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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

EUVALDO MACEDO FILHO: O FOTÓGRAFO DO SÃO FRANCISCO

O Vale do São Francisco guarda segredos que pouco a pouco vão saindo à superfície, um deles é o trabalho do fotógrafo juazeirense Euvaldo Macedo Filho, que deixou um legado documental da região ainda por ser explorado. Suas fotos començam a ser conhecidas através de publicações e agora de uma exposição no SESC Petrolina. Afinal, A foto – a quem se destina? (Euvaldo Macedo Filho, Sobre Photos)

O fotógrafo Euvaldo Macedo Filho, nascido em Juazeiro da Bahia em 1952, morreu precocemente em 1982, deixando um grande acervo fotográfico ainda por ser explorado. São aproximadamente 12.000 negativos guardados em um baú, juntamente com cadernos de anotações do artista. Uma pequena parte deste acervo foi resgatado pela sua esposa Odomaria Rosa Bandeira Macedo e pelos amigos Antonio Carlos Coelho de Assis (Coelhão) e Chico Egídio na publicação de um livro com uma seleção de fotos.
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Outra parte está agora disponível para ser vista no SESC Petrolina na exposição "Euvaldo Macedo Filho: Imagens Vestígios do Tempo", curadoria de Elson de Assis Rabelo. Nesta mostra, o curador escolheu expor as experiências sociais de tempo retratadas pelo fotógrafo: tempo da navegação, tempo da infância e tempo da velhice. Nelas podemos ver não somente os cliques do fotógrafo, como também um super-8 sobre os últimos dias de navegação do São Francisco, num belo trabalho de expografia.
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Além das imagens captadas por Euvaldo Macedo, muito de sua obra se pode entender através da leitura de seus cadernos de anotações: Cadernos de Babilaques: exercícios para fazer a cabeça; Sobre Photos e Sobre Fotografias, entre outros. Os cadernos escritos a lápis, caneta ou com canetinhas de diferentes cores, são uma interessante documentação das ideias de seu autor, nos quais podemos conhecer um pouco mais do fotógrafo através de frases cheias de poesia e perspicácia.
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Kertész e Cartier-Bresson roubaram todas as minhas ideias quarenta anos antes de eu nascer. (Euvaldo Macedo Filho, Caderno de Babilaques)
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O que é fotografar? É ter no lance, um olho de lince. (Euvaldo Macedo Filho, Caderno de Babilaques)
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Quero confessar: o que mais me interessa na foto é a POESIA. (Euvaldo Macedo Filho, Sobre Fotografia)
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A câmara – como suporte de um olhar ATENTO. (Euvaldo Macedo Filho, Sobre Photos)
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Fotografia: o instante mágico. No momento exato – CLIC. (Euvaldo Macedo Filho, Caderno de Babilaques)
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Minha fotografia é a visão crítico-lírica de aspectos da realidade,faces da vida (Euvaldo Macedo Filho, Caderno de Babilaques)


© obvious: http://lounge.obviousmag.org/coqueluche/2014/02/euvaldo-macedo-filho-o-fotografo-do-sao-francisco.html#ixzz2th1zJ1Z2 
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sábado, 15 de fevereiro de 2014

AMOR NÃO É COISA QUE SE FAÇA






Nei Duclós


Amor não é coisa que se faça
Está fora dos ofícios, dos mecanismos da caça
É pomba sobre os telhados, pousa por ser destino
O que vem depois é água em direção ao abismo
borboleta no rastro de um cardume de golfinhos


Amor é bicho marinho fora da rede de arrasto
todo mundo viu, mas só poucos acreditam
não é fácil fisgá-lo da amurada de um barco
empiná-lo, lua cheia, nas nuvens da borrasca
resolvê-lo em cadernos de algoritmos escassos


Amor é forte em ruínas, com rifles enferrujados
a tropa fugiu de casa diante de uma vanguarda
cem canhões dispararam sobre teu perfil claro
levantei minha bandeira onde havia casamata
entrei conquistador na cidade sem abrigo


Amor não faz sentido, é sonho que não avisa
jogo de conchas no mapa do nosso grito
estaremos perdidos antes que venha o futuro
o final anunciado em trombetas manuscritas
Tenha dó da palavra, não atingirá o conflito


Amor é soco no ar, planta que agarra pedra
espinho com vocação de ser guardião da pétala
corpo de desafogo, pavio de longo compasso
nó de gravata nova antes do baile de gala
rosa posta na mesa quando teu beijo desatas


http://outubro.blogspot.com.br/2014/02/amor-nao-e-coisa-que-se-faca.html

Não falta interesse...






