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sábado, 8 de março de 2014

Um poema - Nei Duclós


ESTRELA BREVE






Nei Duclós


Não estarei aqui
quando houver conforto
Nasci para arar o deserto


Cacto em campo morto
água que não pedi
carta em sinais na pedra


Ruído na estrela breve
rota que desaprendi
canais de Marte


Chego coberto de pó
és do teu sonho coberta
pássaros no teto


Só a solidão nos recebe
fonte remota
quarto em cama de cedro


Onde estou é o lugar errado
nasci por acaso
inventei ser parte de ti


Bodas do amor provisório
mãos que se acertam
colibri em voo cego


http://outubro.blogspot.com.br/2014/03/estrela-breve.html

terça-feira, 4 de março de 2014

One For My Baby - FRANK SINATRA -


TOP 5: MÚSICAS PARA TRANQUILIZAR A ALMA


Penso que música é nada mais, nada menos, que o reflexo da nossa alma ou do nosso estado de espírito. O poder da música pode nos fazer ter ânimo para encarar mais um dia de trabalho, superar os limites do corpo em alguma atividade física ou, simplesmente, te levar para lugares nunca visitados em territórios da mente. Aqui, compartilho cinco canções que podem tranquilizar a alma.

disco.gif
Foto: Reprodução / Tumblr
Nesta lista amena, começo com a trilha de um filme simples, mas que possui uma atmosfera que é fácil contagiar-se. Drive é um filme dirigido por Nicolas Winding Refn e tem no elenco os atores Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Ron Perlman, entre outros. A trilha inteira desse filme é sensacional, todas as músicas são excelentes, mas para esta lista trouxe a música Nightcall feita por Kavinsky & Lovefoxxx. Confira:


Ainda falando sobre trilha de filmes, em quarto lugar trago uma canção de um filme que sou fã declarado e traz uma história incrível baseada em fatos reais, é uma das canções do filme Na Natureza Selvagem. Toda feita por Eddie Vedder (vocalista do Pearl Jam), a trilha passeia sobre todas nuances retratadas no filme e traz consigo a essência que é contada na história, o que gera um casamento sensacional de imagens e música. Curiosidade que Eddie Vedder aceitou o convite do diretor Sean Penn para fazer a trilha sonora, antes de saber qualquer coisa sobre o longa. Deixe-se tranquilizar e, quem sabe, desbravar o mundo com a canção Hard Sun:

'There's a big A big hard sun'
Em terceiro lugar, compartilho uma música de uma banda que sou deveras fã por motivos simples de que eles são da minha cidade (São Luís/Maranhão), já tive oportunidade de dividir palco em tributo ao Deftones com eles e acompanhar de perto a evoluções deles. Além disto, eles conseguem levar a sério a essência do poder da música ao transpor ideias, pensamentos e experiências em composições letras praticamente transcendentais. Com vocês, a música Reach Out The Sun da banda Soulvenir:


Em segundo lugar, trago uma banda que passeia entre o caos e calmaria em suas composições. A banda Deftones, oriunda dos EUA, surgiu com uma proposta de levar o bom New Metal, mas que no decorrer de sua carreira foi encontrando sua identidade e hoje possui um som bastante próprio e, em algumas canções, tranquilizadoras. Deixe-se viajar nos vocais de Chino Moreno, notas suaves e vídeoclipe com imagens sensacionais de Sextape:

‘The sound of the waves collide’
E pra fechar este Top 5, trouxe um som diferente dos demais. Com letras no bom português desse Brasil, compartilho uma banda que evoluiu de maneira incrível, tanto nas ideias, quanto nas composições. A banda carioca Forfun surgiu com uma proposta de levar um Hardcore, mas com o passar dos anos e experiências resolveu assumir uma identidade cada vez mais positiva, crítica e sensata sobre como devemos nos portar e observar o mundo que nos rodeia:

'Observo a mim mesmo em silêncio, porque é nele onde mais e melhor se diz'
Enfim, esta lista tem como objetivo uma tentativa de levar canções para tranquilizar a alma, como o próprio título sugere. Caso vocês tenham outras opções, compartilhem nos comentários e, quem sabe, surgir uma parte dois de músicas tranquilizadoras.


