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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Bom tempo - Chico Buarque e João Bosco



Bom Tempo

Chico Buarque

Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
O pescador me confirmou
Que o passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo
Do duro toda semana
Senão pergunte à Joana
Que não me deixa mentir
Mas, finalmente é domingo
Naturalmente, me vingo
Eu vou me espalhar por aí
No compasso do samba
Eu disfarço o cansaço
Joana debaixo do braço
Carregadinha de amor
Vou que vou
Pela estrada que dá numa praia dourada
Que dá num tal de fazer nada
Como a natureza mandou
Vou
Satisfeito, a alegria batendo no peito
O radinho contando direito
A vitória do meu tricolor
Vou que vou
Lá no alto
O sol quente me leva num salto
Pro lado contrário do asfalto
Pro lado contrário da dor
Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
Um pescador me confirmou
Que um passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo
Ando cansado da lida
Preocupada, corrida, surrada, batida
Dos dias meus
Mas uma vez na vida
Eu vou viver a vida
Que eu pedi a Deus


NOTA: estava dormindo e sonhando com essa música... levantei-me pra postar aqui...BOM DIA!
regina

 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Poema com meio retrato mas sem Musas

 

Eu à espera de um poema. Porto (Majestic), Janeiro de 2010. Fotografia de José Ricardo Costa.
Eu à espera de um poema. Porto (Majes­tic), Janeiro de 2010. Foto­gra­fia de José Ricardo Costa.
 
São nove as Musas, eu sei,
de tanta gente bem podia
vir uma delas, não faço questão,
estender-me um poema embru­lhado em celofane,
rebu­çado de síla­bas que eu chu­passe devagar,
a deixar-me na boca um travo tem­pe­rado de café.
Mas nem uma se digna
a vir, ao menos, deitar-me den­tro da chávena
o sabor das pala­vras já pedidas.
Por isso, sigo as imagens.
Creio que por temas, não estou certa:
lago ou casa,
más­cara mortuária,
epi­tá­fios de água nas jane­las fechadas.
Espe­lhos (outra imagem)
por onde saio para o mundo dos meus versos,
com­pa­nhia de espec­tros ao fundo do quadro.
E mui­tas vezes me perco.
 
http://www.escreveretriste.com/
 

Envelhecer é Lixado

 

Três Vezes 20 Anos”, Julie Gavras
Enve­lhe­cer” é um tema espe­ci­al­mente difí­cil, em qual­quer arte. Phi­lip Roth domina-o. Julien Freud dominava-o. Johnny Cash, cer­ta­mente. No cinema, Berg­man é um caso espe­cial: todo o der­ra­deiro arco da obra do demiurgo sueco passa pelas ale­grias e frus­tra­ções da “ter­ceira idade”. Enve­lhe­cer a dois é um tema ainda mais com­plexo. “Make Way for Tomor­row”, de Leo McCa­rey (um mes­tre das comé­dias) é um grande filme sobre o assunto, mas quem quer hoje ver um melo­drama pun­gente de 1937 sobre um velho casal que é for­çado a separar-se por­que não tem dinheiro, e nenhum dos filhos está para o atu­rar? No cinema de aven­tu­ras, “Robin & Marian”, de Richard Les­ter, é um degrau notá­vel – Robin Hood (Sean Con­nery), aos 60 anos, está exausto, mas isso não o impede de per­se­guir Lady Marian (Audrey Hep­burn) até ao fim, ape­sar de esta só que­rer sopas e des­canso no con­vento mais pró­ximo. Em tem­pos recen­tes, “Another Year”, do bri­tâ­nico Mike Leigh, é um exem­plo bri­lhante do equi­lí­brio entre comé­dia, drama, cons­tru­ção e natu­ra­lismo, pela his­tó­ria de um casal no ocaso da vida mas radi­ante de fúria, sen­si­bi­li­dade, ale­gria, caos. Mas Leigh tem um segredo – é a receita do olhar sábio e obses­sivo sobre a rea­li­dade, do tra­ba­lho de meses na pre­pa­ra­ção com os acto­res, dos diá­lo­gos fal­sa­mente impro­vi­sa­dos – e Julie Gra­vras não o conhece. Sendo filha de Costa-Gavras, o mes­tre grego dos thril­lers de cons­pi­ra­ção polí­tica (“Z”, “Estado de Sítio”, “Mis­sing”, “O Enigma da Caixa de Música”), e ape­sar do ensaio grave, e ide­o­ló­gico, do filme de estreia (“La Faute à Fidel”), Julie parece incli­nada a fazer car­reira no melo­drama. “Três Vezes 20 Anos” é isso mesmo, o retrato de um casal bur­guês che­gado aos ses­senta anos (Wil­liam Hurt e Isa­bella Ros­sel­lini, ambos em forma), com três filhos, um cír­culo de ami­gos e uma vida de con­forto, mas con­fron­tado com o ine­vi­tá­vel: “Que fazer agora?”. O filme sugere que a melhor fór­mula para o enve­lhe­ci­mento é, sim­ples­mente, pros­se­guir, e viver – ou seja, não exis­tem fór­mu­las defi­ni­ti­vas. Há um charme ine­gá­vel, e um equi­lí­brio cor­recto entre sobri­e­dade e humor. Mas falta uma chama que ilu­mine as per­so­na­gens e os espec­ta­do­res numa direc­ção dife­rente. E depois dos ses­senta, ima­gino que essa chama é mais neces­sá­ria do que nunca: digam o que dis­se­rem, enve­lhe­cer é lixado.
 
