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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

MURMÚRIO



Nei Duclós


Esplêndida manhã de primavera
a ilha enfim diz a que veio
o ar frio, carícia em teu seio
tudo combina no pleno sossego


Lembro e esqueço, palavra no meio
beijo calado em sumo de pêssego
foste para longe voltaste de chofre
blusa apertada e risada surpresa


Trazes imagens do mundo distante
colocas na estante, teu corpo molhado
colho assombrado, murmúrio de folhas


Nasce a estação e a luz que me parte
em loucas metades que são teu acervo
uma é o amor e a outra é a vontade


- Imagem desta edição: foto de Eliane Fogel.


http://outubro.blogspot.com.br/2013/09/murmurio.html

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

(In) esperada








Mora dentro de mim

Uma vontade não dita

Que me detém e vibra

Enquanto o milagre

Não começa, enquanto

Abro todas as janelas

Que me lembram

As formas mais belas

De se deixar sorrir.


Então eu me coloco tão aberta

Tão disposta e ereta

Esperando na certa

O amor envelhecer

Nos traços de alguém.




Priscila Rôde, in: Para que fiques, Pág 63.


Gal Costa - Acústico MTV (DVD Completo)


O MINUTO MAIS INTENSO NA VIDA DE MARINA ABRAMOVIC


em arte por  em 26 de fev de 2013 às 23:04 | 2 comentários
Durante 12 anos Marina Abramovic e Ulay formaram um casal genial completamente diferente do padrão que estamos acostumados, com parcerias artísticas do início ao fim, tendo um adeus ímpar no término da relação.
O reencontro desses artistas muitos anos depois ficou famoso por ser um dos minutos mais intensos de todos os tempos, sem exagero.
Você já deve ter visto circulando pela internet o vídeo de Marina Abramovic reencontrando seu antigo parceiro de vida, Ulay. Digo "de vida" porque durante os 12 anos que eles ficaram juntos rolou uma parceria artística de alto rendimento, polêmica e muito intensa. Aqui no Obvious já falaram um pouco da Marina.
No dia 30 de março de 1988 o casal de artistas performáticos se separou, mas não foi simples assim. Aliás, nenhum fim é simples. Foi um término que resultou no que seria o último trabalho deles, chamado The Lovers – The Great Wall Walk, e aconteceu na Muralha da China! Partindo de sentidos opostos, eles caminharam até o meio e quando se encontraram, meses depois, romperam de vez. Cada um seguiu para o seu lado e fim. Ponto final.
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A performance do adeus
Acontece que em 2010 o The Museum of Modern Art (MoMA) fez uma retrospectiva da carreira de Abramovic exibindo inclusive resultados da parceria dela com Ulay. Obviamente estava acontecendo uma performance bastante famosa dela chamada The Artist is Present, onde ela ficava sentada de frente para qualquer pessoa com um vestido vermelho, olhando nos olhos durante um minuto de silêncio, estabelecendo uma conexão extremamente profunda. Era difícil não sentir alguma coisa com aquele olhar... Lou Reed e Patti Smith, por exemplo, passaram por essa experiência com ela.
O que Abramovic não estava esperando era reencontrar Ulay naquela ocasião! Pois é, ele apareceu para visitar as obras dela (e dele), viu as reproduções de performances que eles fizeram há muito tempo e por fim, sentou-se na cadeira para encarar o olhar intenso dela durante um minuto. Como eu disse, ela não esperava e isso ficou estampado na reação e na expressão facial da artista quando abriu os olhos e viu seu antigo companheiro.
marina.jpg
O reencontro marcante de Ulay e Marina Abramovic
É emocionante, comovente, lindo, triste e em um minuto você é capaz de sentir várias outras coisas (nem todo mundo). A maneira como os dois se relacionam através dos olhos nesse vídeo é única. Eu aqui falando não adianta nada, até porque esse texto já ficou extremamente meloso!
Faz o seguinte, dá play no vídeo!