© obvious: http://lounge.obviousmag.org/faiscas/2014/02/top-5-musicas-para-tranquilizar-a-alma.html#ixzz2v33k49Qc 

domingo, 2 de março de 2014

despertar com poesia....



Assim me perguntaste,
assim te respondi:
tudo é paixão.

Como não lamber
da tua pele, o mel
que o desejo fabrica?

E como a minha boca
não recolher o néctar
da tua boca?

Ou como não sorver
das tuas mãos o pólen
da ternura?

E se, em vez de paixão,
for sexo apenas,
ou loucura?

Pode até não ser amor.
Mas, seja o que for,
não é pior.

Joaquim Pessoa
in “Ano Comum”.





sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

QUANDO O CARNAVAL CHEGAR



carnaval

Eis que chegou: festa pagã, de rua, onde, durante dias (que parecem infindáveis), as pessoas dançam, bebem, brincam & vestem suas fantasias.

a gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho, para fazer a fantasia de rei, ou de pirata, ou jardineira. a gente se guarda para quando o carnaval chegar.

eu acredito, piamente, que a gente se desnuda mais quando mascarado. eu acredito, piamente, que a gente se revela mais quando acobertado. eu acredito, piamente, que a gente se mostra mais quando fantasiado.

as fantasias mais revelam que escondem.

na verdade, fantasiados, sentimo-nos livres para realizar desejos encobertos. o que fica guardado durante o ano inteiro, no carnaval, revela-se, ganha destaque, e tudo através das fantasias.

a gente se guarda, o ano inteiro, por um momento de sonho, para fazer a fantasia, para quando o carnaval chegar.

paradoxalmente, é no carnaval, travestindo-se, mascarando-se, que o corpo & o rosto estão mais expostos, mais limpos, mais nus.

revelamo-nos mais nas fantasias do que na realidade pura & dura.

a realidade pura & dura é quem nos põe as máscaras, máscaras utilizadas todos os dias, no convívio social.

nas fantasias, revelamo-nos mais porque, nelas, cabem desejos encobertos que permitimos vir à tona somente por causa das máscaras, somente por causa da maquiagem exagerada, caricatural, somente por causa dos personagens encarnados. e com a grande desculpa na ponta da língua: “quem realiza não sou eu, é a personagem. quem quer, quem deseja, é a personagem, quem age é ela, não sou eu”.

então tá bom…

vamos revelarmo-nus!

um ótimo carnaval para quem a carne é de carnaval!

beijo todos!
paulo sabino.

http://prosaempoema.wordpress.com/
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(do livro: Tantas palavras. autor: Chico Buarque. editora:Companhia das Letras.)


QUANDO O CARNAVAL CHEGAR



Quem me vê sempre parado, distante
Garante que eu não sei sambar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando
E não posso falar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e
não posso pegar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo
Molhado de maracujá
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando,
………………………………………….[pensando
Que eu vou aturar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que
.................................................[eu vá revidar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra
.................................................[gente cantar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem
.................................................[dera gritar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Quando o carnaval chegar. gravadora: Universal Music. artistas: Chico Buarque /Nara Leão / Maria Bethânia. canção: Quando o carnaval chegar. autor & intérprete: Chico Buarque.)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Paco de Lucía, el genio flamenco

MIGUEL MORA 26 FEB 2014 



El guitarrista Paco de Lucía en el Festival Leyendas de la Guitarra (1991). / RODRÍGUEZ APARICIO

Tocaor estratosférico, compositor fecundo e imaginativo, tímido pero sublime e infatigable embajador de la cultura española, Paco de Lucíafue un músico universal, el guitarrista que refundó el toque flamenco y lo subió a las más altas cimas artísticas haciéndolo crecer y evolucionar y mezclándolo con otras músicas de raíz, como la bossa nova, el jazz o el blues, a las que él llamaba “las músicas de la nevera vacía”.

