Pesquisar este blog

domingo, 17 de junho de 2012

"Francis não emplacou" - Caetano Veloso

Caetano Veloso - Francis



Tropicalistas
são referência.
Francis não
emplacou nem
uma frase
no “NYT”


Incrível. Como é que o Paulo Francis escreveu que Mick Jagger tinha me respondido que era tolerante com latino-americanos — e ainda pôs um “sic”? Perguntei a Mick de sua tolerância com jovens. Ele fez uma cara safada e respondeu que era tolerante, “especialmente na Colômbia”. Bem, a cara safada foi dirigida ao dono da casa, Julio Santo Domingo, um colombiano que, amigo de Walter Salles, tinha emprestado o apartamento nova-iorquino para a entrevista. Walter era o diretor. Mas quem me convidou para ajudar na conversa com Jagger foi Roberto D’Ávila. Sinceramente, pensei que a cara maliciosa de Mick sugeria sexo: Julio era muito bonito. Mas Waltinho me disse que não (claro): sugeria droga. Colômbia nos anos 1980, você sabe. Mas Francis precisava dizer que Jagger nos humilhara e que eu não tinha sido valente o suficiente para revidar o golpe: ele queria que o leitor aderisse ao rancor contra mim, e para isso apelava ao fácil nacionalismo ressentido. D’Ávila, comigo, chiou do que Francis escrevera e disse que ia responder de público. Nunca vi tal resposta.

Eu não guardei o artigo. Reli agora. Na altura, li a bordo de um avião a caminho da Europa
para uma turnê longa. Mostrei a Guilherme Araújo. Rimos, protestamos, e eu, como sempre, tentei sem sucesso dormir no voo. Cheguei a Lisboa exausto e no dia seguinte já estava num palco. No fim da excursão o assunto já era algo remoto. De volta ao Brasil, percebi que não era tão remoto assim. Demonstrei minha indignação caracterizando Francis como bicha travada. Ele respondeu. Primeiro: que eu devia ser infeliz, pois usava como xingamento minha própria condição. Comentei, numa entrevista, que Francis não entendia nada de bicha. Depois: “Fiz uma crítica cultural a Caetano e ele responde com ofensas: puro Brasil.” E eu: Francis é quem me ofendeu, e eu fiz, em resposta, uma crítica cultural à figura dele: “bicha travada” era análise de tipo encontradiço em sua geração. Ele preferiu não entender que o núcleo pejorativo era “travada”, não “bicha”.

Li outros textos do livro antes desse. Queria sentir o artigo em meio ao que ele escrevia então. Escrevendo sobre mim ele me mostrou demais os defeitos de caráter que se podia notar em quase todo o resto. Por exemplo, ele descreve minha música como fusão ineditamente bem-sucedida de ritmos brasileiros com bebop e cool jazz. Numa frase, ele finge que conhece muito bem o que desconhece. E termina sendo injusto com Tom Jobim. Ninguém fez melhor do que Jobim o que ele descreve. Em outro trecho, ele corrige Deus e o mundo que dizem que Mick imita sotaque cockney: seria sotaque londrino, cockney “é outra coisa”. Que outra coisa? Cockney é o dialeto popular de Londres. Por muito tempo significou simplesmente “de Londres”. Dizer que rock não é música era lugar-comum. Francis faz de conta que eu não sabia. Eu não era (e não estava ali) como jornalista. A certa altura ele afirma que sou melhor compositor do que Jagger, mas pergunta por que eu não fiz “Citadel”, cantada por soldados no Vietnã. A resposta simples seria: porque o Brasil não invadiu o Vietnã.

A força de dominação da cultura anglófona é assunto que pervade tudo. Ninguém mais esmagado por essa força do que o próprio Francis. Ficava no Rio sonhando que conversava no Algonquin. Fez esforço para desprovincianizar o ambiente cultural brasileiro. Tema também meu. Desde sempre. Mas eu não tive oportunidade de bater cabeça para ele. Simplesmente não calhou, no ritmo de sucessão de gerações, de termos um encontro amigável. Glauber, que o arrasou na Bahia, cooptou- o aqui. O Algoquinho carioca grilou com o surgimento de minha geração: Millôr contra Chico, “Pasquim” contra “baihunos”. Zé Agrippino, em 1968, achava Francis um atraso de vida. Seus esforços de aggiornamento me atingiram em Santo Amaro, em 1959, na revista “Senhor”. Devo muito a Francis.

