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quinta-feira, 26 de julho de 2012
Booking Jazz: A Subjective Guide
By
BRUCE KLAUBER,
Published: July 21, 2012 Bruce Klauber
Contributor since 2012
Bruce Klauber is the biographer of Gene Krupa, "Jazz Legends" DVD Series Producer for Alfred Publishing and Hudson Music, Jazz Bridge Press Officer, Founder of JazzLegends.com, and a working jazz drummer since childhood.
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“According to a study called the Jazz Audiences Initiative, one-third of all Americans--over 100 million people--report that they like jazz. ”
There was a quasi-model of sorts in the 1930s, 1940s and 1950s, given the proliferation of cafés, boites, bistros, bars, ballrooms, and all types of nightspots that used live jazz, whether local or national. Whatever the template was back then, if there even was one, it no longer applies.
However, a rather singular era in jazz history, which lasted roughly from 1955 to 1965, is worth looking at today. Jazz—all kinds of jazz—was actually popular in those days. Thelonious Monk, Duke Ellington and Louis Armstrong made the cover of Time Magazine; jazz was regularly presented on national television and local radio; and artists like Dave Brubeck, Stan Getz, Herbie Mann, Cal Tjader, Ramsey Lewis, Eddie Harris, George Shearing, Count Basie with Joe Williams, and Maynard Ferguson were selling lots of records, many to those who may not have liked jazz before or since.
Bars and restaurants in big cities wanted to capitalize on what may or may not have been a fad. Rules for booking groups? Owners made them up as they went along, but from the outset, they did realize five things: A piano was needed, a "p.a. system," as it was called then, was needed; an appropriate space had to be set aside or a stage had to be built to present the music; talent had to be booked, and advertising had to be purchased.
As a youngster, I remember such a place in Philadelphia's Overbrook Park section. A restaurant/bar called, of all things, The Picasso, had been open for years before the owners decided to jump on the jazz bandwagon in the late 1950s. The proprietors did the obvious, outlined above: bought or rented a piano and sound gear, built a little stage, booked area talent like pianist Bernard Peiffer and his trio, and advertised same. The Picasso, like hundreds of other places like it throughout the country, did quite well.
These joints, if nothing else, became "the" places to go. Hey, it was the hip thing to do. But with the arrival of The Beatles, the very nature of the entertainment business changed. Some, like the venerable Metropole Café in New York city, hung on by making some concessions to rock that were, in retrospect, misguided. They booked go-go dancers to perform opposite mainstream jazz attractions like Gene Krupa. "I saw the progression from none, to a little, to a lot," Gene once said.
Indications are that we've come full circle. It would be a cliché and inaccurate to say "jazz is back," but the numbers say that it is. According to a study called the Jazz Audiences Initiative, one-third of all Americans—over 100 million people—report that they "like jazz," and an astounding 20 million people attended a jazz event last year, up from 9.6 million in 1982. That's growth. And that's a lot of tables and bar stools that could be filled in clubs, coffeehouses and restaurants by booking jazz.
continue reading on : http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=42510
terça-feira, 24 de julho de 2012
CARTA DE DORIVAL CAYMMI PARA JORGE AMADO

" Jorge meu irmão São onze e trinta da manhã e terminei de compor uma linda canção para Yemanjá pois o reflexo do sol desenha seu manto em nosso mar, aqui na Pedra da Sereia. Quantas canções compus para Janaína, nem eu mesmo sei, é minha mãe, dela nasci. Talvez Stela saiba, ela sabe tudo, que mulher, duas iguais não existem, que foi que eu fiz de bom para merecê-la? Ela te manda um beijo, outro para Zélia e eu morro de saudade de vocês. Quando vierem, me tragam um pano africano para eu fazer uma túnica e ficar irresistível.
