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terça-feira, 4 de junho de 2013

Sopas para não engordar no frio

Conheça três receitas que aquecem e evitam o excesso de calorias típico das baixas temperaturas

iG São Paulo

Cuidado com as calorias da sopa . “Um creme feito à base de leite integral, margarina, manteiga e queijos gordurosos, por exemplo, pode conter até 300 calorias”, alerta a nutricionista Juliana Guedes Simões Gomes, gerente de Gastronomia do Hospital do Coração (HCor).
Se vier acompanhado com fatias de pão, torradinhas ou croutons, então, o consumo calórico pode dobrar e o que era para ser uma refeição leve vira um peso a mais na consciência – e na balança.

Leia:  Veja o cardápio para não engordar no frio
           
Para ajudar a evitar isso, a nutricionista preparou três receitas de sopa, com menos de 220 calorias para aquecer no inverno sem engordar. Veja a seguir uma galeria de imagens com os ingredientes que compõem cada uma e, mais abaixo, como prepará-las.


Sopa de abóbora com queijo branco e tomilho, com 173 kcal. Foto: Getty Images
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Modo de preparo:
Sopa de abóbora
Em uma panela aqueça 3 colheres de sopa de azeite e refogue a cebola, em seguida acrescente o alho. Assim que estiver dourado acrescente a abóbora, misture bem e acrescente a água e o sal. Deixe cozinhar por 20 a 30 minutos ou até que a abóbora esteja bem cozida. Bata no liquidificador. Despeje a sopa de volta à panela, deixe ferver. Enquanto isso, em uma frigideira, aqueça 1 colher de sopa de


 azeite salteie o tomilho picado por alguns segundos e adicione à sopa. Misture bem e desligue o fogo. Com o fogo desligado, acrescente o queijo cortado em cubinhos.

Sopa de legumes
Getty Images
Sopa de legumes: esquenta o corpo sem aumentar o peso

Em uma panela aqueça o azeite, refogue a cebola e em seguida acrescente o alho. Assim que estiver dourado acrescente as rodelas de cenoura, refogue nos temperos e adicione a água e o sal. Deixe ferver, acrescente a vagem e por último as rodelas de abobrinha. Deixe cozinhar até que os legumes estejam macios, mas sem desmanchar. No liquidificador bata metade da quantidade de legumes cozidos com a água do cozimento. Volte para a panela e deixe ferver. Para o pesto de ervas misture o azeite e as ervas e adicione à sopa antes de servir.
 
Sopa de feijão
            
Em um recipiente deixe o feijão de molho em 1 litro de água quente por 30 minutos. Despeje o feijão com a água em uma panela de pressão, acrescente mais 1 litro de água quente e deixe cozinhar por aproximadamente 35 minutos ou até que esteja bem cozido. No liquidificador bata metade dos grãos, volte para a panela e reserve. Em outra panela, aqueça o azeite, doure a cebola e o alho adicione a carne, e deixe cozinhar por aproximadamente 15 minutos. Em seguida cozinhe os legumes até ficarem macios. Acrescente a carne com os legumes cozidos ao feijão, adicione o sal, misture e deixe ferver. Finalize com salsa picada.

Leia mais notícias de alimentação e bem-estar

http://saude.ig.com.br/alimentacao-bemestar/2013-06-04/sopas-para-nao-engordar-no-frio.html

domingo, 12 de maio de 2013

Coplexo de Édipo com a mãe alheia


POR XICOSA

“Antigamente quando eu me excedia/ Ou fazia alguma coisa errada/Naturalmente minha mãe dizia:/ Ele é uma criança, não entende nada.” (Erasmo Carlos)