Mulheres não perdem o interesse sexual com a idade

Pesquisa da Universidade de Pittsburgh com 600 mulheres entre 40 e 65 anos desde 2005 mostra que, em 2013, 85% delas continuavam sexualmente ativas
Relatório foi publicado na revista “JAMA Internal Medicine”






Pesquisa mostra que mulheres são sexualmente ativas até a terceira idade StockPhoto


NOVA YORK - Há um consenso sobre a falta de interesse sexual da mulher na meia idade e após a menopausa que os cientistas acabam de derrubar. Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh começaram a estudar 600 mulheres entre 40 e 65 anos em 2005 e, depois de quatro anos, classificaram 354 das iniciais 602 participantes como sexualmente ativas. No oitavo ano da pesquisa, 85% continuaram desta forma, segundo um relatório publicado na revista “JAMA Internal Medicine”.

- Mulheres que diziam que o sexo era moderadamente ou extremamente importante tinham três vezes mais chances de permanecer ativas em relação às que não consideravam sexo uma prioridade - explicou ao “Daily Mail” a pesquisadora Holly Thomas, que aponta este fator como principal para manter o desejo sexual ao longo da vida.

- Há esta percepção social de que, conforme a mulher envelhece, o sexo se torna desimportante ou que a mulher simplesmente para de fazer sexo com a idade. Pelo nosso estudo, nos parece que a maioria das mulheres continua a ter uma vida sexualmente ativa - disse Holly.

No total, 10% das mulheres estudadas consideravam sexo extremamente importante; 50% diziam que era moderadamente importante; e cerca de 20% afirmavam que não era muito importante. As demais não responderam à questão.

Aquelas que colocaram o assunto no topo de sua lista tiveram três vezes mais chances de permanecerem sexualmente ativas em comparação com as que não consideravam sexo importante — sexualmente ativa para o grupo de 48 a 73 anos significa pelo menos uma vez nos últimos seis meses.

O estudo não observou a frequência das relações sexuais, mas segundo a pesquisadora outro estudo apontou uma vez por mês como média para esta faixa etária.

- A vida sexual da mulher pode mudar com o tempo, mas isso não necessariamente significa que o sexo não é importante ou que ela não gosta de sexo - afirmou Holly.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/mulheres-nao-perdem-interesse-sexual-com-idade-11596946#ixzz2tQ0Tg6Gz

Os cachinhos da Shirley Temple




Ruy Castro

folha de são paulo

De volta aos cachinhos

RIO DE JANEIRO - Minha velha amiga Margarida Sarda detestavaShirley Temple. Sua mãe a penteava como Shirley Temple --fazia-lhe todo dia os 56 cachinhos dourados de Shirley Temple. Metia-a em casaquinhos, saiotes e marinheiras de Shirley Temple. Calçava-lhe as meias curtinhas ou três quartos de Shirley Temple. E a inundava de bonecas, brinquedos e adereços de Shirley Temple. Só não lhe aplicou as covinhas de Shirley Temple. Em represália, Margarida passou a infância dedicando-se a não ser Shirley Temple. Conseguiu.

Por causa de Shirley Temple, todas as mães do mundo exigiam o impossível de suas filhas. A própria Shirley também só foi Shirley Temple enquanto não teve escolha. Dos quatro aos 12 anos, ela foi um produto de sua mãe, Gertrude --e de si própria, porque ninguém a ensinou a representar. Aos seis, já sabia fazer tudo que a venerada Ethel Barrymorelevara 60 para aprender.

Seus filmes, a uma média de quatro por ano, entre 1934 e 1939, rendiam milhões e podiam ser intoleráveis, mas ela não era. Na verdade, era quase impossível não admirá-la. E o quase vai por causa de Graham Greene, então crítico, para quem Shirley só podia agradar a gagás pedófilos. Não é verdade. Confira em "Dada em Penhor" (1934), "A Mascote do Regimento" (1935), "A Queridinha do Vovô" (dirigido por John Ford) e "Heidi" (1937) e "Sonho de Moça" (1938).

Aos 12 anos, em 1940, foi abandonada pelo público. Gertrude tirou-a do cinema e a botou para estudar. Shirley suspirou aliviada e nunca fez muita força para voltar ao estrelato. Tocou sua vida e, no futuro, sem ser da "carrière", tornou-se embaixadora dos EUA em Gana e na então Tchecoslováquia, em épocas conturbadas desses países. Shirley Temple finalmente chegara à idade adulta.

Mas bastou-lhe morrer, na segunda-feira, aos 85 anos, para ser devolvida aos cachinhos.


http://remediosdirce.blogspot.com/2014/02/ruy-castro_15.html?spref=tw

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

As muitas vidas de Eduardo Coutinho




JOSÉ GERALDO COUTO: NO CINEMA






Quantas vidas cabem numa vida? Na de Eduardo Coutinho, que durou quase 81 anos e terminou ontem (2 de fevereiro), couberam muitas. Vamos nos ater às que ele viveu no mundo do cinema. Falar sobre o homem, sobre o amigo, seria doloroso demais. Passo.

