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domingo, 3 de junho de 2012

O Amor acima de tudo...

Mônica Bergamo




monica.bergamo@grupofolha.com.br



Isadora Brant/Folhapress/Porto Alegre, SP
O advogado em sua casa, em Porto Alegre
O advogado em sua casa, em Porto Alegre

'Dilma foi o meu maior amor'

Ex-marido e grande amigo da presidente, Carlos Araújo fala de prisão, tortura e também de paixão: 'Dilma é romântica e gosta de sonhar'

"Um café? Sim, quando você quiser, meu anjo." E assim, no primeiro telefonema, e em menos de cinco minutos, foi possível marcar um encontro com o advogado trabalhista Carlos Araújo, 74, ex-marido de Dilma Rousseff. Uma semana depois, ele abria a porta de sua casa, à beira do rio Guaíba, em Porto Alegre, para uma entrevista.


De temperamento oposto ao da presidente, tira fotos, é filmado. "Pode, sim", repete, a cada solicitação. "Olha, pode tudo. Aqui é liberdade total." Só vacila uma vez: "O quarto do bebê [Gabriel, 1, neto dele e de Dilma]? Não, aí..." Esfrega a testa: "Olha, a minha filha [Paula] é brava. Ela é muito brava".


Araújo continua a caminhar pela casa de quatro cômodos onde viveu com os pais, Afrânio e Marieta, já mortos, e depois com a presidente por 22 anos. "Quem vai levar uma bronca daquelas é a Dilma", diz. Paula viajou para Nova York e deixou Gabriel com a avó em Brasília -com a recomendação expressa de que não fosse fotografado pela imprensa. "Mas a Dilma se entusiasmou, levou ele lá na porta do Palácio."


Separados há 16 anos, ele e a presidente nunca se afastaram. "Ela que saiu daqui de casa. Sabe como é, a gente vai levando, eu não me separaria. Mas a Dilma tinha as razões dela. E depois eu a visitava, ela me visitava, a gente almoçava..." E a presidente comprou apartamento na rua do ex, "pra ficar pertinho, pra um proteger o outro".


Até hoje, passam Natal, Réveillon e "os feriadões" que conseguem juntos -Dilma, a filha, o genro, o neto, o ex-marido e a arquiteta Ana Meira, com quem Araújo é casado pela quinta vez (ele tem dois outros filhos de outros relacionamentos). Na virada do ano, foram todos para uma praia na Bahia.


Os dois se conheceram em 1969, numa reunião do Colina, grupo guerrilheiro em que ela militava e ao qual ele queria aderir. Passaram a viver juntos, na clandestinidade, já no segundo encontro.


ELA ERA MUITO BONITA

"A gente se amou rápido. Existe amor à primeira vista? Foi isso. Ela era muito bonita. Muito bonita. Inteligente. Decidida. Nossas energias, nossas fantasias se combinaram ali. O nome dela [na clandestinidade] era "Vanda". Eu era "Antero". Sabia que era mineira, pelo sotaque, e ela, que eu era gaúcho. Mais nada.


Foi uma relação intensa. Uma noite, nós tivemos uma briga violenta, à 1h da manhã, numa rua movimentada do Rio, um gritando com o outro. Havia cartazes procurando a gente, e nós ali, correndo o risco de ser presos por uma briga afetiva.


Ela sempre foi muito brava, de personalidade forte -mas extremamente generosa e solidária. E é até hoje."


Araújo sofre de enfisema pulmonar. Mesmo depois de separados, diz, Dilma sempre o cercou de cuidados. "Qualquer coisinha, já dava dura nos médicos." Hoje, ele respira com o auxílio de máquinas de oxigênio. Não pode ir a Brasília por causa do ar seco. Recentemente, ficou internado. Mas não se arrepende de ter fumado por décadas. "Era um prazer imenso."


Dilma foi presa em janeiro de 1970. Ele, em agosto. Neste período de separação forçada, Araújo teve um rápido romance com a atriz Bete Mendes, que também aderira à luta armada. Ele prefere não falar sobre isso. Estava com ela quando foi preso.


A TORTURA

" Fui preso pela equipe do [delegado Sérgio Paranhos] Fleury, no Dops. Me botaram no pau de arara, nu. Botavam fios nos dedos dos pés e das mãos, nos órgãos genitais, na língua, cabeça, orelhas. Ligavam aquilo na TV. Cada vez que passava de canal, era um pavor, pavor, pavor. Atiravam água e davam cacetada. Dói e parece que tu vai explodir. E o médico ali tirando a pressão pra ver se tu aguentava.