Porque as mulheres com filhos são especiais, especialíssimas, como sempre sublinho nestes papiros mudernus.
Porque tem homem que morre de medo do que se costuma chamar por ai de “pacote completo”, quando a deusa vem com os seus meninos à tiracolo, canguruzinha marlinda.
Se bem que conheço amigas que temem mais do que nós hombres. Diante do menor barulho dos diabinhos fazem cara de Herodes.
Eu faço é cara de marido.
E tenho inveja porque não são meus. E tenho inveja porque não pude influenciá-los, ainda, nem na escolha do time.
Tudo bem, já saquei muito da cachola aquela lengalenga tipo Brás Cubas: não quero deixar na terra o legado da minha miséria etc etc.
Balela.
Bora fazer menino, minha musa, e confundir de vez criador e criatura.
As mulheres com filhos são o que há de mais tentador nesse lero-lero vida noves fora zero.
Incríveis, magníficas, únicas. No papo e na cama.
Agora rio aqui sozinho lembrando da noite em que fui pela primeira vez para a casa de uma ex-ex-ex.
Saía desesperado do quarto em busca de um copo d´água. O amigo que bebe sabe o que é um homem cego, que não achou os óculos na cabeceira, saindo por uma arquitetura desconhecida, na madruga, em busca de um refrigério para a ressaca.
Depois de alguns tropicões, seguindo uma fresta de luz, ainda sem fazer ideia onde estava a geladeira… eis que um endiabrado menino, senhoras e senhores, portando uma daquelas armas iluminadas que me levou direto para um conto de ficção científica.
Aquela tocha de fogo aumentou ainda mais a minha sede e desespero. Não se nega um copo d´água a um ressacado, apelei ao rapazinho.
Sorriso sádico, o menino, armado com uma daquelas miseráveis espadas de He-Man, não cedeu ao meu apelo. Quem manda mexer com a sua linda Jocasta. O ciúme e a sede de aventura o faziam me espetar e dar pulinhos ridículos e cegos.
Quando fui tomar o mísero copo d´água, o dia já havia dado as caras. Depois do duelo, e muitos passeios a três, de mãos dadas, nos tornamos grandes amigos.
Por isso é que aqui repito um haikai que fiz ainda nos anos 80:
Que coisa feia/ Complexo de Édipo/ com a mãe alheia!

http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2013/05/12/coplexo-de-edipo-com-a-mae-alheia/

 

sábado, 11 de maio de 2013

MÃE




MÃE

A minha tem nome com cheiro de terra, de índio, fonte e doçura de mel,
- JANDIRA.
Pariu sete, mimou, lavou, beijou, alimentou, criou, preparou,
- LIBERTOU.
Fortaleza, remanso, caudaloso rio, lugar seguro, abertura, acolhimento, música, romance,
- LOUVOR A DEUS.
Minha mãe me ensinou a ser mãe e avó, me preparou para a vida, confiou nas minhas
- ESCOLHAS.
Luz que segue em mim, nos meus dias, nos meus passos e ações.
Presença, além daquele beijo de despedida, beijando-lhe as mãos da benção, o sussurro:
- “SEJA FELIZ, MINHA FILHA!”

Regina Soares 05/10/13


sexta-feira, 10 de maio de 2013

A pessoa é para o que nasce

Nossa diretora de redação fala sobre a cobrança que as mulheres têm consigo mesmas.

11.10.2011 | Texto: Carol Sganzerla | Fotos: Nelson Di Rago/Editora Abril
Nelson Di Rago/ Editora Abril

Leila Diniz no Rio de Janeiro, em 1969

E um dia você acorda, olha para o calendário pendurado na geladeira e acha que o sono embaça a vista. Mas é fato: outubro chegou. Se põe, então, a pensar nas promessas que listou nove meses atrás naquele guardanapo amassado que não sabe onde enfiou depois de pular as sete ondas: “Ano que vem quero ser uma profissional mais qualificada, uma filha mais dedicada, uma mulher mais sarada, uma namorada mais carinhosa, uma dona de casa mais empenhada”.
Cansa só de imaginar.
Feita a checklist, se dá conta de que, até o momento, conseguiu comparecer a todos os almoços de família – pelo menos os comemorativos. Agora, correr de segunda a sexta, começar o mestrado, ler os clássicos encostados na estante, se engajar em uma causa, pintar o apartamento, comprar uma bicicleta... Ficou para 2012.
A sensação é a de que é preciso mudar a toda hora, necessariamente ser a melhor, guiada pelos anseios e pelas cobranças individuais e coletivas que só aumentam, criam dúvidas, testam os limites. Como afirma a antropóloga Mirian Goldenberg, em entrevista nas Páginas Vermelhas, “as mulheres querem se levar menos a sério” (por onde começa?). Embora seja estudiosa ferrenha do comportamento feminino há duas décadas – se refere a Leila Diniz e a Simone de Beauvoir como velhas conhecidas – e entenda como funciona o cérebro da mulher, nem ela própria está a salvo: “Não estou necessariamente preocupada com a ruguinha, com a celulite, mas, quando profissionalmente não sou 1.000%, fico insatisfeita”, admite.
Mirian é bem-sucedida profissionalmente (tem 14 livros lançados), aos 54 anos diz ter o mesmo peso que aos 30, mora em uma casa separada do marido e escolheu não ter filhos. Conta que o relógio biológico não apitou. Essa questão, essencialmente feminina, ganha espaço – e margem para discussão – em outra personagem retratada por aqui: a arte-terapeuta Paola Di Cola. Aos 36 anos, sem namorado nem perspectiva de engravidar tão cedo, ela resolveu congelar seus óvulos, na tentativa de “garantir” a maternidade futura. As opiniões médicas quanto à eficácia do método se dividem; mas a certeza de Paola é uma só: fazer tudo que estiver ao alcance para realizar uma de suas vontades na vida, a de ser mãe.
Leila Diniz se casou aos 17 anos, exibiu sua gravidez em trajes de biquíni, foi perseguida na ditadura militar, fez e falou o que quis (“Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para a cama com outra. Já aconteceu comigo”). Morreu precocemente num acidente aéreo no início dos anos 70. Mas seus 27 anos foram suficientes para se tornar um símbolo da liberdade feminina que, a muito custo, hoje tentamos pôr em prática.
Toda mulher é meio Leila Diniz.