Passou parte da juventude em Nova York: natural que visse em mim o tabaréu. Ele percebia que entendo mal o inglês falado. Algo da crítica seria utilizável. Até por mim. Mas o que há de bebop ou cool em “Tropicália”, “É proibido proibir” ou “Nine out of ten”? E ele me descreve talvez com imagens já então velhas da paródia de grupo que foi Doces Bárbaros. Depois da entrevista, Marina Schiano fez um jantar para mim, com Mick, Bianca, Jerry Hall, Warhol. Este me perguntou se eu não o queria para fazer a capa do meu novo disco. Era “Uns”. Respondi que já tinha capa (de Oscar Ramos), em que apareço de cabelo curto e terno. Mick Jagger nunca teve cabelo curto. O fato de ele ser inglês encandeia Francis. Jovens paulistanos com veleidades de gênios da crítica o seguiriam como cães alemães.

No artigo sobre mim ele está dando adeus às agressões a Roberto Campos e acenando pela última vez para quem chora com frases como “adular os privilegiados”. Dois anos depois ele saudava Campos como um guerreiro. Um pouco mais e ele louvava Collor por ser “bonito e branco”.

Mas o retrato de Jango, as análises que juntam Schumpeter e Lenin, a ligeireza com que narra as conversas de Golbery com Ênio Silveira, toda essa competência periodística compensa o desconforto da prosa de seus romances, embora não dê para justificar as tiradas racistas. Sou vítima de uma delas. Ele escreveu que o Rio começou a decair quando Bethânia substituiu Nara no Opinião e, com ela, “veio essa gente”.

Tropicalistas são referência. Francis não emplacou nem uma frase no “NYT”.

O Globo
A Tarde/BA
17/06/2012

Eu Sou Neguinha? - Caetano Veloso

sábado, 16 de junho de 2012

You're My Thrill - Diana Krall


You're My Thrill

Songwriters: Jay Gorney / Sidney Clare


You're my thrill
You do something to me
You send chills right through me
When I look at you
'Cause you're my thrill

You're my thrill
How my pulse increases
I just go to pieces
When I look at you
'Cause you're my thrill

Hmmm-nothing seems to matter
Hmmm-here's my heart on a silver platter
Where's my will
Why this strange desire
That keeps morning higher
When I look at you
I cann't keep still
You're my thrill

Pete Seeger delivers the message (dá o recado)



"Some may find them merely diverting melodies. Others may find them incitements to Red revolution. And who will say if either or both is wrong? Not I."
— Pete Seeger in Rolling Stone, April 13, 1972











La vida en un puñado de versos

El paso del tiempo es un dios insaciable que no hace distinciones entre seres humanos. Ni siquiera las leyendas pueden evitar su dictadura biológica. Por eso los 93 años de Pete Seeger se mueven lenta y cuidadosamente al bajar la empinada escalera que separa su comedor del altillo en el que está ubicado su despacho. Icono del activismo político y musical de Estados Unidos, su cuerpo es magro, enjuto, de brazos largos, manos con palmas anchas y dedos gruesos que en otros tiempos se movieron endiablados sobre un banjo y ahora se agarran tenaces al pasamanos. Sobre ese cuerpo se apoya un rostro de mejillas sonrosadas, de ojos pequeños que reflejan el cielo y una boca que muda en sonrisa con facilidad, dejando al descubierto su vieja dentadura. Sobre las arrugas insolentes que navegan a través de ese rostro amable y limpio se cinceló gran parte de la historia musical y política del siglo XX estadounidense, de la que Seeger puede que sea el representante más longevo.