Coutinho começou na ficção, como roteirista (A falecida, Garota de Ipanema, Lição de amor, Dona Flor) e diretor (O homem que comprou o mundo, Faustão). Foi parar no documentário meio por acaso, meio por necessidade.

Trabalhar nos tempos heroicos do Globo Repórter, realizando documentários livres e desbravadores pelo interior do Brasil, era para ser, a princípio, um ganha-pão temporário, mas foi ali que Coutinho acabou se renovando e encontrando sua voz. Aqui, para quem quiser conhecer, a íntegra de um desses trabalhos, o notável Theodorico, o imperador do sertão (1978):



O coroamento dessa virada se daria com um marco do cinema brasileiro e mundial, Cabra marcado para morrer (1985), a retomada em chave documental do projeto ficcional homônimo, abortado pelo golpe militar de 1964. O Cabra consagrava uma convicção do diretor que tanta influência teria sobre as gerações posteriores: o documentário não como registro passivo de uma “realidade” dada, exterior, mas como dispositivo que enseja ou produz uma nova realidade, surgida da interação do realizador e sua equipe com um determinado ambiente, com determinados personagens. Desse enlace, embate ou fricção é que surge o filme.

Eternamente inquieto, radicalmente íntegro, incapaz de qualquer espécie de autoindulgência, Coutinho, depois do Cabra, passou por um período de impasses e dúvidas, durante o qual realizou Santa Marta, O fio da memória e Boca de lixo, projetos que ele considerava parcialmente frustrados.

Confissão e ficção

Foi só em 1999, aos 66 anos, que ele experimentou, com Santo forte, um novo renascimento criativo, dando início a uma fase de impressionante produtividade e frescor, que durou até agora e, ao que tudo indica, continuaria por um bom tempo.

Veio então uma sucessão de grandes filmes: Babilônia 2000, Edifício Master, Peões, O fim e o princípio, Jogo de cena, Moscou, As canções, Um dia na vida. Com exceção deste último, que é um caso sui generis (o horror contemporâneo concentrado em 24 horas de programação de TV), todos os outros, a despeito das diferenças radicais entre si, baseiam-se numa crença básica do cineasta: dadas certas condições propícias, todo indivíduo, diante de uma câmera e um microfone, torna-se personagem de si mesmo, reinventa sua própria vida, num jogo permanente de confissão e ficção. Jogo de cena é o filme em que essa ideia se desenvolve de forma mais cabal.

Uma das tais “condições propícias” é a duração da conversa, possibilitada por uma circunstância técnica aparentemente banal: a troca da filmagem em película pela captação em vídeo (inicialmente Betacam, depois digital). Com a película tradicional, era preciso interromper a filmagem a cada dez minutos para a troca de rolos, o que esfriava inevitavelmente a conversa, aniquilando a confiança, a fluência e a espontaneidade do entrevistado. Podendo falar sem parar durante meia hora, ou uma hora, o sujeito passava a levar o filme a terrenos inesperados, em termos de informação ou de emoção.

Relação de mão dupla

Com infinita paciência e ausência de julgamento, Coutinho estabelecia com seus personagens uma relação especial, única, frequentemente de mão dupla: alguns dos momentos mais belos e reveladores de seus filmes são aqueles em que o próprio diretor é confrontado e instado a se expor.

Lembro um caso exemplar: já perto do final de Peões, o metalúrgico Geraldo diz que não quer que os filhos passem pelo que ele passou. Emocionado, fica um bom tempo em silêncio e depois pergunta para Coutinho, na lata: “Você já foi peão?” A negativa balbuciada pelo cineasta e o silêncio constrangido que se segue são um momento sublime raramente alcançado por um filme de ficção. Aqui, para quem não viu:

http://www.youtube.com/watch?v=QRe2foopogk

Flagrar o momento inefável do encontro, filmar o laço invisível entre os seres, a contradição entre palavra e gesto, entre música e silêncio, apreender o tempo que escorre, captar o rastro fugidio da vida – foi isso o que Coutinho tentou. E tantas vezes conseguiu. Talvez por isso sua morte, tão estúpida e brutal, pareça ficção.



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http://www.blogdoims.com.br/ims/as-muitas-vidas-de-eduardo-coutinho/

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

“a consciência da América”



Pete Seeger, o decano da folk americana, o activista pelos direitos civis e pela ecologia, morreu de causas naturais, disse a família ao New York Times, na manhã de segunda-feira no Hospital Presbitariano em Nova Iorque, onde estava internado há seis dias. Tinha 94 anos.


