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sexta-feira, 9 de março de 2012

Um filme para o Sabado



Obra crepuscular de um genial realizador, Billy Wilder, "Avanti!", que no Brasil pegou o subtítulo de "Amantes a italiana", realizada em 1972, talvez seja o que se poderia chamar de um filme-síntese do autor, o qual, aqui, estabelece variações em torno do tema do relacionamento amoroso em ritmo de uma verdadeira "viaggio in Italia". A genialidade do filme aflora a cada instante, com a 'escrita' wilderiana enxuta, enquadramentos perfeitos que se encaixam numa feliz união dos diversos elementos da linguagem cinematográfica em função do prazer, do prazer de ver um filme, da emoção e do riso que despertam nas situações bem resolvidas. Jack Lemmon é um típico executivo americano que vai a Ischia (Itália) buscar o corpo do pai, que morrera num desastre e que costumava passar, há décadas, o mês de férias nessa belíssima região da Itália ("A Itália não é um país, mas uma emoção", diz um dos personagens). Chegando, vem a saber, surpreso, que o pai falecera abraçado com a amante com a qual mantinha relações sempre que ia de férias. Surpresa maior para Lemmon é encontrar a filha dela (Juliet Mills), que também estava em Ischia para levar o corpo da mãe para a Inglaterra. Não precisa dizer que os dois, com a convivência, terminam por se apaixonar. Música de Carlo Rustichelli. Que fica nos ouvidos.


Avanti! is a 1972 American/Italian Comedy-Romance film produced and directed by Billy Wilder. The film starred Jack Lemmon and Juliet Mills. The screenplay by Wilder and I.A.L. Diamond is based on the 1968 play of the same title by Samuel Taylor.

This lovely soundtrack nails that 60's-foreign-Hollywood thing perfectly. Carlo Rustichelli came up with a delightful song-adaptation score, with his thematic use of such Italian standards as "Senza Fine" (famously sung by Connie Francis over Ernest Borgnine's transistor radio in 1965's "The Flight Of The Phoenix"). Rustichelli's swooning orchestra mixes with every rustic Mediterranean instrument (mandolin, accordion, harmonica...) you'd expect to hear from the an island off Naples, making AVANTI! a charming cross-pollination between a very Italian approach to romance, and the lush Hollywood needs of its English-speaking stars in a lovers' paradise, Ischia.

Amazingly, this great soundtrack has NEVER before been released in any form in any country (except the 1972 45rpm single "The Theme From 'Avanti!", United Artists UP 35605). This 2010 release was limited to only 1000 copies, by the way, the sound quality of the pressing is 5 stars as well!


Intimidade conquistada

 

 

Na Arábia Saudita, a revolução passa pela lingerie
por DORRIT HARAZIM
Difícil afirmar se a recente tomada de uma trincheira até então intransponível na Arábia Saudita também pode ser creditada à Primavera Árabe. Por decreto do rei Abdullah, e regulamentação do Ministério do Trabalho, todas as lojas de lingerie e cosméticos do país têm até junho para começar a empregar mão de obra exclusivamente feminina.
A novidade, que entrou em vigor neste início de ano, em nada se assemelha à virada de mesa provocada pelos povos da Tunísia, do Egito, Iêmen, Omã, Síria e outros quadrantes do norte da África e do Oriente Médio. Ainda assim, é uma revolução. Da intimidade. Vinte e oito mil candidatas já se apresentaram para vender calcinhas, sutiãs e, por tabela, sonhos sensuais a suas conterrâneas.
Até então, a mão de obra no setor era quase exclusivamente masculina e estrangeira – em grande maioria marmanjos asiáticos, imigrados legalmente. Isso porque, na versão mais fundamentalista da sociedade saudita, a mulher só pode conviver e falar com um grupo seleto de homens: pai, avô, tios, marido, irmãos e filhos. As cintilantes lojas de lingerie existentes em templos de consumo, como o Kingdom Centre, na capital Riad, simplesmente não podiam empregar atendentes mulheres.
Isso, por sua vez, levou a uma aberração ainda maior: cobertas da cabeça aos pés pelo hijab, obrigatório na Arábia Saudita, a elegante consumidora local muitas vezes acabava revelando suas medidas, curvas e predileções a homens desconhecidos. Não espanta que elas preferissem aguardar viagens internacionais para frequentar lojas de lingerie do circuito Elizabeth Arden. “A Marks & Spencer, de Marble Arch, em Londres, virou uma colônia saudita”, escreveu a consultora e professora de finanças Reem Asaad, da faculdade (só para mulheres) Dar Al-Hekma, de Jeddah.
“No ano passado, fui comprar calcinhas numa loja da minha cidade”, relatou Asaad ao Financial Times, “e encontrei todos os pacotes fechados, com uma tarja preta sobre a foto da modelo que vestia o produto. Impossível saber se aquela era a roupa que eu procurava. Escondi-me num canto da loja e furtivamente comecei a destacar a tarja para dar uma espiada. Fui prontamente interceptada por um vendedor apoplético: ‘Não faça isso, madame, vou acabar tendo problemas com a polícia religiosa.’ Obriguei o atendente a abrir o pacote e me mostrar seu conteúdo por inteiro.”
Apartir de agoranão será mais necessário comprar artigos íntimos de forma tão estressante. As grifes ocidentais já estão a postos para acolher o mulherio: sete lojas Victoria’s Secret operam nos países do Golfo, outras dez da grife Baci abrirão até 2016, e a Frederick’s, do grupo americano Hollywood, também implantará dez lojas em seis países da região. O último dado disponível, de 2010, detectou um mercado regional de roupa íntima feminina da ordem de 171 milhões de dólares.

