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domingo, 29 de setembro de 2013

Milágrimas





















em caso de dor, ponha gelo, mude o corte de cabelo
mude como o modelo
vá ao cinema, dê um sorriso, ainda que amarelo
esqueça seu cotovelo
se amargo for já ter sido, troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério, deixe os critérios, siga todos os sentidos
faça fazer sentido
a cada mil lágrimas sai um milagre
caso de tristeza, vire a mesa, coma só a sobremesa
coma somente a cereja
jogue para cima, faça cena, cante as rimas de um poema
sofra apenas, viva apenas
sendo só fissura, ou loucura, quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
faça uma novena, reze um terço, caia fora do contexto
invente seu endereço
a cada milágrimas sai um milagre
mas se, apesar de banal,
chorar for inevitável
sinta o gosto do sal, do sal, do sal
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas, três, dez, cem, mil lágrimas
sinta o milagre
a cada mil lágrimas sai um milagre
a cada milagrimas.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Trova do Vento que Passa



  • Trova do Vento que Passa

    de Manuel Alegre


    Pergunto ao vento que passa
    notícias do meu país
    e o vento cala a desgraça
    o vento nada me diz.

    Pergunto aos rios que levam
    tanto sonho à flor das águas
    e os rios não me sossegam
    levam sonhos deixam mágoas.

    Levam sonhos deixam mágoas
    ai rios do meu país
    minha pátria à flor das águas
    para onde vais? Ninguém diz.

    Se o verde trevo desfolhas
    pede notícias e diz
    ao trevo de quatro folhas
    que morro por meu país.

    Pergunto à gente que passa
    por que vai de olhos no chão.
    Silêncio -- é tudo o que tem
    quem vive na servidão.

    Vi florir os verdes ramos
    direitos e ao céu voltados.
    E a quem gosta de ter amos
    vi sempre os ombros curvados.

    E o vento não me diz nada
    ninguém diz nada de novo.
    Vi minha pátria pregada
    nos braços em cruz do povo.

    Vi minha pátria na margem
    dos rios que vão pró mar
    como quem ama a viagem
    mas tem sempre de ficar.

    Vi navios a partir
    (minha pátria à flor das águas)
    vi minha pátria florir
    (verdes folhas verdes mágoas).

    Há quem te queira ignorada
    e fale pátria em teu nome.
    Eu vi-te crucificada
    nos braços negros da fome.

    E o vento não me diz nada
    só o silêncio persiste.
    Vi minha pátria parada
    à beira de um rio triste.

    Ninguém diz nada de novo
    se notícias vou pedindo
    nas mãos vazias do povo
    vi minha pátria florindo.

    E a noite cresce por dentro
    dos homens do meu país.
    Peço notícias ao vento
    e o vento nada me diz.

    Mas há sempre uma candeia
    dentro da própria desgraça
    há sempre alguém que semeia
    canções no vento que passa.

    Mesmo na noite mais triste
    em tempo de servidão
    há sempre alguém que resiste
    há sempre alguém que diz não.

    A ilustradora:https://www.facebook.com/.../26513397732

    Mandy Pritty Illustration
    Artist
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MURMÚRIO



Nei Duclós


Esplêndida manhã de primavera
a ilha enfim diz a que veio
o ar frio, carícia em teu seio
tudo combina no pleno sossego


Lembro e esqueço, palavra no meio
beijo calado em sumo de pêssego
foste para longe voltaste de chofre
blusa apertada e risada surpresa


Trazes imagens do mundo distante
colocas na estante, teu corpo molhado
colho assombrado, murmúrio de folhas


Nasce a estação e a luz que me parte
em loucas metades que são teu acervo
uma é o amor e a outra é a vontade


- Imagem desta edição: foto de Eliane Fogel.


http://outubro.blogspot.com.br/2013/09/murmurio.html

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

(In) esperada








Mora dentro de mim

Uma vontade não dita

Que me detém e vibra

Enquanto o milagre

Não começa, enquanto

Abro todas as janelas

Que me lembram

As formas mais belas

De se deixar sorrir.


Então eu me coloco tão aberta

Tão disposta e ereta

Esperando na certa

O amor envelhecer

Nos traços de alguém.




Priscila Rôde, in: Para que fiques, Pág 63.


Gal Costa - Acústico MTV (DVD Completo)