Payo de nacimiento, pero gitano de alma, Francisco Sánchez Gómez,que ha fallecido repentinamente en una playa de México a los 66 años,aprendió a rasguear la guitarra por pura necesidad, al mismo tiempoque empezaba a hablar, cuando vivía en el barrio caló de Algeciras, La Bajadilla. “Estábamos hambrientos y mi padre no sabía qué hacer para sacarnos adelante”, solía contar. “Los flamencos, como todos los músicos de las músicas de raíz, siempre hemos tenido la nevera vacía”.

Su madre portuguesa, Luzia Gómez, dio nombre a la estirpe. Y su padre,Antonio Sánchez, fue el férreo y emprendedor productor que supervisó la carrera y la revolución flamenca que Paco de Lucía, solo y sobre todojunto a su inseparable Camarón de la Isla, cantaor legendario, montó en los años sesenta y setenta al despachar una decena de discos que marcarían el futuro del flamenco.

Antes de eso, Paco de Lucía fue Paco de Algeciras y formó con su hermano Pepe de Algeciras, luego Pepe de Lucía, dos años mayor que él y cantaor de gran calidad, el dúo Chiquitos de Algeciras, que rompió el molde en un concurso flamenco celebrado en Jerez en 1962. El tocaor de pantalón corto regresó a casa con un premio especial del jurado y un sobre con 4.000 pesetas.



Paco de Lucía, en el Festival de Jazz de Vitoria de 2004. / RAFA RIVAS (AFP)

Contratados por Antonio el Bailarín, los Chiquitos rodaron una película y grabaron varios discos. Enseguida, el mexicano José Greco les echó el ojo y se los llevó de gira a México, África, Australia y Estados Unidos. El flamenco volvía a tomar Nueva York después de que lo hicieran, en plena Guerra Civil, La Argentinita, Pilar López, Sabicas y Carmen Amaya.

En 1966, Paco se enroló en la compañía de Antonio Gades para unagira americana en la que interpretaban la Suite flamenca; allí descubriría el comunismo, la golfería flamenca, Brasil y la bossa nova, que tanto le ayudó a dar un aire nuevo y nuevas armonías al flamenco. Su manera de tocar la guitarra, con las piernas cruzadas y una gran colocación de las manos, volvía locos a sus colegas, según le contó el guitarrista Emilio de Diego a José Manuel Gamboa en un memorable relato: “Paco me hacía cosas maquiavélicas muchas veces, el cabrón. Es que era un monstruo, pero de verdad. Empezaba a hacer cosas que están prohibidas anatómicamente, guitarrísticamente, musicalmente; prohibidas para todos, menos para él”.

Paco —siempre fue solo Paco para sus compañeros de profesión y su legión de seguidores— había aprendido a tocar oyendo en directo a su hermano mayor, Ramón de Algeciras, que acompañó a los mejores cantaores de la época, y escuchando las viejas grabaciones de Ramón Montoya y de Sabicas, a quien conocería en el restaurante Granada deNueva York cuando se marchó de gira por Estados Unidos siendo todavía un adolescente imberbe.

Desde América, el gran Sabicas se convirtió en su maestro por correspondencia. La gran influencia en casa fue Manuel Serrapí, El Niño Ricardo, otro prodigio de las seis cuerdas que se quedó en España. El autodidactismo era forzoso en aquellos tiempos. Paco solía recordar que en los tiempos más duros, “los guitarristas se ponían de espaldas cuando tocaban una falseta para que los jóvenes no se las copiaran”.