A pessoa, para torturar, ou é doente mental ou está animalizada. Pessoas que me torturaram se dopavam na minha frente, com injeção. Não tinham coragem, mas tinham que cumprir ordens.


Em geral, na literatura da esquerda, todos resistiram à tortura. Todos são heróis. E isso não é verdade, é ficção. Tem pessoas que aguentam mais, outras menos. Mas é insuportável. Acho que muitos morrem sem dizer palavra porque não têm o que dizer.


E o que acontece? As pessoas que vão ser torturadas não sabem que a tortura é praticamente irresistível e que elas vão precisar encontrar um mecanismo para amainar a situação. Nós não estávamos minimamente preparados. Toda pessoa, entre a dor continuada e a morte, prefere a morte. Porque é a forma de aliviar a dor.


Eu vi que não resistiria, que a dor era insuperável e que a única coisa digna que eu poderia fazer era me matar. Porque eu ia falar e entregar os meus companheiros.
Decidi: 'Vou inventar [para os militares] um encontro com o [Carlos] Lamarca e me matar'. Enfermeiros passaram a noite me dando massagem para eu conseguir ficar de pé no dia seguinte. Na tortura, o físico desmorona."


TENTATIVA DE SUICÍDIO

"No outro dia, me levaram a uma rua na Lapa. E eu comecei a vacilar. Dizia pra mim mesmo: 'Bem que tu falaste ontem lá na tortura que tu ia chegar aqui e ia te acovardar e não te matar'. Aí comecei a pensar: 'Quem sabe me atiro debaixo de um carro e não morro?'. Passou um fusca, veio uma Kombi. 'É alto, pode ser que eu dê sorte'. E me atirei. Tô ali, um bolo de gente, e ouço o cara da Kombi: 'Por que logo comigo, moço?'. Coitado, né? Decerto ia trabalhar e ficou desesperado."


Dilma cumpriu pena em SP e ele, no Rio. Na cadeia, conheceu a sogra, Dilma Jane, que foi visitá-lo. "E aí nasceu uma amizade tão profunda que resiste ao tempo. Ela é brilhante, revolucionária. Pensa além de nosso tempo." Araújo foi depois para o presídio Tiradentes, em SP, onde estava Dilma. As mães dos dois insistiram tanto que, "para se verem livres", as autoridades os reconheceram como casal. "O [delegado] Romeu Tuma deu parecer como que abençoando a relação. Nossa certidão de casamento foi emitida pelo Dops."

Dilma foi solta antes e passou a morar com os sogros em Porto Alegre, na casa onde Araújo vive até hoje. De lá, é possível avistar a Ilha do Presídio, para onde Araújo foi transferido logo depois. "Tá vendo aquele negócio verde ali? Ali, ó! Bem no meio do rio. Fiquei preso ali."


Depois de libertado, e com a abertura, o casal passou a militar no PDT de Brizola. Puderam enfim ter uma vida (quase) normal. "Nós éramos militantes [Araújo foi deputado estadual]. Chegávamos em casa exaustos, às vezes tinha briga por causa de política. Mas era um casamento sem muito conflito."
SONHAR JUNTO
"A Dilma é bastante romântica, sim. Gosta de música, de ficar junto, sonhando, pensando. Ah, não há dúvida: a Dilma foi o meu maior amor."

VAIDADE

"Ela era pouco vaidosa. Foi ficando quando começou a ocupar cargos no Estado. Hoje gosta de se vestir... embora aquelas roupas que ela usa ali [risos]... São bonitas. Mas todo mundo fala que é sempre a mesma, né?" Em 2010, quando fez plástica, Dilma ligou para o ex: 'Tu me leva lá? Fica lá comigo?'."


Quando Lula passou a dar sinais de que seria candidata, Dilma chamou o ex-marido e a filha para jantarem num bistrô. "A Paula ficou perplexa também. Eu perguntei: 'E tu te achas em condições de enfrentar essa parada?'. E ela: 'Tranquilamente'. Esse negócio de dizer que a Dilma é poste, não gosta de política... Como não gosta se fez política a vida inteira?"


