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sábado, 21 de abril de 2012
Brasília
Rio, perdoa o ingrato - David Nasser

DOU uma volta
pelo Rio, agora que deixou de ser capital. Quero ver a diferença. Começo pelo
Palácio Guanabara, vindo da Zona Sul. Naquela sacada, há muitos anos, um gaúcho
teve a vida à mercê de um tenente invasor. O gaúcho era Vargas. O tenente,
Severo Fournier. Poderia ter mudado o curso da História. Não o fêz, porque o
gaúcho se mostrou corajoso. Saio do Palácio e cruzo a rua no ponto onde João
Alberto teve casa. Tipo invulgar, aquêle. Quando falava, todo mundo virava
auditório. Atravessou a vida brasileira em vinte e cinco anos demorados,
marcando a sua presença em cada revolução, em cada aventura. Onde se mostrou
mais esplêndido foi na aventura da morte. Estava em Genebra, a última vez em que
o vi, e falava do Rio como de uma mulher bonita, de que não tivesse mágoa nem
saudade. Aqui havia amado, vencido, e conhecera belos momentos, antes de sofrer
marcas inapagáveis. Falava de Goes Monteiro, um general que muitos de vocês,
guanabarinos, já esqueceram. Um general político, politizado, politizante, que
guerreara os paulistas em 32, nas margens do Itararé, se é que Itararé era rio
mesmo. Num prédio velho da Rua Gustavo Sampaio morava Chico Campos, a quem os
estudantes daquela época apelidaram de Chico Ciência. Mineirão de óculos. Senhor
de respeitável cultura jurídica. Seu vizinho, jovem pianista, também de aros de
tartaruga, também mineiro, se chamava Ari Barroso. Do outro lado da rua morava
por acaso - só por acaso os cariocas moram no Rio - um carioca de nome Francisco
Alves. Ari Barroso ia às vêzes à sala de Chico Alves e o acompanhava ao piano,
ensaiando, enquanto da varanda do lado, Chico Campos os espiava, sem saber que
estava espiando, musicalmente, a história desta cidade. Havia outro bangalô,
mais adiante, na mesma rua, onde morava um casal tranqüilo. Ela, Dona Santinha.
Êle, Eurico Dutra, ou simplesmente, o Gaspar. Na manhã das eleições
presidenciais, encontrei-o dando milho às galinhas, homem em paz com a vida.
Venceu as eleições contra o Brigadeiro. O Brigadeiro era o que se pode chamar de
cinzento, sombrio, fechado como o aeroporto de S. Paulo em dia de chuva. Morava
no Flamengo. No Leblon, entretanto, morava Cristiano, o bom Cristiano Machado,
irmão do Aníbal e de Lúcia. Fizeram maldade com o puríssimo Cristiano,
acenando-lhe com uma impossível Presidência da República. O honesto mineiro, que
estava pagando mensalmente o apartamento do Leblon ao Instituto dos
Comerciários, atrapalhou-se todo, deixou-se embalar com o sonho durante
meses.
MAIS experiente, o General
Canrobert morava do outro lado da cidade, na Zona Norte, quase no Méier,
precisamente na Bôca do Mato. Quiseram torrá-lo com a candidatura à Presidência,
mas percebeu o jôgo. Era homem direito e patriota. Foi o primeiro a me falar de
Lott, que naquele tempo todos conheciam por Duffles. - “Lá em S. Paulo” - disse-me Canrobert - “o Duffles opinou contra a
intervenção.” - “Duffles?” - indaguei. - “Duffles com um F ou dois FF?”PELAS mesmas bandas morava, por acaso, um carioca. Chamava-se Orestes Barbosa. Chama-se ainda, graças a Deus, pois está vivo. Só bastante míope. Vive na Ilha de Paquetá e ainda faz versos, mas ninguém quer musicá-los, porque são lindos.