Tras dar varias vueltas al globo, probar por primera vez a tocar jazz flamenco con Pedro Iturralde y grabar La guitarra fabulosa de Paco de Lucía en 1967, iba a nacer la pareja que cambió para siempre el destino del flamenco, reducido en aquellos años a la categoría de folclore nacional por el régimen franquista y a reducto minoritario y casi insufrible por los interminables y polvorientos festivales andaluces.


El dúo Paco-Camarón fue una fulguración, un momento fundacional para la historia moderna del flamenco y un hito sureño para la música popular contemporánea.

El dúo Paco-Camarón fue una fulguración, un momento fundacional para la historia moderna del flamenco y un hito sureño para la música popular contemporánea. Era 1969, el año en que el hombre llegó a la Luna. De repente, dos jóvenes paupérrimos y semianalfabetos, hijos de la España aniquilada, resucitaron el arte que Falla y Lorca habían dado a conocer al mundo durante la Edad de Plata. Su revolución formal y técnica universalizó por segunda vez la maltratada música flamenca.

Nacidos, no podía ser de otra forma, en la República de Cádiz, uno en Algeciras y el otro en San Fernando, los dos genios flacos llevaban dentro el mismo patrimonio genético artístico y compartían pasiones y virtudes: afinación, invención, una insolencia muy bien educada y buen gusto musical. Grabaron juntos, entre 1969 y 1979, nueve discos magníficos, irreprochables, llenos de fantasía y de creatividad, mezclando nuevas composiciones y géneros inventados como la bambera, con un absoluto respeto —mal comprendido por los puristas— al repertorio heredado.

La imaginación y la magia eran tan abrumadoras que no había hueco para el relleno, y la ironía es que cuando hizo falta rellenar, como fue el caso de Entre dos aguas, una rumbita incluida a última hora por Paco en su disco Fuente y caudal (1973), el descarte se convertía en pelotazo. Gracias al ojo comercial de Jesús Quintero, Entre dos aguas apareció como un símbolo de la recobrada vitalidad y del nuevo virtuosismo de un arte muy mal visto por el público y las instituciones. 1975, el año del cambio histórico, arrancó con Paco de Lucía en el número uno de las listas de ventas: el LP despachó más de 100.000 copias y el single, 300.000.

Cada cante de Camarón y cada toque de Paco eran oro molido. Su mezcla, la mejor simbiosis nunca oída entre una garganta y una sonanta desde Antonio Chacón y Ramón Montoya. La separación fue traumática, pero sin exagerar. Camarón grabaría en 1979 con Tomatito La Leyenda del tiempo, el disco que dio un salto mortal rockero al flamenco. Y Paco de Lucía retomaría sin mayores problemas su carrera de concertista, en solitario o en compañía de otros.



Paco de Lucía en su gira 'Cositas buenas', en Málaga (2005). / R. MARCHANTE

Tras grabar discos y solos dedicados a clásicos como Falla, Albéniz, Rodrigo o Sabicas, el de Algeciras dio recitales en el Real, La Zarzuela y los mejores teatros del mundo. En 1980 se registró el histórico Friday Night In San Francisco con las guitarras acústicas y eléctricas de John McLaughlin y Al di Meola; y ese mismo año Paco creó el Paco de Lucía Sextet, la formación que durante dos décadas llevaría por el orbe la marca del mejor flamenco mestizo, con instrumentos como el cajón peruano, y de la España más talentosa. Sólo quiero caminar (1981),Live... One Summer Night (1984) y Live in America (1993) siguen siendo hoy referencias imprescindibles.

Oír tocar a Paco de Lucía era un fenómeno entre místico e incomprensible; parecía como si dentro de la guitarra llevara metida una orquesta sinfónica y un Beethoven jibarizado. Fuera del escenario, el Premio Príncipe de Asturias de las Artes 2004, primero y único de la historia concedido a un artista flamenco, era un hombre tímido, bromista, anárquico y sencillo.

