Pesquisar este blog

sábado, 21 de setembro de 2013

CHAVELA VARGAS E O CANTO DA ALMA

em musica por  em 13 de set de 2013

Talvez a voz mais emblemática da América Latina. Rebelde, forte e genuína. Levou uma vida de excessos, sofrida, que quase perdeu, mas a vitória alcançada no final foi gloriosa! - “Salí de los infernos, pero lo hice cantando”
Chavela Vargas 1.JPG
Fez em Agosto, 1 ano sobre o falecimento de Izabel Vargas Lizano, mais conhecida como Chavela Vargas. Nascida em 1919, em San Joaquín de Flores, Costa Rica, viu a sua infância manchada pela doença e pelo divórcio dos seus pais, sendo deixada ao cuidado dos tios.
Saiu aos 14 anos do seu país, sozinha, incompreendida, e identificou-se com o México. Ali desempenhou várias funções, mas foi com a voz e a atitude que surpreendeu, chamando a atenção com o tema Macorina.
Macorina é a história verdadeira de uma mulher astuta e bela, que no seu tempo foi uma precursora na luta pelos direitos das mulheres. Uma musa e inspiração para muitos. Uma lenda.
O seu nome era María Calvo Nodarse (1892 – 1977) e abandonou Cuba aos 15 anos rumo a Havana, com o noivo e único amor. A mudança foi difícil devido às dificuldades económicas, vendo–se obrigada a abdicar do seu romance para entrar no mundo da prostituição.
Thumbnail image for macorina1.jpg
A forte personalidade e beleza levaram-na até às esferas mais selectas e ricas, tornando-se uma das prostitutas mais famosas e elegantes da época. Foi considerada a Mata Hari cubana e foi a primeira mulher a obter licença de condução e a conduzir um automóvel em Cuba. Numa sociedade de moral católica, foi apelidada de “diabólica”. Muitos foram os seus feitos, intensa foi a sua vida.
Macorina foi imortalizada nas artes. Alfonso Camín escreveu um poema sobre ela e Chavela cantou-a com muito sentimento e compreensão, transformando-a numa das músicas mais conhecidas da sua carreira. Numa entrevista falou sobre ela:
“Macorina te voy a llevar conmigo alrededor del mundo. Vas a recorrer de mi mano muchos mares y tierras lejanas. Se lo dije así y ella sonrió. Quién sabe si en ese momento me había creído, seguro que no, pero vivió el tiempo suficiente como para darse cuenta de que cumplí mi promesa. Cuando ella murió, en 1977, ya mi Macorina había ido y venido alrededor del mundo”.
Como diz Chavela, este tema percorreu mundo e converteu-se também num hino ao espírito rebelde, prenúncio da essência da sua música e carreira.
chavela vargas 4.jpg
Destemida, as suas músicas seriam normalmente cantadas por homens e falavam de desejo pelas mulheres. Vestia roupa masculina, fumava e carregava uma arma. Era conhecida pelo casaco vermelho que adorava envergar.
chavela vargas 5.jpeg
Passeava com Agustín Lara, compositor e poeta mexicano, musa e amiga de Juan Rulfo, escritor mexicano. Vivia com os pintores Diego Rivera e Frida Kahlo e bebia grandes doses de tequila. As melodias iam surgindo…
Somos, Luz de Luna, Las simples cosas, Toda una Vida … a preciosa Llorona.
O alcoolismo privou-a da música durante 12 anos e quase lhe roubava a vida.
"Estrenaba un coche el viernes y el lunes ya no tenía nada, me emborrachaba y me iba a cantar por las calles. Yo tomaba tequila, todo me lo tomé, por eso no quedó nada allá"
Pois foi no início dos anos 90 que fez o seu regresso!... A cantar!
Foi por esta altura, que o editor Manuel Arroyo a leva para Espanha e o êxito é imenso. Chavela conquista. Para ela Espanha é um país que a torna sua amiga, abrindo-lhe os braços e a sua juventude. O reconhecimento e as alegrias fluem.
O realizador espanhol Pedro Almodovar descobre nela uma amiga, uma musa:
“Não acredito que haja neste mundo um palco suficientemente grande para ela.”
pedro almodovar.jpg
Chavela Vargas só falou da sua homossexualidade aos 81 anos na autobiografia “Y si quieres saber de mi passado”. Numa entrevista à televisão columbiana, declarou que era lésbica e reconheceu Frida Kahlo como o grande amor da sua vida.
frida e chavela.jpg
Em 2000, o Conselho de Ministros espanhol concede-lhe a Gran Cruz de Isabel la Católica.
“La Vargas” actua em palcos importantes como o Olympia de Paris, Carnegie Hall e o Palácio de Belas Artes no México. Homenageada pelo Governo da cidade do México, nos seus 90 anos.
Morre a 5 de Agosto de 2012.
Chavela Vargas teve as suas aparições em filmes como “Frida” de Julie Taymor, a cantar os clássicos Llorona e Paloma Negra.
Também aparece em Babel de Alejandro González Iñárritu a cantar “Tú me acostumbraste”.
Foram mais de 40 discos gravados e quase 1000 concertos. Uma vida cheia para esta mulher de carácter rebelde e contestador. Autêntica. A sua maneira de cantar tão sensível, mas ao mesmo tempo profunda e assertiva, transporta-nos para um mundo de dor, onde sentimos o seu “ riacho de esquecimento alagado” de “lembranças afogadas” e muito amor. Um mundo totalmente diferente e especial, recriado na voz desta mulher inspiradora.
O seu legado:
“Soy Chavela Vargas, tengo 90 años y estoy viva; viva de tanto amor y de disfrutar todo lo que me ha sucedido"
chavela vargas 2.jpg