Carol Sganzerla, diretora de redação
http://revistatpm.uol.com.br/revista/114/editorial/a-pessoa-e-para-o-que-nasce.html
 

Carmela y el extranjero


Javier Navares, Javier Enguix, Inma Cuesta y Álvaro Morte, en una escena de '¡Ay Carmela¡' / Javier Naval

Francesc Orella y Ferran Carvajal están incandescentes en 'L'estranger'

La versión musical de '¡Ay Carmela¡' padece de una combinación de poda y sobrecarga

 
Carles Alfaro ha presentado en el Lliure una versión de El extranjero de Camus, en superlativa versión catalana de Rodolf Sirera (y del propio director) en la que el soliloquio de Meursault se convierte en dúo y en coro. Meursault Uno (Francesc Orella) dialoga con Meursault Dos (Ferran Carvajal), pero no queda ahí la cosa, porque Orella interpreta también a los restantes personajes del drama, salvo a Marie, su novia, que corre a cargo de Carvajal. Contado así parece un lío de tres pares de narices (y ha hecho arrugar más de una), pero funciona porque la dirección de Alfaro es milimétrica y la entrega de los dos actores absoluta. ¿Artificioso? Pues sí, un poco, pero el teatro está lleno de artificios esplendorosos: lo importante, como siempre, es la convicción. ¿Un Meursault maduro hablando con un Meursault joven? No necesariamente: más bien un Meursault que se ve desde afuera, que habla con un yo interior porque es su único interlocutor posible. En ambos hay una mezcla constante de tiniebla y luminosidad, de hielo y fuego, ejemplificados en esa Gimnopedia con fraseo árabe que es la perla de la banda sonora. Digamos que el Meursault de Orella es un cadáver de permiso que parece hablar desde la otra orilla, y el de Carvajal, con más gatos en la tripa, bien podría ser un aspirante a Roberto Zucco: el ritmo majestuoso, las interpretaciones aparentemente frías pero a la postre incandescentes, me hicieron pensar en Koltès, Koltès dirigido por Chéreau.
Quizás (obviedad cierta) el sentido último de los relatos llevados al teatro radique en que te hacen percibir por la vista y el oído algunos aspectos que no advertiste en el texto: una lectura más atenta, con más ventanas y más pasajes. La escritura de Camus adquiere ecos inesperados en este montaje. Yo le escuché, por primera vez, un aire celiniano. La conversación con el cabrón que se quiere vengar de su mujer, los paseos del viejo y el perro, el aire de putrefacción moral, de deriva, de que nada importa, están muy cerca de Viaje al fin de la noche. Y del Jim Thompson de 1200 almas: ese golpe de sol que detona el asesinato, el mismo sol del día del entierro de la madre. Dos únicos peros: a) la escenografía, a caballo entre la celda y el portal, es eficaz pero un tanto mamotrética y, b) no veo demasiado sentido a que suenen algunos fragmentos grabados estando los actores en escena. Por lo demás, un excelentísimo trabajo, febril y arriesgado, de los que siguen resonando en tu memoria.
2. Un espectáculo con tantos altibajos como ¡Ay, Carmela! El musical, que Andrés Lima ha dirigido en el Reina Victoria, obliga a un continuo ejercicio de caliarenismo. El formidable texto de Sanchis Sinisterra resulta explicativo, esquelético, casi telegramático en la adaptación que firma el veterano José Luis García Sánchez. Y, paradoja, se hace largo porque padece de sobrecarga. Aquí tenemos a Marta Ribera, que lleva casi veinte años siendo un animal escénico de instantáneo poderío, interpretando a una narradora cupletista con la inquietante gestualidad de Ann Reinking. Da gusto verla, haga lo que haga, y se la echa de menos cuando no está en escena, pero a) su parlamento es redundante y, b) su segundo rol, el del mudo Gustavete, es prácticamente inexistente. Grandes momentos: Suspiros de España, mano a mano con Inma Cuesta, y el argentinísimo tema Yo no pedí nacer, que le ha escrito Víctor Manuel.