Tras 40 años de magisterio indiscutible, miles de conciertos y de espectadores asombrados, veintitantos discos y algunos exilios y silencios, el Príncipe de Asturias supuso el gran reconocimiento que su país le debía a Francisco Sánchez. El premio, como él mismo se apresuró a decir, tenía más de un destinatario. Primero, el flamenco, esa música ninguneada por políticos, programadores y otros sordos con mando en plaza. Y segundo, don José Monge Cruz, Camarón de la Isla, cómplice en las tomas de la Bastilla flamencas: “Si me hubieran dado el premio estando él vivo hubiera impuesto de alguna forma que él viniera, lo hubiera compartido con él, me hubiera dado vergüenza ganarlo yo solo”, declaró el guitarrista a este diario.


Oír tocar a Paco de Lucía era un fenómeno entre místico e incomprensible; parecía como si dentro de la guitarra llevara metida una orquesta sinfónica y un Beethoven jibarizado

Algunos desaprensivos habían intentado enfrentar a Paco con la familia de su amigo a la muerte de este, en julio de 1992, acusando a los Sánchez de haber cobrado derechos de autor que pertenecían a Camarón. La injusta bronca no consiguió terminar con el cariño y la admiración que el tocaor, cantaor frustrado —“el guitarrista que mejor canta soy yo”, decía—, profesó siempre a Camarón. En 2004, al grabarCositas buenas, su disco número 26, Paco de Lucía recuperó con Javier Limón una vieja bulería del genio de la Isla e invitó a Tomatito a meter su guitarra. Y luego contó: “Los dos llorábamos como tontos oyendo cantar a José. ¡Parecía que estaba vivo y acababa de bajar a tomar un café!”.

Casado dos veces, la primera en 1977, en Ámsterdam, con Casilda Varela, hija del general franquista que culminó la toma de Madrid; y la segunda con Gabriela, una mujer mexicana, Paco de Lucía fue huyendo del ambiente noctívago del flamenco a medida que iba cumpliendo años. Y lo explicaba así: “La noche fue muy importante en una época, nos íbamos a una venta, comíamos un pollo, bebíamos vino y pasaban cosas mágicas. Ahora hay un sentido de la competitividad muy fuerte, la gente se pone muy tensa... La droga ha influido mucho en eso. La cocaína pone a la gente muy nerviosa”.

Entre gira y gira, ya con la nevera llena, el tocaor pasaba largas temporadas en sus casas de Mallorca, Toledo y Tulum, la playa de la península de Yucatán (México) donde solía bucear y donde ayer le visitó la muerte. En los últimos meses, tocó y residió también en Cuba.

La noticia de su fallecimiento prendió como una mecha entre los melómanos y aficionados de todo el mundo. Los diarios internacionales más importantes le dedicaron amplios espacios en sus webs. El fotógrafo suizo-francés René Robert, que retrató al músico docenas de veces en concierto, dijo: “Es un momento duro, se ha muerto demasiado joven. Pero es lógico que le haya fallado el corazón: pese a la aparente facilidad con que tocaba, su arte requería de una concentración extrema, y tratar de mejorar siempre lo anterior debía causarle mucho estrés”.



Paco de Lucía, en un concierto en Paris Grand Rex de 2007. / STEPHANE DE SAKUTIN (AFP)

Maestro primordial, junto al fabuloso y recién retirado Manolo Sanlúcar, de una generación de inmensos guitarristas —Vicente Amigo, Gerardo Núñez, Cañizares, Rafael Riqueni, y tantos otros—, la talla de Paco de Lucía fue reconocida por los mejoresmúsicos de su tiempo. Enrique Morente, que lo admiró en la distancia, dijo esto de él: “Lo ha sido todo. Un gran intérprete y un gran creador de maneras y formas. Y de música también”.