Pete Seeger / Christopher Felver/CORBIS Christopher Felver

Quizás haya sobrevivido a muchos otros artistas de su generación porque nunca coqueteó con el alcohol, el tabaco o las drogas, sustancias que se entrometen a menudo en las vidas de los músicos. Resulta divertido imaginárselo bebiendo agua entre rudos obreros tras un concierto con The Almanac Singers, el grupo que montó a principios de los cuarenta junto al gran maestro del folk Woody Guthrie (quien no sobrevivió a sus propios excesos alcohólicos) o cantando sereno junto a Lee Hayes, con quien compartió fama en la mítica banda de folk The Weavers. “Lee bebía toneladas de cerveza. Al pobre le entró una diabetes terrible, yo creo que por eso se murió tan joven. Pero yo aprendí a comer poco y sano con mis padres, que en los años veinte ya practicaban yoga a diario y tenían mucha disciplina. Nunca probé las drogas y nunca me interesaron el alcohol o el tabaco. Igual por eso tampoco me encontraba a gusto en los clubes nocturnos. Cuando mi amigo Woody Guthrie probó la marihuana se sintió como el que está al borde de un precipicio. Yo probé el tabaco a los 12 años, creo… ¡y no me gustó nada!”, recordará entre carcajadas durante una larga conversación salpicada de anécdotas en el comedor de su casa.
Situada a tres kilómetros de Beacon, en el valle del río Hudson, al norte de Nueva York, su casa reposa sobre la cima empinada de un conjunto de ocho hectáreas de colinas que el músico adquirió por 1.700 dólares que pidió prestados a su familia y amigos en 1949. “Nunca tuvimos mucho dinero. Durante los años cincuenta y parte de los sesenta, tras la censura impuesta por la persecución anticomunista, vivíamos con lo mínimo. Supongo que en el campo tampoco necesitas mucho, aunque durante casi diez años ni siquiera tuvimos agua corriente. Pudo haber ganado mucho dinero con The Weavers, pero decidió abandonar el grupo después de que sus compañeros aceptaran hacer un anuncio de cigarrillos. Mi padre es así”. Tinya Seeger, ceramista, es la menor de los tres hijos de Pete Seeger, casado con Toshi, la mujer con la que ha compartido vida durante 69 años. Hoy Tinya es quien se encarga de atender a ambos en esta casa apartada del mundo y repleta de historia en cuyas entrañas se conservan los recuerdos de una existencia excepcional. Es un laberinto de habitaciones y alturas envueltas en maderas cálidas donde se mezclan trastos centenarios con cajas desordenadas, cientos de libros, archivos personales y, por supuesto, los banjos que le han acompañado a lo largo de una vida dedicada por entero a popularizar la noción de que la música puede ser uno de los motores para el cambio social. El comedor lo preside un mural con cerca de un centenar de fotos descoloridas por el paso del tiempo y colocadas con mimo cronológico por Toshi: arranca con imágenes del propio Seeger de niño y terminan con la foto de una nieta embarazada de un bisnieto.
Hoy Pete y Toshi viven con dos gatos y un perro y pasan las tardes sentados junto a la chimenea, o en el porche rodeados de árboles centenarios. “Lavo los platos, enciendo el fuego y cuando mi espalda me lo permite, corto leña con un hacha”, explica sobre sus días en Beacon, donde la edad impone una tranquilidad alejada de la intensidad de antaño. “Tenemos suerte de seguir vivos”, murmura casi entre dientes mientras se mueve despacio entre las paredes de un hogar que construyó él mismo con la ayuda de muchos amigos.
“Lavo los platos, enciendo el fuego y, cuando mi espalda me lo permite, corto leña con un hacha”
“Durante años aquí nadie tenía muy claro quién era mi padre. Ni siquiera yo sabía que era famoso. En los setenta lo conocían los niños porque solía cantar en Barrio Sésamo. Creo que no recuperó la popularidad hasta que el Congreso le concedió la Medalla de las Artes en los años noventa”, cuenta Tinya mientras prepara la comida. Para entonces hubo incluso campañas para presentarle como candidato al Premio Nobel de la Paz, continuos homenajes desde todo el espectro musical estadounidense, incluido un disco de Bruce Springsteen titulado The Seeger sessions y hasta una invitación para cantar en la investidura del presidente Barack Obama, actos a los que él apenas concede importancia. “Mi audiencia ideal siguen siendo los niños. Son divertidos y te hacen sentir optimista incluso cuando te invade el pesimismo. Son la esperanza del mundo”, dice de quienes prácticamente fueron su único público durante las dos décadas en que sus convicciones políticas le convirtieron en proscrito musical.
