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domingo, 13 de janeiro de 2013

As boas coisas da vida


Photo: Painel_Cantagalo


 Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas para dizer as “dez coisas que fazem a vida valer a pena”. Sem pensar demasiado, Rubem Braga, fez esta pequena lista:

- Esbarrar às vezes com certas comidas da infância, por exemplo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem numa garrafa cuja rolha é um sabugo de milho. O sabugo dará um certo gosto ao melado? Dá: go...sto de infância, de tarde na fazenda.

- Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estranha, achando que ali vão acontecer coisas surpreendentes e lindas. E acontecerem.

- Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola, sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute perfeito – e ser aplaudido pelos servente de pedreiro.

- Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pedaço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.

- Aquele momento em que você sente que de um velho amor ficou uma grande amizade – ou que uma grande amizade está virando, de repente, amor.

- Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que, afinal, para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne – a mulher que não te deu e não te dá, essa amaldiçoada.

- Viajar, partir…

- Voltar.

- Quando se vive na Europa, voltar para Paris, quando se vive no Brasil, voltar para o Rio

- Pensar que, por pior que estejam as coisas, há sempre uma solução, a morte – o assim chamado descanso eterno.

Rubem Braga

sábado, 12 de janeiro de 2013

Despedida



E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


Extraído do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 83.
Rubem Braga

Falando sozinho - Ruy Castro

Autumn Walk Scrolling background Autumn Walk for iPhone and Android is Fun and Interesting

 

sábado, 12 de janeiro de 2013


Ruy Castro

FOLHA DE SÃO PAULO

Falando sozinho
RIO DE JANEIRO - Numa fase de muitas idas a trabalho a Nova York, Londres e Paris, nos anos 80 e 90, nunca me acostumei com as pessoas falando sozinhas que via pelas ruas dessas cidades. Não eram mendigos ou bebuns no último furo, o que poderia denotar uma avançada degradação mental -mas homens e mulheres de terno ou tailleur, graves, sóbrios, com pinta de altos executivos. Falavam em tom de voz mediano e regular, como se estivessem decifrando um conceito fenomenológico ou calculando o valor de pi.
Como não via isso no Brasil, exceto nos miseráveis de praxe, deduzi que falar sozinho era uma característica da civilização. Devia ser coisa de gente cujo bisavô tinha sido amigo de Lincoln, Lewis Carroll ou Rimbaud e, desde então, habituara-se a conviver com filósofos, astrônomos e primeiros-ministros dizendo coisas importantes ao seu redor -e era com elas que "dialogava" enquanto atravessava a rua.
Dialogava mesmo, porque eram falas que sugeriam pergunta e resposta, acompanhadas de gestos com as mãos e a cabeça. Eu me perguntava se aquelas pessoas não estariam ouvindo de verdade as vozes que os faziam falar sozinhos.
Bem, passaram-se muitos anos e, de algum tempo para cá, tenho cruzado nas ruas de RJ e SP com homens e mulheres graves, sóbrios, com pinta de altos executivos -e também falando sozinhos. Oba, chegamos à civilização -pensei. Na minha fantasia, imaginei-os descendentes de conselheiros do Segundo Reinado.
Só que, ao me aproximar de alguns, pude escutar o que falavam. Um discutia o Flamengo da véspera; outra contava o que acabara de ouvir na Ana Maria Braga etc. Todos usavam um Bluetooth, o minifone invisível que se acopla à orelha e faz parecer que o sujeito está falando sozinho. Mas não, ninguém estava falando sozinho, e muito menos calculando o valor de pi.
 
 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

SEM FANTASIA - Chico Buarque e Maria Bethânia -



Sem fantasia
Chico Buarque/1967
Para a peça Roda Viva de Chico Buarque

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

LÁGRIMAS NEGRAS - GAL COSTA - JORGE MAUTNER



Lágrimas Negras

Na frente do cortejo
O meu beijo
Muito forte como o aço
Meu abraço
São poços de petróleo
A luz negra dos seus olhos
Lágrimas negras cai, sai
Dói

Por entre flores e estrelas
Você usa uma delas como brinco
Pendurada na orelha
É o astronauta da saudade
Com boca toda vermelha
Lágrimas negras cai, sai
Dói

São como pedras de moinho
Que moem, roem, moem
E você baby vai, vem, vai
E você baby vem, vai, vem
Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Lágrimas negras caem, saem, doem

Quem é quem????

Será que consegue identificar todas as personalidades ilustradas pelo artista David Cowles
Faça o teste e depois diga o resultado...boa sorte =)
David Cowles 1
David Cowles 2

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http://lounge.obviousmag.org/sphere/2013/01/david-cowles.html

It's a Long Way - Caetano Veloso


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Samba em Prelúdio - Baden Powell



Samba em Prelúdio

Composição: Baden Powell e Vinícius de Moraes

Eu sem você não tenho porque,
porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz jardim sem luar,
luar sem amor, amor sem se dar
E eu sem você sou só desamor
um barco sem mar um campo sem flor
Tristeza que vai tristeza que vem
Sem você meu amor eu não sou ninguém

Ah! que saudade que vontade de ver renascer nossa vida
Volta querido os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus,
Estou tão sozinha tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você meu amor eu não sou ninguém

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

"Ladies And Gentlemen... The Rolling Stones"

'The Graduate' Cast: Where Are They Now?


The Graduate Where Are They Now

Forty-five years later, it's hard to appreciate what a revolutionary film "The Graduate" was. Not just for its depiction of driftless youth and the sexual revolution, but that it starred a regular guy like Dustin Hoffman. As NY Times critic A.O. Scott said in 2009, casting Hoffman "helped redefine what kind of person could become a movie star."
However, the movie could have been very different: Originally, the role of college graduate Ben Braddock was going to go to Robert Redford (Hoffman's future "All the President's Men" co-star), and Candice Bergen (who'd star in Nichols' 1971 film "Carnal Knowledge") was going to play Elaine. And what about Doris Day as Mrs. Robinson and Marlon Brando as Mr. Robinson? We can't begin to picture that.
Scott argues that the film "never felt dated," although Roger Ebert wrote in 1997 that its "time has passed." Either way, it's been a major influence on countless movies, from "Say Anything" to "Garden State.”
After its release on December 21, 1967, “The Graduate” would rack up seven Oscar nominations, including a Best Director win for Mike Nichols. It's still ranked as Hoffman's eighth highest-grossing film and is No. 21 on the all-time adjusted box office chart.
In honor of the classic, lets take a look back at the cast of "The Graduate."