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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

All I Want Is You / Where The Streets Have No Name - U2 -

QUANDO ELA GOZA



Depois de amada, estendeu seu corpo ainda tremendo.
Quase chorava de tanto que se expulsou.

Quase chorava de tanto que se recebeu de volta.

Não me aproximei. Não podia interferir em sua solidão. Dizer o quê?

Não podia me aproximar de sua solidão. Dizer o quê?

Seus músculos ainda estalavam, o sangue aquecia os ouvidos. Dizer o quê?

Qualquer palavra é intrusa. A boca eram seus cabelos boiando. Dizer o quê?

O homem deveria se distanciar depois que a mulher goza. Não tomar para si a glória ou o prazer. Não reivindicar autoria. Não sujar a parede com a sua letra. Não cobrar o que não nasceu dele. Deveria ter pudor de pálpebras que se fecham para imaginar.

É ela e seu corpo redimidos.

É ela e seu corpo abraçados.

É ela e seu corpo alinhados como joelhos.

É ela devolvida a si, devolvida às alegrias proibidas, às alegrias quando se tocava em segredo.

É ela e os medos superados, a culpa liquidada, os seios observando as janelas. A rua da cintura, e a chuva, para não andar, para ficar debaixo das marquises esperando passar.

O homem deveria sentar em uma cadeira ao longe, como se fosse um milagre e lhe faltasse fé para reconstituir os detalhes.

O homem não deveria estragar com a sua presença aquele momento, mas silenciar, esquecer os comentários, jejuar os dentes, reprimir o ímpeto.

Nenhuma brincadeira, nenhuma certeza, nenhuma crença.

É difícil desaparecer, sei que é difícil.

Homem, não lhe resta outra opção!

Desapareça estando ali. Nenhum movimento brusco, não procurar água, a sede, o casaco.

Desapareça aos poucos para que ela, enfim, se veja dançando para Deus.
 


Crônica do meu novo livro "Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus"
 
 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Clarão



Clarão by Cacaso and Olivia Byington

O rochedo tem dureza
o corisco tem clarão
é do mar a profundeza
a escureza é do carvão

Toda vez que te procuro
e você me diz que não
a tristeza põe a mesa
na palma da minha mão

Onde nasce uma paixão
passa um rio de ilusão
passa de brincadeira
deixa de brincadeira
entra na brincadeira
a vida não vai passar em vão

Natureza tem beleza
o azedo é do limão
é do rio a correnteza
a leveza é do balão

Toda vez que te perjuro
E você me dá razão
passa um rio de incerteza
dentro do meu coração

Toada




Eu gosto desta canção. E gosto ainda mais que você a tenha tocado em minha cama, sem que eu lembrasse de pedir, sem que você esquecesse de lembrar que eu gosto tanto desta canção. Felicidade é isso, pergunta a menina inquieta que joga amarelinha em meu peito. Esse instante que é arte e, por ser assim, é completamente inútil? Felicidade é isso, esse momento quase tela, quase som, quase letra, uma perfeição que do outro lado do espelho só poderia ser sussurrada: angústia? 
Eu gosto desta canção, digo, depois, deitada em teu corpo, as mãos brincando de dedilhar notas antigas e preguiçosas, escorregando na pele que se desfaz e, em um susto, sabemos: toca-se o coração.
Cá dentro, eu sei: gosto, de uma forma terna e dolorida, que não cheguemos nunca a nos amar, mesmo com toda essa fome que temos um pelo outro. Gosto que não cheguemos nunca a nos amar, tantos futuros se desencontrando. 
Gosto que não cheguemos nunca a nos amar, eu repito, agora em voz alta, e as nossas mãos se procuram e são mornas e salgadas. Você entende e me conta do seu primeiro bichinho de estimação: um porquinho da índia que um dia, tão velho, tão velho, sumiu e você quis acreditar quando a sua mãe abraçou apertado e disse: ele fugiu. 
E eu também, eu também quis acreditar na fuga do porquinho. E em futuros. Porque você sempre sabe o jeito certo de encaixar as pernas, a piada, os sonhos. Porque nunca nos falta vontade, assunto ou fôlego. Porque brincamos nus, bebemos no mesmo copo e fazemos caretas. Porque podia ser pra sempre, porque é tão mais fácil ficar, eu quis acreditar e dizer: onde será que ele está agora? Mas eu sei as mortes todas, respiro como quem se afoga e faço silêncios. 

