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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

VÁ À MATINÊ


O MELHOR CONSELHO DO MUNDO: “QUANDO TIVER UM PROBLEMA SEM SOLUÇÃO, VÁ À MATINÊ”


 
por Geneton Moraes Neto |

O cansaço deixou marcas no rosto de Gabriel García Márquez: os olhos estão vermelhos, os cabelos desgrenhados são uma moldura perfeita para o tédio que se desenha em cada sulco da face, a camisa branca exibe marcas de suor nas axilas. São 11 e 45 da noite.
A fama cansa. Deixe-me em paz. Quero dormir – é o que diria, se quisesse ser brutalmente franco com o repórter que o importuna neste fim de noite.
Se pudesse escolher, García Márquez estaria dormindo o quarto sono agora. Mas o Prêmio Nobel é homem de palavra. Cumpre a promessa feita horas antes : depois de passar a tarde inteira falando a estudantes de cinema sobre os segredos da criação literária, como se os talentos da imaginação pudessem ser transmitidos numa sala de aula, ele chega sozinho à recepção deste hotel de terceira categoria em Havana.
Desaba o peso do corpo sobre uma poltrona vagabunda. Acende um charuto. Aceita com um meneio de cabeça a oferta do garçom : um copo de água mineral.
GGM acha que qualquer tempo concedido a repórteres é puro desperdício. Mas aceitara dar uma entrevista desde que o assunto não fosse literatura. Por imposição do entrevistado, o único tema permitido em nossa conversa seria o mais improvável e aparentemente mais desimportante de todos os assuntos por ventura merecedores de menção num diálogo com um prêmio Nobel de Literatura : o fascínio que as matinês de cinema exercem sobre ele até hoje.
Como todo grande escritor conquista o direito de exercitar pequenas excentricidades sem precisar dar explicações aos intrusos, GGM também determinou com antecedência o número de perguntas: somente seis. Nada além. Número cabalístico ? Jamais se saberá. Não pude perguntar. Não era este o assunto da entrevista.
Eis as descobertas de Gabriel García Márquez sobre as matinês:

1

Por que o senhor considera as matinês tão fascinantes ?
“À hora da matinê – uma palavra francesa metida a empurrões no castelhano – ,no interior dos cinemas, respira-se uma atmosfera lúgubre. Parece que os passos ressoam menos no piso atapetado, mas a verdade é que os que assistem à sessão das três procuram, inconscientemente, passar despercebidos. “É o sentimento de culpa da matinê”, já disse alguém, definindo dessa maneira a atmosfera de mistério e clandestinidade que têm os cinemas às três da tarde”

2

O que é que diferencia, então, o frequentador de matinês dos das outras sessões ?
“Um cinema à hora da matinê se parece a um museu. Ambos têm um ar gelado, uma quietude funerária. E, entretanto, é a hora preferida dos verdadeiros cinéfilos. O verdadeiro cinéfilo vai ao cinema sempre sozinho. Senta-se invariavelmente nas laterais da sala. Não mastiga chiclete nem come qualquer tipo de guloseima. Não lê jornais nem revistas, pois permanece nas nuvens, concentrando a tela com ar de concentrada estupidez até começar a projeção”

3

Pelo que o senhor conseguiu observar no escuro, como é que este cinéfilo se comporta depois de iniciado o filme ?
“Desaperta o cinto, desamarra os cordões dos sapatos e o nó da gravata e trata de apoiar os joelhos ou pôr os pés no espaldar da poltrona dianteira. Cinco minutos depois de começada a a projeção, pode estourar uma bomba no cinema que o verdadeiro cinéfilo não se dará conta”

4

Mas não é possível que as matinês sejam povoadas somente por cinéfilos fanáticos. Quem é, então, que faz companhia a eles ?
“Vai também à matinê aquele a quem o cinema não tem a menor importância. É muito provável que a clientela das matinês diminuiria sensivelmente se os colégios secundários fossem fechados. Os estudantes que comumente vão ao cinema em grupos não têm outro interesse além de se refugiar em lugar seguro enquanto as aulas passam”.

