Pesquisar este blog

quinta-feira, 14 de março de 2013

Elegia 1938 (vídeo com Caetano Veloso)

 

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
( Carlos Drummond de Andrade )



 

A Poesia e o Poeta

 

"A poesia não é de quem faz, é de quem dela precisa"



A Poesia
A Poesia Difícil, estreita passagem,
força quente perscrutada,
corpo de névoa, de imagem,
com sulcos de tatuagem,
voz absoluta escutada...

Destino de aranha, tece
com fios vários da vida
alegria se amanhece
ou chora se a luz fenece
pela noite perseguida.

Intimidade exterior,
pureza de impuras formas,
conhecimento e amor,
água límpida, estertor,
sem regras feita de normas.

António Salvado, em "Difícil Passagem"

A poesia por companhia(luiz alfredo motta fontana)


O caminhar

trilhando o distrair

O olhar

perdido em canções

O clima

traduzido em prata e luar

O aceno

o sorrir de velho conhecer

A noite

o abrigo, o conforto


"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..."
(da música Dom de Iludir)
"Quem poderá fazer, aquele amor morrer, se o amor é como um grão. Morre, nasce trigo, Vive, morre pão."
(da música Drão)
Gilberto Gil
Pela luz dos olhos teusQuando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.

Lover - Ella Fitzgerald -


To You!!!

O papa e o pecado da omissão


Francisco, argentino, é o <br>1º papa latino-americano
 
Jorge Mario Bergoglio leva ao Vaticano um pecado imperdoável: foi no mínimo omisso durante o genocídio que a ditadura militar argentina praticou entre 1976 e 1983.
Nem é possível alegar que não era, então, uma figura destacada na hierarquia eclesiástica: foi provincial dos jesuítas entre 1973 e 1979. A parte mais selvagem da repressão se deu precisamente entre o golpe de 1976 e 1978, quando, a rigor, a esquerda armada já havia sido esmagada, junto com milhares de civis desarmados.
Há na Argentina quem acuse Bergoglio de ter sido pior do que omisso: o jornalista Horácio Verbitsky, autor de um punhado de livros sobre a ditadura, acusa o agora papa de ter sido cúmplice da repressão ao denunciar aos militares, como subversivos, sacerdotes que desempenhavam forte ação social.
Verbitsky diz possuir documentos obtidos na Chancelaria argentina que demonstram a veracidade de sua acusação.
Antes do conclave anterior (2005), um advogado da área de direitos humanos chegou a propor uma ação contra Bergoglio, acusando-o de ter sido cúmplice no sequestro de dois padres jesuítas em 1976.
Bergoglio sempre negou as acusações. Disse que, ao contrário, tentou proteger os jesuítas perseguidos.
O que não dá para negar é que Bergoglio passou em silêncio por um período negro da história argentina, em que o comportamento de sua igreja foi obsceno.
Não é, portanto, um cartão de visitas auspicioso para um papa condenado a enfrentar uma evidente crise de credibilidade, se não da igreja, pelo menos de sua cúpula.
A igreja argentina também perdeu credibilidade por sua pusilanimidade, para dizer o mínimo, durante a ditadura militar. Como correspondente da Folha em Buenos Aires de 1980 a 1983, fui testemunha ocular das intoleráveis omissões da hierarquia ante a violência do Estado.
Conto apenas um episódio menor para mostrar a covardia.
Um dado dia, as Madres de Plaza de Mayo pediram uma audiência aos bispos. Um grupo delas, todas senhoras de idade, rostos vincados pelo tempo e pela dor, foi até a sede da Conferência Episcopal Argentina para entregar uma petição, obviamente relacionada à violação dos direitos humanos.
Chovia, fazia frio, o vento era cortante. Pois os responsáveis pela igreja argentina não tiveram nem sequer a piedade de permitir que as senhoras esperassem no interior do imóvel. Ficaram mesmo ao relento, como a sociedade argentina ficou desprotegida pelos seus pastores durante toda a ditadura.
É dessa igreja que vem Bergoglio. Uma igreja que jamais pediu perdão por esse insuportável comportamento.
É possível que, tendo a Argentina da democracia passado a limpo o período do terror, a questão dos direitos humanos no passado seja deixada de lado ou vá para um pé de página no perfil do novo papa.
Entendo. Os homens passam a ser santos, ou quando morrem ou quando assumem o papado.
A ver se o papa Francisco corrigirá no Vaticano o pecado de omissão de Bergoglio.


Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às terças, quintas e domingos no caderno "Mundo". É autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo" e "O Que é Jornalismo". Escreve às terças, quintas e domingos na versão impressa do caderno "Mundo" e às sextas no site.


http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/1246034-o-papa-e-o-pecado-da-omissao.shtml

NOTA: Olivia Soares@moliviasoares
Bom momento para ver, ou rever, o filme argentino Elefante Branco.

terça-feira, 12 de março de 2013

Estranha Forma de Vida - Caetano Veloso Canta Amalia Rodrigues -


prisão dinheiro


Conheço amigos que ralaram anos a fio em empregos merrecas, sofreram todo tipo de indignações e privações, e aguentaram tudo estoicamente: pagaram suas contas com dificuldade, mantiveram sua dignidade, não se deixaram corromper.

E, no entanto, bastou começarem a ganhar mais para perderem suas almas para sempre. Quando se entra nesse círculo vicioso é quase impossível de sair.

Funciona mais ou me...nos assim:

1. Primeiro, você arruma um trabalho. Fica quase envaidecido de alguém achar que merece o salário que lhe ofereceram e se promete fazer um excelente serviço! É o começo da sua vida profissional.

2. Fase da demanda reprimida: começa a consumir mais, todas aquelas coisas que não podia comprar quando ainda não tinha o trabalho. Seus gastos fixos crescem: leasing de carro, aluguel de apartamento maior, TV a cabo, plano de previdência privada, etc. Sobe seu padrão de vida.

3. Talvez por descontrole, talvez por uma emergência, se endivida pela primeira vez. Mas tudo bem, você paga até o final do ano.

4. Percebe subitamente que precisa manter aquele emprego, senão não conseguirá pagar o leasing, a previdência, as parcelas da viagem do ano passado, etc. Pensa nos seus gastos mensais antes do emprego e simplesmente não consegue entender como sobrevivia com tão pouco. Vida com menos de cem canais de televisão não é vida! Sente medo.

5. Trabalha ainda mais duro pra não perder o emprego. Fica estressado de tanto trabalhar, de tanto se preocupar, de tanto ter medo. Começa a tomar remédios. Brocha pela primeira vez. Mais e mais cabelos na escova.

6. Cansado física e emocionalmente, consome ainda mais. DVDs de séries idiotas, pornografia japonesa, livros que não vai ler nunca, qualquer coisa pra descansar sua cabeça e desacelerar seus nervos, de modo que possa acordar no dia seguinte capaz de trabalhar mais 15 horas. Ou então, livros sobre seu trabalho, quem mexeu no queijo do meu chefe, inglês pra executivos apressados, para tornar-se ainda mais eficiente e não ser – deus me ajude – demitido. Já não tem mais tempo livre, pois todo o seu tempo, mesmo quando não está no trabalho, gira em torno do trabalho.

7. De tanto consumir nervosamente, suas dívidas crescem, espalhadas por tantos lugares que nem dá pra acompanhar. Graças ao seu bom salário, o banco lhe deu um limite gigantesco pro cheque especial, que você achou que jamais atingiria, e fica chocado ao atingir. Mal sabe quantos pré-datados faltam pra cair, ou quantos pagamentos parcelados ainda vão bater no cartão de crédito. E o leasing do carro, meu deus? Se arrepende de pagar durante 10 meses por uma viagem de 5 dias que nem foi tão legal assim, mas todo mundo do escritório estava indo, você não poderia ser o último pra trás. A cada compra, você se pergunta: “qual é o melhor cartão de crédito pra usar? qual é mesmo o dia do vencimento do Visa? será que já estourei o Mastercard?”.

