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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Ficar velho é uma droga!

Caetano Veloso

Merquior tinha razão: Caetano é mesmo um pseudo-intelectual do miolo mole

Ficar velho é uma droga! Não porque você perde o desempenho sexual, o charme de conquistador, vista fica embaçada e quando vai jogar futebol com os amigos, é como diz o ex-jogador Júnior, o Leovegildo: é preciso jogar de relógio pra não perder o tempo da bola. Não é por nada disso. Essas coisas a gente tira de letra.
O chato mesmo de ficar velho é ver os nossos ídolos virarem massa de pastel. Sim. Meus ídolos, os ídolos da minha geração viraram massa de pastel. E é de pastelão de rodoviária, daqueles embrejados de gordura. Pensando bem, os ídolos deveriam morrer jovens. Todos morrendo jovens, assim como Castro Alves, Rimbaud, James Dean e Garcia Lorca. Para não dar tempo de desfazer o que fez. Para não virar massa de pastel diante de seus admiradores.
Ou então quando a gente (nós admiradores) ficasse velho perdesse a capacidade de ter ídolos. Quem é seu ídolo? Olha, acho que já tive. Mas não me lembro. Porque os ídolos quando envelhecem viram uma droga. E a gente que ficou velho perde o direito à idolatria.
Porque estou dizendo isso? Porque estou vendo os ídolos de minha geração, Caetano, Chico e Milton fazerem coro com o retrógrado Roberto Carlos em defesa de uma das coisas mais nojentas das ditaduras. Sejam elas esclarecidas ou disfarçadas. Uma das coisas mais nojentas das ditaduras é a censura. A imposição de barreiras para a circulação de ideias, de opiniões e de obras culturais.
Querem porque querem a manutenção dos famigerados artigos 20 e 21 do Código Civil Brasileiro, que embarca num viés autoritário de só permitir biografias autorizadas. Biografia autorizada é adulação, puxa-saquismo, hagiografia (técnica de descrever vida de santos). Temos a lei mais ditatorial das nações ditas democráticas sobre o tema. Somos campeões de muita coisa ruim. Essa é mais uma de nossas mazelas. Nos outros países se uma pessoa fez por merecer o rótulo de “pessoa pública” ninguém precisa de autorização para escrever a biografia dela. Claro, desde que o biógrafo se apóie em fatos e as informações sejam obtidas por meios lícitos. No Brasil, biografia só com autorização e aprovação final pelo biografado ou representante legal. E meus ídolos querem defender a consolidação dessa infâmia.
Já faz algum tempo que José Guilherme Merquior chamou Caetano de “pseudo-intelectual de miolo mole”. Tomei o partido de Caetano. Onde já se viu? Como pode ser de miolo mole um sujeito que fez o que fez? Liderou o movimento da Tropicália. Que tomou posições vigorosas em favor da redemocratização do País. Como pode ser pseudo-intelectual? E pior que isso: de miolo mole? Francamente. Guilherme Merquior é que é (ou era) um cara ressentido e reaça. Isto sim.
Mas hoje sou obrigado a dar a mão à palmatória. Merquior tinha razões. Ainda que premonitórias. Porque o meu ídolo (parece que ele é que lidera os outros) tomar uma posição dessas só pode mesmo é estar com o miolo mole. Defender a censura às biografias, quando somos um país pobre culturalmente e indigente em biografias. As biografias que existem no País são quase que totalmente adulatórias. As que não são, ou estão recolhidas, ou autor está com processo nas costas. Quando não as duas coisas, como no caso do escritor Alaor Barbosa que escreveu uma biografia de Guimarães Rosa. O livro além de recolhido, Alaor está gastando os tufos para responder na justiça. E olhe que Guimarães é seu escritor de cabeceira. Só queria elucidação baseado em fatos reais e obtidos por meios lícitos (e nunca destorcer) a vida de nosso Joyce.
Ademais, biografias são veículos poderosos de divulgação cultural. Sem elas, os grandes vultos de uma geração morrem na geração seguinte. Nossos ídolos têm instintos suicidas. Suicídio historicamente falando. Ou no mínimo obscurantistas. Até você Chico? Até você Milton? Não. Devo estar “ouvindo coisas”. Ou já estou caduco. Mas isso não pode ser.
E ainda vejo nos jornais que quem diz o que é para Caetano dizer é sua mulher (ou seria ex?), a Paula Lavigne. Se for mulher, a coisa vai muito mal. Agora se for ex?… Meu amigo, nossa geração se atolou de vez no pântano da história!