O MINUTO MAIS INTENSO NA VIDA DE MARINA ABRAMOVIC


em arte por  em 26 de fev de 2013 às 23:04 | 2 comentários
Durante 12 anos Marina Abramovic e Ulay formaram um casal genial completamente diferente do padrão que estamos acostumados, com parcerias artísticas do início ao fim, tendo um adeus ímpar no término da relação.
O reencontro desses artistas muitos anos depois ficou famoso por ser um dos minutos mais intensos de todos os tempos, sem exagero.
Você já deve ter visto circulando pela internet o vídeo de Marina Abramovic reencontrando seu antigo parceiro de vida, Ulay. Digo "de vida" porque durante os 12 anos que eles ficaram juntos rolou uma parceria artística de alto rendimento, polêmica e muito intensa. Aqui no Obvious já falaram um pouco da Marina.
No dia 30 de março de 1988 o casal de artistas performáticos se separou, mas não foi simples assim. Aliás, nenhum fim é simples. Foi um término que resultou no que seria o último trabalho deles, chamado The Lovers – The Great Wall Walk, e aconteceu na Muralha da China! Partindo de sentidos opostos, eles caminharam até o meio e quando se encontraram, meses depois, romperam de vez. Cada um seguiu para o seu lado e fim. Ponto final.
tumblr_ma2ktaWBcC1r23hd5o1_1280.jpg
A performance do adeus
Acontece que em 2010 o The Museum of Modern Art (MoMA) fez uma retrospectiva da carreira de Abramovic exibindo inclusive resultados da parceria dela com Ulay. Obviamente estava acontecendo uma performance bastante famosa dela chamada The Artist is Present, onde ela ficava sentada de frente para qualquer pessoa com um vestido vermelho, olhando nos olhos durante um minuto de silêncio, estabelecendo uma conexão extremamente profunda. Era difícil não sentir alguma coisa com aquele olhar... Lou Reed e Patti Smith, por exemplo, passaram por essa experiência com ela.
O que Abramovic não estava esperando era reencontrar Ulay naquela ocasião! Pois é, ele apareceu para visitar as obras dela (e dele), viu as reproduções de performances que eles fizeram há muito tempo e por fim, sentou-se na cadeira para encarar o olhar intenso dela durante um minuto. Como eu disse, ela não esperava e isso ficou estampado na reação e na expressão facial da artista quando abriu os olhos e viu seu antigo companheiro.
marina.jpg
O reencontro marcante de Ulay e Marina Abramovic
É emocionante, comovente, lindo, triste e em um minuto você é capaz de sentir várias outras coisas (nem todo mundo). A maneira como os dois se relacionam através dos olhos nesse vídeo é única. Eu aqui falando não adianta nada, até porque esse texto já ficou extremamente meloso!
Faz o seguinte, dá play no vídeo!


Baden Powell Quartet 1975


Contigo en la Distancia - Nana Caymmi -


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Travessia - Milton Nascimento -


Masculin/Masculin


El Museo d'Orsay de París desnuda a los hombres

Más de 100 obras recorren la representación del desnudo masculino desde principios del XIX hasta la actualidad

FOTOGALERÍA Señores sin tapujos




ver fotogalería


Óleo sobre lienzo, 'Abel' (1874-1875) de Camille Félix Bellanger. / PATRICE SCHMIDT (EFE)


El Museo d' Orsay expone hasta el próximo febrero Masculin/Masculin, una exposición que aúna pintura, escultura, fotografía y vídeo bajo una sola temática, el cuerpo masculino desnudo. Más de 100 obras en distinto soporte recorren la representación del desnudo masculino desde 1800 hasta la actualidad, repartidas en 11 espacios temáticos que abarcan desde el ideal clásico, el desnudo heroico, el cuerpo en la naturaleza o el dolor.


El conservador de la institución y comisario de la exposición Xavier Rey señaló en una entrevista con Efe que "la idea era recolocar la problemática estética y cultural del hombre desnudo" que aparece aquí bajo muchas perspectivas, pero siempre observado desde un punto de vista fundamentalmente masculino. Ese protagonismo de la mirada masculina se plantea, en palabras del comisario, como una consecuencia natural de la dominación social por parte de los hombres a lo largo de los siglos y hasta un periodo de tiempo relativamente reciente.


"La gran mayoría de artistas que representan a los hombres son hombres ellos mismos, así que vamos a ir desde el espejo narcisista del artista cara a cara consigo mismo, a una representación más masculina del deseo que puede aparecer en algunas de ellas", aclaró Rey, uno de los cinco responsables de la muestra.


Se produce una fuerte diferencia entre la representación clásica de San Sebastián a los ojos de Guido Reni y la mirada de Zoe Leonard, que muestra al hombre como objeto de deseo con Pin-up nº1, Jennifer Miller como Marilyn Monroe, donde se puede ver a un hombre posar desnudo sobre terciopelo rojo en una emulación con cierto humorismo de la actriz estadounidense.


La desnudez masculina formó parte de la formación pictórica entre los siglos XVII a XIX, pese a que sea más frecuente y natural el desnudo femenino, explicó el museo. Por tanto, su aparente ausencia no quiere decir que el cuerpo del hombre "haya sido abandonado por los artistas", sino que "no ha sido nunca considerado como tal", aclaró Rey, que consideró que esta exposición permite "comprender cómo se ha perpetuado, modificado y reinventado a lo largo del tiempo".


Para ello el recorrido propuesto, en lugar de ser cronológico, es temático, de modo que en una misma sala conviven dos obras a las que separan 200 años en su creación, pero cuya unión formal y temática es absoluta. El comisario señaló que hay cánones comunes "como el neoclásico inspirado en la antigüedad, que se ha perpetuado hasta nuestros días", aunque otros den la vuelta a los esquemas, como la revolución realista (segunda mitad del siglo XIX), que "modificó completamente los códigos de representación para algunos artistas". En ese sentido apuntó también a la influencia de unas artes en otras, como "la llegada de la fotografía", una disciplina también muy presente en la muestra desde sus comienzos, como se ve en "Lucha de dos hombres desnudos" (1887) de Eadweard Muybridge.


Los amplísimos temas que se dan la mano en Masculin/Masculin van desde la realidad más cruel, como la enfermedad o la muerte, hasta "el desnudo filosófico", pues, según explicó Rey, el desnudo masculino se reinventa a finales del XIX con una "perspectiva más teórica y espiritual", en "respuesta a la indiferencia de la naturaleza" como consecuencia de la revolución industrial.


http://cultura.elpais.com/cultura/2013/09/24/actualidad/1380013498_175316.html