8. Desespero no trabalho. Horas extras, frilas, puxação de saco desenfreada. A economia está em crise, se for despedido agora é o fim de tudo. É tudo ou nada. Mais e mais remédios, menos e menos libido. Tudo o que pode fazer agora com as mulheres é dedá-las rapidinho – mas elas nem ligam, estão mais interessadas no seu emprego, no seu apartamento, no seu carro. Você nem liga: quem precisa de mulher se tem a internet?

9. Dívidas crescem. Tenta pegar um empréstimo rápido em uma financeira e descobre que seu nome está sujo na praça por causa de um cheque pré-datado que nem lembra mais pra quem foi. Sem esse empréstimo, a financeira (outra) vai tomar seu carro e vai perder tudo o que gastou no leasing! E como vai chegar no trabalho sem carro? Seu bairro de rico não tem serviço de transporte público decente. Com que cara vou ficar na agência se souberem que não tenho carro? É o fim de tudo, etc.

E assim continua. Não sei como termina. O final é sempre diferente, mas nunca é bonito.

(trecho da prisão dinheiro)

http://www.scribd.com/doc/34826684/Prisao-Dinheiro-Alex-Castro
 
*Extraido do Facebook

pássaros surrealistas de Maurizio Bongiovanni

 publicado em artes e ideias por

 
 
À primeira vista, parecem fotografias alteradas na Photoshop. Mas nada disso: tratam-se de telas a óleo com efeitos surrealistas do pintor Maurizio Bongiovanni. Conheça melhor aqui o trabalho deste italiano. 

passaro passaros surreal surrealismo
Estes pássaros fazem-nos lembrar os "Relógios Derretidos" de Salvador Dalí, numa versão mais moderna e organizada. O efeito não é inovador, mas as reminiscências surrealistas aliam-se ao realismo de pormenor do cenário, construindo uma ponte pouco explorada na pintura e que nos faz lembrar fotografias distorcidas pelo Photoshop.
O trabalho pertence a Maurizio Bongiovanni, um italiado de Milão que define o seu trabalho como triste, correspondendo ao culminar de uma época de sofrimento. Trata-se de uma forma de libertação, construida em cores vivas e em temas muito relacionados com a natureza.
Entre a pintura realista e a abstrata, Bongiovanni interage com conceitos tradicionais e contemporâneas. O resultado são telas a óleo que tudo teriam para ser retratos realistas da natureza, caso não fossem empregues efeitos surreais que puxam os desenhos para cima ou para baixo, como uma qualquer força gravítica inesperada de uma geometria preocupante.
Mas a sua pintura não pára por aí: Bongiovanni tem evoluido, nas suas últimas telas a desconstrução do cenário é cada vez maior e passamos a ter dificuldade em identificar a realidade pormenorizada dos seus primeiros trabalhos: "Bird Rib" parece quase uma ilustração.
passaro passaros surreal surrealismo
passaro passaros surreal surrealismo
passaro passaros surreal surrealismo
Quanto à inspiração para a composição destas telas, o artista diz que partiu de uma junção de ideias, muitas delas contemporâneas: a queda das Torres Gémeas no 11 de Setembro, os descarregamentos constantes da internet, o arco-íris, e do seu próprio computador, um Mac Book.
Longe de ser um novo Dalí, o trabalho deste italiano é digno de ser seguido no seu Flickr.


Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2010/07/passaros_surrealistas_de_maurizio_bongiovanni.html?utm_source=obvious&utm_medium=cpc&utm_campaign=related_articles_bottom#ixzz2NM59VWb3

Tabacaria

AMOR DE MIS AMORES - AGUSTIN LARA -


Nada de Novo - Paulinho da Viola