Um dos grandes responsáveis pela transmissão do conhecimento sobre a música de raiz americana aos seus compatriotas, autor de Turn turn turn, If I had a hammer e responsável pela popularização enquanto hino de We shall overcome, Pete Seeger atravessou todas as convulsões do século XX e as do início deste em que vivemos actualmente. Sempre presente. Como nota em obituário o Washington Post, cantou contra o terror de Hitler, nas décadas de 1930 e 40, opôs-se à utilização da energia nuclear, foi incluído na lista negrado McCarthismo na década de 1950, juntou-se, na década seguinte, aos movimentos pelos direitos cívicos liderados por Martin Luther King e aos protestos dos estudantes americanos na década de 1960, e, já nonagenário, fez questão de marcar presença nas mais recentes manifestações Occupy Wall Street: “Desconfiem dos grandes líderes”, declarou nesse contexto à Associated Press, em 2011. “Desejem que existam muitos, muitos pequenos líderes.”

Companheiro de estrada de Woody Guthrie no início de carreira, com influência marcante na ascensão de uma figura chamada Bob Dylan (foi ele que o recomendou a John Hammond, que o contrataria para a editora Columbia), Pete Seeger era, como titula o obituário do Los Angeles Times, “a consciência da América”. Várias das suas canções foram alvo de diversas versões, muitas vezes com maior popularidade. Cantaram-no, por exemplo, Marlene Dietrich (em inglês, francês e alemão), Peter, Paul & Mary ou os Byrds. Em 2006 Bruce Springsteen dedicou-lhe um álbum inteiro, We Shall Overcome: The Pete Seeger Sessions.

Nascido a 3 de Maio de 1919 em Manhattan, Nova Iorque, viveu uma vida longa e preenchida, activa até ao fim. “Ainda há dez dias estava a cortar lenha”, contou a sua neta, Kitama Cahill-Jackson, ao Washington Post. Deixa na memória colectiva a sua imagem imponente, o rosto adornado pela barba icónica e, a tiracolo, o banjo, instrumento pelo qual se apaixonou ainda muito jovem e que divulgou incansavelmente. Isso e, claro, a sua voz, arma poderosa contra a opressão, qualquer que fosse a forma que esta assumisse.



A sua voz, incapaz já de atingir tom de tenor, pouco rico timbricamente, mas muito expressivo, que lhe ouvimos na juventude, continuava hoje a ser instigadora daquilo que Seeger via de mais precioso na música, a capacidade de reunir comunitariamente e de contribuir para a transformação do mundo. Nos concertos dos últimos tempos, limitava-se a lançar o início dos versos ao público e a deixar que este os completassem num coro de milhares – desejo de partilha que o público português pôde testemunhar, voz ainda intocada, em Dezembro de 1983, data do único concerto em Portugal de Pete Seeger, no Pavilhão dos Desportos.

Não por acaso, afirmava que as suas canções não eram verdadeiramente suas (fazia até questão de desvalorizar os seus talentos de compositor, afirmando que se limitava a adaptar velhas canções do cancioneiro do folclore e dos espirituais negros americanos). O seu forte sentimento comunitário, aliado a uma humildade desarmante, conduzia a afirmações como as dadas aoGuardian numa entrevista de 2007. Comentando o álbum que Bruce Springsteen lhe dedicara, disse que preferia que o cantor de New Jersey não tivesse utilizado o seu nome na capa. “Sobrevivi todos estes anos mantendo um perfil discreto. Agora o meu disfarce foi desmascarado. Se tivesse sabido antecipadamente, ter-lhe-ia pedido que só mencionasse o meu nome algures no interior.” Depois, enfatizou novamente o seu papel reduzido enquanto compositor: “Aquelas não são as minhas canções, são velhas canções, eu limitei-me a cantá-las.” Exemplo máximo, We shall overcome, o hino da luta pelos direitos cívicos nos Estados Unidos, hino intemporal para qualquer luta de oprimidos perante a opressão, tem a sua génese na canção gospel I'll overcome someday, de Charles Albert Tindley. Em 1948 surge publicada noPeople's Song Bulletin, dirigido por Seeger, com o título We will overcome. A sua única contribuição, diria depois o cantor, seria uma pequena alteração prática: "shall" adequava-se melhor ao canto que "will". Ainda assim, apesar de Seeger procurar a discrição, essa não foi uma marca permanente na sua carreira.

Filho de um musicólogo, Charles Louis Seeger, e de uma violinista, Constance de Clyver Edson, ambos professores na prestigiada Juilliard School, e enteado de uma compositora modernista, Ruth Crawford Seeger, segunda mulher do pai, Pete Seeger foi colega de John Kennedy enquanto estudante de Sociologia em Harvard, período em que se juntou à Juventude Comunista Americana. Desiludido com o percurso académico, teria os momentos definidores da sua vida quando, juntamente com o pai, viu uma velha cantora tocar o banjo de cinco cordas, que se tornaria o seu instrumento de eleição – usava um de braço longo, criado por si. “Gostei do tom vocal estridente dos cantores, da dança vigorosa”, recorda na biografia de David Dunaway, How Can I Keep From Singing, citado no obituário do New York Times. “As palavras das canções tinham todo o sangue da vida nelas. O seu humor era mordaz e não trivial. A sua tragédia era real, não sentimentalista.”