“Sem tesão não há solução”

No final dos anos 80, quando muitos dos futuros leitores da Revista Bula ainda não tinham nascido, um irrequieto psiquiatra, Roberto Freire, nadando por rios primitivos do imaginário — e posicionando-se contra a corrente de hábitos carcomidos, assumiu pensar fora da caixa do social. Atirou ao lixo os restos de discursos terapêuticos mascarados, acolchoados em bolsas de gelo verbal. Quebrou as plácidas e acomodatícias normas do bem viver. Num impulso súbito, ainda derrubou das mesas dos escritórios os retratos empoeirados do núcleo conjugal nacional — protótipo da eterna família feliz. Anarquista, sim senhor, despejou em livros suas reflexões declaradamente contestatórias.
“Descobri que é chegada a hora de acrescentarmos ao tempo e ao espaço mais uma dimensão fundamental à vida no universo: o tesão. Para mim esse tesão não habita dicionários oficiais; entretanto, é o que anima e encanta os poetas tropicais. Tesão sem passado, apenas contemporâneo e vertical, ele é produto semântico e romântico dos que sentem desejo pelo desejo, alegria pela alegria e beleza pela beleza. Mas pode ser ainda tesão de quem sente desejo pela alegria, beleza pelo desejo e alegria pela beleza. Sem tesão não há solução” — sentenciou o médico.
Num breve conchavo contemporâneo, advertiremos agora, alargaremos os estreitos caminhos delineados entre o sigilo e cautela, ensaiando sussurros quase decretados à queima-boca.  Em sequência, os lábios mal se moverão, cumprindo todavia  o intento de passar adiante, virilizar, esta descoberta-mais-que-somática.
Desejo é pouco para nos referirmos à desanestesia primordial de tentarmos acordar com nosso coração batendo afoito, vermelhinho da silva, pulsando no conluio de um colchão quente. Levantar, olhar para o céu sempre escancarado, de vez em quando azul, nos abrangendo como único e consagrado teto do universo e dizer sem receios: “bom dia, vida”.
Depois do café-mais-banho, sair de casa (não exatamente saltitando como um estúpido ioiô; nem bailando feito dançarino deslocado em palcos abandonados) enxergar o verde, teimoso que só, intrometido no horizonte atulhado de cimento urbano.
Continuar girando devagar a cabeça. Observar a esperança, embutida nas folhas de certas árvores, por absurdo, ainda viçosas. Cheirar profundamente no ar cansado a transparência do oxigênio, entorpecido em meio a tanta poluição. Por fim, exclamar sem traços de qualquer vergonha: “venha vida, eu estou aqui para lhe usar”.
Usar e abusar, inclusive, dessa sensação mais que palpável, porém extrínseca à cibernética do cotidiano. Uma rotina tão metálica e arrojada se inflando direto em nossos bolsos e mãos, absolutamente ocupadas hoje pela ditadura do digital.
Convém frisar nesse instante: é bom esquecer de propósito o carro em casa. Lembrar-se que você ainda possui pernas, mobilidade, pulmões sedentos, sobretudo, por inspirar profundamente os invisíveis, mas intensamente presentes aromas do caótico ambiente das ruas. A fumaça do trânsito, os caprichos do destino ziguezagueado, quem dera montado  no lombo de um selvagem potro — exuberante como nenhum outro.
Sem tesão, desejo, vontade, fissura, movimento de alma ou o que seja, ninguém acorda de verdade. Até pode fingir, num arremedo de teatro de meia tigela, colocar-se de pé, arriscar sorrir com a boca esquecida de alegrias — e entortada pelas raízes do tédio — para o cônjuge inerte ao lado.
Sem tesão borbulhante, lubrificando motores da biologia e das energias individuais, ninguém consegue dar uma gargalhada genuína, ligar para saber dos amigos, convidar os filhos para soltar pipa, talvez  nas cobiçadas areias de Ipanema.
Então #comofas, indagaria aqui um tuiteiro aficcionado. Quem tem o mapa da mina, das querências, do diamante perdido no brilho do olhar, da pele do corpo acesa de intenções.
O desafio maior na atualidade é que tudo ou quase tudo que tocamos, experimentamos, desvendamos perde a graça em furiosos e famigerados segundos.
O tesão de sacudir imprevistos, matá-los no peito e chutar para escanteio, no campo dos esportes inter-relacionais, não está mais com a bola toda. Ou melhor, não está com bola alguma. Neste caso, já viu, acabou partida, adversário, dezenas de malucos doidos para dar uma “pimba na gorduchinha” — como arremataria um fanático locutor de futebol. Acabou. Infelizmente não tem mais nada. Porque sem tesão não há solução.
Talvez a maior revolução da história seja submeter a vigorosas massagens os flácidos e anestesiados músculos do querer. Vai uma alegria aí? Uma empolgação acolá? Sai baratinho um belo passeio na beira do mar, enfiando os pés neste mundão salgado e azul aqui denominado oceano atlântico. Não custa nada brincar de ser criança, enquanto houver chama de vida aquecendo as demandas do peito.
Não custa nada decidir trepar por inteiro. Com cabeça tronco e membros juntos, concentrados na função erótica — não apenas para aliviar o maldito estresse.
Roberto Freire ensinou que liberdade, prazer, sorrisos a esmo, sem pecado e nem juízo, são filhos diretos do tesão. Esse bicho gostoso, fumegante, espumoso, sempre ávido por emitir grunhidos, tingidos de puro sangue e galope indômito.
Essa incrível força do instinto, que se agita sem parar, bem lá dentro da nossa densa e enorme floresta de desejuras.