Ontem saí com Carybé, fomos buscar Camafeu na Rampa do Mercado,andamos por aí trocando pernas, sentindo os cheiros, tantos, um perfume de vida ao sol, vendo as cores, só de azuis contamos mais de
quinze e havia um ocre na parede de uma casa, nem te digo. Então ao voltar, pintei um quadro, tão bonito, irmão, de causar inveja a Graciano. De inveja, Carybé quase morreu e Jenner, imagine!, se fartou
de elogiar, te juro. Um quadro simples: uma baiana, o tabuleiro com abarás e acarajés e gente em volta. Se eu tivesse tempo, ia ser pintor, ganhava uma fortuna. O que me falta é tempo para pintar,compor vou compondo devagar e sempre, tu sabes como é, música com pressa é aquela droga que tem às pampas sobrando por aí. O tempo que tenho mal chega para viver: visitar Dona Menininha, saudar Xangô, conversar com Mirabeau, me aconselhar com Celestino sobre como investir o dinheiro que não tenho e nunca terei, graças a Deus, ouvir Carybé mentir, andar nas ruas, olhar o mar, não fazer nada e tantas outras obrigações que me ocupam o dia inteiro. Cadê tempo pra pintar?
Quero te dizer uma coisa que já te disse uma vez, há mais de vinte anos quando te deu de viver na Europa e nunca mais voltavas: a Bahia está viva, ainda lá, cada dia mais bonita, o firmamento azul, esse mar tão verde e o povaréu. Por falar nisso, Stela de Oxóssi é a nova iyalorixá do Axé e, na festa da consagração, ikedes e iaôs, todos na roça perguntavam onde anda Obá Arolu que não veio ver sua irmã subir ao trono de rainha? Pois ontem, às quatro da tarde, um pouco mais ou menos, saí com Carybé e Camafeu a te procurar e não te encontrando, indagamos: que faz ele que não está aqui se aqui é seu lugar? A lua de Londres, já dizia um poeta lusitano que li numa antologia de meu tempo de menino, é merencória. A daqui é aquela lua. Por que foi ele para a Inglaterra? Não é inglês, nem nada, que faz em Londres? Um bom filho-da-puta é o que ele é, nosso irmãozinho.
Sabes que vendi a casa da Pedra da Sereia? Pois vendi. Fizeram um edifício medonho bem em cima dela e anunciaram nos jornais: venha ser vizinho de Dorival Caymmi . Então fiquei retado e vendi a casa, comprei
um apartamento na Pituba, vou ser vizinho de James e de João Ubaldo, daquelas duas ‘línguas viperinas, veja que irresponsabilidade a minha.
Mas hoje, antes de me mudar, fiz essa canção para Yemanjá que fala em peixe e em vento, em saveiro e no mestre do saveiro, no mar da Bahia.
Nunca soube falar de outras coisas. Dessas e de mulher: Dora, Marina,Adalgisa, Anália, Rosa morena, como vais morena Rosa, quantas outras e todas, como sabes, são a minha Stela com quem um dia me casei te
tendo de padrinho. A bênção, meu padrinho, Oxóssi te proteja nessas inglaterras, um beijo para Zélia, não esqueçam de trazer meu pano africano, volte logo, tua casa é aqui e eu sou teu irmão Caymmi”.
ODOIÁ
domingo, 22 de julho de 2012
Ferreira Gullar e a poesia
Subversiva
A poesia
Quando chega
Não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos
Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha
Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.
E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.
E promete incendiar o país.
( Ferreira Gullar )
A poesia
Quando chega
Não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos
Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha
Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.
E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.
E promete incendiar o país.
( Ferreira Gullar )
A Cidade da Boemia
domingo, 22 de julho de 2012
Poesia em tempos de boemia literária
Um texto precioso
escrito por FLORISVALDO MATTOS
ASSUNTO:
Resumo de conferência pronunciada por Florisvaldo
Mattos, durante o seminário “Memórias Cruzadas da Cidade do Salvador”, promovido
pela Fundação Pedro Calmon, sendo moderador seu presidente, o historiador
Ubiratan Castro, em 18 de julho de 2012, no auditório da Biblioteca Pública do
Estado da Bahia, nos Barris, na parte circunscrita ao tema A Cidade da Boemia, tendo como foco “a
boemia literária e o entrelaçamento da vida intelectual, mundana e
universitária, que incubaram intensamente gerações de intelectuais
transformadores e movimentos de vanguarda, na Salvador dos anos
50”.