Publi­cado na revista “Sábado”
 

sábado, 19 de janeiro de 2013

Persona & Labirinto de Um Homem Indignado




Walmor Chagas (28 August 1931 – 18 January 2013)
 
 
Capítulo I

Persona

& Labirinto de Um Homem Indignado

Sou um ator de teatro eternamente à procura de um personagem cinematográfico
que nunca chegou. E, enquanto Godot não chega, se distrai e ganha a vida com
alguns maravilhosos personagens que o teatro ainda oferece.



(trecho de

Um Homem Indignado)
Um homem ensimesmado, que num meio-tom de olhar parece nos dizer que sabe
tudo, do mundo, de todos.
Walmor Chagas, mesmo sem o cinema, construirá uma

persona que é típica do ator
cinematográfico, de um cinema que tanto buscou, que não lhe foi fiel. Cercado
pelo esplendor da era cinematográfica do século 20, jovem em Porto Alegre, jovem
aspirante a ator em São Paulo, Walmor Chagas sabe-se ator de cinema, estrela de
cinema – isto sem contar que o cinema com que sonha simplesmente jamais existiu
no Brasil.
Desde que surgiu em São Paulo, em 1953, Walmor Chagas consegue forjar sua

persona:
um tipo

cara-intelectivo, capaz de transmitir através do olhar pensativo a sensação
e a idéia de poder. Pode conhecer todo o presente, o passado e o futuro dos
acontecimentos ao seu redor. Trata-se de um penseroso perturbador, capaz de desvendar
a alma do outro e os fatos.
De exprimir o indizível.
Homem belo, num tempo em que isso era ainda uma raridade social e étnica no
Brasil, sabe de imediato localizar e construir a identidade de seu carisma. Inteligente
e culto, encontraria no auge do Teatro Brasileiro de Comédia, o lendário TBC, a
transposição daquele almejado universo cinematográfico do século 20. As encenações
do TBC – e não os filmes da Vera Cruz – correspondiam exatamente ao anseio
de um Brasil cosmopolita, industrializado, sincronizado com a vanguarda cultural
do Ocidente.
Por definição, uma

estrela tem sua própria identidade: uma persona cinematográfica
perfeitamente identificável. Que está intrinsecamente presente durante e para
além de um filme particular em que atua. Por cinco décadas de carreira – para resumir
no mínimo – brilhante, Walmor Chagas pairou sua

filme-persona, estelar, acima
de todos – mesmo sem o cinema...
Walmor Chagas cria uma

persona tão racional quanto angustiada. E, justamente
porque este introspectivo e meditativo

homem-intelecto desvenda o destino – é
destino seu que se afaste do mundo. Compreende todas as fraquezas e subjuga-as
– o que faz com que despreze o

cul-de-sac humano até a náusea.
Persona


cerebral, talentosamente colocada a serviço de encontrar todas as matizes,
jamais obliterando os meio-tons, que possam expressar e revelar os personagens
que encarna, Walmor Chagas só pode parecer pairar em plano de superioridade

Mete medo e exerce fascínio em cena, atraindo para si o repúdio invejoso ou o estado

de veneração hipnótica.