domingo, 13 de outubro de 2013

POESIA - O único caminho



POESIA

O único caminho
Rio de Janeiro

No tempo em que o Espírito habitava a terra
E em que os homens sentiam na carne a beleza da arte
Eu ainda não tinha aparecido.
Naquele tempo as pombas brincavam com as crianças
E os homens morriam na guerra cobertos de sangue.
Naquele tempo as mulheres davam de dia o trabalho da palha e da lã
E davam de noite, ao homem cansado, a volúpia amorosa do corpo.

Eu ainda não tinha aparecido.

No tempo que vinham mudando os seres e as coisas
Chegavam também os primeiros gritos da vinda do homem novo
Que vinha trazer à carne um novo sentido de prazer
E vinha expulsar o Espírito dos seres e das coisas.

Eu já tinha aparecido.

No caos, no horror, no parado, eu vi o caminho que ninguém via
O caminho que só o homem de Deus pressente na treva.
Eu quis fugir da perdição dos outros caminhos
Mas eu caí.
Eu não tinha como o homem de outrora a força da luta
Eu não matei quando devia matar
Eu cedi ao prazer e à luxúria da carne do mundo.
Eu vi que o caminho se ia afastando da minha vista
Se ia sumindo, ficando indeciso, desaparecendo.
Quis andar para a frente.
Mas o corpo cansado tombou ao beijo da última mulher que ficara.

Mas não.
Eu sei que a Verdade ainda habita minha alma
E a alma que é da Verdade é como a raiz que é da terra.
O caminho fugiu dos olhos do meu corpo
Mas não desapareceu dos olhos do meu espírito
Meu espírito sabe...

Ele sabe que longe da carne e do amor do mundo
Fica a longa vereda dos destinados do profeta.
Eu tenho esperanças, Senhor.
Na verdade o que subsiste é o forte que luta
O fraco que foge é a lama que corre do monte para o vale.
A águia dos precipícios não é do beiral das casas
Ela voa na tempestade e repousa na bonança.
Eu tenho esperanças, Senhor.
Tenho esperanças no meu espírito extraordinário
E tenho esperança na minha alma extraordinária.
O filho dos homens antigos
Cujo cadáver não era possuído da terra
Há de um dia ver o caminho de luz que existe na treva
E então, Senhor
Ele há de caminhar de braços abertos, de olhos abertos
Para o profeta que a sua alma ama mas que seu espírito ainda não possuiu.


De estereotipos y verdades falseadas en literatura y cine



Por: EL PAÍS 13/10/2013



Fotograma de 7 días en La Habana.

Hoy termina en Puerto Rico la cuarta edición del Festival de la Palabra que ha reunido a 80 escritores de medio mundo. Una edición en la que los creadores han ido a buscar a su público y a potenciales lectores. Literatura, cine, arte y música. Sigue AQUÍ nuestra cobertura en esta cita cultural

Por ANDREA AGUILAR

Hubo alguna estrepitosa tormenta, subieron las temperaturas en San Juan, y la playa aún puede esperar. La llegada del fin de semana trajo mucho más público al festival, y un ambiente familiar con un público diverso, de todas las edades, que llenó las salas.