Quando Dilma revelou que estava com câncer, "foi um choque terrível". "A gente acaba sendo meio irmão, sendo muita coisa ao mesmo tempo. Eu de certa forma sou a família da Dilma. Quem ela tem? A filha, a mãe e eu. E também ela será sempre a minha família. É impossível a gente pensar de outra forma."


A assistente de Araújo o interrompe. "O embaixador João Carlos quer falar ao telefone." Araújo atende: "Alô? Grande alegria, grande satisfação falar contigo, meu velho. Tu estás onde? Estamos com saudade de ti também. Tô louco para que tu venha para a gente se encontrar". Desliga. "Ele vai trazer o [presidente do Uruguai José] Mujica aqui em casa, eu acho."


Dias antes, Araújo havia recebido José Dirceu. Apesar da movimentação ("Ligam o dia inteiro atrás dele", conta a assistente), Araújo diz que evita se envolver. "Tenho que ter um cuidado tremendo porque acham que o que eu falo é o que a Dilma pensa."


Ele elogia a Comissão da Verdade. E critica a Lei da Anistia, "feita de cima para baixo". "Assim como nós [militantes de esquerda] fomos julgados, todos deveriam ser. Somos uma democracia. Quero sublinhar que temos que respeitar o que está vigindo. Mas posso ter aspirações."


Araújo acha que, por causa do neto, Dilma passará a visitar Porto Alegre com mais frequência. "Ela está encantada. Tá todo o tempo com ele no colo, brinca, pega na mão e anda por todo lugar. E ele pode tudo, tudo, tudo. Esse nunca vai levar bronca [de Dilma]. Esse vai dar bronca."

Folha de S.Paulo
03/06/2012

Eu Sei que é junho - Geraldo Valença

sábado, 2 de junho de 2012

Os limites da ordem


Boaventura de Sousa Santos

As sociedades contemporâneas estão gerando um combustível altamente inflamável que flui nos subsolos da vida coletiva. Trata-se de um combustível constituído pela mistura de quatro componentes: a promoção conjunta da desigualdade social e do individualismo, a mercantilização da vida individual e coletiva, a prática do racismo em nome da tolerância e o sequestro da democracia por elites privilegiadas, com a consequente transformação da política na administração do roubo “legal” dos cidadãos e do mal estar que provoca.

Os violentos distúrbios ocorridos na Inglaterra não devem ser vistos como um fenômeno isolado. Eles representam um perturbador sinal dos tempos. Sem se dar conta, as sociedades contemporâneas estão gerando um combustível altamente inflamável que flui nos subsolos da vida coletiva. Quando chegam à superfície, podem provocar um incêndio social de proporções inimagináveis.

Trata-se de um combustível constituído pela mistura de quatro componentes: a promoção conjunta da desigualdade social e do individualismo, a mercantilização da vida individual e coletiva, a prática do racismo em nome da tolerância e o sequestro da democracia por elites privilegiadas, com a consequente transformação da política na administração do roubo “legal” dos cidadãos e do mal estar que provoca.

Cada um destes componentes têm uma contradição interna: quando se superpõem, qualquer incidente pode provocar uma explosão.

- Desigualdade e individualismo. Com o neoliberalismo, o aumento brutal da desigualdade social deixou de ser um problema para passar a ser uma solução. A ostentação dos ricos e dos multimilionários transformou-se na prova do êxito de um modelo social que só deixa miséria para a imensa maioria dos cidadãos, supostamente porque estes não esforçam o suficiente para ter sucesso na vida. Isso só foi possível com a conversão do individualismo em um valor absoluto, o qual, paradoxalmente, só pode ser experimentado como uma utopia da igualdade, a possibilidade de que todos prescindam igualmente da solidariedade social, seja como seus agentes, seja como seus beneficiários. Para o indivíduo assim concebido, a desigualdade unicamente é um problema quando ela é adversa a ele e, quando isso ocorre, nunca é reconhecida como merecida.

- Mercantilização da vida. A sociedade de consumo consiste na substituição das relações entre pessoas pelas relações entre pessoas e coisas. Os objetos de consumo deixam de satisfazer necessidades para criá-las incessantemente e o investimento pessoal neles é tão intenso quando se tem como quando não se tem. Os centros comerciais são a visão espectral de uma rede de relações sociais que começa e termina nos objetos. O capital, com sua sede infinita de lucros, submeteu à lógica mercantil bens que sempre pensamos que eram demasiado comuns (como a água e o ar) ou demasiado pessoais (a intimidade e as convicções políticas) para serem comercializados no mercado. Entre acreditar que o dinheiro media tudo e acreditar que se pode fazer tudo para obtê-lo há um passo muito menor do que se pensa. Os poderosos dão esse passo todos os dias sem que nada ocorra a eles. Os despossuídos, que pensam que podem fazer o mesmo, terminam nas prisões.