5

O fato de estudantes se refugiarem nas matinês para escapar das aulas explica o ar de estranha clandestinidade dessas sessões de cinema ?
“Como todos nós o fizemos alguma vez, é também muito provável que essa seja a origem do “sentimento de culpa” e da sensação de clandestinidade de que nós, adultos, padecemos na matinê. Devido a esse pequeno público, um cinema às três da tarde é o lugar mais seguro para um encontro escondido, para os amores secretos – por qualquer motivo – e para fugir a uma obrigação inadiável”.

6

Qual foi a melhor definição que o senhor já ouviu sobre as matinês ?
” “Quando tiver um problema sem solução, vá à matinê´´, dizia, há algum tempo, o gerente de uma importante empresa ao chefe de relações públicas : na quarta-feira da semana seguinte, eles se encontraram à saída de uma matinê”.

Meia-noite e meia. Gabriel García Márquez disfarça o bocejo, mas, dois minutos depois, emite um suspiro de cansaço e impaciência, como a dizer que chega, basta, já tinha dito o que queria sobre o mistério das matinês, um assunto mais importante do que todas as inúteis teorias literárias.
Despede-se com um aperto de mão pouco convincente. Em vinte segundos, desaparece de vista, na penumbra de um corredor de hotel mal iluminado nesta noite de julho em Havana.

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(*) PS: Tanto os encontros com Gabriel García Márquez em Havana quanto as perguntas da entrevista são imaginários : um exercício de realismo mágico amador. Mas as divagações de García Márquez sobre as matinês são verdadeiras : foram extraídas do texto “Por que você vai à matinê ?”, publicado no livro “Textos Andinos” (Editora Record)

http://g1.globo.com/platb/geneton/2009/09/16/o-melhor-conselho-do-mundo-quando-tiver-um-problema-sem-solucao-va-a-matine/

um dia como nenhum...

Sabe um dia sem cor, sem sabor, sem aroma, aquela vontade de vomitar todas as horas, como se elas não entrassem no roteiro da vida? Sabe aquela vontade de arrancar o coração da caixa do peito para que ele possa respirar? Sabe quando a cabeça não registra nada, parou, pifou, deu defeito ou tá oca? Sabe o que é pensar que haverá amanhã e depois, e depois, outros dias, que podem ser iguais a este?
Pois, Eu sei!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

quando o amor acontece - João Bosco

Encontro de gigantes

Exposição de Pixinguinha resgata documentário sobre a parceria do compositor com o poeta Vinicius de Moraes


extra-pixinguinha
 
O longa Nós Somos um Poema, produzido pela própria curadora da exposição, recupera esta histórica parceria entre os dois gigantes da música brasileira.
 
Um dos maiores mestres do choro terá sua trajetória exposta na mostra Pixinguinha, em Brasília, de 13 de março a 06 de maio. Fotos, documentos e vídeos preencherão doze salas do Centro Cultural Banco do Brasil, idealizadas pela pesquisadora Lu Araújo, com o neto do artista, Marcelo Vianna, e o maestro Caio Cezar.
Um dos espaços será dedicado ao filme Sol Sobre a Lama, longa dos anos 60, dirigido por Alex Viany. Na época, o cineasta convidou Pixinguinha e Vinicius de Moraes para compor a trilha sonora. Assista ao documentário Nós Somos um Poema, produzido pela própria curadora da exposição, que recupera essa histórica parceria entre os dois gigantes da música brasileira.




"In Memoriam"

Esperanza Spalding gets her 'moment' at the Oscars

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Photo of Esperanza Spalding onstage at the Academy Awards by Matt Brown / AMPAS EPA

As exhibited by the montage of actors swooning about how much they love movies, the Academy Awards aren't known for their subtlety. And yet, during Sunday night's "In Memoriam" segment, which in the past has been televised as a grief-by-applause-meter tribute, the academy put together a genuinely affecting moment thanks to a delicate performance of "What a Wonderful World" by last year's Grammy winner for new artist, Esperanza Spalding.
While a few Twitter commenters couldn't help noticing that yet again Spalding -- and by implication, jazz -- was confined to background music (a reference to the Grammys' puzzling decision to only let her perform at the 2011 telecast as part of a high school ensemble while Neil Portnow and "Glee's" Matthew Morrison spoke), this was another high-profile moment when the singer-bassist had an opportunity to shine, and she seized it with an understated grace.
With her Grammy follow-up album "Radio Music Society" due next month, this performance served as an elegant reminder of her talents -- as far afield from a Louis Armstrong ballad as they may venture outside Oscar's orbit.