____________________________________________________________________
Houve
um tempo nesta Cidade do Salvador em que, mais que uma forma de convívio entre
amigos, as tertúlias eram um refúgio de que se valia a boemia literária, para
fruir o intercâmbio cordial de ideias, que muitas vezes, desaguava em desafio,
em torneios de emulação, quando não de contenda rude, açulando a curiosidade de
uma audiência, que as acompanhava avidamente, de perto ou à distância. E nelas
muito de criação literária e artística se divulgava, para depois ganhar o mundo.
Essa distração intelectual com o tempo se esvaneceu, perdeu a antiga feição de
urbanidade, para quase completamente sumir das práticas culturais, passando a
compor um vasto anedotário. Em 1958, já não se falava mais dessa espécie de
concurso civilizado, mas ocorreu que, num bar da Rua da Ajuda, no curso de uma
tertúlia boêmia, que reunia poetas, literatos e jornalistas, dois sonetos
deixariam de ser remotos estados de ânimo e sutileza mental, para cumprir um
trajeto que pertence a todos os que viajam pelo terreno dos
símbolos.
A
partir dos anos 1940, quando profundas alterações ocorrem na ordem social e
econômica, com fortes reflexos na cultura, a Bahia, que era a terra do “já foi”,
toma outra configuração demográfica e urbana, impulsionada pela descoberta do
petróleo no Recôncavo e a conseqüente deflagração de um processo de
industrialização modernizador, livrando-a da dependência do comércio
agroexportador, que tinha seu vigor centrado no cacau; nova dinâmica advinda das
transformações no sistema de transporte rodoviário e aeroviário torna mais
rápida a relação entre o Sul rico e o Nordeste, aproximando centros de consumo e
fornecimento de bens e mercadorias; por fim, ocorrem mudanças no panorama
cultural, desde a gestão liberal de Anísio Teixeira na Secretaria da Educação e
Cultura, no Governo Mangabeira (1947-1951), acentuadas pela revolução que o
reitorado de Edgar Santos imprimirá na Universidade da Bahia, nos anos 1950,
criando novas escolas de arte e institutos especializados, além de reformular
unidades já existentes.
Tais
sucessos vão se refletir diretamente no desenvolvimento da Cidade do Salvador,
que, cansada e envergonhada do velho perfil provinciano, começa então a
sonhar-se cosmopolita. Num primeiro momento, as letras e as artes entram em
agitação, na ânsia de se libertar das amarras do conservadorismo imperante, com
a presença de jovens artistas plásticos (Mário Cravo Júnior, Carlos Bastos,
Carybé, Jenner Augusto), ficcionistas e poetas (Vasconcelos Maia, José Pedreira,
Wilson Rocha, Jair Gramacho), espraiando-se para outros campos (arquitetura,
mundanismo e até na política), com os ventos liberais que soprava a Constituição
de 1946. O entrelaçamento entre a vida intelectual mundana e universitária faz
surgir, com tinturas existencialistas, o primeiro pouso aconchegante da boemia
literária na cidade, o Bar Anjo Azul, na Rua do Cabeça, que se tornaria
doravante um emblema, um marco no gênero. Era a vibrante presença da Geração
Caderno da Bahia, empenhada em fazer vingar o ideário estético do modernismo,
cuja adoção plena o academicismo rotundo e insensível travara por dois
decênios.
É
nessa atmosfera de sonho e esperanças que desembarco em Salvador, em fevereiro
de 1952, numa noite de Segunda-Feira Gorda de Carnaval, vindo de Itabuna, para
estudar no paradigmático Colégio da Bahia e depois cursar universidade. E é a
partir da Faculdade de Direito, já publicando poesia na revista Ângulos, que venho integrar o grupo
nuclear de jovens, adiante dito Geração Mapa, que borbulhava entre o sucesso e o
escândalo com as apresentações de seus espetáculos de poesia dramatizada no
auditório do Colégio da Bahia, rotulados de Jogralescas, por volta de 1956/57.
Glauber Rocha à frente, e já se insinuando líder, por lá transitava uma
irrequieta malta de declamadores composta de poetas, artistas plásticos,
teatrólogos, cineastas, atores e futuros jornalistas (Fernando da Rocha Peres,
João Carlos Teixeira Gomes, Paulo Gil Soares, Calasans Neto, Sante Scaldaferri,
Ângelo Roberto, Fernando Rocha, Carlos Anísio Melhor, Fred Souza Castro, Antônio
Guerra Lima, Anecy Rocha, lembro alguns).