http://borboletasnosolhos.blogspot.com/2012/08/toada.html


De novo, o violão. Nunca uma Toada foi tão bonita. Dizem que o belo é feito de impossíveis.



 
TOADA (NA DIREÇÃO DO DIA)
(Composição: Zé Renato / Juca Filho / Claudio Nucci)

Vem morena ouvir comigo essa cantiga
Sair por essa vida aventureira
Tanta toada eu trago na viola
Prá ver você mais feliz

Escuta o trem de ferro alegre a cantar
Na reta da chegada prá descansar
No coração sereno da toada, bem querer

Tanta saudade eu já senti, morena
Mas foi coisa tão bonita
Da vida, nunca vou me arrepender

Morena, ouve comigo essa cantiga
Sair por essa vida aventureira
Tanta toada eu trago na viola
Prá ver você mais feliz

Escuta o trem de ferro alegre a cantar
Na reta da chegada prá descansar
No coração sereno da toada, bem querer

Tanta saudade eu já senti, morena
Mas foi coisa tão bonita
Da vida, nunca vou me arrepender

Vem morena (6x)

Vem morena ouvir comigo essa cantiga
Sair por essa vida aventureira
Tanta toada eu trago na viola
Prá ver você mais feliz

Escuta o trem de ferro alegre a cantar
Na reta da chegada prá descansar
No coração sereno da toada, bem querer

domingo, 12 de agosto de 2012

Sunday @ the park



Al Jarreau

Going to the Stern Grove to see/hear Al Jarreau... http://www.sterngrove.org/

Bom Domingo!!! Bom Apetite!!!


sábado, 11 de agosto de 2012

Amor, Amor - Maria Bethânia

A liberdade, essa mulher

  
Aninha Franco

A trilha de hoje era outra até o momento em que Na estrada, de Walter Salles, se exibiu para a minha intranquilidade provinciana. O ponto de partida do filme é On the Road, romance que Jack Kerouac (1922-1969) escreveu em 1951 e que se tornou referência da Geração Beat. Mas o livro é só o miolo da massa. Salles usou a câmera de maneira, às vezes, crítica, para falar da mais benéfica das revoluções humanas do século 20, a revolução Beat, com Allen Ginsberg (1926-1997), William Burroughs (1914-1997), os hippies, o rock-and-roll, o sexo livre, o uso de drogas, a vida em comunidade, conduzindo o planeta Terra a um estágio menos ameaçador.
Sempre há guerras. A dos anos 1940 foi assustadora. Campos, gás, genocídio, e a multiplicação dessa capacidade Humana de destruir a si mesmo e as outras espécies fotografada e filmada, não tanto como agora, mas em velocidade considerável. Devia ser difícil acreditar nos humanos nos anos 1950, talvez mais que agora. A mesma espécie que condenava a liberdade sexual e o uso de drogas, se matava com requintes de perversidade, como ainda hoje, e aplicava as regras do capitalismo com sofreguidão. O capitalismo, instituído pela revolução industrial do século 18, estava pleno. A mais valia, substituta astuta da escravidão, multiplicava fortunas.
Quem precisava fugir disso, como aquela juventude inteligente e desencantada, ia para a estrada, comportamento de outros transgressores que Salles cita todo o tempo, exibindo o exemplar sebento de No Caminho de Swann, de Marcel Proust, outra estrada, ou a única foto conhecida de Rimbaud que, depois de escrever uma obra pequena e capital, embarcou para sempre, na África, traficando armas, escravos e outras especiarias.
Os muros Beat caíram quando o capitalismo se apropriou de seus signos, da calça azul e desbotada, da música, da estrada, da droga, mas ninguém conseguiu impedir que a liberdade, essa mulher de ombros largos e risada escandalosa, que mete medo aos tiranos, abrisse caminhos. Por causa de suas conquistas, essa foi a melhor revolução que os humanos fizeram no século 20.