Baden Powell Quartet 1975


Contigo en la Distancia - Nana Caymmi -


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Travessia - Milton Nascimento -


Masculin/Masculin


El Museo d'Orsay de París desnuda a los hombres

Más de 100 obras recorren la representación del desnudo masculino desde principios del XIX hasta la actualidad

FOTOGALERÍA Señores sin tapujos




ver fotogalería


Óleo sobre lienzo, 'Abel' (1874-1875) de Camille Félix Bellanger. / PATRICE SCHMIDT (EFE)


El Museo d' Orsay expone hasta el próximo febrero Masculin/Masculin, una exposición que aúna pintura, escultura, fotografía y vídeo bajo una sola temática, el cuerpo masculino desnudo. Más de 100 obras en distinto soporte recorren la representación del desnudo masculino desde 1800 hasta la actualidad, repartidas en 11 espacios temáticos que abarcan desde el ideal clásico, el desnudo heroico, el cuerpo en la naturaleza o el dolor.


El conservador de la institución y comisario de la exposición Xavier Rey señaló en una entrevista con Efe que "la idea era recolocar la problemática estética y cultural del hombre desnudo" que aparece aquí bajo muchas perspectivas, pero siempre observado desde un punto de vista fundamentalmente masculino. Ese protagonismo de la mirada masculina se plantea, en palabras del comisario, como una consecuencia natural de la dominación social por parte de los hombres a lo largo de los siglos y hasta un periodo de tiempo relativamente reciente.


"La gran mayoría de artistas que representan a los hombres son hombres ellos mismos, así que vamos a ir desde el espejo narcisista del artista cara a cara consigo mismo, a una representación más masculina del deseo que puede aparecer en algunas de ellas", aclaró Rey, uno de los cinco responsables de la muestra.


Se produce una fuerte diferencia entre la representación clásica de San Sebastián a los ojos de Guido Reni y la mirada de Zoe Leonard, que muestra al hombre como objeto de deseo con Pin-up nº1, Jennifer Miller como Marilyn Monroe, donde se puede ver a un hombre posar desnudo sobre terciopelo rojo en una emulación con cierto humorismo de la actriz estadounidense.


La desnudez masculina formó parte de la formación pictórica entre los siglos XVII a XIX, pese a que sea más frecuente y natural el desnudo femenino, explicó el museo. Por tanto, su aparente ausencia no quiere decir que el cuerpo del hombre "haya sido abandonado por los artistas", sino que "no ha sido nunca considerado como tal", aclaró Rey, que consideró que esta exposición permite "comprender cómo se ha perpetuado, modificado y reinventado a lo largo del tiempo".


Para ello el recorrido propuesto, en lugar de ser cronológico, es temático, de modo que en una misma sala conviven dos obras a las que separan 200 años en su creación, pero cuya unión formal y temática es absoluta. El comisario señaló que hay cánones comunes "como el neoclásico inspirado en la antigüedad, que se ha perpetuado hasta nuestros días", aunque otros den la vuelta a los esquemas, como la revolución realista (segunda mitad del siglo XIX), que "modificó completamente los códigos de representación para algunos artistas". En ese sentido apuntó también a la influencia de unas artes en otras, como "la llegada de la fotografía", una disciplina también muy presente en la muestra desde sus comienzos, como se ve en "Lucha de dos hombres desnudos" (1887) de Eadweard Muybridge.


Los amplísimos temas que se dan la mano en Masculin/Masculin van desde la realidad más cruel, como la enfermedad o la muerte, hasta "el desnudo filosófico", pues, según explicó Rey, el desnudo masculino se reinventa a finales del XIX con una "perspectiva más teórica y espiritual", en "respuesta a la indiferencia de la naturaleza" como consecuencia de la revolución industrial.


http://cultura.elpais.com/cultura/2013/09/24/actualidad/1380013498_175316.html

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Se o homem amasse mulher como ama futebol


POR XICOSA


Amor fora de campo: Garrincha & Elza Soares.Foto:EPA

O que aconteceria se o homem, aqui vale o homem normal, a média dos homens -aquele cara simples, tarado por mulher, cerveja e futebol – gostasse tanto da sua amada como gosta do seu time do peito?