Listen to Spalding's Academy Award performance backed by the Southern California Children's Chorus in a YouTube stream after the jump, and ask again if the Grammys really should've honored Justin Bieber.




-- Chris Barton
 http://latimesblogs.latimes.com/music_blog/2012/02/esperanza-spalding-gets-her-grammy-moment-at-the-oscars.html

Chorei


E aí eu comecei a chorar.
Chorei porque o email era tão doce.
Chorei porque não havia palavra, nem minha nem sua, sendo dita.
Chorei porque a alma fez um silêncio tão pleno que eu não me cabia mais em mim.
Chorei pra sair de mim, daqui, do tempo.
Chorei sentindo o cheiro do riso, do sabor, das cores variadas ali, tão perto, além do espelho que me separa dessa eu que sei melhor que aquela ali, de olhos molhados.

Retrato em Branco e Preto (Chico Buarque)



Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

What Happened to Best Original Song?


Ethan Miller
           
Only two songs -- "Man or Muppet" from "The Muppets" and "Real in Rio" from "Rio" -- received nominations Tuesday morning, shutting out Elton John's work on "Gnomeo & Juliet," Pink's song in "Happy Feet 2" and Zooey Deschanel's track from "Winnie the Pooh." Madonna's song from "W.E." had already been ruled ineligible.

Unlike other categories, song nominees are determined by voting members of the music branch who watch sections of films where songs are played and nothing else. Since instituted, it has resulted in performance clips and animated songs being nominated but no end credit or background songs.

Voters assign each song a numerical score between 1 and 10, and if no song receives an average of less than 8.25, there are no nominees. If only one song tops the threshold, as clearly happened here, the next highest vote getter secures a nomination as well.

The music branch voters chose to honor Bret McKenzie of Flight of the Conchords for his Jason Segel-sung "Man or Muppet" and the songwriting trio of Sergio Mendes, Brazil's Carlinhos Brown and Siedah Garrett.


70-year-old Sergio Mendes told Billboard early last year, "Rio" was the first film for which he had specifically written music. Brown is a significant star back in Brazil whose music has been released in the U.S. by EMI.


The other music category had its surprises, too, specifically two nominations for composer John Williams, the seventh time he has been double-nominated in a category, most recently in 2005 for "Munich" and "Memoirs of a Geisha." When he has been double-nominated, he has only won once, for "Star Wars" in 1977.


Williams, a five-time winner, was nominated for his music in "The Adventures of Tintin" and "War Horse," and will go up against Ludovic Bource ("The Artist"), Howard Shore ("Hugo") and Alberto Iglesias ("Tinker Tailor Soldier Spy"). Shore has won three Oscars for his work on "Lord of the Rings" films; Iglesias has two previous noms and no wins; and Bource, whose score for "The Artist" won Best Score at last week's Golden Globes, is a first-time nominee.

The score nominees are all traditional, orchestral scores. Last year, Trent Reznor and Atticus Ross' electronic score for "The Social Network" shook up the Academy's traditional bent, but there was no second chapter, as their work on "Girl With the Dragon Tattoo" did not make the cut. "Extremely Loud & Incredibly Close" and "Moneyball" are score-heavy films up for best picture that did not secure music noms.

http://www.billboard.com/news/bret-mckenzie-s-man-or-muppet-wins-best-1006287752.story#/news/oscar-analysis-what-happened-to-best-original-1005966952.story

 

André Setaro, "um cinéfilo", "um comentarista", "um claudicante blogueiro"