Outra Vez - Nara Leão -


AUTUMN's here....




Amber Glow

Wesley Mincin


Red and yellow painted leaves

hang idly within the trees

They break and sail along the breeze

As fires of Autumn's time


They dance and surf upon the ground

Overlap each other with ruffling sound

A setting I am glad I found

As fires of Autumn's time


Like fires of the Autumn season

they leap and dance without a reason

A factor of Autumns many seasons

As fires of Autumn's time'


The grey clouds break, the sun appears

The dancing leaves appear to sere

These flames its kept for many years

As fires of Autumn's time



The meaning of the blues - Toni Harper -


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Tú y yo tenemos amaneceres pendientes

Me preguntaste con qué momento del día me quedaría. En ese instante me levante de la cama dejándote con un halo de intriga y me acerque a la ventana. Tenias que haber sabido la respuesta, muchos momentos compartidos. El reloj marcaba las 6:00 de la mañana y justo entonces decidí contestarte, ¿sabes cuál? con este. Me quedo con el amanecer y ¿quieres saber porque?. Porque es cuando el mundo está lleno de promesas.

Me miraste sorprendido, supongo que esperabas una respuesta más simple. Pero lo cierto es que lo amaba, amaba despertarme con el amanecer para observarlo desde todas sus perspectivas mientras me tomaba una tostada con mermelada de fresas de esa que tanto me gustaba... Buscando infinitas posibilidades al nuevo día y dejando atrás otras tantas noches de placer.





Ir e vir / Vir e ir





Significação

Quero o olhar vago
a imagem fora de foco

Ir e vir

Desprender-me da consciência
Tirar os pés do chão

Vir e ir

Mergulhar em sonhos
Voltar à tona

Voar
Sentir
(Re)significar:
a existência.