Contendo as emoções, entretanto, transmite a sensação do sofrimento de sua sensibilidade

aguda, da percepção do desastre do mundo, sem deixar-se nunca levar por

auto-indulgência. É no olhar, como nos deuses gregos das esculturas clássicas, que

Walmor Chagas revela-nos o turbilhão da alma, o labirinto.

Ele é contenção e êxtase, beleza irrepreensivelmente clássica. Por isso a

persona,

que escolheu como ator, o coloca num patamar de modernidade só comparável ao

da atriz que lhe foi cúmplice em tudo, em cena e na vida, Cacilda Becker. No Brasil,

como ator, é o símbolo máximo da matriz ocidental – não só do comediante, mas da

cultura que encarna. Daí sua indignação. E perenidade.



Walmor Chagas

Ensaio Aberto para
Um Homem Indignado


Djalma Limongi Batista


Contém o texto integral do espetáculo

Walmor Chagas, Um Homem Indignado
São Paulo, 2008

http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=25228608581732116#editor/target=post;postID=851927098327496447


 

O louco do porão

Há um século nascia em Zurique o compositor e visionário Anton Walter Smetak, guru dos tropicalistas e mestre da música brasileira moderna.

Jotabê Medeiros
 
Cruzava as ruas de Salvador a bordo de uma velha motocicleta BMW preta que ele chamava de "prostituta da Babilônia". Enrolava o próprio cigarro artesanal, vestia roupas amassadas e tinha a fama de um amalucado Professor Pardal. Exilado da barbárie nazista, o compositor, músico, filósofo, poeta, artista plástico, cientista e dramaturgo suíço Walter Smetak (1913-1984) adotou a indeterminação dos trópicos como regra para um experimentalismo sonoro cujo alcance é, ainda hoje, imenso.
Várias gerações de músicos brasileiros foram influenciadas por Smetak - Divulgação
 
Várias gerações de músicos brasileiros foram influenciadas por Smetak

"Falar sobre música é uma besteira, mas executá-la é loucura", dizia o compositor. Este ano, celebra-se um século do seu nascimento em Zurique, em 12 de fevereiro de 1913 (morreria na Salvador que consagrou como moradia em 30 de maio de 1984), filho do músico Anton e da cigana Frederica Smetak. Sua influência se reflete na música brasileira por meio de gerações diferentes, de Tom Zé ao grupo Uakti, chegando até Lucas Santtana.
Trabalhando num porão da faculdade, o que lhe valeu curioso apelido, ele se tornou mestre e baliza dos tropicalistas. Caetano Veloso o menciona de forma elíptica em uma música de 1972, Épico. "Smetak, Smetak & Muzak & Smetak & Muzak & Smetak & Muzak & Razão". Legou dezenas de livros, centenas de composições, três peças teatrais. Nada do que produziu, em música, está disponível comercialmente. Seu primeiro disco, Smetak, foi gravado em 1974. O segundo, Interregno, em 1980. "Sou como a própria natureza, crio em abundância, presenteio os homens e as mulheres, e prefiro não cobrar nada", disse ele.
"Concluí que era preferível me envolver com a desordem e a liberalidade dos trópicos do que submeter-me às misérias europeias semeadas por Adolf Hitler", afirmou ele, sobre a decisão de estabelecer-se no Brasil.
Smetak não era um vanguardista temporão. Estava trabalhando em suas revoluções em momento histórico simultâneo ao de diversos outros expoentes da experimentação pelo mundo afora, como John Cage e Pierre Boulez. No final dos anos 1940, em Paris, Pierre Schaeffer tinha divulgado seus Études de Bruits (Estudos de Barulhos), uma sinfonia eletrônica que consistia em chiados, ruídos e apitos de seis locomotivas que ele tinha gravado na estação de Batignolles.
"A percepção audível do ser humano vai muito mais além do que a ínfima parte que pode ser computada, tanto para os graves como para os agudos", dizia Smetak. "A música deve representar o próprio silêncio, mas não aquele silêncio que existe como ausência do som. Como não é possível suprimir o silêncio, só a música pode substituí-lo", afirmava.
Um de seus mais afetuosos discípulos foi Gilberto Gil, que se lembra de chamá-lo de Tak, Tak. Quando ministro, Gil visitou uma exposição do artista e chegou a tocar um dos seus instrumentos. "Smetak me dava a sensação de um misto de cientista louco e Papai Noel de província; misto de chefe religioso severo e ameaçador, e velho manso conselheiro de farta cabeleira branca e porta sempre aberta aos curiosos do Antique e do Mistério", disse Gil.
"A obra de Smetak explora a curiosidade na arte, quando mostra tanto esboços de novos instrumentos quanto esculturas que apenas sugerem sons", disse em 2008 o músico Arto Lindsay, que foi curador de uma mostra sobre o artista no Museu de Arte Moderna de Salvador.
A ida de Walter Smetak a Salvador deu-se num momento de rara ousadia nas políticas de cultura brasileiras. Instados pelo reitor Edgard Santos, a universidade federal da capital baiana tornou-se, nos anos 1950, polo de vanguarda cultural, abraçando as contribuições do português Agostinho da Silva no Centro de Estudos Afro-Orientais; de Eros Martim Gonçalves na Escola de Teatro; de Hans Joachim Koellreuter, Smetak e Ernest Widmer no Seminário Livre de Música; e de Yanka Rudzka e Rolf Gelewsky, na Escola de Dança.
Além destes, o esforço de avant-garde se consolidaria com nomes como os da arquiteta italiana Lina Bo Bardi, o etnólogo francês Pierre Verger, o artista plástico argentino Carybé, entre outros. "Claro que, ao implantar um programa cultural de caráter tão vanguardista, Edgard Santos ganhou adversários e desafetos a granel. Além da esquerda mais populista, os próprios alunos das escolas ligadas às áreas científicas reclamavam da suposta predileção do reitor por escolas de arte", escreveu Carlos Calado em Tropicália, a História de uma Revolução Musical (Editora 34, 1997).
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,o-louco-do-porao,986022,0.htm
 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Para quem ainda não conhece Platão:

A Alegoria da Caverna é um texto contido na "República", livro VII, onde se narra o diálogo de Sócrates com Glauco e Adimato. É um dos textos mais lidos na história da filosofia. Nele, Platão utilizou linguagem metafórica para ilustrar o quanto estamos presos a preconceitos e superstições. Basicamente, é o relato da vida de homens que nascem e vivem dentro de uma caverna e ficam voltados para o fundo dela. Ali contemplam apenas uma réstia de luz que reflete sombras no fundo da parede. E esse é o seu mundo. Porém, certa dia, um dos habitantes resolve voltar-se para o lado de fora da caverna. Assim que olha, quase fica cego devido à intensidade da luz. Mas, aos poucos, vai vislumbrando um "outro mundo", completamente diferente daquele visto no fundo da caverna. Então, volta-se para dentro para narrar esse maravilhoso fato aos seus amigos, mas estes não acreditam nele e, revoltados com a "mentira", o matam.

Com essa alegoria, Platão pretende dividir o mundo em duas realidades distintas: a sensível, que se percebe pelos sentidos, e a inteligível (o mundo das ideias). A primeira realidade é imperfeita, falsa, enquanto a segunda mostra toda a verdade possível ao homem. Portanto, o ser humano deveria procurar o mundo da verdade para atingir o bem maior para sua vida. Entretanto, a grande maioria dos seres humanos ainda hoje continua olhando para o fundo da caverna, e julgando loucos todos aqueles que olham para fora.




A liberdade é perigosa. A vida livre é arriscada, insegura, incerta, é cheia de surpresas, cheia de perigos e de buscas, mudanças, sobressaltos. A liberdade é muito perigosa... Só quem ama o risco é que pode ser livre. Só quem é dono de si mesmo é que pode ser livre de verdade. Só quem é dono do próprio destino é que arrisca a vida para salvar a própria vida. A liberdade, portanto, não é para qualquer um: os acomodados e os covardes jamais serão livres. Escravos não conseguem ser livres. E a segurança da gaiola seduz.

http://edsonmarquesw.blogspot.com/

Nas livrarias

Capa do livro "Quatro baianos porretas"Capa do livro "Quatro baianos porretas"Capa do livro "Quatro baianos porretas"
 