Inma Cuesta tiene encanto, gracia, y canta muy bien, pero no acabo de ver a Carmela con una sofisticada combinación negra ni cantando canciones como Abrázame otra vez, de Víctor Manuel, o Mientras duermes, de Vanesa Martín, que “te sacan” absolutamente de época. Le encajan mejor, del nuevo material, Yo reparto besos, también de Vanesa Martín, y la emotiva nana que le canta al miliciano herido, y, desde luego, las clásicas Yo te diré, En el café de Chinitas y Que viene el coco. Por otro lado, las podas del texto afectan al dibujo del personaje. Baste un ejemplo: en el original había un crescendo de tensiones, culminado por el humillante sketch de la burla a la República, que venía al pelo porque era el detonante para su enfrentamiento con los fascistas, unido al coro de los brigadistas condenados. Carmela no tenía ideología: su decisión final surgía del corazón, brotaba de la rabia y del dolor ante la injusticia, y por tanto era más fuerte, más orgánica. Aquí se rebela ante la imposición de tener que cantar el Banderita y se envuelve en la tricolor como la libertad guiando al pueblo: diría yo que perdemos con el cambio. Javier Gutiérrez exhala su verdad habitual y recuerda a un joven López Vázquez como Paulino, pero la potentísima parte onírica en el teatro vacío ha quedado muy menguada. Hablando de onirismos, tiene una escena “nueva” original y bien resuelta: el recitado de Romance de Castilla en armas que desemboca en una terrible anticipación de la victoria franquista a lomos del Ya hemos pasao de Celia Gámez. Me gustan mucho las estremecedoras filmaciones de la guerra, montadas por Valentín Álvarez, que abren la segunda parte; me gusta mucho la agónica versión de Jarama Valley a cargo del brigadista (Pablo Raya), y la idea, plenamente “de musical”, de enfrentar la canción al himno fascista Giovinezza, otra escena estupendamente levantada. Hay otro momento en esa línea pero de menor impacto, cuando las fuerzas del eje, encarnadas en un cura español (Javier Enguix), un teniente italiano (Javier Navares) y una oficial nazi (Marta Ribera) hacen un medley con Fiel espada triunfadora, Funiculí Funiculá, y Lili Marleen (que aquí adscriben tópicamente al nazismo: la cantaban soldados de ambos bandos). Entre la narración “externa” y las intervenciones fascistas poco tiempo les queda a Carmela y Paulino: esa es la sobrecarga a la que al principio me refería. Hay, sin embargo, una estrella inesperada en esa segunda parte: Javier Navares, que interpreta fenomenalmente al teniente Ripamonti y además canta de fábula. Álvaro Morte (el sargento Peláez) y Javier Enguix (el cura) tienen energía, pero sus personajes apenas poseen relieve. La escenografía de Beatriz San Juan queda un tanto acogotada en el escenario del Reina Victoria: lo mejor, con sus limitaciones, el felliniano carromato de los cómicos. ¡Ay Carmela! El musical tendrá éxito, pero podría ser un cañón y no lo es: sobran y faltan demasiadas cosas. Y, sobre todo, falta ritmo. Cabe esperar que Andrés Lima se lo inyecte.

L’estranger. De Albert Camus. Versión de Rodolf Sirera. Director: Carles Alfaro. Intérpretes: Ferran Carvajal, Francesc Orella. Teatro Lliure, Barcelona. Hasta el 12 de mayo.
¡Ay Carmela¡ El musical. De Sanchis Sinisterra. Director: Andrés Lima. Intérpretes: Inma Cuesta, Javier Gutiérrez y Marta Ribera. Teatro Reina Victoria, Madrid. Hasta el 26 de mayo.
 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

VINCENT VAN GOGH: A ARTE EM FORMA HUMANA

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em Pintura por em 11 de out de 2012
 
Vincent van Gogh foi um herói. Um gênio louco, miserável, dotado de sentimentos e verdade.