VINDO pela Tijuca, encontramos a casa do General Etchegoyen, um Chefe de Polícia que mandou fechar a zona, prender os bicheiros e demitir os venais. Nunca vi homem dar tanto murro em faca de ponta. Morreu naturalmente, pobre e esquecido. Também na Tijuca. Lá onde vive até hoje êsse boa praça que é o Peixoto de Castro. Aos setenta anos, mandou fazer uma piscina nos fundos de casa. Não o conhecia, mas tôdas as tardes, ao voltar do trabalho, eu passava pelo casarão de muro baixo e aberto, e perguntava a quem estivesse no jardim: - “Como vai o Peixoto?” - Invàrialvelmente, o homem respondia: “Vai bem”. Um dia, o substituto respondeu: - “Vou bem”.
SUBO pelos flancos de Santa Teresa, o único morro do Rio que não tem samba, e não posso esquecer a figura de Oswaldo Aranha, num velho solar, rodeado de amigos, e falando a um môço que começava no jornalismo, com a mesma atenção que daria a Drew Pearson quinze anos depois. Essa esplêndida casa seria ocupada depois pelo Barreto Pinto. O mesmo Barreto Pinto que iríamos encontrar, mais tarde, em trajes de veraneio, naquela mesma Rua Gustavo Sampaio, do Dutra, do Chico Campos, do Chico Alves, do Ari. Uma rua de saudade.
VENHO pela Urca onde estão hoje em dia os estúdios do Canal 6, e lembro o Cassino, um cassino bipartido, pois passava uma avenida no meio. Na entrada, pareço estar vendo um homem magro e trigueiro, Joaquim Rolla. Em Minas fôra tropeiro. Levara mulas pela serra acima, trouxera mulas pela serra abaixo. Aqui, na Urca, arrancava com tôda a dignidade as rendas de outras mulas, fazendo melhor redistribuição de riquezas. Para isso, organizava “shows” monumentais. Lucienne Boyer, Pedro Vargas, Carmen Miranda e, nascendo profissionalmente, Grande Otelo, Linda Batista, Emilinha. Um falso maestro regia a orquestra: Carlos Machado. Vinha de Paris, dos braços de Mistinguette, e ninguém imaginava a sua carreira fabulosa.
DEPOIS, a guerra. O Rio hospedando, abrindo os braços, recolhendo náufragos da catástrofe, sem se importar com a origem, a raça, a condição social. Um príncipe polonês, outro romeno, um carpinteiro francês. Do navio desce um homem gordo e estranho. Seu nome é Bernanos. Noutro dia, desembarcam dois jovens franceses: Jean Manzon e Pierre Daninos. Manzon traz uma carta de Alberto Cavalcanti, carioca exilado em Londres, para Lourival Fontes, sergipano. A guerra passa. Nova gente começa a aparecer. A estrêla, a velha estrêla de Valadares brilha sempre. Êle traz pela mão um môço deputado, de muito futuro. Seu nome é Juscelino Kubitschek de Oliveira.
FIGURAS antigas se misturam com figuras recentes, lá dentro. Flôres da Cunha parece relíquia. Mas, quando fala, impõe silêncio e respeito. O potiguar Café Filho é o deputado mais trabalhador: apresenta um projeto por dia. Desponta um novo sol, Carlos Lacerda. Na Presidência, ainda Gétulio. Já não há mais cassinos. Dutra fechou. Surgem rótulos novos para a política nacional. Jango, Jânio, Armando Falcão e Vieira de Mello. De vez em quando, emergem dos sarcófagos os fantasmas de Capanema, Mangabeira, Mello Franco. O Sr. Adhemar de Barros visita a cidade, mas todos percebem ressentimento quando fala no figurino da época, Jânio Quadros. Logo aparece Ferrari com a legenda das mãos limpas. Os Brizola, os Eloy Dutra, os Silveira, os Jurema passam a fazer história e a cidade olha os Mendes de Moraes, Ruy Carneiro, Filinto Müller, Capanema, Bias Fortes, Gilberto Marinho, como gente da Idade Média.