Profile PictureO grande jornalista baiano Cláudio Leal, agora navegando em searas paulistas na redação do Terra Magazine, deu-me a honra de um perfil único sobre a minha pessoa quando do lançamento de meu livro Escritos sobre cinema. Não resisto a transcrever o que ele escreveu na revista eletrônica da qual é um dos editores. Não mereço tantos apupos e longe de mim querer me comparar ao grande ensaísta Walter da Silveira, que foi o maior de todos os tempos na Bahia de sempre. Sou apenas um cinéfilo, digo e repito. Um comentarista, se se quiser mais. O texto, porém, é um exemplo de estilo e de argúcia, e a sua leitura, não por mim, bem entendido, mas pela maneira de Cláudio Leal articular a sintaxe da língua pátria ao descrever a figura de um simples mortal. Com os anos de experiência que tenho, no sentido de estrada, de quilometragem rodada, posso dizer que muitos críticos são arrogantes e o exercício da crítica muitas vezes é um exercício da arrogância. Volto-me a Aliocha de Os Irmãos Karamazov. Eis o texto claudiolealiano, que, considero o melhor artigo que foi escrito acerca deste claudicante blogueiro.

André Setaro


O Negativo da Memória

Cláudio Leal

Eisenstein me perdoe”. André Setaro dedilha um cigarro do bolso da camisa. “Não aguento mais rever o Encouraçado Potemkin. Quando aparece aquele marinheiro gritando com a mão na boca, eu já fico a favor dos oficiais”. Risos enevoados no parapeito da Faculdade de Comunicação (Ufba), em Salvador. “Apresento aos alunos: é uma obra-prima. E venho fumar aqui fora”. Barba de trotskista exilado, expressão rubra, a ironia apontada para dentro, Setaro profana o clássico soviético como quem esconde a devoção de quatro décadas a uma cachoeira de imagens.Os recortes de velhos artigos, empilhados em seu apartamento durante os anos de batucadas diárias na máquina Olivetti, se condensam nos três volumes de “Escritos sobre cinema – trilogia de um tempo crítico” (Azougue/Edufba). Esse patrimônio de coragem intelectual e de erudição ainda se sustenta numa dignidade rara nos ofidiários do jornalismo. Contra as vilezas provincianas, Setaro formou quatro gerações de leitores em sua coluna na Tribuna da Bahia, onde analisou os clássicos, as obras-primas nascentes, as pencas de lançamentos de Hollywood e, porque não é pecado, o corpo de Brigitte Bardot. Desde 2007 ele é colunista de Terra Magazine.
Fundador do Clube de Cinema, em 1950, o advogado e ensaísta Walter da Silveira iniciou a formação de uma cultura cinematográfica na Bahia, irradiada pelas sessões do Cine Guarany, onde fazia romaria o jovem Glauber Rocha. A partir da década de 1970, Setaro passou a cumprir essa missão, desta vez como solitário herdeiro da “responsabilidade humana e social” da crítica, defendida por Walter da Silveira. Ele superou o mestre no conhecimento da linguagem cinematográfica, da estética, da montagem, do “específico filmíco”: a sintaxe que move o cinema e o autonomiza diante de outras artes, a manipulação humana capaz de tornar Lillian Gish (a atriz dos filmes de D.W. Griffith) em algo mais que o regador dos irmãos Lumière.
André Setaro carregou o cinema aos bares de Salvador, no aprendizado de Jeniffer Jones e cerveja, de Luis Buñuel e cigarro, os “recuerdos” precedidos de uma sentença: “Concordo com Buñuel: o homem é a sua memória”.