 
O que dizer de Vincent van Gogh? Eu tenho uma paixão platônica por ele desde os meus sete anos quando tive uma aula de educação artística sobre suas obras e sua vida. Encantei-me e desde então é meu pintor favorito. Tudo que sei sobre arte, todo o meu interesse, toda a minha curiosidade existe por causa dele. É um dos seres mais influentes do mundo e o seu demasiado desejo de ser simplesmente humano vai além de algo comovente.
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Vincent
Vincent van Gogh era epilético, depressivo e colecionava estampas japonesas. É, comecemos assim a falar sobre ele. Nasceu no dia 30 de março de 1853 na Holanda. Era um gênio torturado por sua própria emoção e quando foi diagnosticado como um homem mentalmente afetado viu nisso a oportunidade de converter seus demônios em arte. Foi a partir daí que deixou a Holanda para viver em Londres tendo em mente apenas um objetivo que não era pintar, mas sim pregar a palavra divina, salvar almas, mostrar para os miseráveis que era possível ser feliz se analisassem as coisas mais infames da vida. Esse foi o primeiro fracasso de Vincent. Ninguém se importava com suas palavras. Mesmo sendo um leitor assíduo de Dickens, Shakespeare e Victor Hugo, seus discursos eram fracos. Não bastava sem um grande pensador ou intelectual porque as pessoas ao seu redor não ligavam.
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A Pair of Shoes, 1885
Quando tinha 30 anos resolveu largar a bíblia para pintar. Simples assim. Ele já tinha familiaridade com a arte porque chegou a passar um tempo trabalhando na loja de quadros de seu tio e quando criança, pintava algumas coisas com sua mãe. Vincent tomou essa decisão certo de que através de seus quadros poderia tocar os pobres e mostrar a eles que seria possível sonhar mesmo vivendo de desgraças. Para Vincent, o paraíso estava nas coisas mais simples como as folhas das árvores, o sol, o vento batendo na cara... Vale lembrar que esses pensamentos otimistas não o livravam de seu temperamento grosseiro, irritável. Foi nesse período que conheceu sua grande musa: Sien, uma mãe sozinha e abandonada, igualmente miserável. Vincent considerava a convivência com ela uma influência positiva para sua criatividade. Sua família ao saber das condições de vida que ele levava em Londres o rejeitou, exceto seu irmão Théo que passou a apoia-lo em sua carreira como pintor.
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Sien retratada por Vincent, 1885
Seu primeiro grande quadro é o famoso “Os Comedores de Batata” de 1885. Vincent justificava as cores sujas, os tons escuros e a aparência “amarronzada” do quadro dizendo que queria mostrar que os comedores haviam arrancado as batatas do solo com suas próprias mãos, haviam conquistado aquela refeição através do esforço do trabalho honesto.
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The Potato Eaters, 1885
Logo em seguida, Vincent mudou-se para Paris e sua maneira de pintar também sofreu uma forte influência do espírito otimista parisiense, sendo visível através da presença de mais luz e cores em suas pinturas. Diferenciava-se dos demais impressionistas da época porque retratava a melancolia de Paris, os sentimentos negativos mais intensos como a raiva. Foi nesse período que conheceu Paul Gauguin e então, teve a ideia de unir-se a ele. A união não aconteceu de imediato porque Gauguin retornou para Londres enquanto Vincent permaneceu em Paris.
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Café Terrace at Night, 1888
Em 1888, Vincent partiu para Provença onde teria o ano mais frenético e angustiante de sua vida, tendo ao mesmo tempo a fase mais criativa de sua carreira artística. Foi nesse lugar que ele começou a pintar os campos de trigo e os girassóis, visíveis no quadro “O Semeador”. Vincent costumava definir seus quadros como grandes orgasmos. Curioso ou não, dizia também que transar e pintar muito não combinava, porque tanto uma coisa quanto a outra amolecia o cérebro.
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O Semeador, 1888
Théo resolveu patrocinar Gauguin com a condição de que o mesmo fosse trabalhar junto com Vincent e mesmo receoso por ter que conviver com ele, Gauguin aceitou a proposta.
Vincent não pintava baseando-se em questões estéticas, mas sim na emoção que seria possível passar através das cores selecionadas.