NISTO, surge Brasília. De repente, cresce a possibilidade de o Rio de Janeiro deixar de ser a capital, o centro nervoso de uma República. Brasília é estruturada. Não importa, agora, discutir como. Passou o tempo em que podia ser discutida. Vem o dia. A mudança. O Rio, nesta manhã, deixou de ser a capital brasileira.
O CARIOCA, que é o objeto mais difícil de ser encontrado nesta cidade, ou mesmo o forasteiro que aqui chegou, aqui mora e aqui fica, não sabe exatamente o que acontecerá, agora, depois da mudança. Fica à espera, como quem espera o dilúvio ou o eclipse. Não consola a idéia de que o corpo aqui ficará, enquanto a cabeça irá para Brasília. Apenas quer saber como se portará o Rio, depois que a Côrte se transferir realmente para longe.
O DIA amanhece igual. O Rio também. O Distrito Federal vira Estado da Guanabara, o Prefeito passa a ser Governador, o Chefe de Polícia é Secretário de Segurança. Alguma confusão a princípio, muito natural, numa cidade que se enviúva de repente. Os jornais não mudam de fisionomia, mas passam a falar de certas pessoas como de gente que está longe. Faço a minha ronda de saudade. O Palácio Tiradentes está no mesmo lugar, do mesmo jeito. Que farão do Palácio Tiradentes? E do Senado, no fim da Avenida? Espio aquêle monstro que é o Palácio da Fazenda. De que servirá, depois que todo o Ministério se transferir realmente para Brasília? Terei saudade do Sebastião? E o Ministério da Guerra, o Palácio da Guerra, que acontecerá ao edifício comprido, depois da mudança? O Catete, já se sabe, vira museu. O Ministério do Trabalho, o da Educação que Portinari ilustrou como um livro de azulejos? Qual será o destino disso tudo? Quem irá ocupar o austero Supremo Tribunal? Haverá gente para ocupar o Ministério da Marinha?
GANHAMOS todos êsses prédios Ganhamos a liberdade de ser município sem os ônus de Capital da República. Somos ao mesmo tempo cidade, município e capital de município. Um pedacinho de terra, feliz, do Joá a Santa Cruz. Ficamos com o nosso Corpo de Bombeiros valente e mal pago, com a nossa policiazinha mambembe viajando de bonde, com a nossa falta de água, com a nossa falta de telefones, com as nossas enchentes. Mas os nossos problemas são, de agora em diante, inteiramente nossos. Não precisamos transferi-los ao Arquiprefeito, que era, nesta cidade, o Presidente da República. As levas de nordestinos, famintos, explorados, irão para Brasília, a nova meca, onde há trabalho. Aqui haverá apenas paz de criança dormindo, como diria Dolores. Não mais os Itas, os trens da Central, os aviões desembarcando aventureiros em busca de empregos. No lugar onde se espremia uma cidade-pardieiro, uma espécie de metrópole-cortiço, surge uma boa casa, de varanda para o mar. Rachel pode voltar à Ilha, apesar da ponte, Pongetti voltará a passear de madrugada pelas ruas da Lapa, ouvindo trechos de conversa, pedaços de vida, que cantará em prosa, como o poeta da cidade, onde Castro Alves não mais desembarcará. Nem Gonçalves Dias virá do Maranhão. O caminho é Brasília. Vão todos para Brasília. Perco um amigo, Geraldo Carneiro.
OBRIGADO, Juscelino, por fazer disto uma cidade.