Pouco antes de assistir na Carolina do Norte àquele festival, começara a trabalhar na Biblioteca do Congresso Americano, fazendo catalogação e transcrição da música tradicional recolhida em todo o país. Fora convidado por John Lomax, histórico folclorista e amigo próximo de Charles Seeger. Essa música passou a ser a sua música e foi perante ela que ele se definiu enquanto músico, autor e intérprete.

Encontramo-lo então, no final dos anos 1940, enquanto membro dos Weavers, uma das bandas que se revelariam fundamentais no revivalismo folk com centro na Greenwich Village nova-iorquina (essa que os irmãos Cohen revisitam no recente A Propósito de Llewyn Davis). Durante o seu curto primeiro período de vida, os Weavers estiveram no topo das tabelas de vendas com uma versão de Goodnight Irene, original do mítico bluesman Leadbelly (que Seeger conhecera através de Lomax), e venderam em quatro anos cerca de quatro milhões de discos, números impressionantes para a época. Foi o momento de maior exposição mediática e sucesso comercial de Seeger, contrapondo com o breve período durante o início da Segunda Guerra Mundial em que percorrera os Estados Unidos à boleia ou saltando ilegalmente para os vagões de comboio, como o faziam os milhões de deserdados da Grande Depressão. Ganhava dinheiro tocando o seu banjo em cafés a troco de gorjetas. Aprendera as melhores técnicas para o fazer com Woody Guthrie, que se tornaria seu mentor e companheiro.

Tocaram juntos nos Almanac Singers, cantando canções antiguerra e anti-racismo e promovendo o poder sindical na luta por melhores condições de vida dos trabalhadores. A entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial acabaria com a banda. O fim da guerra traria o nascimento dos Weavers e a imagem inusitada de Pete Seeger no topo das tabelas de venda – “não consigo lembrar-me de um momento que ele sinta como menos importante na sua vida”, declarou Arlo Guthrie, filho de Woody, no concerto de celebração dos 90 anos de Seeger. A América em histeria anticomunista dos anos McCarthy não tardaria, porém, a voltar-se para ele.

Abandonara o Partido Comunista em 1950, em conflito com o estalinismo, mas não o invocou em sua defesa perante a Comissão de Actividades Antiamericanas. Recusando-se a qualquer denúncia declarou perante ela, em 1955: “Sinto que não fiz nada de natureza conspirativa em toda a minha vida. Não vou responder a quaisquer questões relacionadas com as minhas filiações, as minhas crenças filosóficas, religiosas ou políticas, ou em quem votei nas últimas eleições, ou qualquer um desses temas da minha privacidade. Julgo ser muito imprópria colocar essas perguntas a um americano, especialmente neste contexto de coacção” – na supracitada reportagem do Guardian, o jornalista Edward Helmore conta que, ao subir ao palco de um pequeno clube em Beacon, a terra nas margens do rio Hudson em que viveu desde os anos 1940, se apresentou dizendo: “Ainda me considero um comunista falhado.”

Condenado em 1961 a um ano na prisão, que não chegou a cumprir, foi colocado na lista negra, impedido de actuar na rádio e televisão e proscrito dos grandes palcos. Os Weavers terminaram (três dos quatro membros tinham enfrentado a comissão) e, no que é um aparente paradoxo, Pete Seeger entrou naqueles que considerou serem os melhores anos da sua vida. Passou a tocar apenas em universidades ou em pequenas associações locais. Adepto da máxima “pensa globalmente, age localmente”, revelou aos jovens estudantes a música americana que eles nem imaginavam existir e mostrou a todos os que o ouviam, dizia, que não era necessário entrar no jogo do comércio para viver em sociedade. Foi neste período que ouviu com atenção um jovem Bob Dylan, de quem se tornou conselheiro. E seria com Bob Dylan que viveria um episódio que entrou nos anais da história da música popular.

Em 1965, Dylan apresentava-se novamente no Newport Folk Festival, de que Seeger fora em 1959 um dos fundadores. Momento histórico: pela primeira vez, a jovem esperança da folk, a “voz de uma geração”, surgia acompanhado de uma banda eléctrica. Conta a lenda que, irado com o seu protegido, que trocava a pureza acústica do folclore pela selvajaria gratuita e burguesa do rock’n’roll, terá pegado num machado e tentado cortar a fonte de alimentação do palco. Seeger e outras testemunhas viriam a negá-lo. Estava irritado, sim. Não com Dylan, mas com o técnico de som que afogara as palavras do cantor sob o volume da guitarra – e Seeger achava que era importante que o público ouvisse os versos de Maggie’s farm.