A Seeger, con su largo cuerpo enfundado en unos vaqueros y una vieja camiseta verde, le cuesta contestar si también le cantaba a sus hijos. “Me avergüenza reconocerlo pero no hice un buen trabajo en ese sentido. Canté poco para ellos. A veces a mis hijas les gustaba poner una grabación de una flauta que llamábamos ‘la nada’ y nos inventábamos letras…”. Y aquí Seeger entonará desafinando alguna de las notas de ‘la nada’, tratando de cambiar de tema. No parece encontrarse a gusto hablando de asuntos personales, aunque más tarde también admitirá su arrepentimiento por haber dejado a su mujer sola con sus hijos pequeños en Beacon mientras él viajaba en los años cincuenta. “Sin la ayuda y la comprensión de Toshi, Pete Seeger no habría sido Pete Seeger”, declara cabizbajo.
Todas las preguntas que se le hacen le llevan a describir con memoria prodigiosa detalles triviales de eventos en absoluto superfluos y que le despistan (o le ayudan a escabullirse) del hilo central de sus relatos, como a menudo ocurre con quienes acumulan ya décadas de historia. Aunque eso también propicia imágenes extraordinarias como la del piano y el desierto. “A los doce años mi madre vivía en un convento en Túnez a las puertas del desierto con mi abuela y su amante, el cónsul de Francia. Era muy buena violinista y su profesor propuso comprar un piano para acompañarla en las clases. Así fue como una mañana mi madre se asomó al balcón y vio un piano solitario moviéndose despacio a través del desierto. Cuando llegó a las puertas del convento descubrió dos piernas que asomaban por debajo: un hombre lo había cargado sin ayuda para cobrar más”.
“Mi audiencia ideal siguen siendo los niños. Son divertidos y te hacen sentir optimista incluso cuando te invade el pesimismo”
Historias como esta a veces impiden interrumpirle, aunque haya muchas cosas que uno quiera saber. “He contado mi vida cientos de veces y me sé de memoria muchas anécdotas. Es un peligro, quizás puedan sonar falsas”, se excusa. Entonces, ¿qué le preguntaría Pete Seeger a Pete Seeger?
“Le preguntaría por su infancia, porque yo también quise ser periodista, pero nunca conseguí encontrar trabajo. Como nadie me dejó hacer prácticas nadie me quiso contratar. Quién sabe, quizás habría sido bueno”. Su capacidad para describir el mundo nunca llegó a los diarios, pero sí al imaginario de millones de personas a través de cientos de canciones con mensaje que o escribió él mismo, como Turn, turn, turn o la antibélica Waist deep in the big muddy, o contribuyó a popularizar rescatándolas del pasado. Seeger fue el culpable de que parte de su país cantara al unísono el tema We shall overcome, un góspel de principios de siglo que acabó convertido en el emblema extraoficial de la lucha contra el racismo encabezada por Martin Luther King. “Aquella fue la protesta más musical de la historia americana. Y es que lo que importa no es el virtuosismo sino la musicalidad de la gente como un todo, según decía mi padre. Por eso estoy seguro de que a los esclavos lo que les salvó fue la música”.
Nacido en Nueva York en 1919, Seeger dirigió periódicos en el colegio hasta los 17 años y luego consiguió una beca para estudiar en Harvard, universidad que abandonó en los años treinta porque se enamoró de la política, cambiando los estudios por los mítines de las juventudes comunistas y las bibliotecas por los trenes en los que recorrió la geografía estadounidense impregnándose de la música tradicional americana. “Tras dejar la universidad mi tía me ofreció cinco dólares por ir a tocar al colegio en el que enseñaba. Primero me pareció como robar porque eso era mucho más de lo que ganaba una persona en un día, pero así descubrí que podía ganarme la vida tocando para los niños”.
“Quise ser periodista, pero nunca conseguí encontrar trabajo. Como nadie me dejó hacer prácticas nadie me quiso contratar”
Era casi imposible que no ocurriera: su padre, musicólogo, y su madre, violinista, (ambos contribuirían años después a la fundación de la célebre escuela Juilliard de Nueva York) tenían la casa llena de instrumentos. “Obligaron a mis hermanos a aprender música, pero como yo era el pequeño decidieron dejarme libre a ver qué hacía. Tocaba a mi aire lo que encontraba por casa, pero fue durante un viaje con ellos cuando descubrí el banjo de Kentucky. Y me enamoré”.
Ahondó en la historia del folk trabajando precisamente en el Archivo de Música Folk de la Biblioteca del Congreso junto a Alan Lomax, un hombre hoy venerado porque gracias a su labor se recuperó y se conserva la historia musical de Estados Unidos anterior a los años treinta, de la que no había testimonio escrito y sin la que sería imposible comprender todo lo que llegó después.
En 1940 Seeger montó su primer grupo, The Almanac Singers, con el que rebuscó en la tradición oral del movimiento obrero y donde se empapó del talento y el legado musical del maestro Woody Guthrie. La banda se disolvió cuando Estados Unidos entró en la II Guerra Mundial y Seeger fue llamado a filas. “Woody era un tipo extraordinario. Inventaba canciones a todas horas. En un vuelo que hicimos a Pittsburgh para cantar junto a unos huelguistas se pasó el viaje escribiendo sobre una bolsa de las que te dan para vomitar. Se le ocurrieron varias canciones: qué se imaginarían desde el suelo al ver ese gran pájaro, qué planes tendría la azafata por la noche… Al bajar se dejó el papel en el asiento. Le daba igual porque para él componer era facilísimo”.