novidade não veio de atropelo, por clamor popular. O decreto foi assinado pelo rei no longínquo ano de 2006, mas emperrou na objeção – frontal como um sutiã – das lideranças religiosas. As vitrines de lojas atendidas por mulheres teriam de ser vedadas, exigiam os mais conservadores. Os próprios comerciantes argumentavam que a Arábia Saudita não dispunha de mão de obra feminina qualificada para a tarefa. Sem falar no alto custo da mudança: como as mulheres são proibidas de dirigir automóveis no país, seria necessário contratar motoristas para levar vendedoras ao trabalho.
Assim, até o ano passado, o decreto ficou oculto como uma calcinha em público. Apenas um punhado de lojas de lingerie e cosméticos tinha se adequado aos novos tempos. Foi a realidade sociodemográfica (40% de desemprego entre as mulheres) que levou o monarca Abdullah a usar de sua autoridade pessoal para pedir “cooperação” à Comissão para a Promoção da Virtude e a Prevenção do Vício, uma espécie de patrulha moral e religiosa.
Fundada em 1940, a Comissão da Virtude tem por função garantir que a sharia, o severo código de lei islâmica, não seja violada em público. Exatos dez anos atrás, sua aplicação teria impedido que um grupo de meninas escapasse de uma escola em chamas na cidade sagrada de Meca – elas não estavam com a cabeça devidamente coberta e, no resgate, teriam contato físico com as equipes de salvamento masculinas. Catorze jovens morreram no episódio.
Mais recentemente o Comitê propôs que mulheres de olhos “sedutores” passassem a escondê-los quando estivessem fora de casa. A longa abaya e o lenço negro que já lhes encobre cabelo, cabeça e parte do rosto não seriam suficientes para evitar a lascívia masculina. Segundo o site noticioso egípcio Bikya Masr, a medida entrou em pauta depois que um membro da Comissão se sentiu atraído pelo olhar de uma saudita na rua, provocando uma briga com o marido, que a acompanhava.
Religião à parte, os responsáveis pelo planejamento econômico se preocupam com a crescente escassez de postos de trabalho para a mão de obra feminina, cuja escolaridade o próprio Estado banca até o último ano de faculdade. Com uma renda per capita banhada a petróleo (24 mil dólares, o dobro da brasileira) num país que está em 56º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano, enquanto o Brasil ocupa a 84ª colocação, o reino dos Saud começa a sentir a pressão interna.
A alforria para comprar e vender calcinhas sem constrangimento abre um boqueirão para mudanças maiores. Sobretudo na área do transporte público, praticamente inexistente, e no direito da mulher de dirigir um carro.
Por enquanto, toda saudita adulta ainda tem um membro masculino da família como “guardião” legal. Cabe a essa figura referendar, ou proibir, algumas escolhas de porte de sua tutelada, como viajar, trabalhar e estudar. Seis meses atrás, quando o rei Abdullah concedeu às súditas o direito de se candidatar e votar nas próximas eleições municipais, a exigência do aval do “guardião” não foi levantada.
Já o direito de vender lingerie e cosméticos chega sem qualquer fru-fru.

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-66/chegada/intimidade-conquistada



Literatura en las canciones de amor inolvidables

Por: Winston Manrique Sabogal14/02/2012
Laserenata-NicolasLancret
La serenata (1740), de Nicholas Lancret.