Era difícil, de resto, imaginá-lo a tomar tal atitude. Se a guitarra de Woody Guthrie tinha inscrita no seu corpo “This machine kills fascists” (“Esta máquina mata fascistas”), no banjo de Seeger lia-se “This machine surrounds hate and forces it to surrender” (“Esta máquina cerca o ódio e força-o a render-se”). Firme nas suas convicções, corajoso na sua afronta ao poder, dono de uma coerência a toda a prova, Pete Seeger era um revolucionário humanista, crente no futuro – autor de música para crianças, afirmava que era impossível não acreditar no futuro quando cantava para elas.

O homem que fora sentenciado pelo Estado americano, que erguera a sua voz com Martin Luther King e 200 mil pessoas na Marcha de Washington contra a ignomínia desse crime legalizado que era a segregação racial; ele que amante e estudioso da tradição americana se mantivera sempre aberto ao mundo (cantou Guantanamera, cantou canções republicanas da Guerra Civil de Espanha, transformou uma canção russa sobre cossacos partindo para a guerra em hino anti-Guerra do Vietname, Where have all the flowers gone), seria, já septuagenário, distinguido por Bill Clinton com a Medalha Nacional das Artes, a mais alta distinção que o Estado americano atribui aos seus artistas. Cinco anos depois, em 1999, Cuba concedeu-lhe homenagem semelhante, a medalha da Ordem Félix Varela, pelo seu “humanismo e trabalho artístico em defesa do ambiente e contra o racismo”. A 18 de Janeiro de 2009, estava nas escadas do Memorial Lincoln cantando This land is your land, a canção do velho amigo Woody Guthrie, para o novo presidente americano, Barack Obama.

Nada disso o alterou. Continuou a tocar regularmente nos pequenos clubes nas redondezas de sua casa, que construíra na década de 1940 com a mulher, Toshi-Aline Öta (morreu em 2013, a dias de festejar os 70 anos de casamento), e a participar em acções de intervenção social e de activismo ecológico, principalmente em defesa da despoluição do seu amado rio Hudson. O humor mantinha-se intacto. Os locais lembrar-se-ão dos autocolantes que distribuía com o slogan “Gravity – it’s just a theory” (“Gravidade – é apenas uma teoria”), encorajando a que os enviassem para alguém no Kansas, o estado criacionista por excelência.

“A chave para o futuro do mundo”, afirmava em 1994, “é encontrar as histórias optimistas e torná-las conhecidas.” Pete Seeger encontrou as histórias e cantou-as. No processo, pelo seu exemplo e atitude, tornou-se também ele parte da história. Essa. Com agá maiúsculo.

http://www.publico.pt/cultura/noticia/morreu-pete-seeger-o-decano-da-folk-americana-1621379#/0


Pete Seeger: 20 Essential Tracks

Remember the folk icon with a playlist spanning his acclaimed career







domingo, 26 de janeiro de 2014

"sobre o nada"

Comediante mais famoso do mundo, Jerry Seinfeld faz pequenos planos

OLIVER BURKEMAN

DE SÃO PAULO


Ouvir o texto

Uma ou duas vezes por semana, no finzinho da tarde, Jerry Seinfeld deixa seu escritório em Manhattan, onde passa suas tardes escrevendo, e não vai para a casa ficar com a família. Em vez disso, aparece de surpresa num pequeno clube de comédia de Nova York ou de Nova Jersey e se encaixa na programação.
Seinfeld tem avião particular e mais de 40 Porsches antigos. Ganha, por baixo, US$ 32 milhões (R$ 75 milhões) por ano, grande parte deles por direitos autorais que adicionam ainda mais dinheiro a uma fortuna avaliada em US$ 800 milhões (RS 1,9 bilhão) em 2010.


Christopher Lane/The Guardian
Jerry Seinfeld é milionário e passou uma década fazendo um programa 'sobre o nada
Jerry Seinfeld é milionário e passou uma década fazendo um programa 'sobre o nada'

