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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Catatau poético [Leminski]

 

 


Com mais de 600 poemas, volume reúne todos os versos de Leminski, expoente da poesia brasileira dos 1970 e 1980 e há décadas fora de catálogo
 

CASSIANO ELEK MACHADO

DE SÃO PAULO

A Besta dos Pinheirais, Boia-Fria do Texto, Bandido que Sabia Latim ou Polaco Loco Paca, tradutor de Joyce, Petrônio e Mishima, faixa preta de judô, professor de cursinho, compositor parceiro de Caetano Veloso, Moraes Moreira e Itamar Assumpção, biógrafo de Trótski e de Jesus, roteirista de quadrinhos, ensaísta, jornalista, publicitário, contista, autor de infantojuvenis, romancista, o acima de tudo poeta Paulo Leminski, mestiço de negra e polonês, nascido na capital do Paraná sob os signos de Virgem e Macaco, escreveu para si o seguinte epitáfio:

"Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas".

Leminski (1944-1989) viveu pouco, 44 anos, mas o silêncio está longe de ser a maior de suas marcas.

Prova disso é um catatau laranja fosforescente de mais de 400 páginas que, com um desenho de seu característico abastado bigode na capa, chega às livrarias com o final deste fevereiro.

"Toda Poesia" reúne mais de 630 poemas do escritor, dos primeiros publicados, em edição artesanal, como "Quarenta Clics em Curitiba" (1976), aos póstumos de "Winterverno" (2001).

Fosse isso era muito, mas é quase. Com o livro, que rompe um comprido, aí sim, silêncio, já que os principais livros de poemas de Leminski estavam esgotados há décadas, também voltam textos importantes sobre o poeta.

Estão no volume ensaios de Caetano Veloso, comentando "Caprichos & Relaxos", de 1983 ("Este livro de poemas é uma maravilha"), de Haroldo de Campos, de Wilson Bueno e o precioso "ensaio bonsai" de Leyla Perrone-Moisés "Leminski, o Samurai Malandro" (de 2000).

"Olhe nos olhos dos poemas de Paulo Leminski e você verá que ele está por dentro, no centro. Tudo o que não interessa cai fora, sem demora", escreve Perrone-Moisés.

Alice Ruiz S, poeta, viúva do poeta e sua musa, assina o texto de apresentação do volume, lembrando com linguagem singela e emocionada a trajetória leminskiana.

Na breve introdução, não deixa de contar as dificuldades dele para começar a publicar e como o poeta encontrou na editora Brasiliense e em um de seus editores, Luiz Schwarcz, a primeira chance de edições nacionais.

Há 30 anos, Leminski publicou, com ele, "Caprichos & Relaxos", um best-seller, guardadas as proporções das vendas de poesia.

Coube ao mesmo Luiz Schwarcz trazer Leminski de volta. É por sua Companhia das Letras que sai a lírica completa do poeta.

VULCÃO

"Vulcão" é como o editor se lembra do escritor, com quem conviveu nos tempos de Brasiliense. "Ele nos ligava todos os dias e de vez em quando vinha a São Paulo e aparecia na editora com seus tamancos de madeira. Estava o tempo todo criando, como um Picasso que faz esculturas com palitos enquanto almoça", diz Schwarcz.

Além dos caudalosos 630 poemas publicados, Leminski teve uma produção difícil de encaixar em 44 anos de vida. Atividades muitas à parte, escreveu, além dos
19 livros de poemas, outros de prosa, incluindo o marco do romance experimental "Catatau" (1975), publicou nove traduções, dois livros para crianças, quatro breves biografias.

E assinou quantidade não calculada de letras de música (e algumas melodias).
O lado musical dele, que vem sendo cartografado por uma de suas filhas, Estrela, não entra em "Toda Poesia", mas no volume há um texto inédito de José Miguel Wisnik (que já musicou poemas do autor) sobre seu cancioneiro.

O próprio Wisnik deverá fazer uma aula-espetáculo na Casa das Rosas, em São Paulo, em meados de março, para comemorar o lançamento de "Toda Poesia".

Por "Toda Poesia", vale esclarecer, entende-se aquela que foi publicada. Não há inéditos, embora 11 poemas (alguns reproduzidos nesta página) tenham saído só em edições caseiras no Paraná.

É, na visão de Alice Ruiz S, o extrato máximo do poeta: "A visão total do que foi a poesia para Leminski e do que é Leminski para a poesia".