Hay canciones de amor, sus letras, que nos gustan por su secreto atisbo de profecía y otras porque copian e iluminan nuestras vivencias. Unas llegan a nuestras vidas mucho antes de que descubramos, experimentemos y comprendamos lo que allí se nos cuenta y las otras parecen inspiradas en nuestra propia historia. Al final, las dos parecen creadas y cantadas para cada uno de nosotros. Da igual si los expertos musicales las consideran buenas, regulares o malas canciones; y si sus letras son de alta o baja calidad literaria. Están allí, han llegado para quedarse por motivos superiores a nosotros y forman parte esencial de la banda literaria y sonora de nuestras vidas.
Trovadores conrtemporáneos.
Uno de los escritores que mejor hizo este acercamiento a esa realidad fue Marcel Proust. Él, tan exquisito en sus gustos, escribió en 1893 Elogio de la mala música, donde reconocía el misterioso, profundo y sentido valor de la música popular; el efecto milagroso de tocar el alma de las personas incluso contra su deseo. Porque "se han llenado del sueño y las lágrimas de la gente". Teo Sanz, catedrático de literatura francesa, lo describió bien en su blog, hace tres años: "En él señala (Proust en su artículo), con un loable deseo de buscar la verdad, que se puede odiar esa clase de música, pero no menospreciarla porque se toca y canta con más pasión que la buena y, sobre todo, porque "se ha llenado del sueño y las lágrimas de la gente".
Trovadores contemporáneos. En las letras de esas canciones hay literatura. Bob Dylan suena cada año como candidato al Nobel, y el año pasado Leonard Cohen obtuvo el Premio Príncipe de Asturias de las Letras. Traigo a colación estos dos ejemplos de artistas y compositores universales para hablar de la literatura en las letras de las canciones de amor en el día de san Valentín. Y para que nos hablen del asunto he pedido a un poeta, a un filósofo especialista en el tema y a un lector y dos admiradores de Dylan que compartan con nosotros sus letras de canciones de amor inolvidables.
Y, sí, todo esto es por recordar o celebrar entre todos el día de san Valentín de una manera diferente como hemos hecho en los últimos dos años en este blog. En 2011 fueron las mejores poesías de amor (puedes ver aquí el psot), y en 2010 las mejores novelas (puedes ver el post aquí), en las que ustedes completaban el artículo con sus comentarios. A ver si se animan este año también con el tema de hoy: la literatura, las letras, en las canciones de amor inolvidables:
Serenata-JanSteenUna autoridad en esto es el poeta colombiano Darío Jaramillo, autor del libro Poesía en la canción popular latinoamericana (Pre-Textos): "Más que expresarlo, lo que la canción popular latinoamericana ha hecho con el amor es inventarlo. Boleros, tangos, rancheras: Las canciones son el guión del sentimiento, lo modelan y lo condicionan. Son el alfabeto del amor y dictan las maneras de sentir. Con ellas se quiere y se desquiere, se enamora y se olvida. Bien se sabe que el amor es un estado preverbal, donde el retozo o el gruñido reemplazan a la palabra. Llegado el momento de usar el verbo, el más aproximado es el del bolero, el del tango, el de la ranchera: se trata de canciones que circularon en todo el continente desde los años treinta del siglo veinte y que se repitieron generación tras generación hasta quedar grabadas en la memoria colectiva a modo de atavismo, de reflejo condicionado, como esas cosas que uno se sabe sin saber que las sabe". (en la imagen Serenata, de Jan Steen)
"Cada canción, además de contar la historia que la origina, termina contado la historia del que la oye más con el corazón que con el oído. La canción es cardiocéntrica.
"Aunque simples y directas, algunos boleros, algunos tangos y rancheras tienen un valor poético intrínseco en sus palabras, como por ejemplo Abrázame así de Mario Clavell, Amanecí en tus brazos de José Alfredo Jiménez, Tú me has de querer de Bola de Nieve, Qué me importa de Mario Fernández Porta y Piensa en mí de Agustín Lara, para citar sólo cinco. A continuación transcribo las letras de estas cinco canciones:"


Abrázame así (Música y letra: Mario Clavell)
Abrázame así, / que esta noche yo quiero sentir / de tu pecho el inquieto latir / cuando estás a mi lado.
Abrázame así, / que en la vida no hay nada mejor / que decirle que sí al corazón / cuando pide cariño.
Abrázame así /porque en besos te voy a contar / el más dulce secreto de amor / que hay en mi corazón.
Acércate a mí / y esta noche vivamos los dos / la bendita locura de amor.


 Amanecí en tus brazos (Música y letra: José Alfredo Jiménez)
Amanecí otra vez entre tus brazos / y desperté llorando de alegría, / me cobijé la cara con tus manos / para seguirte amando todavía.
Te despertaste tú casi dormida / y me querías decir no sé qué cosa, / pero callé tu boca con mis besos / y así pasaron muchas, muchas horas.
Cuando llegó la noche, apareció la luna / y entró por la ventana, / qué cosa más bonita cuando la luz del cielo / acarició tu cara.
Yo me volví a meter entre tus brazos, / tú me querías decir no sé qué cosas, / pero callé tu boca con mis besos / y así pasaron muchas, muchas horas.