A finales de los cuarenta, de vuelta en Nueva York, Seeger fundó The Weavers, un cuarteto que siguió la estela de The Almanacs y rebuscó en el blues, el góspel, y las baladas folk tradicionales. Contra todo pronóstico The Weavers alcanzó la cima del éxito con un clásico de otro gran maestro del folk: Lead Belly, a quien Seeger frecuentó a menudo ya que “la música era de los pocos espacios donde los negros y los blancos nos relacionábamos de forma natural”. Good night Irene vendió cuatro millones de copias y sonó imparable en radios y televisiones en 1950, mientras la obsesión anticomunista se apoderaba del país. Finalmente, la persecución iniciada por el senador McCarthy también alcanzó a Seeger, que tuvo que declarar ante el Comité de Actividades Antiamericanas, y fue condenado a un año de cárcel por negarse a admitir su relación con el partido comunista y reivindicar su derecho a la primera enmienda (libertad de asociación). La sentencia fue revocada años después, pero él y The Weavers ya habían entrado en la lista negra, así que su música se transformó en herejía.
Sin embargo, para la generación de Joan Baez y Bob Dylan, Seeger se convirtió en héroe y figura ejemplar. Él fue el influyente padrino del revival folk que puso banda sonora a las revoluciones sociales del 68 y también protagonista de incidentes que han pasado al anecdotario universal de la música, como el que le acusa de haber querido cortar con un hacha la corriente de la guitarra eléctrica con la que Dylan “electrocutó simbólicamente” el Newport Folk Festival de 1965, marcando un antes y un después en la historia de la música. “Bob Dylan es uno de los mejores compositores de la historia, un tipo extraordinario”, se limita a decir sobre un incidente que ha explicado así en docenas de entrevistas: “Estaba cantando Maggie’s farm y no se entendía nada porque el micrófono distorsionaba su voz. Le dije al técnico de sonido que lo arreglara y dijo que no. Yo solo quería que se escuchara la letra, pero no tenía nada en contra de su guitarra eléctrica”.
Los sesenta fueron también años difíciles marcados por el asesinato político de líderes como JFK, el senador Bobby Kennedy, Martin Luther King o Fred Hampton. Y Seeger también sufrió amenazas de muerte, aunque dice no haber sentido nunca miedo, a pesar de que llegó incluso a conocer a un hombre que fue a uno de sus conciertos para matarle y acabó enamorándose de su música y abortando su plan. “A veces me he reído pensando en lo cerca que he estado de la muerte porque sé que hasta lo han discutido a escasos kilómetros de mi casa (un grupo del Ku Klux Klan aún está activo cerca de Beacon). Si no lo hicieron yo creo que fue porque conmigo muerto más gente habría cantado mis canciones. Y esa idea no les hacía gracia”. Es decir, ¿la música le salvó la vida? “Es muy posible. La música es poderosa. Mira lo que ocurrió hace poco en Oslo. Es una de las cosas más emocionantes que se han hecho con mis canciones”. El pasado abril Anders Behring Breivik, autor confeso de la masacre de la isla de Utoya (donde murieron 69 personas), declaró ante un juez que la versión local de la canción de Seeger My rainbow race “es un instrumento marxista para lavarle el cerebro a los niños”. La respuesta de los noruegos fue contundente: 40.000 personas acudieron a las puertas de la prisión de Oslo donde está encerrado Breivik y cantaron al unísono aquel tema que ahora Seeger vuelve a tararear para recordarle a la periodista una letra que habla de la necesidad de aprender a compartir.
No recuerda cuántas canciones ha escrito, ni los conciertos que ha protagonizado, ni muchos de los discos que ha publicado (más de un centenar), ni siquiera el que propicia esta entrevista: The Complete Bowdoin College Concert 1960, cuya grabación homónima acaba de editarse en España, con dos canciones inéditas, Al Smith holds the bottle y I had a dream. “No suelo escuchar discos”, se excusa. El motivo es solo uno: “Todavía tengo demasiada música en la cabeza”. Tanta que incluso acuciando el cansancio de las casi dos horas de conversación, Seeger decide cantar el último tema que ha compuesto, “el más breve de mi repertorio, escrito hace unas semanas mientras pasaba la tarde en el sillón junto a Toshi”. Y es que aunque haya tenido una existencia apasionante, a los 93 años las cosas que realmente importan se reducen a la sencillez de un puñado de versos: “Afuera llueve, afuera hay niebla, afuera hay viento, pero no importa porque estamos juntos frente al fuego”.