Associei-me
ao grupo e me engajei na saga de seus projetos editoriais e artísticos, numa
vasta gama de ações, envolvendo literatura, teatro, cinema, artes plásticas e
jornalismo. E logo começariam a surgir, em caudal, livros com o selo das Edições
Macunaíma; os projetos cinematográficos da Iemanjá Filmes; pinturas, esculturas
e gravuras em galerias de arte; peças levadas no espaço da jovem Escola de
Teatro; e, logo também, uma revista, a Mapa, e o inesquecível SDN, o suplemento
literário dominical editado pelo Diário de Notícias, de Assis Chateaubriand,
rematavam um vertiginoso leque de aspirações inovadoras. Aos nomes citados, vale
lembrar outros aderentes, como eu, Myriam Fraga, João Ubaldo Ribeiro, Sônia
Coutinho, David Salles, Valdeloir Rego.
Como
então os tempos de franca liberdade se casavam com a vida boêmia, febris
cogitações e intensos debates exigiam que a geografia da cordialidade se
estendesse por diversos pontos de encontro, que se tornariam habituais. Eram os
mais freqüentados: a Sorveteria Cubana, ainda hoje lá na parte alta do Elevador
Lacerda; o Restaurante Cacique, na Praça Castro Alves, mas ainda à época chamada
de Largo do Teatro; o Anjo Azul e o Restaurante Porto do Moreira, ambos na Rua
do Cabeça, o Bar Brasil, o Chez Bernard, novidade que se instalara no terraço do
Edifício Themis, na Praça da Sé; e, às vezes, o Colón, na Piedade. E, nos fins
de noite, com tudo fechado, Zé do Esquife, um tabuleiro de iguarias várias, que
se oferecia à boemia junto à estátua de Castro Alves.
A
noite era realmente criança e aconselhava outros pousos e outros desempenhos, a
começar pelas casas de mulherio, como o “Meia-três”, na Ladeira da Montanha, as
casas de “China”, “Maria da Vovó” e “Cymara”; gafieiras (Churrascaria Ide,
Metrô, Rumba Dancing, Belvedere); inaugurais boates (Carijó, XK Bar, Manhattan,
Pigalle e, para os mais abonados, o Cassino Tabaris). Fora disso e das cantinas
de faculdade, os encontros se davam nas sessões dominicais do Clube de Cinema da
Bahia, capitaneadas pelo advogado trabalhista Walter da Silveira, salas de
espera dos cinemas, portas de livraria e “hall” de faculdades. A cidade
tranqüila era assim intensivamente vivida, dia e noite, varando as
madrugadas.
Volto
ao começo, à história dos dois sonetos nascidos de uma longínqua tertúlia
literária, no lusco-fusco de um bar, em anos de boemia e jornalismo romântico.
Narro a excentricidade. Noite de primavera, dias depois do surgimento do “Jornal
da Bahia”, na Rua Virgílio Damásio, nº 3, uma transversal da Rua Chile, numa das
mesas de tampo de mármore do Bar Nogueira, então um dos mais concorridos da Rua
da Ajuda, vizinho ao famoso Café das Meninas, amigos estão sentados, dois deles
poetas e dois tarimbados jornalistas. Os poetas éramos eu, um mero iniciante, na
poesia como na imprensa, e Jair Gramacho, já um dos mais prestigiados membros da
Geração Caderno da Bahia, na qual disputava fama com poeta Wilson Rocha, ambos
ícones do modernismo na Bahia. Os dois jornalistas eram Ariovaldo Matos,
romancista e autor de “Corta Braço”, ficção pioneira inspirada numa invasão de
terras ocorrida no bairro da Liberdade, e o contista e cronista Flávio Costa,
este subsecretário de Redação, aquele experiente Chefe de Reportagem do novo
jornal.