O RIO os viu partir com tristeza. Eram alegres paus-de-arara que haviam chegado, trazidos pela ambição e aqui se tornaram poetas famosos, funcionários de categoria, tabeliões, médicos ilustres e até Ministros de Estado. Eram mineiros, mineirões e mineirinhos, todos felizes na nova dinastia. Eram paulistas que haviam subido aos melhores cargos. Ou sulistas que perderam o sotaque, os hábitos, na cidade desprendida e hospitaleira. O Rio os viu partir com emoção. Nesses dois séculos de capital, ninguém se sentira estrangeiro dentro das fronteiras invisíveis desta cidade amiga, a menos bairrista, a menos apaixonada, a mais brasileira do Brasil. Tão senhora de si, que nada lhe restando para dar, na hora em que a despojavam de tudo, transformava em cidadãos cariocas aquêles que se despediam. Como aquela história da árvore que perfuma o machado do lenhador. O Rio, amante, velha, enrugada, beijava as mãos do senhor que a trocava pelo amor mais môço, pela nova aventura de outono, pela Brasília mulata.
NESTA manhã chuvosa, quase fria, neste dia cinzento, o Rio deixa de ser capital do Brasil, mas não se sente infeliz por isso. Que imaginam vocês da responsabilidade, da utilidade ou da necessidade de uma beleza como esta, plantada na orla marítima, inundada de sol, feliz com os seus defeitos, qual a vantagem de ser capital política e administrativa? Acenaram-nos o consôlo de que, por muitos séculos, o centro literário, musical, artístico, não sairá daqui. Na verdade, tais condições não se improvisam, não se constroem. Até isso, entretanto, os forasteiros poderiam ter levado. Nesses duzentos anos, não temos feito outra coisa, nós, os ingratos que chegamos ao Rio, à velha Côrte, senão levá-la aos poucos, senão mudá-la aos poucos.
DE qualquer forma, obrigado, Juscelino, por fazer disto uma cidade. Com a sua Brasília, fêz do Rio uma cidade autônoma, habitável e mais vazia, embora sem o encanto de sua presença. Nós, os ingratos, nem de longe poderíamos imaginar como é bom viver longe dos políticos, das confusões, de todo êsse aglomerado humano que faz da Côrte uma cidade hostil, atravancada, sem nenhum atrativo. Ninguém podia imaginar que de repente voltássemos, sem sair daqui, a uma ilha de paz, de sol e de perdão. Obrigado, Juscelino, por não te haveres esquecido de nossas aflições na hora de nossa morte como capital, deixando-nos, como herança êsse mineirinho simpático e promissor, êsse filhote de Juscelino, que é o jovem Sette Câmara, presença imaterial de Juscelino na solução de nossos problemas deixados em meio. Obrigado, Juscelino, por haveres trocado está cidade por uma paixão recente. O Rio te agradece por Brasília, a noiva que preferiste a um velho amor.
O PIF-PAF
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A dama gentil
e senil era, naturalmente, incapaz de compreender o fenômeno. Tanto mais que ali
mesmo à sua frente, prêso a um poleiro de ferro, estava um outro ser, também
animal, inferior até ao gato, pois era sòmente uma pobre ave, mas que falava!
Falava mesmo muito mais do que devia! Um papagaio que falava pelas tripas do
Judas. Curiosa natureza, pensava a mulher, que fazia um gato quase humano, sem
fala, e um papagaio cretino mas parlapatão. E quanto mais meditava mais tempo
gastava com o gato no colo, tentando métodos, repetindo sílabas, redobrando
cuidados, para ver se conseguia que seu miado virasse fala.
Exatamente no
dia 16 de maio de 1958 foi que teve a idéia genial. Quando a idéia iluminou seu
cérebro, veio logo acompanhada da crítica, autocrítica: “Mas, como não ocorreu isso
antes” perguntou ela para si
própria, muito gentil e senil como sempre, mas agora também autopunitiva. “Como não me ocorreu isso
antes?” O papagaio viu o
brilho da dona o seu (dêle) terrível destino e tentou escapar, mas estava prêso.