- O racismo da tolerância. Os distúrbios na Inglaterra começaram com uma dimensão racial. O mesmo ocorreu em 1981 e nos distúrbios que sacudiram a França em 2005. Não é uma coincidência: são irrupções da sociabilidade colonial que continua dominando nossas sociedades, décadas depois do fim do colonialismo político. O racismo é apenas um componente, já que em todos os distúrbios mencionados participaram jovens de diversos grupos étnicos. Mas é importante, porque reúne a exclusão social com um elemento de insondável corrosão da autoestima, a inferioridade do ser agravada pela inferioridade do ter. Em nossas cidades, um jovem negro vive cotidianamente sob uma suspeita social que existe independentemente do que ele ou ela seja ou faça. E esta suspeita é muito mais virulenta quando se produz em uma sociedade distraída pelas políticas oficiais de luta contra a discriminação e pela fachada do multiculturalismo e da benevolência da tolerância.

- O sequestro da democracia. O que há em comum entre os distúrbios na Inglaterra e a destruição do bem estar dos cidadãos provocada pelas políticas de austeridade dirigidas pelas agências classificadoras e os mercados financeiros? Ambos são sinais das extremas limitações da ordem democrática. Os jovens rebeldes cometeram delitos, mas não estamos frente a uma “pura e simples” delinquência, como afirmou o primeiro ministro David Cameron. Estamos frente a uma denúncia política violenta de um modelo social e político que tem recursos para resgatar os bancos, mas não para resgatar os jovens de uma vida de espera sem esperança, do pesadelo de uma educação cada vez mais cara e irrelevante dado o aumento do desemprego, do completo abandono em comunidades que as políticas públicas antissociais transformaram em campos de treinamento da raiva, da anomia e da rebelião.

Entre o poder neoliberal instalado e os rebeldes urbanos há uma simetria perturbadora. A indiferença social, a arrogância, a distribuição injusta dos sacrifícios estão semeando o caos, a violência e o medo, e aqueles que estão realizando essa semeadura vão dizer amanhã, genuinamente ofendidos, que o que eles semearam nada tinha a ver com o caos, a violência e o medo instalados nas ruas de nossas cidades. Os que promovem a desordem estão no poder e poderiam ser imitados por aqueles que não têm poder para colocá-los em ordem.

(*) Doutor em Sociologia do Direito; professor nas universidades de Coimbra (Portugal) e Wisconsin (EUA).

(**) Traduzido por Katarina Peixoto da versão em espanhol publicada no jornal Página/12

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18278

então, pedalemos ... !!!


"A vida é como andar de bicicleta, para se ter equilíbrio é necessário estar em movimento..."
( Albert Einstein )
 

Vá Tomar - Tom Zé - [14.06.2010]



Vá Tomar

Tom Zé

Meta sua grandeza
no banco da esquina,
vá tomar no verbo
seu filho da letra
meta sua usura
na multinacional
vá tomar na virgem
seu filho da cruz.
Meta sua moral,
regras e regulamentos
escritórios e gravatas
sua sessão solene.
Pegue e junte tudo
passe brilhantina
enfie, soque, meta
no tanque de gasolina

Photo of "napalm girl" from Vietnam War turns 40

 