Tendo passado uma década fazendo um bem-sucedido programa "sobre o nada", ele poderia facilmente não fazer nada hoje em dia. Mas ele prefere –ou se sente obrigado a– continuar burilando suas apresentações, testando uma nova tirada aqui, tirando uma palavra de um ato velho ali, e analisando o riso da plateia: um cientista da comédia, que calibra seu equipamento com um método doloroso.
Quando você ouvir uma anedota de Seinfeld nos shows que fará em junho na Arena O2, em Londres, pagando 70 libras (R$ 270), ou num talk show da TV, ela já terá passado por meses de testes, e não haverá uma sílaba desperdiçada ali.
Tipo em: "Por que creme hidratante estraga couro? As vacas não estão debaixo do sol o tempo todo?" Ou: "Ter um filho de dois anos é tipo ter um liquidificador. Sem tampa."
Por seu material nunca ser de vanguarda ou obsceno, por ele contar piadas de um jeito tão relaxado e por ele ser ridiculamente rico, é fácil desclassificar o Jerry de hoje em dia por ser muito elegante ou mainstream demais.
Mas nas suas melhores tiradas, lustradas até ficarem perfeitas, o profissionalismo extremo aparece com uma qualidade zen absurda - e isso dá trabalho. "Para um cara como eu, uma risada é cheia de informação", diz Seinfeld numa manhã de inverno numestúdio de fotos na Broadway.
Ele acaba de posar para fotos com seus ternos de grife, mas já trocou a roupa por jeans, moletom e tênis azul e verde. Sua silhueta parece afundar numa poltrona puída. "O timbre, forma e duração dela -tem muita informação numa risada. É só tocar as risadas do público no meu ato que eu sei que piada tinha feito. Porque a piada e a risada combinam."
Em abril, apesar de estar no inconsciente coletivo como um eterno quarentão, Seinfeld chega aos 60 anos, idade que ele usava em suas piadas. ("Meus pais estão se mudando para a Flórida. Eles não queriam se mudar para a Flórida, mas eles têm 60 anos, e essa é a lei.").
Ele virou o grande homem velho do stand-up, um tesouro nacional; a plateia não ri só porque ele é Seinfeld, especialmente se ele aparece de surpresa? "Talvez por uns minutos. Mas já disse muitas vezes: ninguém ri de uma reputação. Eles ficam animados no começo, mas não mentem para mim. Eles não são capazes de mentir para mim. Eu descobriria."
Anos depois do fim de "Seinfeld", em 1998 –evento só derrotado em audiência pelos encerramentos de "M*A*S*H" e "Cheers"– as pessoas se perguntavam qual seria seu próximo grande projeto. Vieram então o documentário "Comedian", de 2002, e a animação "Bee Movie", de 2007, um sucesso modesto de bilheteria, co-escrito e produzido pelo comediante, que ainda deu voz ao protagonista, uma abelha que fica irada ao saber que humanos estão roubando mel.
Mas, mesmo no período em que estava divulgando o filme, Seinfeld descartou uma carreira de produções hollywoodianas. ("Meu Deus, eu me mataria. Me dá uma arma.").
E aí veio, por poucos meses, "The Marriage Ref" (o juiz de casamento), uma combinação de jogo de auditório e reality show em que celebridades davam seus pitacos sobre vidas conjugais de pessoas não públicas.
CAFÉ COM CARONA
Hoje em dia, uma nova possibilidade está começando a se sugerir como realidade: e se o Seinfeld pós-"Seinfeld" não for um cara de grandes projetos?
Sua última criação, uma série para internet chamada "Comedians in Cars Getting Coffee", tem momentos de brilho, mas nem chega a ser um programa sobre o nada; dificilmente é um programa.
Em cada um dos episódios, cuja duração varia, Seinfeld dá carona a um colega comediante em um dos seus carros vintage (Chris Rock, Larry David, Mel Brooks e Ricky Gervais já participaram). Daí eles vão para um café ou "diner", tipo de restaurante que ficou famoso no seriado de seu sobrenome, e bebem café.
"Minha meta era fazer um talk show tranquilo, em que você não tem de se mostrar, você não tem de pensar em o que está vestindo, não tem maquiagem, não tem preparação -não tem. É, literalmente, entrar num carro. E só."
É com simplicidade parecida que ele conduz também sua vida. Diz não ter tempo para análises e professa interesse zero para entender o "zeitgeist", o espírito do tempo. Não lê trabalhos de acadêmicos que acham temas pós-modernos em suas piadas.
Até porque ele pensa em si mais como um jogador de beisebol do que como um comediante torturado por demônios internos.
"Eu me vejo mais como esportista do que como artista." O que explica sua postura ao responder se pensa em atuar em filmes. "É hilário para mim que alguém cogite que eu tenha o mínimo interesse nisso. Jogadores de beisebol não pensam 'Ah, preciso começar a jogar futebol'. Eu achei a comédia, uma carreira que satisfaz minha mente e minha força vital. Abandonar isso e ir tentar outra coisa? Não entendo isso."
Dos primeiros shows de stand-up ao estrelato, Seinfeld se forçou a trabalhar desenhando uma cruz no calendário em cima de cada dia que tinha escrito novas piadas. Em algum tempo, ele tinha feito uma corrente de cruzes, e continuou produzindo porque não queria romper esses elos.
Desde que revelou esse "segredo", o método foi vítima de culto on-line: há ao menos três aplicativos e um site para ajudar as pessoas a imitá-lo. "É uma coisa tão simples e idiota que nem vale a pena falar sobre", diz. "Sério? Tem mesmo gente que pensa 'Vouficar por aqui sem fazer absolutamente nada e o trabalho vai se fazer sozinho'?"
GARFO VERSUS SALEIRO
Ele, como bom judeu nova-iorquino, aprendeu cedo que precisaria trabalhar. Filho de imigrantes austríacos e sírios, ele cresceu na cidade de Massapequa, em Long Island, que define como "um antigo nome indígena, que significa 'perto do shopping'". A família ia à sinagoga e respeitava os preceitos kosher. O adolescente Jerome passou algum tempo em um kibutz em Israel.
Parece nunca ter cogitado outra carreira que não a comédia. Quando estava na faculdade, no Queens, conseguiu convencer professores a deixá-lo estudar stand-up -e se apresentar em vez de fazer provas-, valendo créditos acadêmicos.
Em 1988, enquanto tomava café num "diner" nova-iorquino (é claro) com Larry David, surgiu a ideia da série, então chamada de "The Seinfeld Chronicles".
O resto, é história. A não ser a parte de ele ter abandonado a cidade do seriado, Nova York, e ter ido tentar a vida em Los Angeles por uns anos."É a coisa boa de se morar em Nova York: só andar na rua já ajuda a romper [a bolha de celebridade]", ele diz. "Los Angeles? Não. Você sai da sua casa maravilhosa, pega o carro maravilhoso e vai a um lugar maravilhoso para ser bajulado. É mais difícil. Foi uma decisão consciente: quando cheguei a Los Angeles, pensei 'Se eu quiser permanecer engraçado, preciso sair daqui'." Voltou a Nova York.
Seinfeld fala de seus números de humor como se eles tivessem sido descobertos, e não criados: observações que estão ao redor, camufladas no dia a dia, esperando que ele as descobrisse. Um exemplo: outro dia, seus dois filhos estavam discutindo quem havia soltado um pum. "Eles estavam um acusando o outro - 'quem sentiu não soltou!' - e eu pensei, Jesus, esses caras precisam de piadas novas. São as mesmas coisas que eu dizia quanto tinha cinco anos. Há 50 anos! Moleques! Não acreditam que estão contando as mesmas piadas!"
Enquanto comenta a pendenga dos filhos, percebe que ela pode render um bom material. Algumas coisas têm graça na sua natureza, e outras não, ele defende, dizendo não saber o porquê. Cadeiras são intrinsecamente engraçadas. Saleiros, Seinfeld analisa, não são. Analisando o potencial de riso de outros objetos rotineiros, ele faz uma cara séria e diz: "Eu acho garfo muito engraçado".