El primer ecologista

Los años setenta le vieron alejarse del activismo tradicional para concentrarse en una forma nueva de hacer política: las reivindicaciones ecologistas y la lucha a pequeña escala, como la que le llevó a construir el velero Clearwater, una réplica de los barcos que recorrían el río Hudson en el siglo XIX y con la que inició una campaña para descontaminar las aguas de aquel río, una quimera que cuarenta años después es una realidad. Seeger concienció a los vecinos del valle del Hudson de la necesidad de limpiarlo y de exigir a las autoridades locales mano dura contra las industrias que lo contaminaban, obligando con la presión ciudadana —y un festival anual, el Clearwater— a cambiar las leyes. En tiempos tan necesitados de sueños como los que vivimos, sin duda un ejemplo inspirador de cómo la lucha de David contra Goliat no es necesariamente una fábula. “Yo me atrevo a decir que la gente con dinero desearía que el partido comunista renaciera porque era mucho más fácil de controlar. Ahora sabemos cómo atacarles. Miles de pequeños grupos aquí y allá. Es imposible controlarlos a todos. Y cuando sepamos usar aún mejor Internet ya verás…”. Él no utiliza la Red, pero es consciente de cómo la están utilizando movimientos como Ocupa Wall Street, para el que cantó en las calles de Nueva York el pasado otoño. “No creo que la juventud de este país esté adormecida. Al contrario. Creo que hoy se escriben más canciones protesta que nunca. El trabajo más importante de mi vida ha sido enseñarle a la gente que no tienes que ser rico y famoso para hacer una canción que invite a otra gente a cantar. El poder de la música está en la gente”. Con su aire risueño asegura que la edad le ha convertido en un tipo más optimista. “Sigo escuchando a la gente cantar conmigo y eso me sube la moral”. Durante sus años marxistas creyó ciegamente en el dicho “la religión es el opio del pueblo”. “Hoy creo que dios es la eternidad y que en la eternidad hay música”. Y sorprendentemente en su conversación se cuelan a menudo parábolas bíblicas. “Yo me veo como ese agricultor del que habló Cristo que ha puesto semillas aquí y allá. Por eso es difícil definir la canción protesta. Unas semillas crecen brevemente y mueren rápido y otras permanecen. Las canciones son así: a veces algunas se interpretan de forma literal incluso si su autor no lo siente así. El mejor ejemplo es The times they are A-changing. Dylan nunca se imaginó que la gente se la tomaría tan en serio”. Cita a menudo al primer gran sociólogo de raza negra, W. E. B. du Bois, pero quiere terminar la conversación con las palabras de otro de esos grandes hombres que pueblan su biblioteca: Adlai Stevenson, un demócrata que fue embajador de Kennedy ante la ONU y que falleció de un ataque al corazón en 1965. “Sobre su escritorio se encontró un fragmento extraordinario de un discurso que dio ante la ONU y que siempre llevo conmigo”. Y sacando de su cartera un papel viejo y arrugado, Seeger recita casi de memoria un mantra que a pesar de haberse escrito hace 50 años, desgraciadamente suena tan actual como alejado del pensamiento de los políticos del siglo XXI: “Viajamos juntos, pasajeros de esta pequeña nave que depende de sus vulnerables reservas de aire y tierra; comprometidos para nuestra seguridad con la paz y la seguridad; a salvo de la aniquilación solo por el cuidado, el trabajo y, yo diría, el amor que le damos a nuestra frágil embarcación”.

http://cultura.elpais.com/cultura/2012/06/13/actualidad/1339586618_554650.html

Sonhando - Céu


Só querer cuidar, te proteger,
Esquecer, lembrar, te amando.

Se esconder, brigar sem perceber
Depois, chorar, te amando.

Nosso sol às 3 da manhã
Pro dia deitar sonhando.

Só querer cuidar, te proteger,
Esquecer, lembrar, te amando.

Nosso sol às 3 da manhã
Pro dia passar sonhando, sonhando, sonhando...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Paul Conrad - More (Theme from Mondo Cane)

O Carlos Reichenbach era um daqueles caras ímpares

O Carlos Reichenbach era um daqueles caras ímpares (sem eufemismos). Cineasta, amante do cinema, da música, da literatura, dos papos que incluíam tudo isso, da política, da liberdade, dos detalhes da vida. Um utópico, inconformista, radical na beleza que esta palavra carrega e afirmava isso continuamente.
Seus filmes acima do “bom” e “ruim” expressavam suas idéias (isso não é pouco nesses tempos cujo as idéias são desvalorizadas, ficam a margem) e ocupavam lugar especial na filmografia Nacional. Atravessou mais de cinco décadas fazendo filmes de fato.
Filme Demência, Anjos do Arrabalde, Alma Corsária, Dois Córregos, os filmes da fase “boca do lixo”, como “Ilha dos Prazeres Proibidos, os curtas…Sua produção implicava em filmes e numa longa peregrinação de textos, entrevistas, palestras e papos sobre cinema, sobre a vida e as paixões que compunham a matéria prima dos seus filmes.
Gosto especialmente de Alma Corsária.
Lembro de uma palestra do Carlão nos anos 80 lá na Três Rios, ele relatou apaixonadamente suas andanças pelos cinemas, suas descobertas, sua relação com a cidade. O homem a obra, os diálogos apresentados de maneira simples. Falava de detalhes técnicos e da poesia do cinema, sem separar, integralmente. Um homem que pisava nas ruas. Desde então acompanhei tudo que pude sobre ele.
De vez em quando ele parecia aqui nas redes sociais e postava links de filmes de vários estilos e épocas, todos com a marca do seu gosto personalíssimo, verdadeiras aulas. Chamava estes posts de “socialismo”, não perdia a oportunidade de marcar seus atos, generoso.
A perda do Carlão é a típica perda irreparável, não dá pra construir, para inventar outro Carlão, nem no cinema. Sem mais metáforas esvaziadas (ele detestaria). Falta fará.