Título: Quatro baianos porretas
Autor: Silvio Tendler
Número de páginas: 288
Formato: 13,5 x 19 cm
Coeditor: Garamond
Coleção: Ciências Sociais nº 60
 
 
Quatro baianos. E porretas, para o cineasta que os retratou em documentários, Sílvio Tendler. Castro Alves, Glauber Rocha, Carlos Marighella e Milton Santos dividem as páginas de Quatro baianos porretas, livro que publica os roteiros dos documentários de Tendler sobre esses famosos baianos. Além dos textos dos filmes Castro Alves: retrato falado do poeta, Glauber, o filme: labirinto do Brasil, Marighella: retrato falado do guerrilheiro e Encontro com Milton Santos:o mundo global visto do lado de cá, os leitores têm acesso a uma entrevista do crítico de cinema Miguel Pereira com o cineasta, sobre sua obra fílmica.
Na abertura de cada roteiro, o livro, uma parceria Editora PUC-Rio e a Garamond, traz depoimentos de Tendler sobre a relação dele com os retratados. Castro Alves é “o mais seminal dos poetas românticos, que embalou, com imagens de amor, as mocinhas namoradeiras, inspirou candidatos a galãs e abasteceu de verve artistas libertários”. O guerrilheiro Carlos Marighella, “um homem de coragem numa geração de outros tantos homens de coragem”. Em relação ao também cineasta Glauber Rocha, Tendler diz que tinha fascínio por suas provocações e repulsa pela imprevisibilidade de suas atitudes. E o geógrafo Milton Santos era, para ele, “um brasileiro da estatura de Darcy Ribeiro e Josué de Castro”.
O cineasta Orlando Senna escreve a apresentação da obra. Na análise sobre esses trabalhos de Tendler, explica como as histórias desses quatro baianos se encontram: “a unidade que perpassa suas vidas e suas façanhas movidas pelo ideal libertário e pela ação civilizatória é a mola propulsora da quadrilogia iluminada e inquieta de Silvio Tendler sobre as possibilidades de mudar o mundo”.

http://www.editora.vrc.puc-rio.br/4baianosporretas.html

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

10 Contados - Paulinho Moska e Céu -

Papeando

 



Língua

A linguagem é esse lance poderoso. Nos forma ao mesmo tempo em que a utilizamos. Ou ainda, me utiliza ao mesmo tempo em que a (de)formo. Falar, escrever, usar a língua é bem mais do que comunicar, é tornar-me. O conteúdo, claro, mas também a forma. Sei que ando falando muito sobre isso. Mas é que era um ponto pacífico pra mim e, de repente, se tornou tão evidente que não é tão pacífico assim entre e para todas as pessoas e, como sou em relações, tornou-se um turbilhão. Tomou-me no turbilhão.
Dizem que conversando é que a gente se entende. Eu não tenho essa certeza. Acho que é próprio da linguagem criar abismos. Falamos e nos afastamos. As palavras não esclarecem, criam um mundo de possibilidades onde nossos medos e desejos transitam com habilidade. Porque o sentido que há em cada palavra, na forma como montamos as frases, as escolhas que fazemos do que dizer e como dizer, isso tudo é incomunicável. Inexplicável. E lindo.

Por outro lado, devo fazer uma ode às hastags. Tem sido muito mais divertido escrever nas redes sociais depois que me liberei não só para usá-las como para desvirtuá-las loucamente (pra saber o que é hastag clique aqui ou aqui). Uma hastag é usada, normalmente, pra incluir. Parei pra pensar e não é assim que faço, geralmente nem sei quais as tags que estão sendo usadas, crio-as como condensação de um sentimento. Como uma imagem que ilustra. Uma forma mais simples e subjetiva de exprimir. Gosto.
 
 
 
 

Todas as Melodias do Samba

 
 
MARAVILHA!!!!!!
 
 
O Samba na Gamboa reverencia ela, múltipla e versátil, a alma da canção: a melodia. E como cultuadores das mais diversas variações melódicas, Diogo Nogueira e Luiz Melodia falam de suas relações com seus pais, da escolha por não se aterem apenas ao samba, passeando por outros ritmos, e do papel da música na existência.