Frase

"Raízes na poesia concreta e na síntese, na experimentação e no coloquial. O compromisso com duas coisas aparentemente excludentes: a inovação e o afã de comunicar."

ALICE RUIZ S, sobre a "marca poética" de Leminski


Quase inéditos

Poemas pouco conhecidos, incluídos na antologia

tão
alta
a
torre

até
seu
tombo
virou
lenda

vão é tudo
que não for prazer
repartido prazer
entre parceiros

vãs
todas as coisas que vão

eu vi o sol ao quadrado
o sol de olho saltado
multiplicado pelo sol

no campo
em casa
no palácio
está nas últimas
a última flor do lácio

cretino
beócio
palhaço
dê o último adeus
à última flor do lácio

a fogo
a laço
ninguém segura
a queda da última flor do lácio


POEMAS DE PAULO LEMINSKI QUE COMPÕEM O LIVRO "TODA POESIA" (COMPANHIA DAS LETRAS)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/93962-catatau-poetico.shtml

 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

VIVA A VILA!!!!!!



A Vila Canta O Brasil Celeiro Do Mundo
Unidos de Vila Isabel - 2013

(André Diniz, Arlindo Cruz, Leonel, Martinho da Vila e Tunico da Vila)

O GALO CANTOU
COM OS PASSARINHOS NO ESPLENDOR DA MANHÃ
AGRADEÇO A DEUS POR VER O DIA RAIAR
O SINO DA IGREJINHA VEM ANUNCIAR
PREPARO O CAFÉ
PEGO A VIOLA, PARCEIRA DE FÉ
CAMINHO DA ROÇA E SEMEAR O GRÃO
SACIAR A FOME COM A PLANTAÇÃO
É A VIDA...
ARAR E CULTIVAR O SOLO
VER BROTAR O VELHO SONHO
ALIMENTAR O MUNDO, BEM VIVER
A EMOÇÃO VAI FLORESCER

Ô MUIÉ, O CUMPADI CHEGOU
PUXA O BANCO, VEM PROSEAR
BOTA ÁGUA NO FEIJÃO, JÁ TEM LENHA NO FOGÃO
FAZ UM BOLO DE FUBÁ

PINGA O SUOR NA ENXADA
A TERRA É ABENÇOADA
PRECISO INVESTIR, CONHECER
PROGREDIR, PARTILHAR, PROTEGER...
CAI A TARDE, ACENDO A LUZ DO LAMPIÃO
A LUA SE AJEITA, ENFEITA A PROCISSÃO
DE NOITE, VAI TER CANTORIA
E ESTÁ CHEGANDO O POVO DO SAMBA
É A VILA, CHÃO DA POESIA, CELEIRO DE BAMBA
VILA, CHÃO DA POESIA, CELEIRO DE BAMBA

FESTA NO ARRAIÁ
É PRA LÁ DE BOM
AO SOM DO FOLE, EU E VOCÊ
A VILA VEM PLANTAR
FELICIDADE NO AMANHECER

Carnival Blog

L.O.V.E.



L is for the way you look at me
O is for the only one I see
V is very, very extraordinary
E
is even more than anyone that you adore

A TUA PRESENÇA MORENA - MARIA BETHÂNIA -



Composição : Caetano Veloso

A tua presença entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença
Pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença
Paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença
Desintegra e atualiza a minha presença
A tua presença
Envolve o meu tronco, meus braços e minhas pernas
A tua presença
É branca, verde, vermelha, azul e amarela
A tua presença
É negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra
A tua presença
Transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença
Silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença
Se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença
É tudo o que se come, tudo o que se reza
A tua presença
Coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença
É a coisa mais bonita em toda a natureza
A tua presença
Mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença
Morena, morena, morena, morena, morena, morena
Morena

Janelas Abertas nº2 - Maria Bethânia-


Cinzas





“Para Sempre”

É um dia depois do outro

É construção,

Basta que você me escolha

E eu te escolha

Sucessivamente...

O amor é “para sempre”

Quando nos entregamos até o fim,

Até que não haja mais brasas entre as cinzas.