Tu me has de querer (Música y letra: Ignacio Villa, Bola de Nieve)
Yo quisiera ser / de tu vida encanto, / quisiera tener / de tus ojos llanto / y quisiera ver
en tu rostro / siempre amor / brotar.
Y con ese amor, / hacer de mi vida / bálsamo ideal / que cure mi herida / para así vivir
toda una eternidad.
Tú me has de querer / porque yo en la noche / lo vi en mis sueños.
Yo habré de sentir, / junto a ti, / mi vida / siempre latir, /yo sabré mentir / por tu amor / y he de llorar / y he de sufrir.
Tú me has de querer / como nunca tú / soñaste sentir.
Yo quisiera ver / cuando de mi amor / fueras prisionera, / quisiera saber / si presa de mí / no habrías de llorar, / no habrías de quererte fugar / ni de añorar / otro querer.
Tú me has de querer / por tu amor / y por tenerme a mí.


¿Qué me importa? (Música y letra: Mario Fernández Porta)
Los ojos del sol se han cerrado y con ellos se ha ido la luz, / de violeta se viste la tarde porque pronto la noche vendrá.
Qué me importa que venga la noche con su negra mantilla de luz, / si en el fondo de mi alma tú eres una aurora radiante de amor.
¿Qué me importa que la lluvia caiga despiadadamente?
¿Qué me importa que el mar en la noche no quiera cantar?
¿Qué me importa que el cielo no tenga ni estrellas ni luna, / si yo tengo en tus ojos el cielo, la luna y el mar?
¿Qué me importa que en la vida todo tenga su comienzo?, / ¿Qué me importa que todo comienzo tenga su final?
Si mi alma será toda tuya por toda la vida, /¿qué me importa que todo se acabe si me quedas tú?


Piensa en mí (Música y letra: Agustín Lara)
Si tienes un hondo penar / piensa en mí, / si tienes ganas de llorar / piensa en mí, / ya ves que venero tu imagen divina, / tu párvula boca que siendo tan niña / me enseñó a besar.
Piensa en mí cuando beses, / cuando llores también piensa en mí, / cuando quieras quitarme la vida,
no la quiero para nada, / para nada me sirve sin ti.

http://blogs.elpais.com/papeles-perdidos/2012/02/las-mejores-letras-de-canciones-de-amor.html

"Águas de Março"

"Águas de Março" faz 40 anos e ganha tributo da nova MPB

Os cantores Blubell, Filipe Catto, Marcelo Jeneci, Mariana Aydar, Thaís Gulin, Tiê, Thiago Pethit e o rapper Emicida, da nova geração da música brasileira, fazem releitura da música "Águas de Março", composta por Tom Jobim em março de 1972 e imortalizada em dueto com Elis Regina gravado dois anos mais tarde.
 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Todas as mulheres

 

[ Para Leila Diniz, síntese da mulher brasileira ]

As mulheres sempre me interessaram soberanamente. Esta frase não é minha, mas do saudoso Darcy Ribeiro, educador, antropólogo, poeta e mulherólogo. Tomo a frase como minha porque são elas, as moças, a razão do meu viver, o sal da minha inspiração, o motor que move a engrenagem das minhas vontades.

A companhia feminina me leva a escrever, a trabalhar, a amar. É música para os meus ouvidos. Sem a presença das mulheres não haveria o cristal invisível entre o sonho e a realidade dos homens – este desejo incontrolável de conquistar territórios, este sopro belicoso a conduzir nossa alma pelos campos de batalha.

Escrevo sobre as moças enquanto escuto o novo disco do Grupo Anima. Donzela Guerreira, inspirado no estudo homônimo de Walnice Nogueira Galvão, beira o sublime ao musicar o mito da mulher que se veste de homem e vai à guerra. Este arquétipo feminino está presente em todas as culturas e épocas. Está na literatura, na mitologia e na história. No Brasil, por exemplo, está encarnado em Maria Quitéria, heroína da Independência, e em Diadorim, personagem de Grande Sertão: Veredas, clássico de Guimarães Rosa.

A moça insubmissa e revolucionária, que subverte o papel historicamente destinado às mulheres, parece ser não apenas uma aspiração feminina, mas uma fantasia dos homens. Não deve ser coincidência o fato de a deusa Palas Atena ter nascido da cabeça de Zeus, depois que este, sofrendo com terríveis dores de cabeça, pediu que o filho Hades lhe abrisse o crânio com um porrete. Para o espanto dos deuses do Olimpo, dentro da cabeça de Zeus havia uma jovem mulher empunhando escudo e espada.