Foi morto, depenado, e cozinhado em menos de uma hora. Pois o raciocínio da
mulher era lógico e científico: se desse ao gato o papagaio como alimentação,
não era evidente que o gato começaria a falar? Não era? O gato, a princípio, não
quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu experimento científico, a
dama gentil e senil procurou forçá-lo. Não conseguindo que o gato comesse o
papagaio, bateu-lhe mesmo - horror! - pela primeira vez. Mas o gato se recusou.
Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o
papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia do estômago, êle olhou para a
dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio
currupaco, meio miau-aua-au (mas perfeitamente compreensível):
- Madame, foge
pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair. Corre madame, que o
prédio vai cair!
A mulher,
tremendo de comoção e de alegria, chorando e rindo, pôs-se a gritar por sua vez:
- Vejam, vejam, meu gatinho fala! Milagre! Milagre! Fala o meu
gatinho!
Mas o gato,
fugindo ao seu abraço, saltou para a janela e gritou de novo:
- Foge, madame, que o prédio vai cair! Madame, foge! - e pulou para a rua.
Nesse momento,
com um estrondo monstruoso, o prédio inteiro veio abaixo, sepultando a dama
gentil e senil em meio aos seus escombros.
O gato,
escondido melancòlicamente num terreno baldio, ficou vendo o tumulto diante do
desastre e comentou apenas, com um gato mais pobre que passava:
Veja só que
cretina. Passou a vida inteira para fazer eu falar e no momento em que eu falei
não me prestou a mínima atenção.
MORAL: - O mal
do artista é não acreditar na própria criação.
http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/brasilia.htm |
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Begin the beguine
Bing Crosby
Ella Fritzgerald
Gal Costa
“Sonhos não envelhecem" -
Clube da Esquina faz 40 anos: “Sonhos não envelhecem"
O cantor Milton Nascimento com os compositores Lô Borges e Beto Guedes em Niterói (RJ), em 1972
A primeira canção, chamada “Clube da Esquina”, de Milton, Lô e Márcio Borges, foi gravada antes, em 1970. Era o começo:
Lembro-me dessa época. Mineira de Juiz de Fora, passei minha adolescência entre músicos, cantando pelas esquinas, nos bares, nas praças e até participei de serenatas. Na verdade, eu era plateia. De vez em quando entrava no coro ou tocava um chocalho. Mas integrava toda aquela magia de um grupo de amigos que sonhava com um mundo melhor e cantava isso por aí. Magia essa muito bem representada pelo Clube da Esquina. Sabíamos de cor todas aquelas músicas. Era muito bom.
O Estado de Minas fez uma belíssima reportagem sobre o aniversário do Clube da Esquina. A equipe do jornal até encontrou Tonho e Cacau, os meninos que estampam a capa do disco e que são incansavelmente e erroneamente confundidos com Lô e Milton quando crianças.
Se a gente quisesse fixar geograficamente o Clube da Esquina, primeiro mostraríamos o mapa do Brasil, depois Minas Gerais, depois Belo Horizonte e, por fim, a esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis no bairro de Santa Tereza. Mas é bem mais que isso. Um grupo de artistas se reuniu para criar um novo tipo de música e rompeu todas as fronteiras. Milton Nascimento conta que no mundo inteiro encontra músicos que querem vir ao Brasil conhecer a tal sede do Clube da Esquina, que não existe! Ele tenta explicar, mas, convenhamos, não é fácil.
E quer saber mais? A maioria das músicas foi composta no Rio de Janeiro e não em Minas Gerais! Os mineiros viajaram para a casa de Milton Nascimento no Rio e depois foram para uma praia então ainda deserta em Niterói (Mar Azul, Praia de Piratininga) só para criar as canções e arranjos do disco, em paz.
Entrevista: Lô Borges fala à Rolling Stone Brasil sobre a família, a eterna admiração pelos Beatles e a possibilidade de uma reunião do Clube da Esquina em 2012
Atualmente, a gente pode encontrar a sede do Clube da Esquina em um museu virtual, projeto do Museu da Pessoa. O Clube continua crescendo, abrangendo novas gerações e cada vez mais agregados. O pernambucano Lenine, por exemplo, gravou uma música bem ao estilo do Clube com Rodrigo Borges. Chama-se “Qualquer Palavra”. Rodrigo é filho de Marilton Borges, outro integrante da turma, irmão de Lô e Márcio. Já é a segunda geração.