- Bianca Velloso -

http://poesiacotidianabia.blogspot.com.br/

Chega de Tarde - DANILO e DORI CAYMMI -


Lançamentos Setembro






Leya Brasil

Grande personalidade da vida cultural brasileira, a obra de Vinicius de Moraes escancara sua máxima de vida - a paixão pela mulher, seja em poesia, seja em letra de música. Na poesia, Vinicius foi admirado e festejado pela sua geração e pelas seguintes, sendo o poeta brasileiro mais traduzido no mundo. Na música, unanimidade entre seus parceiros, teria sido o letrista que mais perfeitamente encaixava as palavras, ou melhor ainda, graças à sua musicalidade aliada a habilidade com as palavras, descobria a sílaba exata para cada nota musical, como se traduzisse o som que ela pede. A palavra de Vinicius na música popular foi definitiva, influenciando, a partir da bossa nova, todas as gerações posteriores. No palco, Vinicius contava espontaneamente a história das suas canções e parcerias. Este volume da coleção História de Canções traz algumas delas para ilustrar que poesia era o próprio Vinicius, independente da forma.

Este trabalho que tenho em mãos





O ambiente é a alma das coisas.

Cada coisa tem uma expressão própria, e essa expressão vem-lhe de fora. Cada coisa é a interseção de três linhas, e essas três linhas formam essa coisa: uma quantidade de matéria, o modo como interpretamos, e o ambiente em que está. Esta mesa, a que estou escrevendo, é um pedaço de madeira, é uma mesa, e é um móvel entre outros aqui neste quarto. A minha impressão desta mesa, se a quiser transcrever, terá que ser composta das noções de que ela é de madeira, de que eu chamo àquilo uma mesa e lhe atribuo certos usos e fins, e de que nela se refletem, nela se inserem, e a transformam, os objetos em cuja justaposição ela tem alma externa, o que lhe está posto em cima. E a própria cor que lhe foi dada, o desbotamento dessa cor, as nódoas e partidos que tem — tudo isso, repare-se, lhe veio de fora, e é isso que, mais que a sua essência de madeira, lhe dá a alma. E o íntimo dessa alma, que é o ser mesa, também lhe foi dado de fora, que é a personalidade.

Acho, pois, que não há erro humano, nem literário, em atribuir alma às coisas que chamamos inanimadas. Ser uma coisa é ser objeto de uma atribuição. Pode ser falso dizer que uma árvore sente, que um rio “corre”, que um poente é magoado ou o mar calmo (azul pelo céu que não tem) é sorridente (pelo sol que lhe está fora). Mas igual erro é atribuir beleza a qualquer coisa. Igual erro é atribuir cor, forma, porventura até ser, a qualquer coisa. Este mar é água salgada. Este poente é começar a faltar a luz do sol nesta latitude e longitude. Esta criança, que brinca diante de mim, é um amontoado intelectual de células — mais, é uma relojoaria de movimentos subatômicos, estranha conglomeração elétrica de milhões de sistemas solares em miniatura mínima.

Tudo vem de fora e a mesma alma humana não é porventura mais que o raio de sol que brilha e isola do chão onde jaz o monte de estrume que é o corpo.
Nestas considerações está porventura toda uma filosofia, para quem pudesse ter a força de tirar conclusões. Não a tenho eu, surgem-me atentos pensamentos vagos, de possibilidades lógicas, e tudo se me esbate numa visão de um raio de sol dourando estrume como palha escura umidamente amachucada, no chão quase negro ao pé de um muro de pedregulhos.
Assim sou. Quando quero pensar, vejo. Quando quero descer na minha alma, fico de repente parado, esquecido, no começo do espiral da escada profunda, vendo pela janela do andar alto o sol que molha de despedida fulva o aglomerado difuso dos telhados.

(58) L.D." B.S.

"Série: Imagens do Desassossego"
Autor: Marcos Girão
Técnica: Tempera / Viochene / Goma laca
Base: Contraplacado de madeira
Dimensões: 393 x 452 m/m
Acompanha: Registo de © Direitos de Autor

Propriedade de: — with @FernandoPessoa, Fernando Antônio Nogueira Pessoa, Álvaro de Campos, Arquivo Fernando Pessoa, Álvaro De Campos Heterónimo De Fernando Pessoa, Centro Fernando Pessoa and A Lisboa de Fernando Pessoa.


Tags: Fernando Pessoa