Também na mitologia iorubá temos a donzela guerreira na figura de Iansã, orixá dos ventos e tempestades, cuja beleza deflagrou uma disputa mortal entre Ogum, o poderoso deus da guerra, e Xangô, o impiedoso rei de Oyó. Destinada a lutar por liberdade, Iansã amou a ambos e não foi de nenhum. Não por acaso, sua espada tem a forma de um raio, uma chispa de fogo que encanta e amedronta.

Sendo uma das mais secretas e inconfessáveis fantasias masculinas, a mulher rebelde suscita medo e ódio. Ainda que sua causa seja justa, tem de ser combatida pelo machismo. Mais do que combatida: apagada da história. Cabe citar, neste caso, a obsessão que os militares brasileiros tinham por decapitar as guerrilheiras presas durante a ditadura. A prática de separar a cabeça do corpo revela, simbolicamente, o desejo inconsciente de eliminar não somente a vida física, mas as ideias.

Está em voga, sobretudo após a eleição da ex-guerrilheira Dilma Rousseff para a presidência do Brasil, um tipo de pensamento retrógrado que tenta desqualificar aqueles que lutaram contra a Ditadura. Comparar opositores do regime a terroristas é uma tática suja utilizada por quem perdeu o bonde da história. A resistência à tirania é um direito reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. O único responsável pelo surgimento da luta armada foi o governo ilegítimo instalado em Brasília na base da força. A guerrilha nasceu como resposta à violência do Estado e não o contrário. Foi assim na Argentina, em Angola, na Argélia, em todas as partes do mundo onde houve ditaduras.

Eram terroristas aquelas moças que, como Dilma, enfrentaram o pau-de-arara e o choque elétrico? Ou eram terroristas os que censuravam, perseguiam, torturavam e matavam em nome da Família, de Deus e da Propriedade? Era terrorista a estudante Helenira Resende, que sonhava em ser crítica de arte e morreu a golpes de baioneta no Araguaia?




Principalmente em março, quando lembramos o massacre das operárias de Chicago, queimadas vivas quando reclamavam melhores condições de trabalho numa fábrica de tecidos, temos o dever de refletir sobre a importância da mulher na história das lutas democráticas. No Brasil, apesar de quase não figurarem nos livros de história, elas assumiram papel determinante nas conquistas e foram sempre a vanguarda. Da inesquecível Flor da Noite, a prostituta que colaborou na insurreição dos marinheiros da Revolta da Chibata, passando por Leila Diniz, que libertou as moças dos grilhões do moralismo hipócrita, as mulheres costuraram o mapa do Brasil, bairro por bairro, rua por rua, casa por casa, forjando o espírito sensual e criativo desta nação grávida de futuro.

[ Fotos de Leila Diniz na praia de Ipanema e com Paulo José, no filme Todas as Mulheres do Mundo]


Woman in love - Barbra Streisand & Bee gees


Barbra Streisand - Woman In Love
from the album ' Guilty ' Written Barry Gibb and Robin Gibb (Bee Gees)


Life is a moment in space
When the dream is gone
It's a lonelier place
I kiss the morning goodbye
Down inside, you know we never know why
The road is narrow and long
When eyes meet eyes
And the feeling is strong
I turn away from the wall
I stumble and fall
But I give you it all

I am a woman in love
And I'd do anything
To get you into my world
And hold you within
It's a right I defend
Over and over again
What do I do

With you eternally mine
In love there is no measure of time
We planned it all at the start
You and I live in each other's heart
We may be oceans away
You'll feel my love
I hear what you say
No truth is ever a lie
I stumble and fall
But I give you it all

I am a woman in love
And I'd do anything
To get you into my world
And hold you within
It's a right I defend
Over and over again
What do I do

I am a woman in love
And I'm talking to you
You know I know how you feel
What a woman can do
It's a right I defend
Over and over again

I am a woman in love
And I'd do anything
To get you into my world
And hold you within
It's a right I defend
Over and over again


Perfidia - Ibrahim Ferrer

¿La lengua tiene género? ¿Y sexo?