Clube da Esquina é Minas Gerais – e é, ao mesmo tempo, universal. Os expoentes desse grupo, além de Milton Nascimento e Lô Borges, foram Fernando Brant, Márcio Borges (irmão de Lô), Wagner Tiso, Toninho Horta, Beto Guedes, Tavinho Moura, Ronaldo Bastos e Flávio Venturini. Mas tem mais, muito mais. Milton teve de batalhar na Odeon para conseguir gravar um álbum duplo com um bando de desconhecidos naquela época. O disco fez com que todos ficassem famosos.
Seis anos depois, em 1978, o Clube da Esquina 2 foi lançado. Não causou o mesmo impacto que o primeiro, mas também é muito, muito bom mesmo. A música de mesmo nome que o disco é uma das canções que mais gosto. É, “sonhos não envelhecem”.
Mas, em vez de eu ficar aqui escrevendo e escrevendo, é melhor ouvir mais. Escolhi outras três músicas do primeiro Clube da Esquina, mas você pode achar mais no YouTube, em inúmeras versões. E quem se interessar pela história do Clube, recomendo, além do Museu Clube da Esquina, a reportagem do Estado de Minas.
A seguir, todas as faixas do álbum, gravado em março de 1972:
“Tudo que Você Podia Ser” (Lô e Márcio Borges)
“O Trem Azul” (Lô Borges e Ronaldo Bastos)
“Nuvem Cigana” (Lô Borges e Ronaldo Bastos)
“Dos Cruces” (Carmelo Larrea)
“San Vicente” (Milton Nascimento e Fernando Brant)
“Clube da Esquina nº 2” (Milton Nascimento e Lô Borges)
“Me Ceixa em Paz” (Monsueto e Ayirton Amorim)
“Saídas e Bandeiras nº 2” (Milton Nascimento e Beto Guedes)
“Pelo Amor de Deus” (Milton Nascimento)
“Trem de Doido” (Lô e Márcio Borges)
“Ao que Vai Nascer” (Milton Nascimento e Fernando Brant)
“Cais” (Miton Nascimento e Ronaldo Bastos)
“Saídas e Bandeiras nº 1” (Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brant)
“Cravo e Canela” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)
“Um Girassol da Cor de seu Cabelo” (Lô e Márcio Borges)
“Estrelas” (Lô e Márcio Borges)
“Paisagem na Janela” (Lô Borges e Fernando Brant)
“Os povos” (Milton Nascimento e Márcio Borges)
“Um Gôsto de Sol” (Milton Nascimento)
“Lilia” (Milton Nascimento e Fernando Brant)
“Nada Será Como Antes” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)
La lucha de la mujer por llevar los pantalones
El estilo de Audrey Hepburn influyó en la aceptación del pantalón.
Decenas de miles de mujeres en Occidente se abrochan cada día el pantalón sin darle más trascendencia que cualquier hombre. Pero emplear esta prenda no siempre estuvo carente de connotaciones y, aún hoy, todavía se lee como un símbolo de poder, fuerza o incluso irreverencia en algunos ámbitos. Y es que desde la escritora George Sand se apropiara del calzón para recorrer más cómodamente las calles de París, esta prenda ha vestido las pequeñas y grandes revoluciones que han jalonado la ruta hacia la emancipación de las mujeres. Un camino que la socióloga francesa Christine Bard disecciona en Historia políticia del pantalón (Ensayo Tusquets).
La autora recorre las etapas más significativas de la apropiación de esta prenda por las mujeres: desde sus primeros y tímitidos pasos dentro del mundo del deporte en los años veinte hasta las dificultades que las profesionales tuvieron prácticamente hasta hoy para poder utilizarlo en sus puestos de trabajo.