Carlos Reichenbach - Biografia -


14 de junho de 1945/2012 



Carlos Oscar Reichenbach Filho nasceu em Porto Alegre, em 14 de junho de 1945. Paulistano desde que aprendeu a andar, Carlão, como é conhecido no meio cinematográfico, foi um dos diretores mais expressivos do Cinema Marginal paulista em meados da década de 60, movimento também conhecido como Boca do Lixo ou "udigrudi", termo cunhado por Gláuber Rocha.

Espécie de dissidência do altamente politizado Cinema Novo, o "Cinema da Boca" sonhava com espaço para experimentação em produções de baixo custo que tivessem apelo popular e espelhassem a realidade do País, refutando as regras de produção e distribuição nos circuitos comerciais.

Com poucos recursos e muitas idéias, nasceram dessa fase criativa e transgressora do cinema nacional os célebres "O Bandido da Luz Vermelha" (1968), de Rogério Sganzerla, "A Margem" (1967), de Ozualdo Candeias, Bang Bang (1970), de Andrea Tonacci, As Libertinas (1969) de Reichenbach, Antonio Lima e João Callegaro, entre outros.

 




 Carlão durante a filmagem de Império do Desejo (1980)

(Foto: Conrado Sanches)

Descendente de uma família de gráficos e editores, Reichenbach integrou o primeiro curso de cinema de nível universitário no Brasil, a Escola Superior de Cinema São Luiz, o primeiro foco do cinema marginal em São Paulo, cidade que eternizou em diversos longas. Teve como mestres Roberto Santos, Anatol Rosenfeld, Paulo Emílio Salles Gomes, Mário Chamie, Décio Pignatari, e sobretudo, Luiz Sérgio Person, responsável pelo seu interesse em dirigir filmes.

A escola reunia o meio cinematográfico emergente de São Paulo, entre alunos, como João Callegaro, Ana Carolina, Paulo Rufino, e uma inquieta população flutuante, como Rogério Sganzerla, Jairo Ferreira, José Mojica Marins, Ozualdo Candeias, Fauzi Mansur, entre outros.

Reichenbach abandonou a São Luís com Callegaro e fundou, juntamente com o crítico mineiro Antonio Lima, a Xanadú Produções Cinematográficas, o berço do "cinema cafajeste", que encontra seu ápice em As Libertinas e O Bandido Da Luz Vermelha. Em 1971, Reichenbach torna-se sócio-gerente da Jota Filmes, produtora de filmes publicitários em São Paulo, onde escreveu, produziu, dirigiu e fotografou mais de 150 comerciais e filmes institucionais durante quatro anos.

Quando estava se preparando para uma agradável carreira de yuppie, Reichenbach jogou tudo para o alto para apostar na atividade de mais alto risco no cenário nacional: o cinema autoral. Produziu, escreveu, dirigiu, fez a fotografia e a trilha sonora de Lilian M., Relatório Confidencial (74), utilizando as sucatas dos cenários de sua empresa. Nessa trilha, Reichenbach escreveu e dirigiu cinco curtas-metragens, quatro episódios em longas e 12 longas metragens, acumulando diversos prêmios no Brasil e exterior.

Divide a atividade cinematográfica com as funções de crítico e ensaísta em diversas publicações, além de participar de cursos e palestras sobre o filme brasileiro no Brasil e exterior. Durante quatro anos, também lecionou como titular da cadeira de direção cinematográfica do curso de cinema e vídeo da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo.

Cineasta, roteirista, professor, fotógrafo, crítico e ensaísta, mas principalmente um autor sintonizado com a realidade caótica de seu tempo, Reichenbach desenvolveu uma obra inconfundível, onde se destacam o já referido Lilian M. (1974), Amor, Palavra Prostituta (1981), O Império do Desejo (1980), Filme Demência (1985) , Anjos do Arrabalde (1987), e Alma Corsária ( 1994). Atualmente, divide a função de sócio-gerente na Dezenove Som e Imagens Produções com a produtora Sara Silveira. Em agosto, lançou no 27º Festival de Gramado seu 12º longa, Dois Córregos, uma reflexão sobre a herança deixada pelos anos de chumbo da política brasileira, com Beth Goulart, Carlos Alberto Ricelli e Ingra Liberato.