Una decena de personalidades de la cultura, la política y la educación entra en el debate sobre el sexismo del idioma español planteado por Ignacio Bosque


FERNANDO VICENTE
Una situación debida, en parte, a dos ondas expansivas claves de los últimos años: la imperiosa necesidad de reconocer los derechos e igualdades a las minorías o grupos marginados y la imposición del llamado lenguaje políticamente correcto, trenzados en el caso de combatir contra la discriminación de la mujer. Sobre este punto, Bosque dice: “Puede existir, en efecto, alguna relación entre el lenguaje que se propugna en estas guías y la tendencia general a usar términos políticamente correctos. Aun así, creo que la relación es solo indirecta, ya que el conjunto de medidas que propugnan las guías de lenguaje no sexista no afecta solo al léxico, sino también a la sintaxis y a la morfología. Tienen, pues, mayor incidencia sobre la estructura del idioma”.
Ante la pregunta sobre qué mensaje podría dar a los profesores, sobre todo de primaria y secundaria, y la población en general, el académico empieza con un ejemplo: “No estoy seguro de en qué medida han calado las propuestas de estas guías entre los profesores de Enseñanza Media, pero algunos amigos me decían hace poco que sus hijas no sabían si debían considerarse excluidas o no cuando en la escuela se hablaba de niños o de alumnos”. Bosque insiste en que el artículo no es más que una llamada a la sensatez. Asegura que en el texto se critica la suposición gratuita de que una serie de pautas del lenguaje común, usadas por todos los hispanohablantes, son sexistas. Pero añade: “No hay ninguna razón para suponer que lo sean, ni para tachar de sexista a la mayor parte de la población hispanohablante por el simple hecho de usarlas”.
Son varias las personas que han dado su opinión sobre el análisis y el tema en general.

ADELAIDA DE LA CALLE
Rectora de la Universidad de Málaga y presidenta de la Conferencia de Rectores de Universidades Españolas
“Es un auténtico trabajo de investigación con todo el sentido. La sociedad española ha funcionado normalmente con un lenguaje muy sexista y hay que cambiarlo, igual que hemos cambiado montones de actuaciones. La mujer debe contar en todo, y eso incluye el lenguaje. Es cierto que la lengua es algo vivo y se va adaptando a las circunstancias en cada momento y características, y que, hasta hace relativamente poco, la mujer no formaba parte de muchos aspectos y era difícil que contase en una estructura lingüística diferente a la que se había ido generando a lo largo del tiempo. Ahora somos conscientes y lo estamos intentando. Hay que poner a la mujer en valor y hacer el esfuerzo de cambiar el lenguaje, aunque no se puede lograr de la noche a la mañana. Debemos trabajar desde los primeros niveles de la enseñanza. También tengo claro que el genérico se debe seguir utilizando porque no se hace con tono discriminatorio”.

AMELIA VALCÁRCEL
Catedrática de Filosofía Moral y Política (UNED)
“La gramática no es la vida”.

CARMEN BRAVO
Secretaria Confederal de la Mujer de CC OO
“Al académico, catedrático y ponente de la Nueva gramática, ante el conocimiento de las numerosas publicaciones para la utilización de un lenguaje no sexista, debiera inquietarle esta realidad e instar a la Academia a promover la utilización de un lenguaje no sexista; no para dar mayor visibilidad a la mujer a través del lenguaje, sino para no ocultar el género social: mujeres y hombres.
Si el uso genérico del masculino para designar a los dos sexos está muy asentado como él dice, lo está, entre otras razones, por el sesgo androcéntrico de las instituciones y de quienes son responsables de la vigilancia del buen uso de la lengua. Por eso, desde Comisiones Obreras promovemos un uso de la lengua más inclusivo desde el punto de vista del género y más igualitario desde la práctica democrática del lenguaje y demandamos que la RAE también lo haga.
En CC OO las guías sobre la utilización de un lenguaje no sexista son elaboradas por personas expertas y formadas académicamente (no precisamente por este autor), con excelentes currículos en lengua española, por lo que nuestra apuesta por un lenguaje inclusivo de género no carece de fundamentos lingüísticos, ni de objetivos sociales como son: democratizar el lenguaje y dar visibilidad social a los géneros femenino y masculino y lograr una sociedad más igualitaria y transparente desde el punto de vista del género lingüístico”.

INMACULADA MONTALBÁN
Presidenta de la Comision de Igualdad del CGPJ
“La profesora sustituta llegó a la clase de música de primaria y animosa exclamó: ‘Ahora vamos a cantar todos los niños’. La hija de mi amiga quedó callada como el resto de sus compañeras. No se dieron por aludidas. Su maestra de todos los días hablaba de niños y niñas.
Es un ejemplo de la importancia del lenguaje en la formación de las personas y en sus actitudes. La utilización de un lenguaje no sexista es algo más que un asunto de corrección política, porque influye poderosamente en el comportamiento y en las percepciones.
Nombrar algo o a alguien es darle presencia, visualizarlo. Mediante el lenguaje se nos llama y se nos ignora y todo ello condicionará la imagen de la realidad que nos construyamos y cómo la transmitiremos. Para existir todo debe tener un nombre. La utilización sexista del lenguaje implica la invisibilidad de las mujeres, tanto de su presencia como de sus logros. Así lo entiende la Ley de Igualdad, cuando fija como criterio general de actuación de los poderes públicos la implantación de un lenguaje no sexista en el ámbito administrativo. Una prescripción respetada por el Consejo General del Poder Judicial que, a propuesta de su Comisión de Igualdad, aprobó unas Normas mínimas para evitar la discriminación de la mujer en su lenguaje administrativo”.