RS 02/13/2013

Marcha da Quarta-feira de cinzas - Toquinho & Vinícius -


 
 
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Monopólio na folia da Bahia


Para presidente do Olodum, Bahia virou a terra de Ivete Sangalo

NELSON BARROS NETO
DE SALVADOR

 
Carnaval 2013É Carnaval em Salvador, e João Jorge Rodrigues, 57, presidente do Olodum, crava: há um monopólio na divisão de recursos na folia da Bahia, que é "terra de uma artista só" -Ivete Sangalo.
Na força da cantora, o líder do "bloco mais aclamado e conhecido no planeta", em suas palavras, vê um caráter étnico: ela é branca.
A vinda a Salvador de atrações como o sul-coreano Psy, diz, é mais um retrato de uma Bahia que não valoriza seus artistas, sua negritude.
João Jorge falou à Folha na sede do Olodum, em um belo sobrado encravado no Pelourinho. Em seguida, tinha outra entrevista: com o americano Spike Lee, 55, que filma "Go Brazil Go!", documentário sobre a ascensão econômica do país, que também vai abordar o Brasil da perspectiva racial.
Sobre isso, ele sentencia: a capital baiana "é campeã mundial de apartheid". Sobretudo nos dias de folia.
Mestre em direito público pela Universidade de Brasília (UnB), João Jorge vai na contramão do discurso dominante entre os envolvidos no Carnaval de Salvador.
Márcio Lima/Folhapress
João Jorge, presidente do Olodum, diz que divisão desigual de recursos no Carnaval empobrece a Bahia
João Jorge, presidente do Olodum, diz que divisão desigual de recursos no Carnaval empobrece a Bahia
 
Folha - Enquanto cresce a participação popular em blocos de rua no Sudeste, o Carnaval é criticado na academia e por referências do samba e do próprio axé.

