que você não pertence mais. Esse novo bar e esse novo mundo parecem frios e hostis. Mas é possível mudar de bar -ou de mundo.

Quem quer que tenha tido um passado em bares conheceu essa experiência. F. Scott Fitzgerald viveu-a em 1931, quando voltou a Paris depois do crack da Bolsa de Nova York, em 1929. Ao sentar-se ao balcão e ver os cacos de seu rosto no espelho, atrás das garrafas, nem ele se reconheceu. O mesmo já havia acontecido com seus antigos companheiros de farra na Paris dos anos loucos. Todos tinham pedido o chapéu antes dele, falindo ou morrendo.

Já Ernest Hemingway, antevendo essa possibilidade, nunca quis ter um pouso fixo. Dividia-se por bares de Nova York, Paris, Madri, Havana, às vezes dois em cada cidade -"Mi mojitos en La Bodeguita, mi daiquirís en La Floridita"-, e, com isso, tinha para onde correr se um bar o abandonasse. Sempre se considerou maior que esses bares, razão pela qual todos que frequentou, e não foram poucos, sacralizaram a mesa a que um dia ele se sentou.

Em minha trajetória etílica, também frequentei bares, no Rio e em São Paulo, que, sem que percebêssemos, estavam se transformando ou morrendo sob nossos pés. É feio ser o último da turma a pedir a saideira ou a conta. Melhor tentar sair mais cedo, antes que emborquem as cadeiras nas mesas, e nós com elas.

Parei de beber em 1988, aos 40. Nem cedo nem tarde, acho. Sobrevivi a todos os lugares onde bebi, mas por um triz.
 
 
 

"O Que Você Quer Saber De Verdade"

100% honesto

                 
publicado em
Suponha que você seja 100% honesto. Eu digo “suponha” porque suponho que você — assim como eu, Pedro e Barrabás — tenha lá seus pecadinhos. E pecado há de todos os calibres, meu irmão.
Em maior ou menor grau, eles estão encastoados no de-ene-á humano a solaparem idoneidade e afrontarem a ética, coisas bobas, aparentemente inofensivas, como: escolher rapidamente o pedaço mais carnudo do frango, antes que alguém da mesa o faça; fingir que um amigo guardava o seu lugar na fila e passar à frente de quem chegou mais cedo (cambada de trouxas!); sair do restaurante sem pagar um produto que você consumiu, mas não foi lançado na sua conta; estacionar o carrão na vaga para deficientes físicos, mesmo gozando de saúde impecável; comprar recibos falsos de um dentista que é primo do vizinho do seu amigo, pra abater no Imposto de Renda e enganar os carcarás da Receita; trapacear na prova, enganando o professor enquanto ele vai ao toalete, cheio de confiança (e a bexiga cheia); comprar uma dissertação na faculdade, ao invés de perder tempo estudando; não assinar a Carteira de Trabalho da empregada doméstica (aquela mocinha semianalfabeta que acabou de chegar do Norte); assediar, azucrinar a vida, mentir o tempo inteiro para uma mulher até conseguir fazer sexo com ela (daí, então, cair fora o mais rápido possível).
Até que alguém descubra os podres em nós, presume-se que sejamos todos honestos. Nestes dias em que denúncias cabeludas permeiam os noticiários, a própria presidente Dilma alertou que Orlando Silva (não o falecido seresteiro Orlando Silva, que cantava sucessos de Ataulfo Alves, como “Errei, erramos” e “Atire a primeira pedra”, mas o Ministro dos Esportes), frente às acusações de corrupção de que foi vítima, teria direito à Presunção de Inocência, como qualquer brasileiro. Putz! Será que até o pecê-dubê...
Quando eu era adolescente havia uma campanha de marketing no país denominada “Amar é...”, através da qual, frases melosas de amor foram utilizadas largamente em cadernos, agendas, cuecas, calcinhas, álbuns de figurinhas e embalagens de gomas de mascar. Lembro-me, como se fora hoje, de ter dito aos colegas de sala: “Amar é... transar com a professora Susi no banheiro do ginásio”. (Susi era nossa professora de Educação Física, linda, formosa, inalcançável e — melhor de tudo — tinha a língua levemente presa).
Não sei quem criou “Amar é...” (sei que não foi nem Deus, nem Moisés) e se o islougã continua vendendo hoje em dia. Com o tempo, perdi cabelos, o bom humor e um bocado de romantismo.
Então, esforçando-me para parecer inteligente (seguindo recomendações de um leitor militante do partido comunista, que postou mensagens no tuíter garantindo que eu era um escritor fraco e só escrevia besteiras), fiz uma analogia ao “Amar é...” (provavelmente, outra de minhas besteiras) para definir (presumir) o que fosse “fazer política no Brasil”.
“Fazer política é... teimar com a mãe e se candidatar a vereador”.
“Fazer política é... não apenas dormir com o inimigo, mas ser por ele sodomizado, e ainda por cima ter que dar tapinhas nas suas costas”.
“Fazer política é... um mal necessário”.
“Fazer política é... fazer o bem. Primeiro a sua família, é claro”.
“Fazer política é... exigir que, durante uma conversa reservada, seu interlocutor esvazie os bolsos e desligue o aparelho celular”.
“Fazer política é... colocar em dúvida a honra do seu adversário, por mais ilibado e probo que ele seja”.
“Fazer política é... conseguir tomar cafezinho com o sujeito que o difamou, ainda há pouco, no plenário da câmara”.
“Fazer política é... trair na hora certa”.
“Fazer política é... subtrair. Somar decepções”.
“Fazer política é... saber dar entrevistas à imprensa”.
“Fazer política é... exercitar o cinismo até convencer sua mãe que você presta”.
“Fazer política é... delatar um correligionário se ele esboçar sinal de fraqueza”.
“Fazer política é... convencer o policial federal que o uso de algemas é absolutamente desnecessário no seu caso”.
“Fazer política é... a arte de engolir sapos e evacuar porcos-espinhos. Há que se ter estômago de avestruz e ânus de elefante. Não tem jeito: precisa fazer parte da fauna”.
“Fazer política é... amar a Deus como se ama (e muito) a si mesmo”.
Para encerrar a minha crônica istendápi-cómedi (o meu surto rafinha-bastiano): eu, cidadão brasileiro, 98% honesto (presumivelmente), penso que fazer política no Brasil seja a arte de se relevar injúrias e difamações, ainda que elas sejam reais.
E antes que algum comunista mal humorado me coma como se eu fosse criancinha, declaro que, tal e qual a Dilma, eu também presumo seja o Ministro inocente. É. Eu também acredito no Landinho, camarada.

POR EM 21/10/2011