LAURA FREIXAS
Autora de Literatura y mujeres
“1) Me parece excelente que haya debate —nada menos que en la portada de EL PAÍS— porque para solucionar un problema cualquiera (en este caso la invisibilidad lingüística de las mujeres) el primer paso imprescindible es reconocerlo como problema. Es una buena noticia que el debate sobre el sexismo de la lengua se haya colocado en la agenda, como pasó hace unos años con la violencia de género, y, hace un siglo largo, con el sufragio femenino. Vamos bien. Además, me alegro de que por fin se plantee un debate, con argumentos, en lugar de las caricaturas, exabruptos y ocurrencias a los que algunos articulistas (lo pongo en masculino porque son todos varones) nos tienen acostumbrados/as. ¡Ya era hora!
2) Desde sus orígenes en el siglo XVIII, el feminismo creyó que la igualdad entre los sexos se conseguiría mediante la igualdad política, jurídica y educativa. Cuando por fin las hemos conseguido, resulta que aún estamos muy lejos de la igualdad real. ¿Por qué? ¿Qué ha fallado, qué falta? Yo creo que la respuesta está en la cultura. Y la cultura es la ilustración figurativa de lo que el lenguaje expresa a un nivel más abstracto: la jerarquía entre los sexos y el monopolio de la condición humana por parte del varón. El lenguaje tiene parte de culpa de que todo lo femenino sea visto como parcial, marginal, particular... mientras que lo humano se confunde con lo masculino. Para decirlo gráficamente: prefiero decir ser humano en vez de hombre porque puedo decir: ‘Como ser humano moderno, yo...’ y no: ‘Yo, Laura Freixas, en tanto que hombre moderno...’. O porque si digo ‘El hombre medieval moría con frecuencia en el campo de batalla’, nadie se pregunta de qué morían las mujeres. Se supone que hombre abarca a ambos sexos pero, ¿acaso podemos decir: ‘El hombre medieval a menudo moría de parto’?”.

JAVIER GOMA
Filósofo y director de la Fundación Juan March
“Las reglas que regulan el lenguaje son una creación popular, emanaciones del pueblo y de su espíritu como diría Montesquieu, y, por tanto, no hay nada más soberano y democrático que lo que emana del pueblo, y el lenguaje es soberano. Por otra parte, no es nunca neutro en el sentido de que cuando uno utiliza una palabra no solo se refiere a lo que ese término designa, sino a un universo de connotaciones, de tal manera que cuando sea correcto gramatical o sintácticamente también ellas están cargadas de ideología. Son dos observaciones paralelas y no debemos admitirlas por ser solo una cuestión filológica porque lo ideológico le subyace con una visión del mundo. Y si la sociedad entiende que esa visión del mundo que subyace a la filología es incorrecta o degradante o injusta creo que se pueden adoptar algunas medidas para corregirlas. El lenguaje es en sí mismo una costumbre y las correcciones deberían convertirse en costumbre y no en una imposición de nadie”.

PURIFICACIÓN CAUSAPIÉ
Secretaría de Igualdad del PSOE
“Valoramos positivamente que el informe reconozca la desigualdad y la discriminación de la mujer existente en nuestra sociedad; si bien considera que el lenguaje debe hacer visibles a las mujeres, contribuyendo de esta forma a erradicar esa desigualdad. El idioma es algo vivo y cambia para adaptarse a la sociedad y en este sentido el lenguaje debe servir para expresar también la igualdad entre hombres y mujeres. Debemos encontrar un consenso, por supuesto también con los lingüistas y con la Real Academia, para alcanzar este objetivo”.

ENRIQUE VILA-MATAS
Escritor
“Me es imposible verlo de un lado distinto al de la Real Academia. El lenguaje está hecho esencialmente para entenderse. Por tanto, todo lo que se aparte de esto es un despropósito. Y despropósito es creer que siempre hay discriminación en las expresiones nominales construidas en masculino con la intención de abarcar los dos sexos. Y aún mayor despropósito es que, siguiendo las recomendaciones de una guía no sexista, creamos que hay que decir ‘personas sin trabajo’ en lugar de algo que todos comprendemos muy bien: ‘Parados’. A este paso, acabaremos —para variar— no entendiéndonos nada entre nosotros, hablando de Españadanía para no tener que decir Españo o España (demasiado masculino o femenino respectivamente)”.