Enquanto Gauguin não chegava, ele ansiava pela convivência dos dois e foi ai que surgiu seu vício por absinto. Conheceu nessas mesmas condições a família Roulin. Era uma família feliz, tranquila, normal e que fazia muito bem a Vincent por distrai-lo e tira-lo do modo de viver autodestrutivo. Chegava a dizer que os amava.
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Retrato do carteiro pai de família, Joseph Roulin, 1888
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Sra. Roulin, 1888
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O jovem Armand Roulin, 1888
Gauguin finalmente começou a viver com Vincent, mas a relação dos dois não ficou nada bem depois de um mês. Tinham filosofias artísticas muito diferentes! Enquanto Gauguin considerava o ato de pintar como algo passageiro, uma inspiração que vem e vai, Vincent jurava que pintar era dar todo o suor e trabalho para concretizar algo real, permanente. Sua alta produção, às vezes com direito a mais de um quadro por dia, começou a irritar Gauguin, despertando nele um sentimento de inveja. Tomado por isso, pintou o quadro “Van Gogh pintando girassóis”, algo chulo, representando Vincent com o rosto desajustado, como um simples pintor sentado analisando um vaso. Reduziu a intensidade dele meramente a isso. Quando viu o quadro, Vincent disse que Gauguin havia o retratado como um louco.
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Van Gogh pintando Girassóis por Paul Gauguin, 1888
Com o relacionamento cada vez pior, Gauguin o abandonou numa certa noite para dormir num hotel e Vincent, por volta da meia noite, foi ao seu bordel favorito e entregou para uma das prostitutas um papelote. Nele estava embrulhado um pedaço de sua orelha. Na parte da manhã quando Gauguin resolveu retornar ao estúdio, encontrou policiais e sangue por toda parte! Esse famoso acontecimento levou Vincent a internar-se num hospício, temendo que nunca mais se recuperasse, tendo espasmos de loucura sem cura que o levavam a comer a tinta de seus próprios tubos.
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Autorretrato com a orelha cortada, 1889
No hospício Vincent começou a aperfeiçoar sua pintura. Em 1889 pintou seu último autorretrato e considerou que tentar suicídio era como recuar da margem de um rio ao ver que a água é fria. Théo decidiu manda-lo para Auvers Sur Oise, lugar um pouco distante de Paris, sob a vigia do Dr. Paul Gachet.
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Dr Paul Gachet, 1890
Foi nessa fase que Vincent começou a revolucionar seu modo de pintar. Sua recuperação chegou a ser cogitada já que era visto vivendo bem, recebendo a visita dos familiares e feliz. Théo acreditava que finalmente seu irmão estava salvo, mas não era isso que realmente acontecia.
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Seu último Autorretrato, 1889
Eis o quadro revolucionário, a grande obra prima de Vincent van Gogh: O Campo de Trigo com Corvos, pintado um pouco antes de sua morte.
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Campo de Trigo com Corvos, 1890
Foi sua primeira obra vendida e reconhecida graças à falta de perspectiva, já que ao observar o quadro não sabemos exatamente para o que estamos olhando, e os corvos que aparentam ora voar para longe, ora voar para perto, além das cores pulsantes. O quadro era um bloco de cor vivo e inaugurou o Modernismo e o Expressionismo.
Vincent estava no ápice de sua carreira, artisticamente lúcido, mas a loucura continuava a destruir seu lado emocional. Não suportava mais os espasmos e acompanhado por isso, surgia a ideia de que sua família havia o abandonado de vez.
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Skull With Cigarette, 1886
Théo o encontrou morto em seu estúdio. Vincent havia dado um tiro no próprio abdômen e já estava completamente inconsciente! Havia cometido suicídio e a tentativa de salva-lo foi em vão...
Vincent morreu com a esperança de que teria seu trabalho reconhecido pela emoção que sempre depositava em cada pincelada. É revoltante saber que poucos anos depois, seus quadros começaram a ser vendidos por milhões. O importante e, talvez, confortante é ter noção de que pelo menos hoje em dia sua obra é reconhecida e emociona milhares de pessoas ao redor de todo mundo.

http://lounge.obviousmag.org/cafe_amargo/2012/10/vincent-van-gogh-a-arte-em-forma-humana.html