Falava-se
de literatura, como sempre, quando de repente, coisa de boêmios, surge um
desafio, para saber-se qual dos dois poetas ali melhor escreveria um soneto. Não
sei de quem partiu a idéia, tampouco o grau do efeito etílico, que, indulgente,
o Ângelus da Igreja da Ajuda perto acalentava. Os dois poetas se entreolharam,
mediram o tamanho do repto, mas, feito o ajuste, bebericaram um pouco mais e se
foram. Dois dias após, tal como combinado, voltamos os quatro ao mesmo bar, cada
um dos poetas, empunhando a sua Excalibur verbal: eu, com o soneto intitulado "A
cabra", de cândida inspiração rural, composto no clássico formato petrarquiano,
com os catorze versos dispostos em dois quartetos e dois tercetos; ele, Jair
Gramacho, com suntuosa joia lavrada no modelo shakespereano, de três quartetos
integrados e um dístico, amplo de alusões panteístas e referências mitológicas;
ambos construídos em decassílabos de rimas entrelaçadas.
Cumprindo
o ritual e com a devida entonação, cada autor leu o seu soneto. Na postura de
juízes, depois de ouvi-los e cotejá-los, em silêncio, os dois jornalistas
concluíram sorridentes que os dois poemas mereciam publicação na edição
dominical do “Jornal da Bahia”. Dito e feito. Poucos dias depois, com verniz
gráfico de prestígio, os sonetos ocupavam as duas colunas do lado direito da
página literária, editada sob a batuta do historiador e cronista Luís Henrique
Dias Tavares, mas sem se referir ao embate que se travara no bar. Publicado,
cada soneto seria alvo de corporativista acolhida: o meu, com recitação e
elogios da presunçosa grei a que eu pertencia, enquanto o de Jair era bem mais
efusivamente louvado não apenas por nomes consagrados de sua
geração.
Em
1960, os dois poemas sairiam ainda na revista Ângulos (Nº 16), então prestigiosa
publicação do Centro Acadêmico Ruy Barbosa, da Faculdade de Direito, mas cada um
doravante com sorte diversa. “A cabra” iria compor o conjunto do meu primeiro
livro, Reverdor, saído em 1965 pelas
Edições Macunaíma, enquanto o primoroso soneto de Jair Gramacho, ao que sei,
permanece até hoje inédito em livro. São eles que agora abaixo reproduzo, vindo
em primeiro lugar o do meu saudoso e insigne êmulo.
SONETO
OITAVO DE ATALANTA EM CALIDÔNIA
JAIR GRAMACHO
Nesta
tarde o terreiro está vazio.
Distante
o laranjal se estende; a manga,
A
serra, o azul depois; tênue miçanga
De
açafrão tinge as fímbrias, o do estio
Único
resto. Esta tristeza é mais
Que a
da paisagem pobre e adormecente;
Talvez
por não ter rosas, não ter gente,
E a
solidão vagueie pelos currais.
Mas,
certo é que nesta hora, ressurrecto,
O
mito abandonado busca o luxo
Antigo
de existir; dispõe espectros
Que
em volta cirandeiam do repuxo...
Ah! Mais que basta para o instante magro
Galinhas ver – irmãs de Meleagro!
A CABRA
FLORISVALDO MATTOS
Talvez um lírio. Máquina
de alvura
sonora ao sopro neutro
dos olvidos.
Perco-te. Cabra que és
já me tortura
guardar-te, olhos
pascendo-me vencidos.
Máquina e jarro. Luar
contraditório
sobre lajedo o casco
azul polindo,
dominas suave clima em
promontório;
cabra: o capim ao sonho
preferindo.
Sulca-me perdurando nos
ouvidos,
laborado em marfim – luz
e presença
de reinos pastoris antes
servidos –
teu pelo residência da
ternura
onde fulguras na manhã
suspensa:
flor animal, sonora
arquitetura.
Florisvaldo Mattos é
poeta e jornalista; membro da Academia de Letras da Bahia; autor de livros de
poesia e ensaios.
Read more: http://clippingsetaro.blogspot.com/2012/07/poesia-em-tempos-de-boemia-literaria.html#ixzz21OGmZLwi
A SORTE DE SER FEIO
Arte de Joaquín Torres
García
As pessoas me chamam de feio, na verdade é uma promoção. Antes me chamavam de ET, agora tomei a forma humana. E ainda perguntam como estou casado com uma mulher linda. Simples, mulheres lindas têm mau gosto e feios têm bom gosto.
Ser feio tem inúmeras vantagens e benefícios,
pode perguntar ao Woody Allen:
- O feio é inesquecível, você olha uma vez e o
choque é tão grande que guarda para sempre.