Muchos se acercaron a la proyección de 7 días en La Habana, la película coral que reúne siete micro historias, escrita por Leonardo Padura y dirigida por LOS directores Benicio del Toro, Julio Medem y Juan Carlos Tabío, entre otros. En el coloquio posterior el escritor cubano habló de los cortocircuitos que a menudo se producen entre guionistas y realizadores. “En Cuba la película tuvo dos lecturas. Por un lado fue vista como una cinta con imágenes posibles de La Habana y, por otro, como el reflejo de imágenes estereotipadas del exterior”, lamentó. “Lo único que pedí es que no incluyeran santería, ni putas y me llenaron la película de eso”. Los elementos falseados de la realidad cubana fue una batalla que Padura perdió, pero resignado explicó que por “eso se les llama directores”.


El manejo de la realidad y la forma que ésta asume en la ficción fue el eje central de la conversación entre el colombiao Jorge Franco y el puertorriqueño Sergio Gutiérrez. El autor de Rosario Tijeras confesó que, a veces, inmerso en el trabajo acaba por olvidar qué inventó y qué ocurrió en verdad. ¿Y cuál es la ética que debe guiar el trabajo de un escritor?Mayra Santos-Febres respondía a esta cuestión en otro debate. La novelista y poeta aclaró que esto va más allá de la vida personal de un autor: “Cuando uno se sienta a escribir la ética es individual, uno debe hacer con la imaginación lo que le dé la gana, porque el pacto es entre el escritor y su lector, y de lo que se trata es de crear tan bien una mentira que sea creíble”. Para Juan Gabriel Vásquez, que la acompañaba en esta mesa, esa lucha entre verdad y hechos novelados es rica y valiosa, precisamente porque una buena novela nunca es un manual de conducta. “Las novelas preguntan y son ambiguas, no ofrecen respuestas más allá de sus páginas; demuestran que el mundo está lleno de grises”. La portuguesa Lydia Jorge añadió como matiz el elemento de valentía que siempre acompaña a la buena escritura. “Hay que escribir y vivir con el pecho abierto, la escritura es un juego estético, de equilibrio. Hay que tener el coraje de explorar todo a fondo”, dijo antes de lamentar que Milan Kundera un escritor que ha mantenido una postura ética en muchos frentes, no haya ganado el Nobel.

Pocas ficciones han logrado calar tan profundo en el imaginario colectivo como las asociadas al nacionalismo. ¿Es la lengua una patria que salva o hunde? El novelista José Ovejero dijo no sentir que tiene una: ni un país que identifique con ese sentimiento, ni una infancia, como el poeta Machado, ni siquiera la literatura ha servido como sustituto. “He escrito contra un mundo que me desagrada”, afirmó. El peruano Daniel Alarcón habló de Perú como uno de sus “dos países” y también mencionó la patria inventada del inmigrante que añora, como esos puertorriqueños de El Barrio de Nueva York que plantaban sus banderas en las ventanas, y que no se ven en San Juan. En una de esas casas creció Justin Torres estadounidense de origen puertorriqueño que ha perdido el español como idioma, algo que siente que ha cerrado una puerta para conectar con su herencia cultural. “Hay otros idiomas dentro de una lengua y yo trato de hablar en mi escritura, como mi gente”, dijo Torres. Él creció en un hogar donde se romantizaba la idea de Puerto Rico, mientras que la poeta Mayda Colón lo hacía en el propio país donde el idioma “con exilio o sin él ha pasado por mucho”.