De André Bazin, o extraordinário crítico do Écran Français e dos Cahiers du Cinéma, Setaro extraiu o rigor da análise e a certeza de que “todos os filmes nascem livres e iguais”. Bazin é um herói para os que amam o cinema, não somente por ter desbravado uma linguagem à procura de reconhecimento, mas também por salvar François Truffaut do desamparo de um reformatório. Num paralelo menos dramático, André Setaro salvou a nós outros, desgarrados do centro do Brasil, de uma ignorância monumental da história do cinema, nos tempos pré-download.
Dizia Truffaut, em 1955, que nenhum “enfant de France” sonharia em ser crítico de cinema quando crescesse (ele trataria de assassinar a própria frase). Em sentido contrário, os textos e a personalidade de Setaro estimulavam os alunos a ambicionar a ginástica da crítica. O resultado tanto podia ser um amontoado de pedantismos quanto o início de um interesse sincero pelo estudo do cinema. Setaro sabe identificar os dois tipos de alunos. Não concebe um espectador sem escolhas afetivas, impulsos, paixões. E assim exerce o jornalismo: devoto do papel, da tinta pregada nos dedos. Há quatro anos, infartado, ele convocou uma ambulância. A pontada mais violenta nasceria nos minutos seguintes, ao lembrar-se que seu artigo seria publicado, naquele sábado, no caderno cultural de “A Tarde”. Sob o risco de morte fulminante, desceu à banca de revista, pagou o jornal e subiu a ladeira para esperar o médico.
O relicário de paixões se enrosca no passado. Morte de Marlon Brando, em 2004. Passo uma semana à espera de sua coluna, e apenas silêncio. Telefonema: “Setaro, quando sai o necrológio?”. Brota uma voz macia: “Não consegui. Vou lhe dizer a verdade: ainda não me recuperei”. No hospital, outra vez infartado, ele aguarda uma cirurgia. Por desgraça astrológica, Antonioni e Bergman morrem no mesmo dia: 30 de julho de 2007. Peço aos amigos para lhe preservarem da tragédia. Entro no quarto, Setaro levanta a mão direita, inconsolável: “Bergman e Antonioni morreram!”. Um espírito de porco lhe dera a notícia por telefone.
“Godardiano” educado pelas leituras “antigodardianas” do crítico do Correio da Manhã, Antonio Moniz Vianna, Setaro sustenta o anúncio da morte do cinema. Melhor dizer: um certo tipo de cinema. Nenhuma de suas teses provoca mais irritação do que esta de enterrar o cinematógrafo. Se provocado, ele desdobra com a morte do humanismo, como fez numa conversa:
– O cinema que morreu, na verdade, é o dos grandes inventores de fórmulas. Cristalizada a linguagem cinematográfica em meados dos anos 60, a sintaxe se tornou estilo de cada realizador, sem contar, evidentemente, os artesãos que apenas ilustram um roteiro. A formação pelo cinema, a educação sentimental pelo cinema e a educação pelo cinema acabaram. Neste sentido, o de formador de público, o cinema está morto e enterrado.
Sem distanciar-se da imprensa, André Setaro carregou o cinema aos bares de Salvador, no aprendizado de Jeniffer Jones e cerveja, de Luis Buñuel e cigarro, os “recuerdos” precedidos de uma sentença: “Concordo com Buñuel: o homem é a sua memória”. Nas mesas, a arte estava inseparável dos fracassos da vida que poderia ter sido, e foi. Homem de obsessões machadianas, Setaro é essencialmente memorialístico. A crítica não ocorre em sua vida como um acidente, mas uma reflexão do seu desprezo ao tempo. Na forma silenciosa com que observa as pessoas, o desejo de retê-las para sempre.
A imposição da lembrança como prazer e dor, que o aproxima da obra de Alain Resnais, empurrou-o uma tarde à sua Marienbad, a casa da infância no bairro de Nazaré: reviveu o corredor imenso, as correntes e o cheiro do ar condicionado do Cine Guarany, o jambo da antiga Faculdade de Filosofia, a banca de Seu Paranhos, as árvores, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, a figura do Padre Lemos. A casa resistia, apesar das esquadrias de alumínio. Inspirado pelo escritor Pedro Nava, descreveu uma outra vez cada detalhe do antigo Cinema Pax, na Baixa dos Sapateiros. “Escritos sobre cinema” recompõe André Setaro no exercício da crítica e da memória. O que prevalece é a trajetória de um olhar, o mesmo que insiste em retornar aos corredores da infância, ainda inviolado pelo primeiro filme de Catherine Deneuve.
A imagem é do blogueiro reclamando com um dono de bar que o botou para fora por estar fumando seu cigarrinho.