http://revistamuito.atarde.uol.com.br/

'apertura musical' de Cuba

Desconfianza, sorpresa y optimismo en Miami tras la 'apertura musical' de Cuba

Gloria Estefan, en una marcha por las 'Damas de Blanco'. | Joe RaedleGloria Estefan, en una marcha por las 'Damas de Blanco'. | Joe Raedle
  • Para algunos es una maniobra demagógica o un engaño más de La Habana
  • Sin embargo, muchos en Miami lo consideran algo positivo

Rui Ferreira | Miami
Actualizado sábado 11/08/2012

El próximo levantamiento de la censura a la presentación de los cantantes cubanos exiliados en las emisoras radiales de la isla ha sido acogido con una mezcla de desconfianza y optimismo en Miami.
"Es bueno que lo permitan. Es un reconocimiento a su trabajo, popularidad y una constatación de que son populares", dijo a ELMUNDO.es, Eduardo Fernández, un musicólogo de Miami que sigue de cerca el fenómeno del 'intercambio cultural', como se conoce popularmente a la ,cada vez mayor, presentación de artistas residentes en Cuba en los escenarios de la capital del exilio cubano.
Este intercambio siempre estuvo desequilibrado. El Gobierno de Estados Unidos siempre dio más permisos a escritores, músicos, académicos e intelectuales estadounidenses para que viajaran a la isla, que los que el Gobierno cubano concedió a los suyos. Por ello, en Miami hay quien ve con desconfianza el próximo fin de la 'lista negra' de cantantes del exilio en las estaciones de radio cubanas.
"Mire, a ellos [el Gobierno cubano] no les quedó otra que hacer esto. La presión de la gente es muy grande. Hay toda una generación que no le importa la política y quiere escuchar lo que le gusta. Y ellos tienen que entretenerlos porque, si no, se van a ir", agregó Manuel Elizardo, un exiliado cubano de 70 años, que se confiesa un "acérrimo contrarrevolucionario", pero admite abiertamente que "estos son otros tiempos".

'Tienen que dejarles ir a Cuba'

Los hay más radicales. Como Miguel Saavedra, el líder de 'Vigilia Mambisa', una organización callejera, que se ha hecho famoso por destruir discos y casetes de películas de cantantes y actores que residen en Cuba, cuando viajan a Miami.
El año 2010, Saavedra adquirió notoriedad cuando alquiló una aplanadora y destrozó en pleno corazón de la Pequeña Habana unos 20 discos del cantante colombiano Juanes, cuando este hizo un concierto en la Plaza de la Revolución, en La Habana.
"Nosotros no aceptamos esto de ninguna manera. Pasar a nuestros cantantes en la radio no es lo importante. Lo que tienen que hacer es dejar es que ellos vayan personalmente a Cuba a cantar al pueblo. Pero el Gobierno no los deja porque sabe que aquello se les puede virar a los gritos de 'libertad'", dijo Saavedra a ELMUNDO.es.