Sigue AQUÍ la cobertura del IV FESTIVAL DE LA PALABRA

sábado, 12 de outubro de 2013

A criança e a dor do futebol



Amigo torcedor, amigo secador, ninguém sofre mais com futebol do que uma criança. Nem o mais angustiado dos goleiros na hora do gol, caro Belchior, sofre tanto. Talvez seja a primeira ideia do conhecimento das dores do mundo. Aí se forja o homem, o caráter, aí começa o madureza ginasial completo do menino. Nessa hora todos somos aquele guri, só beiço e lágrimas, da capa do "Jornal da Tarde" na tragédia do Sarriá, em 5 de julho de 1982.
Fotografado por Reginaldo Manente, um dos gigantes na arte do flagrante esportivo, aquele menino éramos todos nós chorando a eliminação do escrete de Falcão, Zico e doutor Sócrates, um dos maiores times desde que o homem deixou de andar de quatro e fundou a humanidade. Para um pivete, um piá, um pirraia, um cabinha --e outros tantos apelidos de crianças pelo Brasil afora-- nem carece uma Copa para descolorir o universo, basta um jogo qualquer, toda pelada pode se constituir um épico, uma lição de história.
O futebol é o segundo útero de uma criança em matéria de formação. Nasci em 1962, como na música do Ira!, nasci já bicampeão do mundo com o Brasil de Garrincha e com o Santos de Pelé & grande elenco. As dificuldades materiais, e só materiais, eram muitas no meu Cariri, lá no meu pé de serra. E haja fartura simbólica e futebolística até os anos 1970. Uma coisa compensa a outra, já diria o filósofo da vida simples.
Signo de homem não é áries, touro, gêmeos, câncer, leão, virgem, balança como este equilibrado cronista. Signo de homem é o seu time. Na maioria das vezes transmitida pelo sangue paterno, em algumas ocasiões pela zebra do destino. É fácil ter nascido nos anos 1960 e ser Santos, Botafogo, Cruzeiro, Bahia, Náutico... É moleza ter sido criança nos anos 1980 e amar o Flamengo de Leandro, Júnior, Andrade, Adílio, Zico... Quem era menino na década de 90 há de lembrar do São Paulo de Cerezo, Raí, Palhinha e Müller e seu Telê no banco.
Um menino estranho, do tipo que merece cuidados, lembrará, por exemplo, que Dinho, o justiceiro da caatinga, também fez parte desse time. Como também é lembrado por meninos esquisitos do Sport e do Grêmio. O Corinthians, no entanto, tem duas categorias de pequenas criaturas: a que só viu uma taça depois de grande; a geração Japão que abriu os olhos para ser campeã do mundo.
Há quem diga que a derrota seja uma melhor escola de homem. Talvez forme meninos menos mimados e sem mimimis. Por este critério os velhos corintianos são os caras mais cascudos do planeta. Faz sentido.
O menino do dedo verde, assim como o Tistu do livro homônimo, estava feliz e com a vida ganha até os oito anos, depois viu o cinza da Segundona, agora amadurece com o seu Palmeiras. Nada como o futebol para formar um caráter e definir uma vida.
Parabéns criançada de todas as cores.
@xicosa
Xico Sá
Xico Sá, jornalista e escritor, com humor e prosa, faz a coluna para quem "torce". É autor de "Modos de Macho & Modinhas de Fêmea" e "Chabadabadá - Aventuras e Desventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha", entre outros livros. Na Folha, foi repórter especial. Na TV, participa dos programas "Cartão Verde" (Cultura) e "Saia Justa" (GNT). Mantém blog e escreve às sextas, a cada quatro semanas, na versão impressa de "Esporte".
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O circo pegou fogo!!!!!