novo endereço do blog:http://setarosblog.com.br/


O blogueiro sendo entrevistado


Uma entrevista feita comigo pela bela entrevistadora Sophia Mídian Bagues para a TV Ufba há dois anos atrás. Bato sempre na mesma tecla, embora digite em teclas variadas. De qualquer forma e de qualquer maneira, o Carnaval acabou e, como sou ateu, gostaria de dizer: Graças a Deus! O Carnaval baiano não existe mais como era no passado. Quem tiver paciência, ouça-me no vídeo.


Read more: http://setarosblog.com.br/#ixzz1nbATUt5R

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Oscar's Original Song Snub

'Rio's' Siedah Garrett on Oscar's Original Song Snub: 'People Are Not Happy'
Siedah Garrett Oscars - H 2012
Getty Images
Siedah Garrett at the 2012 Oscar nominees lunch in Beverly Hills

The Academy Award-nominated songwriter, best known for Michael Jackson's "Man in the Mirror," talks about this year's two-song contest and how "Real In Rio" came to life.

Songwriter Siedah Garrett has a 50 percent chance of winning an Oscar on Sunday night. Her nomination, for best original song for “Real in Rio” from the animated movie Rio, is one of only two compositions recognized by the Academy this year.
She’s not complaining, of course. The music slight on this year’s broadcast means more attention for her (and her competitor, Flight of the Conchords’ Bret McKenzie, who wrote “Man or Muppet” from The Muppets), even if it does enrage the music industry.
“I know that after this year, the rules are going to change,” Garrett, who is best known for writing Michael Jackson’s “Man in the Mirror,” tells The Hollywood Reporter. “There are a lot of people that are not happy with the way things are right now, even members.”
PHOTOS: 2012 Academy Awards: The Nominees
The rules she’s referring to are the Academy’s requiring that a song gather the majority of the members’ votes in order to be considered. It also must play an integral role in the film -- so Mary J. Blige’s “The Living Proof” from The Help and Madonna’s “Masterpiece” from W.E., both didn’t make the cut.
But “Real in Rio,” written by Garrett, with Sergio Mendez and Carlinhos Brown, was composed specifically with a scene in mind: the opener. “It had to represent the lushness of Rio, the birds, the animals, the architecture, the sights of Rio de Janeiro, not just the tourist spots,” says Garrett. “It’s a really rich culture and they have a fun, soulful spirit so it was my job to capture and marry that music with the scene.” Garrett likens an original song in a movie to that of a “third actor in the scene, because if often delivers emotions and ideas the characters in the scene can’t just overtly say.”
Neither of the two nominated songs will be performed on Sunday night, a disappointment to all who worked on the music, some for as long as several years. “I'm bummed about it, just like I was five years ago when I got to go to the Oscars and they stopped giving out the gift baskets,” Garrett, who was previously nominated for Dreamgirls, cracks. “I was really sick about that and now I won’t be able to perform with Sergio Mendes at the Oscars, it’s kind of crazy.”
VIDEO: Golden Globes 2012: Elton John's Husband Blasts Madonna's 'Best Original Song' Win
But that doesn’t diminish the excitement -- and anxiety -- that comes with just being there. “I don't really have a set idea of what I'm wearing yet and I've been running around picking dresses and shoes,” says Garrett, catching her breath. “But darling, trust me, I will be fab.”
Up next for Garrett: she hopes to make an encore appearance in Rio 2, which is currently being animated, she says, and is using a fan-funded model to finance a new album. Among the tracks she plans to include: an answer to her 1987 duet with Michael Jackson, "I Just Can't Stop Loving You," called “Keep On Loving Me.” Says Garrett: “It’s a tribute to a man that brought so much joy, entertainment, music, and energy to all of our lives, especially mine. It’s my thanks for him introducing me to the world, really.”

http://www.hollywoodreporter.com/news/oscars-original-song-rio-siedah-garrett-293947