Seria uma revolução. Mudaria tudo. Tudo mesmo. Repare:

Para começar, o macho jamais deixaria a sua fêmea. Nunca, never. Homem que é homem muda de sexo mas não muda de time.

Mesmo quando ela se sentisse a pior das criaturas, por baixo mesmo, mesmo quando ela blasfemasse aos céus e se queixasse ao espelho que estava gorda e autoestima despencara.

Muito pelo contrário. Isso seria motivo para aumentar ainda mais o amor e até para renovar a paixão, com garantia eterna de fidelidade, como ocorre quando o time do homem cai para a Segundona do campeonato –“Eu nunca vou te abandonar, Corinthians”.

Se o homem gostasse da mulher pelo menos 50% como ama o seu time, nem uma bola nas costas, uma traição, como uma derrota incompreensível, seria motivo para o fim do relacionamento. No futebol, assim como no amor, tudo seria perdoável.

Se o macho normal gostasse da cria da sua costela como quem aprecia um Flu, um Fla,um São Paulo, um Peixe, um Palmeiras, um Bahia, um Santa Cruz, um Galo, um Grêmio, arranjaria tempo para ir com ela ao cinema ou jantar fora pelo menos duas vezes por semana –no mínimo empataria com o tempo que dedica ao clube.

Apreciasse sua mulher como é chegado ao futebol, o sujeito trocaria pelo menos uma mesa-redonda na tv por um conversa com a dama. Em vez da crise no Vasco, tentaria entender a derrota que virou seu casamento.

Se o Cruzeiro anda tão bem, brilha na dianteira do firmamento, por que não melhorar também, amigo, a posição na tabela no jogo dentro e casa? Deixar tudo mais celeste, o amor azulzinho em um céu de brigadeiro?

Não sejamos exagerados. Bastaria dedicar 30% do que se devota ao time do peito. Teríamos uma mudança radical na vida dos casais.

Imagina se o torcedor do Goiás, caro Rogério Bueno, cantasse assim para aa namorada, como canta para o time esmeraldino: “Pra vencer tem que ser guerreiro/ Pra te ver sou sempre o primeiro…”

O cara é capaz de morrer por um triunfo do Furacão, do Coxa ou do Sport, o cara chora pelo Botafogo, o cara come toda a água do planeta pelo Vitória, o timbu deixa o lar doce lar para ir sofrer em São Lourenço da Mata…

Se o homem gostasse tanto da sua mulher como gosta do seu clube o domingo seria outro. Quando o time fosse derrotado, ele se confortaria no amor e no sexo da princesa. Não é o que acontece. A desgraça no futebol o inviabiliza na cama. É batata.

No caso da mulher doente por futebol, mesmo uma corintiana, creio que a relação seja outra. Na alegria ou na tristeza clubística, ela é a mesma. Consegue separar o desejo com o amado do placar domingueiro.

Como diria meu amigo Nick Hornby, não há termômetro que entenda o macho e essa febre de bola.


http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/


É por Ti que Vivo

António Victor Ramos Rosa (Faro17 de Outubro de 1924 - 23 de Setembro de 2013), um poeta português
António  Ramos RosaAntónio Ramos RosaPortugaln. 1924Poeta/Ensaísta
É por Ti que VivoAmo o teu túmido candor de astro 
a tua pura integridade delicada 
a tua permanente adolescência de segredo 
a tua fragilidade acesa sempre altiva 

Por ti eu sou a leve segurança 
de um peito que pulsa e canta a sua chama 
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro 
ou à chuva das tuas pétalas de prata 

Se guardo algum tesouro não o prendo 
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto 
que dure e flua nas tuas veias lentas 
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar 

Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva 
para que sintas a verde frescura 
de um pomar de brancas cortesias 
porque é por ti que vivo é por ti que nasço 
porque amo o ouro vivo do teu rosto 

António Ramos Rosa, in 'O Teu Rosto'

Tema(s): Amor Ler outros poemas de António Ramos Rosa