- Amor à primeira vista é para os bonitos. Para
os feios, é amor ao primeiro trauma.
- Mais fácil se apaixonar pelo feio. Você não
entende como ele nasceu assim, pede um prazo maior. O feio é um enigma, uma
charada. Mulher abandona o homem quando entende rápido.
- O feio não é preguiçoso no relacionamento,
não vai perder tempo ajeitando o cabelo e se olhando no espelho.
- O feio traz as melhores conversas. Ele
depende da lábia para garantir a distração da mulher.
- O feio não envelhece, só melhora com o tempo.
Diferente do bonito, que ficará um dia feio.
- Não, o feio não melhora com o tempo, você é
que se acostumou com ele. Um feio conhecido torna-se simpático. Um feio
desconhecido é apenas feio.
- Todo feio é engraçado, aprendeu a rir de si
mesmo. Não conheço feio mal-humorado.
- O feio é educado, pois sofreu muito com a
falta de educação dos outros,
- O feio não reclama, está sempre satisfeito.
Quem reclama é o bonito, insaciável com os elogios.
- O feio gosta muito de seu nome, foi obrigado
a suportar tudo o que é apelido,
- O feio é uma apoteose na cama, Sapucaí dos
lençóis. A excitação feminina cresce com o medo.
- A mulher nunca se entedia com o feio, leva
susto cada manhã.
- O feio é prático, já se acorda pronto, não
precisa se arrumar.
- O feio apresenta uma maior resistência
emocional, é capaz de ser um grande parceiro nas crises e usar a criatividade
nos piores momentos.
- Ninguém duvida da masculinidade do homem
feio. Já o homem bonito demais parece uma mulher.
Ouça meu
comentário da manhã de sexta (20/7) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, apresentado por
Antonio Carlos Macedo e Daniel Scola:
sábado, 21 de julho de 2012
comportamento sexual
Pesquisa: japoneses são os que fazem menos sexo
FREQUÊNCIA
- Os japoneses são o povo que faz menos sexo no planeta. Apenas 27% da população tem uma relação por semana. Os britânicos ocupam a penúltima posição, com 55%.
- Quem mais faz sexo no mundo são os colombianos: 89% têm pelo menos uma relação sexual por semana. Os indonésios e os russos vêm em segundo lugar, com 88%. Em seguida: China e Portugal (85%).
Média mundial: 71%
PRELIMINARES
Quantos minutos você gasta nas preliminares? Os gregos venceram, com 21,2 minutos. Os brasileiros ficaram com o vice-campeonato, com 20,8%. Quem gasta menos tempo e vai mais rapidamente ao "vamos ver" são os tailandeses (11,2 minutos) e os malaios (12,5 minutos).
TEMPO DE DURAÇÃO
Novo vice-campeonato para os brasileiros. Somos os segundos que têm as relações mais demoradas: 27,2 minutos. Só perdemos para Hong Kong (29,4 minutos). Os mais rapidinhos são os franceses (14,3 minutos) e os britânicos (14,5 minutos).
As mulheres que "mais chegam lá" estão na Hungria: 75% das entrevistadas disseram ter orgasmo com os parceiros. As gregas vem em seguida (71%). As chinesas (23%) e as sul-coreanas (25%) são as que menos chegam ao clímax.
USO DE CAMISINHA
Os chineses são os que usam mais camisinha: 77% deles afirmaram ter usado preservativo na última relação. Os brasileiros ficaram na sexta posição (67%). Os tchecos são os que menos se protegem: apenas 38% usaram camisinha na última vez.
- Entre todas as práticas sexuais, a mais popular no mundo é... a massagem! Especialmente para gregos e sul-africanos.
- Sexo oral é mais comum entre austríacos (80%) e brasileiros (77%).
- Suíços (77%) lideram o ranking das fantasias sexuais.
- Os tailandeses são os que mais aderem ao uso de materiais eróticos para aumentar a libido (68%).
- Masturbação: liderança para os suíços (96%). Na última posição ficaram os nigerianos: 30%. Um terço dos entrevistados faz pelo menos uma vez por semana: homens (43%) / mulheres (22%).
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BOM DIA!!!!
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