Porque la mejor prueba de la importancia política y simbólica del pantalón femenino es que, aún cuando las mujeres lograron la igualdad civil y laboral frenta a los hombres, amplios sectores de la sociedad no aceptaban que se vistieran como ellos.
Y no es necesario retrotraerse demasiado en el tiempo. Bard recuerda que en 1970 los ordenanzas de la Asamblea Nacional francesa niegan la entrada a Denise Cacheux (socialista) y Michèle Alliot-Marie (gaullista) por llevar pantalones. Esta última, consejera del gabinete de Edgar Faure explica a este ministro que si lo que les molesta es el pantalón, ella estaría dispuesta a quitárselo sin ningún problema. Y solo a través de esta pequeña irreverencia consigue doblegar al ordenanza y sentar precedente para el resto de políticas.
Aún hoy, los pantalones todavía no son una prenda neutral, ni carente de significado, cuando quien los viste es una mujer. Buena prueba de ello son las críticas que recibió el esmoquín que la entonces ministra de Defensa, Carme Chacón, lució en la Pascua Militar de 2009. El protocolo afirma que las mujeres debían llevar vestidos largos. Pero el revuelo que causó su elección fue tal que el departamento de Defensa tuvo que aclarar que el estilismo de Chacón se ajustaba "perfectamente" a la etiqueta requerida.
El uso del pantalón por parte de las mujeres se aceptó socialmente por un breve periodo de tiempo y razones puramente prácticas durante la II Guerra Mundial. La mujeres tienen que incorporarse como obreras en fábricas dy allí adoptan la vestimenta más cómoda y segura: pelo recogido y pantalones. Pero en cuanto los soldados vuelven del frente, las mujeres vuelven a la cocina y se impone una hiperfeminización en su indumentaria que busca potenciar su rol tradicional como reposo del guerrero y madre.
Aún así, el pantalón no desaparece del todo, sobre todo entre las mujeres que se condiran más modernas. Audrey Hepburn encarna mejor que nadie este nuevo estilo. Exhibe un aire masculino y femenino al mismo tiempo, una combinación aceptable en unos tiempos todavía muy puritanos. Es la embajadora ideal del pantalón femenino, que lleva con zapatos planos y el pelo corto. Su estilo, imitado por numerosas admiradoras, influye mucho en la aceptación del pantalón.
Pero su extensión a un público mayoritario, su eclosión no llegará hasta que es adoptado en los sesenta por la alta costura y el pret a porter hasta 1960, en gran parte gracias a Yves Saint Laurent, que en 1966 lanza el esmoquin femenino. El diseñador considera, no obstante, que "la libertad y la igualdad no se comprar con un calzón", sino que "son un estado de ánimo".
A finales de los años sesenta y principios de los setenta, tiene lugar la revolución de los vaqueros, se convierten en la primera prenda "mixta". Constituyen un emblema del movimiento revolucionario en los campus, del rechazo a la guerra de Vietnam, de la lucha de los negros por sus derechos civiles y del resurgimiento del feminismo. Con el estilo hippy, los 'jeans' experimentan un difusión masiva entre ambos sexos.
http://cultura.elpais.com/cultura/2012/04/20/actualidad/1334914119_972381.html
La autora recorre las etapas más significativas de la apropiación de esta prenda por las mujeres: desde sus primeros y tímitidos pasos dentro del mundo del deporte en los años veinte hasta las dificultades que las profesionales tuvieron prácticamente hasta hoy para poder utilizarlo en sus puestos de trabajo.