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sábado, 25 de janeiro de 2014

CAMISETAS – MODO DE EXPRESSÃO

PUBLICADO EM RECORTES POR  // 25 JAN 2014

O corpo também pode ser um meio de comunicação

A camiseta é um dos itens mais democráticos do vestuário contemporâneo. Adotada tanto por homens quanto mulheres, ela consiste em um pedaço de pano, costurado em formato de T, vindo daí o seu nome original: t-shirt.
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Remonta à antiguidade a origem da camiseta - peças parecidas eram utilizadas pelos povos do Egito e Oriente Médio. No entanto, as t-shirts, tal como as conhecemos, surgiram com a Primeira Guerra Mundial. Os soldados americanos perceberam que era mais fácil se locomover com as leves camisetas, até então restritas à categoria de “roupa de baixo”, do que com os uniformes de lã grandes e pesados.
Já a popularização da peça se dá através do cinema de Hollywood. Primeiro, Marlon Brando em um Bonde chamado Desejo (1951). Depois, James Dean em Rebelde sem Causa (1955). Foi por causa desses dois galãs que muitos jovens aderiram à nova moda.
Marlon-Brando-John-Engstead-1950.jpg Marlon Brando
James-Dean12801024.jpg James Dean
Dessa forma, rapidamente o mercado foi inundado pelo produto em questão. E não demorou para que ficasse claro o grande potencial de comunicação não-verbal das camisetas. Essas foram transformadas em outdoors no qual as pessoas pagariam para anunciar, mesmo que nem dessem conta disso, logos de empresas, artistas, produtos etc.
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Matizando as relações de consumo, cabe recordar que os indivíduos não escolhem o seu vestuário roboticamente. Atualmente, a identidade de alguém é construída e reconstruída com uma grande ajuda da moda. Nesse sentido, ostentar uma marca, carregar uma frase no peito pode ser também se afirmar pertencente a um grupo social, a uma comunidade de ideias. O corpo é um espaço de poder e, é possível dizer, uma das formas mais eficientes que possuímos de nos posicionar perante os conflitos sociais.
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