TRANG BANG, Vietnam (AP) — In the picture, the girl will always be 9 years old and wailing "Too hot! Too hot!" as she runs down the road away from her burning Vietnamese village.
She will always be naked after blobs of sticky napalm melted through her clothes and layers of skin like jellied lava.
She will always be a victim without a name.
It only took a second for Associated Press photographer Huynh Cong "Nick" Ut to snap the iconic black-and-white image 40 years ago. It communicated the horrors of the Vietnam War in a way words could never describe, helping to end one of the most divisive wars in American history.
But beneath the photo lies a lesser-known story. It's the tale of a dying child brought together by chance with a young photographer. A moment captured in the chaos of war that would be both her savior and her curse on a journey to understand life's plan for her.
"I really wanted to escape from that little girl," says Kim Phuc, now 49. "But it seems to me that the picture didn't let me go."
____
It was June 8, 1972, when Phuc heard the soldier's scream: "We have to run out of this place! They will bomb here, and we will be dead!"
Seconds later, she saw the tails of yellow and purple smoke bombs curling around the Cao Dai temple where her family had sheltered for three days, as north and south Vietnamese forces fought for control of their village.
The little girl heard a roar overhead and twisted her neck to look up. As the South Vietnamese Skyraider plane grew fatter and louder, it swooped down toward her, dropping canisters like tumbling eggs flipping end over end.
"Ba-boom! Ba-boom!"
The ground rocked. Then the heat of a hundred furnaces exploded as orange flames spit in all directions.
Fire danced up Phuc's left arm. The threads of her cotton clothes evaporated on contact. Trees became angry torches. Searing pain bit through skin and muscle.
"I will be ugly, and I'm not normal anymore," she thought, as her right hand brushed furiously across her blistering arm. "People will see me in a different way."
In shock, she sprinted down Highway 1 behind her older brother. She didn't see the foreign journalists gathered as she ran toward them, screaming.
Then, she lost consciousness.
___
Ut, the 21-year-old Vietnamese photographer who took the picture, drove Phuc to a small hospital. There, he was told the child was too far gone to help. But he flashed his American press badge, demanded that doctors treat the girl and left assured that she would not be forgotten.
"I cried when I saw her running," said Ut, whose older brother was killed on assignment with the AP in the southern Mekong Delta. "If I don't help her — if something happened and she died — I think I'd kill myself after that."
Back at the office in what was then U.S.-backed Saigon, he developed his film. When the image of the naked little girl emerged, everyone feared it would be rejected because of the news agency's strict policy against nudity.
But veteran Vietnam photo editor Horst Faas took one look and knew it was a shot made to break the rules. He argued the photo's news value far outweighed any other concerns, and he won.
A couple of days after the image shocked the world, another journalist found out the little girl had somehow survived the attack. Christopher Wain, a correspondent for the British Independent Television Network who had given Phuc water from his canteen and drizzled it down her burning back at the scene, fought to have her transferred to the American-run Barsky unit. It was the only facility in Saigon equipped to deal with her severe injuries.
"I had no idea where I was or what happened to me," she said. "I woke up and I was in the hospital with so much pain, and then the nurses were around me. I woke up with a terrible fear."
Thirty percent of Phuc's tiny body was scorched raw by third-degree burns, though her face somehow remained untouched. Over time, her melted flesh began to heal.
"Every morning at 8 o'clock, the nurses put me in the burn bath to cut all my dead skin off," she said. "I just cried and when I could not stand it any longer, I just passed out."
After multiple skin grafts and surgeries, Phuc was finally allowed to leave, 13 months after the bombing. She had seen Ut's photo, which by then had won the Pulitzer Prize, but she was still unaware of its reach and power.
She just wanted to go home and be a child again.
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For a while, life did go somewhat back to normal. The photo was famous, but Phuc largely remained unknown except to those living in her tiny village near the Cambodian border. Ut and a few other journalists sometimes visited her, but that stopped after northern communist forces seized control of South Vietnam on April 30, 1975, ending the war.
Life under the new regime became tough. Medical treatment and painkillers were expensive and hard to find for the teenager, who still suffered extreme headaches and pain.
She worked hard and was accepted into medical school to pursue her dream of becoming a doctor. But all that ended once the new communist leaders realized the propaganda value of the 'napalm girl' in the photo.
She was forced to quit college and return to her home province, where she was trotted out to meet foreign journalists. The visits were monitored and controlled, her words scripted. She smiled and played her role, but the rage inside began to build and consume her.
"I wanted to escape that picture," she said. "I got burned by napalm, and I became a victim of war ... but growing up then, I became another kind of victim."
She turned to Cao Dai, her Vietnamese religion, for answers. But they didn't come.
"My heart was exactly like a black coffee cup," she said. "I wished I died in that attack with my cousin, with my south Vietnamese soldiers. I wish I died at that time so I won't suffer like that anymore ... it was so hard for me to carry all that burden with that hatred, with that anger and bitterness."
One day, while visiting a library, Phuc found a Bible. For the first time, she started believing her life had a plan.
Then suddenly, once again, the photo that had given her unwanted fame brought opportunity.
She traveled to West Germany in 1982 for medical care with the help of a foreign journalist. Later, Vietnam's prime minister, also touched by her story, made arrangements for her to study in Cuba.
She was finally free from the minders and reporters hounding her at home, but her life was far from normal. Ut, then working at the AP in Los Angeles, traveled to meet her in 1989, but they never had a moment alone. There was no way for him to know she desperately wanted his help again.
"I knew in my dream that one day Uncle Ut could help me to have freedom," said Phuc, referring to him by an affectionate Vietnamese term. "But I was in Cuba. I was really disappointed because I couldn't contact with him. I couldn't do anything."
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While at school, Phuc met a young Vietnamese man. She had never believed anyone would ever want her because of the ugly patchwork of scars that banded across her back and pitted her arm, but Bui Huy Toan seemed to love her more because of them.
The two decided to marry in 1992 and honeymoon in Moscow. On the flight back to Cuba, the newlyweds defected during a refueling stop in Canada. She was free.
Phuc contacted Ut to share the news, and he encouraged her to tell her story to the world. But she was done giving interviews and posing for photos.
"I have a husband and a new life and want to be normal like everyone else," she said.
The media eventually found Phuc living near Toronto, and she decided she needed to take control of her story. A book was written in 1999 and a documentary came out, at last the way she wanted it told. She was asked to become a U.N. Goodwill Ambassador to help victims of war. She and Ut have since reunited many times to tell their story, even traveling to London to meet the Queen.
"Today, I'm so happy I helped Kim," said Ut, who still works for AP and recently returned to Trang Bang village. "I call her my daughter."
After four decades, Phuc, now a mother of two sons, can finally look at the picture of herself running naked and understand why it remains so powerful. It had saved her, tested her and ultimately freed her.
"Most of the people, they know my picture but there's very few that know about my life," she said. "I'm so thankful that ... I can accept the picture as a powerful gift. Then it is my choice. Then I can work with it for peace."
___
Online:
http://www.kimfoundation.com