Carlos Reichenbach: Filmografia


http://www.terra.com.br/cinema/opiniao/






CARLOS REICHENBACH "Carlão", nos deixa órfãos

CARTAS DO REICHENBOMBER - Opus 44

Aula de Cinema
Se alguém perguntar hoje o que é o cinema, basta comprovar o truísmo de que uma imagem diz mais que muitas palavras ... imaginem, várias imagens! Isto é cinema!


A lição veio do mestre Mario Bava, que vivia dizendo só ter filmado "bosta de touro".

O "estrume" acima, foi copilado da coleção de fotos da belíssima Home Page de Bava:

http://members.tripod.com/mariobava/

Se o imaginário de Bava é merda, então Lang, Welles e Hitchcock que me perdoem; somos "Todos Porcos", diria Shohei Imamura.

Porque até agora nenhum festival nativo ainda não homenageou Bava com uma retrospectiva integral é uma incógnita que só o pedantismo caipira e o critério de resultados fáceis explica.

Fica aqui a ameaça: o Antônio Celso, da PanVision, topou. Florianópolis poderá sediar o Festival Internacional do Cinema Livre. Vem aí: Jack Hill, Jean-Marie Straub, Stephen Dwoskin, Richard Kern, Russ Meyer e, entre outros tantos criadores livres, Mario Bava, lógico.

Retrospectiva Bomber

A partir do dia 14 de Junho, o Museu da Imagem e Som, de São Paulo, estará realizando uma amostragem dos filmes deste escriba.

Infelizmente (ou não), não serão exibidos filmes que gosto muito como CORRIDA EM BUSCA DO AMOR (71), meu primeiro longa-metragem e meu verdadeiro aprendizado de cinema, o longa A ILHA DOS PRAZERES PROIBIDOS (78), o episódio A RAINHA DO FLIPERAMA (82) e o curta metragem SANGUE CORSÁRIO (79), porque, assim como outros filmes menos queridos, não possuem cópias disponíveis.

Do acervo a ser projetado, quase todos foram vistos em retrospectivas recentes em Brasília, São Paulo, Niterói e Porto Alegre. Os longas inclusos e o curta OLHAR E SENSAÇÃO me dão muito prazer em rever. Embora tenha um carinho especial por FILME DEMÊNCIA e IMPÉRIO DO DESEJO, gosto de todos (menos, obviamente, os que não nominei acima).

"Amor, Palavra Prostituta"

A novidade é a exibição exclusiva da versão integral de AMOR, PALAVRA PROSTITUTA (79-81), nunca projetado sem cortes comercialmente no Brasil. Este filme, que ficou dois anos retido na censura, só foi liberado com quatro minutos a menos; justamente os quatro minutos que davam sentido à obra toda.Trata-se de um melodrama social, onde os personagens praticam sexo o tempo todo, com desespero, e sem nenhum prazer. Nos quinze minutos finais, um intelectual desempregado cuida obsessivamente de uma adolescente recém-saída de um aborto clandestino mal realizado. O calvário da jovem plena de energia e o contato com o sangue menstrual que verte de seu interior, fazem o "herói" redescobrir um sentido para continuar vivo.

Filmado com negativo vencido e sistema cooperativado, AMOR, PALAVRA PROSTITUTA foi exibido integralmente em mais de vinte festivais internacionais e ganhou o prêmio CINEDECOUVERTES da Cinemateca Real de Bruxelas, que inclusive possui uma cópia completa em seu acervo. Por ironia, recebeu do júri francófono do evento uma menção especial "por apresentar um ponto de vista singular sobre a sociedade". Quem diria!

Durante a primeira projeção internacional, em Roterdã, Holanda, sai da sala de exibição nos minutos inicias para não ouvir as vaias que aquele filme duro, feio, impuro e seco ia receber na certa. Me escondi no bar do cinema, mas volta e meia ia até o bilheteiro saber quantas pessoas haviam saído. Ele me olhava perplexo e fazia um gesto negativo com a cabeça. No final, voltei à sala novamente, com dor no estômago, e com espanto descobri que as pessoas levavam muito tempo para levantar das suas poltronas, mesmo após as luzes se acenderem. E assim foi, daí para frente, em quase todas as exibições no exterior com exceção de Portugal onde o machismo é retumbante. Na terra mãe, os debates foram quentíssimos e quase acabavam em porrada. De um lado os nostálgicos da PIDE e de outro as feministas lusitanas, que são radicais até a medula.

No Brasil, é a primeira vez que AMOR, PALAVRA PROSTITUTA, será exibido publicamente sem cortes, embora em uma rara versão VHS. A outra única projeção integral por estas plagas, foi coincidentemente no próprio Museu da Imagem e Som de São Paulo, numa sessão fechada para o elenco, equipe e amigos.

Mostra "Cineasta do Mês" : Carlos Reichenbach

http://www.terra.com.br/cinema/opiniao/opus44.htm