João Jorge - O Carnaval do país é um retrato do Brasil atual. Ele é um Carnaval discriminatório, segregado, com mecanismos que reproduzem o capitalismo brasileiro: a grande exclusão da maioria em beneficio de uma minoria.
Seria ingenuidade esperar que no Carnaval de Salvador, de São Paulo, do Recife ou do Rio nós tivéssemos democracia, oportunidade, igualdade. Você passa 359 dias no ano praticando toda forma de violência institucional, de racismo institucional, e você quer que em seis dias o Carnaval seja democrático?
A situação é pior na Bahia?
Aqui, ainda mais. Você tem um segmento que tem os melhores patrocínios, maior visibilidade, todos os recursos. Há cordas separando os blocos do povo.
Estamos falando da possibilidade de o Carnaval ser mais generoso. Além de ser uma festa da alegria, proporcionar também àqueles que fazem cultura ter apoios tão generosos quanto o de quatro grupos. Mas é ilusão achar que isso mudará em curto prazo. Os atores que podiam brigar por isso estão às vezes mais preocupados em fazer parte do jogo.
O chamado 'Afródromo' ajuda ou atrapalha o cenário? (a iniciativa de Carlinhos Brown e outras seis entidades de criar um novo circuito, exclusivo para os blocos afro, estrearia neste ano, mas foi adiada pela nova gestão na prefeitura)
O Olodum tem brigado muito para sair mais cedo e poder ser visto pela televisão. Para que empresas patrocinem de forma equitativa os blocos afros.
Ao mesmo tempo, eles resolveram fazer algo separado. O que a sociedade mais quer é que os negros escolham um gueto para ir e se afastem da disputa com eles. É como se soubéssemos o lugar em que deveríamos ficar, em vez de aparecermos na Barra, no Campo Grande.
Mais ainda: obriga o poder público a ter gastos com outro circuito, quando os recursos poderiam ser distribuídos de uma forma melhor.
Até que ponto o monopólio afeta a festa, a música local?
A diversidade, que antes era a riqueza do Carnaval, foi diminuindo, e hoje o Ilê Aiyê, o Filhos de Gandhy, a Timbalada e o Olodum correm um pouco no meio disso.
Mas nos demais lugares você não tem novidades. A Bahia virou a terra de uma artista só. Parece que os outros estão todos mortos.
Isso mata os artistas emergentes, mata os que estão trabalhando e, em vez de fortalecer essa própria artista, a fulmina, porque é a galinha dos ovos de ouro aberta para pegar ovos. A festa faz de conta que está enriquecendo uma pessoa, mas na verdade está empobrecendo uma cidade, um Estado.
A pessoa é Ivete Sangalo?
Sim, ela.
E como o senhor vê a vinda de celebridades como o sul-coreano Psy, para ações publicitárias, com o discurso de prestigiar o Carnaval?
Essa mudança, de a gente precisar de elementos como esses, é uma coisa recente, tem 20 anos. Antes, as pessoas vinham para participar, para conhecer o Carnaval de Salvador. Com o tempo, passou a ser: 'Eu quero que você venha para você ser importante para o Carnaval'. Inverteu. O Carnaval é que era importante para essas pessoas.
O pessoal pergunta: qual é a atração deste ano do Olodum? É a banda Olodum. A banda mais internacional da Bahia: 37 países, quatro Copas do Mundo, tocou com os últimos 30 grandes nomes da música mundial. Na visão de outros grupos, outros artistas, eles não são atrações no Carnaval de Salvador, atração é o coreano, é a atriz da Globo.
A novidade do Olodum é o samba-reggae, é a força biológica da música que a gente tem, a música de protesto...
E existem novas músicas do Olodum assim?
Tem, e atuais. Agora, qual rádio que toca pagode, sertanejo e funk vai tocar música de protesto? Vou dar um exemplo bem simples: ninguém consegue mudar a ordem do desfile de Salvador, porque foi imposta pelo capital. A ordem é: quem tem mais dinheiro.
Mas qual prefeito ou governador vai dizer: "A gente banca o Carnaval, dá segurança, saúde, infraestrutura, gasta R$ 84 milhões, e todos terão de cumprir a seguinte diretriz -será um desfile alternativo, com um bloco afro, depois um afoxé e um bloco de trio. Um bloco travestido e um trio independente. Em horários que todos possam aparecer na TV". Quero ver qual autoridade da Bahia vai fazer isso.
E Claudia Leitte? Parte do público e da crítica diz que ela tenta repetir Ivete, que não teria identidade...
Não posso falar disso, porque esse é um problema dessas cantoras, desse tipo de personalidade cuja força é o caráter étnico. A força delas é que são cantoras brancas. Se elas se imitam ou não, não posso dizer nada, é o mercado que elas escolheram. De serem cantoras brancas, que dominam todo o mercado de publicidade, todo o mercado de shows, e que uma compete com a outra.
Recentemente, uma delas colocou o filho para subir no palco, e a outra fez o mesmo.
E tem a gravidez de cada uma, tudo que é feito para gerar noticia. Estou preocupado inclusive com Spike Lee, para ele não engravidar ninguém aqui nesse período [risos], para criar notícia, entendeu?
Agora, um fato é importante: elas exercem um papel importante na música brasileira e souberam dar um ar profissional a isso que é uma resposta também às demandas da própria comunidade negra. Você, com ótimas cantoras negras aqui, numa cidade de maioria negra, não capitalizar isso é um erro estratégico. Para você ver a força do racismo e da alienação. As cantoras negras da Bahia seriam milionárias nos EUA.
E os desfiles das escolas de samba no Rio e em São Paulo?
Olha, eles foram importantes nos anos 10 e 20 do século passado para formar uma cultura do samba. Depois, foram engessados pelo modelo de desfile, pelo sambódromo e continuam sendo um espetáculo maravilhoso... De ver. Mas sem participação ampla, e isso difere do Recife, de Olinda e de Salvador.
Por isso o Rio está tendo essa explosão de blocos de rua, mostrando que as pessoas cansaram desse modelo da fantasia, das alas, da batida, de 90 minutos de desfile. Sem falar da guerra publicitária, dos enredos patrocinados.
Em algum momento o Carnaval foi uma festa popular?
Nunca, ainda não é e talvez não seja. É uma festa de multidões, mas que tem uma repressão muito grande sobre tudo. O Carnaval é extremamente limitado, onde se desfila, se bate foto, é preciso pagar taxas. E não é isso que é vendido para o mundo.
Veja, um dos fenômenos mais interessantes do Carnaval é a visibilidade da homossexualidade. Mas é também no Carnaval em que os homossexuais são mais agredidos. Ao mesmo tempo em que parece que a cidade fica liberal, receptiva ao outro, ela é extremamente conservadora.
O Carnaval está migrando para ter os bailes de novo, os camarotes, uma estrutura mais apartada ainda do que se conseguiu ter nos blocos de trio nos horários de desfile.
Mas o Olodum segue nela...
O Carnaval não é a salvação, não é o fim do mundo. É algo importante para a civilidade que precisa emergir, mas não se resolvem os problemas das cidades sem o confronto. O Carnaval é a cara da sociedade. Só em um momento o brasileiro se mostra como ele é. É no Carnaval.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1229302-para-presidente-do-olodum-bahia-virou-a-terra-de-ivete-sangalo.shtml

domingo, 10 de fevereiro de 2013

FREVOS



 25 MUSICAS DE CAPIBA 23 MUSICAS DE NELSON FERREIRA NA VOZ DE CLAUDIONOR

 Indicação do Bahia em Pauta http://bahiaempauta.com.br/