'Se han dado cuenta de que es inútil'

De momento no se sabe cuando los artistas del exilio comenzaran a ser escuchados en las emisoras de la isla. De hecho, el Gobierno no ha admitido nada oficialmente. Apenas empleados de las estaciones han confirmado a periodistas extranjeros en La Habana que la 'lista negra' ha desaparecido. Una lista que, en una época llegó a incluir al cantante español Julio Iglesias, cuando en los años 80, este se solidarizó con los refugiados cubanos que llegaron en el puente marítimo del Mariel.
"El fin de la prohibición en Cuba de radiar las obras de autores contrarios al régimen tiene, al menos, dos aspectos que merecen destacarse. Uno, cotidiano, que tiene que ver con la supresión de la 'lista negra', que nunca fue oficial sino oficiosa y es el final de ciertos niveles deplorables de censura cultural", comentó a ELMUNDO.es el analista cubanoamericano, Alejandro Armengol.
El otro aspecto, en su opinión, "es que el Gobierno cubano finalmente se ha dado cuenta de que son mecanismos inútiles y contraproducentes en un mundo cada vez más globalizado, donde es fácil hacer rodar grabaciones de todo el mundo".
"Ahora, es el final de una veda que no hay que confundir con la desaparición de la censura porque, si hay un terreno donde Miami y La Habana han manifestado actitudes similares, aunque en direcciones opuestas, es en la intolerancia artística", agregó el analista.

Respuesta al 'intercambio cultural'

Entre los que recelan de la decisión del Gobierno comunista, hay quien piensa que es una forma de responder al impacto que tiene dentro de la comunidad exiliada la, cada vez mayor, presentación de artistas residentes en Cuba en los escenarios de la capital del exilio cubano.
Se trata de un movimiento creciente, no exento de controversia, al que se conoce popularmente como 'intercambio cultural', una frase sacada del lenguaje político de la administración de Barack Obama que ha estado concediendo visados a artistas de Cuba para que se presenten en Estados Unidos, casi siempre haciéndose de la vista gorda cuanto a los requisitos migratorios de pagar impuestos por los ingresos en taquilla.
Es así como en Estados Unidos han actuado cantantes con connotación y trayectoria política como Silvio Rodríguez, Pablo Milanés, o otros no tan 'politizados', como Carlos Varela, Paulito FG, la banda los Aldeanos y Omara Portuondo.
Esto sin obviar toda una legión de escritores, actores, pintores y escultores que, en los últimos años, han tenido la oportunidad de viajar a Estados Unidos, ya sea por trabajo o como simples visitantes.
No ha sido un movimiento visto con simpatía por muchos en el exilio. Casi siempre, sus actuaciones son acogidas por un sector del exilio con manifestaciones de rechazo que llevan, incluso, a gestos públicos de destrucción de discos, libros y boicot de las presentaciones.
Uno de los grandes argumentos de los que se oponen a estas visitas, actuaciones y presentaciones, es que el régimen de La Habana nunca ha autorizado que los cantantes, actores, escritores e intelectuales exiliados puedan cantar, actuar o ser publicados en la isla.

Inflexibles durante décadas

En los últimos años, los escritores han sido una excepción. A poco y poco el régimen ha dado ciertas señales de apertura hacia el exilio, que comenzó con los escritores y actores, a quienes se ha comenzado, tímidamente, a imprimir en publicaciones oficiales o se les ha permitido viajar a Cuba para participar en proyectos junto a sus colegas de la isla.
Faltaban los músicos. Posiblemente porque un cantante es siempre más popular que un actor o un escritor, el régimen siempre tuvo reticencias en relación a permitir que los exiliados fueran escuchados en las emisoras cubanas, todas bajo control estatal. Mucho menos actuar en vivo.
La explicación era siempre la misma, sea porque se fueron de la isla, desertaron durante una gira o, sencillamente, tuvieron manifestaciones públicas contra la Revolución Cubana. Fue una política inflexible durante décadas que, sin embargo, no impidió que su arte llegara a la isla clandestinamente en el fondo de las maletas de los exiliados que viajan continuamente, o divulgada a través de rústicas grabaciones hechas por aquellos que escuchan las emisoras de radio del sur de Florida.
Fue así, como cantantes como Gloria Estefan, Willy Chirino o las fallecidas Olga Guillot y Celia Cruz, se hicieron populares en la isla durante generaciones.

http://www.elmundo.es/