Pero Paco de Lucía siempre procuró restar importancia a su gigantesca figura. Una escena de un documental que emitió TVE, rodada en su casamexicana, en la que aparecía tumbado en una hamaca, resume bien ese intento, fallido, y su humor inteligente: “No se crean nada, lo que hacemos los artistas es estar tirados todo el día”, decía. “Los músicos somos unos chaneladores [cuentistas] que siempre estamos con el rollo de la angustia. El artista sufre, sí, pero más sufre un albañil subido en un andamio de seis pisos un 8 de enero. O Bach, que estaba siempre tieso y cada semana tenía que componer una fuga para la catedral de Leipzig. Y sin calefacción ni comida. Y Van Gogh, el pobre, siempre pelao, y sin oreja. Y hoy los artistas nos creemos algo, unos fenómenos...”.

http://cultura.elpais.com/cultura/2014/02/26/actualidad/1393426383_691930.html


Paco De Lucia - Tico Tico (Complete Video)


Paco de Lucia - Entre dos aguas (1976) full video


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Retratos da cidade, Salvador-BA, no traço de Carybé




No seu quase meio século de vivência na Bahia Carybé documentou tipos humanos à maneira de um repórter, descrevendo com cores vibrantes, numa plástica leve e solta, os habitantes da cidade do Salvador. Foi um repórter das artes plásticas voltado para o homem em toda a sua expressão social: os seus cultos, as festas populares, situações de trabalho e lazer. O traço de Carybé fixou pescadores, prostitutas, lavadeiras, capoeristas, estivadores, mães e filhas de santo, personagens históricos, homens e mulheres do povo e orixás.

Carybé não foi um retratista, porém, algumas de suas obras, raras num contexto de centenas, nos revelam facetas da cidade que ora comemora 464 anos de sua fundação: a Bahia antiga, referência de cartão postal para os visitantes e orgulho dos soteropolitanos. Foi em 1941, quando o artista já tinha visitado a terrinha em duas ocasiões, que Carybé nos brindou com a sua primeira obra documental: um óleo sobre tela que denominou de “Rio Vermelho de Baixo” e revela os casarios do local e na perspectiva que se abre para o mar os morros da Fonte do Boi.


Em 1950 o artista fixa residência definitiva em Salvador e nesse ano nos brinda com dois trabalhos documentais. Um deles é “A Louca dos Cachorros”, pintura em guache que retrata o Largo do Cruzeiro de São Francisco no Pelourinho/Terreiro de Jesus com os seus sobrados em volta que Carybé representou com cores sombrias. O outro é um detalhe do magnífico painel da Panorámica de Salvador realizado com a têcnica de têmpera de ovo sobre parede. O traço do pintor argentino valorizou no contraste de cores o Elevador Lacerda, Igreja da Conceição e o Palácio dos Governadores; mas também detalhou na perspectiva o Mercado Modelo antigo, a cúpula da Igreja de São Bento e o prédio do Paço Municipal, dentre outros monumentos.


Duas décadas após, 1973, Carybé pinta a série das mulatas grandes, oléos sobre tela. Numa delas destaca a Catedral, na outra (a primeira ilustração e destaque deste post) o artista retratou os prédios da Praça Cayrú e se permitiu imaginar construções carcaterísticas do Pelourinho no local, à beira mar, onde um saveiro compõe as cenas dos pecados da noite que emergem no contexto de festa. Em 82 o artista retratou o Pelourinho, pintura documental mesmo, no quadro denominado “Maciel de Baixo”, tela pequena de 50 x 35cm, produzida em vinil. Com o detalhe que não escapa ao observador da escadaria na porta do brega.


Antes, em 1978, o artista criara uma de suas obras primas, com o concurso de várias técnicas e estilos, o magnífico painel encomendado pelo Baneb, hoje Bradesco, intitulado “Fundação da Cidade do Salvador”. Na foto deste post, apenas um detalhe do painel, emerge o documental das cidades alta e baixa, vistas do mar, num insigth criativo que ressalta as caravelas do tempo de Thomé de Souza, em meio aos saveiros e a alegria do baianos caracaterística nas suas festas populares no mar.




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