sexta-feira, 1 de junho de 2012

ONTEM & HOJE

TRADUZINDO A ALMA FEMININA

 

Arte de Allen Jones

Mulheres têm um idioma todo particular. Elas falam duas coisas ao mesmo tempo. São várias expressões que não podem ser compreendidas ao pé da letra. Apresentam um sentido totalmente diferente daquilo que a gente pensava.

Não sou um Chico Buarque, nem um Teixeirinha, mas vou me arriscar a traduzir a alma feminina para prevenir divórcios pelo Rio Grande e país.

Quando a mulher diz "vamos sair um pouco!" significa "eu quero mudar de canal, não agüento mais futebol!"

Quando a mulher diz "estou depilada" significa que está a fim de sexo.

Quando a mulher diz "só um minutinho" significa "duas horas e um minutinho".

Quando a mulher diz "estou irritada" significa que ela está maluca.

Quando a mulher diz "tenho dor de cabeça" significa "me deixa quieta!"

Quando a mulher diz "você não presta" significa "eu te amo apesar de tudo".

Quando a mulher diz "cala a boca" significa que você não sabe ouvir.

Quando a mulher pergunta "tem alguma coisa na geladeira?" significa "me leve para jantar fora!" (ela sabe que não tem nada)

Quando a mulher diz "não é necessário, amor" significa "é muito importante, amor".

Quando a mulher diz "você não me entende" significa que você não faz o que ela quer.

Quando a mulher diz que está indecisa numa loja significa um pedido para você comprar a peça e dar de presente.

Quando a mulher diz “pode ir sozinho” significa “me leva junto, por favor”.

Quando a mulher diz pode atender ao telefone no meio de um filme significa “desligue o celular, pô!”.

Quando a mulher diz “amanhã” significa nunca.

Quando a mulher diz “hoje” significa ontem.

Quando a mulher diz "vamos dormir" significa dormir mesmo.
 
 
 
 

Descubra


Daqui a vinte anos sua maior frustração será com as coisas que você deixou de fazer do que com as que você fez e deu errado.


Então solte as amarras e navegue para longe do porto-seguro.


Pegue os ventos de mudanças nas suas velas.


Explore. Sonhe. Descubra.” –



*Mark Twain
 
 

uma festa



" A Igreja diz: o corpo é uma culpa. A Ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. E o corpo diz: eu sou uma festa."

Eduardo Galeano - Escritor uruguaio

Na imagem: "Sagração da Primavera", de Pina Bausch