Caetano, relaxa, o Facebook já está contando sua história

Jornal GGN - Do Facebook vem a resposta ao clamor de famosos contra as biografias não autorizadas. Uma página foi criada para produzir “a mais pirata e coletiva biografia não autorizada” de Caetano Veloso. Com menos de 24 horas no ar, a página já conta com 1.184 ‘curtidas’ e várias contribuições. A última, nada pirata, é um pequeno vídeo com Caetano tentando falar Hashtag. Não aconselhada para menores, a foto de Caetano, nu, postada por sua então mulher, Paula Lavigne, no Twitter.
Em sua apresentação, a página traz o seguinte: “Parece que Caetano não gosta de biografias. Mas nós gostamos. Então vamos escrever coletivamente a primeira biografia não autorizada deste ícone da MPB. Poste sua história aqui, mande pra gente vídeos, imagens, frases e tudo mais o que você souber sobre ele - ou não”.
E para não dizer que as informações são cheinhas de disse-me-disse, a página traz a biografia autorizada do Wikipedia. Mas é sempre bom esmiuçar uma contribuição, vinda de um site de variedades, que faz um post só com a informação de que Caetano estaciona o carro, atravessa a rua, olha para o fotógrafo e espera o carro de volta. Tudo isso acompanhado da ironia: “Nossa, este dia foi polêmico”.
As pessoas vão contribuindo. O assunto pegou.
Outra abordagem da biografia do muso, foi o bate boca entre Paula Lavigne e Mônica Bergamo, na última quarta-feira, pelo Twitter. O embate aconteceu após reportagem da Folha sobre o tema das “não autorizadas”. Paula chiou, Mônica respondeu com twittada de que ela tentou ler matéria antes da publicação e a solicitação foi negada e Lavigne disparou suas farpas sem piedade: “'Deixa de ser chata e recalcada. Você não tem mais o que fazer não! Mulher encalhada é foda”. O destempero da ex-mulher de Caetano não pegou bem nas redes sociais.
Como todos sabem, e a página da biografia no Facebook não deixou de fora, Lavigne pode ser ex-mulher, mas é presidente da diretoria do grupo Procure Saber, formado por Caetano, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan e Erasmo Carlos. E como se nota, são contrários à publicação daquelas não autorizadas mas, conforme o Painel do Leitor da Folha revelou, não são a favor da autorização prévia, mas sim “propõe que direitos e obrigações sejam equânimes, e que não haja abusos à guisa de proteger direitos que não estão sendo violados”. Mônica retrucou que Lavigne mandou e-mail com opinião contrária à publicação. E Lavigne gritou no Twitter: “Botem a fita da minha entrevista dada a Juliana na internet! Vao censurar a fita? Já pedi isso? Vão censurar a fita?”.
E não termina por aí, já que os seguidores de ambas começaram a discutir o assunto. Então Lavigne colocou: “Gente, vou sair desse twiter. Está muita baixaria! Não dá para aguentar @monicabergamo levando a sério os retwiters! Francamente". E mais: “eu tenho q trabalhar. @monicabergamo ganha para encher o saco das pessoas. Eu nao. Tw ñ paga as minhas contas. Estou indo! Vamos elevar o astral". E este foi o ponto final colocado por Lavigne na discussão. 
E as contribuições vão chegando.
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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sem imperfeição não há tesão


POR XICOSA




Retomo as loas e homenagens a Vinícius de Moraes, cujo centenário é motivo de festa neste mês, com a reciclagem de uma crônica que dialoga com o poema “Receita de mulher”.

A mulher tem que ter uma barriguinha, nem que seja mínima, mas que haja uma hipótese de barriguinha.

Que haja uma hipótese de barriguinha, repito o poeta, depois de alertado por uma passional vinissólaga paulistana.

Que haja uma hipótese de barriguinha.

Essa é do mais safado dos nossos mulherólogos, na sua receita de beleza feminina.

Naquele mesmo poema em que ele pede desculpas às muito feias –devia ter bebido pouco naquele dia.

No mesmo poema que diz da beleza fundamental brota esse belo paradoxo para os padrões atuais.

Que haja uma hipótese de barriguinha. Nesse verso acertou em cheio. Depois de nove casamentos, o cara era um safo, o homem que sabia demais.

É preciso que haja, pelo menos, uma hipótese de barriguinha. Decorei, jovens. Palmas, poeta.

Aquela secura de tudo, além de fora da realidade anatômica, não é apreciável.

Chega de tábua. Isso é coisa boa apenas na passarela, como mulher-cabide para os estilistas.

Que haja aquela dobrinha quando a mulher se senta. A realíssima dobrinha da fêmea. Espetáculo.

E que não fique apenas na hipótese. Que haja uma barriguinha mesmo.

Pelas mulheres reais. Sem lipo, mas com muito desejo e outras aspirações.

Todo o segredo está na capacidade de variadas safadezas. Nunca no tamanho ou no peso.

Sem imperfeição não há tesão, que me perdoem as certinhas da praça.

E fica o mantra, pela milésima vez, à guisa de educação sentimental aos moços, pobres moços: homem que é homem não sabe, nem procura saber, a diferença entre estria e celulite.




http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2013/10/08/sem-imperfeicao-nao-ha-tesao/

domingo, 6 de outubro de 2013

‎"BAHIA DE TODOS OS FADOS"



"BAHIA DE TODOS OS FADOS".By Luca Alverdi; An essay dedicated to the astonishing cities of Lisbon and Salvador da Bahia, featuring musician and composer Mucio Sa.