Aún cuando las mujeres lograron la igualdad civil, amplios sectores de la sociedad no aceptaban que vistieran pantalones
Y no es necesario retrotraerse demasiado en el tiempo. Bard recuerda que en 1970 los ordenanzas de la Asamblea Nacional francesa niegan la entrada a Denise Cacheux (socialista) y Michèle Alliot-Marie (gaullista) por llevar pantalones. Esta última, consejera del gabinete de Edgar Faure explica a este ministro que si lo que les molesta es el pantalón, ella estaría dispuesta a quitárselo sin ningún problema. Y solo a través de esta pequeña irreverencia consigue doblegar al ordenanza y sentar precedente para el resto de políticas.
Aún hoy, los pantalones todavía no son una prenda neutral, ni carente de significado, cuando quien los viste es una mujer. Buena prueba de ello son las críticas que recibió el esmoquín que la entonces ministra de Defensa, Carme Chacón, lució en la Pascua Militar de 2009. El protocolo afirma que las mujeres debían llevar vestidos largos. Pero el revuelo que causó su elección fue tal que el departamento de Defensa tuvo que aclarar que el estilismo de Chacón se ajustaba "perfectamente" a la etiqueta requerida.
El uso del pantalón por parte de las mujeres se aceptó socialmente por un breve periodo de tiempo y razones puramente prácticas durante la II Guerra Mundial. La mujeres tienen que incorporarse como obreras en fábricas dy allí adoptan la vestimenta más cómoda y segura: pelo recogido y pantalones. Pero en cuanto los soldados vuelven del frente, las mujeres vuelven a la cocina y se impone una hiperfeminización en su indumentaria que busca potenciar su rol tradicional como reposo del guerrero y madre.
Aún así, el pantalón no desaparece del todo, sobre todo entre las mujeres que se condiran más modernas. Audrey Hepburn encarna mejor que nadie este nuevo estilo. Exhibe un aire masculino y femenino al mismo tiempo, una combinación aceptable en unos tiempos todavía muy puritanos. Es la embajadora ideal del pantalón femenino, que lleva con zapatos planos y el pelo corto. Su estilo, imitado por numerosas admiradoras, influye mucho en la aceptación del pantalón.
El estilo de Audrey Hepburn es imitado por miles de admiradoras e influye en la aceptación del pantalón
A finales de los años sesenta y principios de los setenta, tiene lugar la revolución de los vaqueros, se convierten en la primera prenda "mixta". Constituyen un emblema del movimiento revolucionario en los campus, del rechazo a la guerra de Vietnam, de la lucha de los negros por sus derechos civiles y del resurgimiento del feminismo. Con el estilo hippy, los 'jeans' experimentan un difusión masiva entre ambos sexos.
http://cultura.elpais.com/cultura/2012/04/20/actualidad/1334914119_972381.html
Ser feliz faz parte do meu show.
São duas as moedas que compram a Liberdade: chamam-se Desapego e Coragem. E não dá para se ter uma sem a outra. Acontece que o verdadeiro desapego vai além das coisas materiais. Só ficamos realmente livres quando nos desapegamos até das coisas espirituais. Principalmente das coisas espirituais! Não basta desapegar-se do vinho e do Camaro vermelho: é preciso desapegar-se de Zeus. De Zeus, de Apolo, e de Vênus. É preciso desapegar-se do pão e das flores. Das estrelas — e também dos amores...
http://www.edsonmarques.com/
quinta-feira, 19 de abril de 2012
AMOR DE ÍNDIO - MARIA BETHÂNIA
SIM, TODO AMOR É SAGRADO!!!
AMOR DE ÍNDIO
(Beto Guedes/Ronaldo Bastos)
Tudo que move é sagrado
e remove as montanhas
com todo o cuidado, meu amor.
Enquanto a chama arder
todo dia te ver passar
tudo viver a teu lado
com arco da promessa
do azul pintado, pra durar.
Abelha fazendo o mel
vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor
e ser todo
Todo dia é de viver
para ser o que for
e ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
e o fruto do trabalho
é mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
e alimenta de horizontes
o tempo acordado, de viver.
No inverno te proteger, no verão sair pra pescar
no outono te conheçer, primavera poder gostar
no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor e ser tudo.
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