FRANCISCO FERNÁNDEZ BELTRÁN
Presidente de la Unión de Editoriales Universitarias Españolas
“El informe de la Academia es un estudio equilibrado y una advertencia necesaria sobre ciertos abusos. Resulta evidente que todos los ejemplos expuestos merecen una reflexión desde el punto de vista lingüístico. No hay que olvidar que determinadas prácticas y recomendaciones de las citadas guías se plantean para hacer una llamada de atención sobre una situación de infravaloración de las mujeres, que en determinados ámbitos no han alcanzado la plena igualdad, pero ello no debe poner en riesgo la utilidad del idioma como herramienta de comunicación y relación”.

OUKA LEELE
Fotógrafa y artista
"Creo firmemente en el poder de la palabra. La influencia de la estructura del lenguaje en la cultura es enorme. El uso de las palabras ha de ser consciente y si en cuanto a la visibilidad de la mujer ha de hacerse una revisión del lenguaje, estoy completamente de acuerdo con ello. Es importante que nos demos cuenta de lo que decimos y de lo que nuestras palabras pueden influir sobre todo cuando se trata de la formación de las niñas y los niños que ya en el aprendizaje de su lengua materna reciben todo el peso de su cultura casi sin darse cuenta. E interiorizan una supremacía o minusvalía de su género en el simple hecho de aprender a hablar.
Por otro lado hay palabras como poeta que son muy bonitas y que no necesitan de la palabra poetisa o poeto para definir su género cuando se puede entender por el artículo: la poeta o el poeta. Como no me gustaría periodistisa para el femenino de periodista o periodisto para el masculino. Hay también que cuidar la belleza de una lengua cuando se plantean cambios para la mejoría, la igualdad y la dignidad de todas las personas que practican esa lengua".

http://cultura.elpais.com/cultura/2012/03/04/actualidad/1330896843_065369.html


Por qué la lengua levanta pasiones

La polémica por el texto de Bosque muestra la volatilidad de las cuestiones en torno al idioma



Pasión. Mucha pasión. Eso es lo que más ha ido incorporando la lengua castellana o española a su ADN y al de sus hablantes a la hora de referirse a ella. Ese es el verdadero hilo que la recorre a lo largo de sus mil años con quienes la utilizan y a quienes sirve; por eso se han generado batallas, escaramuzas y emboscadas que no dejan impasible a nadie.
En los últimos quince años, los temas en torno a la lengua han puesto a hablar a todo el mundo hispanohablante en veinte países. El arco lo inaugura aquella frase de "Jubilemos la ortografía", pronunciada por Gabriel García Márquez en la inauguración del I Congreso de la Lengua en Zacatecas (México), y lo cierra por ahora el informe Sexismo lingüístico y visibilidad de la mujer, elaborado por el académico Ignacio Bosque y aprobado por 26 miembros de número de la Real Academia. ¿Pero por qué despiertan tanta pasión los temas relacionados con la lengua? "Tal vez sea una reacción de autorreconocimiento inconsciente de la conciencia de nosotros mismos como grupo, una reacción a priori a la conciencia", improvisa Álvaro Pombo, escritor y académico.
El debate actual que ha desatado el análisis sobre el lenguaje no sexista fue precedido por el que originó la nueva edición de la Ortografía del año pasado. Entre otras cosas se propuso un solo nombre para cada letra, y ahí se encendió la mecha: que la i griega pasará a llamarse ye, mientras la uve unificaría las llamadas be baja y be corta. Al final valen las dos.
"Es que el lenguaje es lo único que tenemos todos, lo que tiene cada uno para seguir hablando, comunicarse, expresarse. El lenguaje es lo más democrático que existe", reflexiona Javier Marías, escritor y académico que en muchas ocasiones se ha referido a este tema incluso en sus libros. Por todo eso, agrega Marías, "lo sentimos como algo irrenunciable y no aceptamos manipulaciones ni dirigismos de ninguna índole ni procedencia. Ni de la Academia ni de instituciones ajenas. Los cambios que vengan serán acordes con su evolución natural. El dirigismo en la lengua no tendrá éxito porque cualquier imposición en ella la vemos como una intromisión intolerable en nuestro habla y en nuestro pensamiento; como un atentado a nuestra verdadera libertad".

La intromisión en la lengua la vemos como un atentado a la libertad
Javier Marías

En 2000, la RAE tachó de entrometidas a las academias catalana, gallega y vasca cuando incluyó en el libro de Ortografía una serie de topónimos con una grafía "inadecuada". Mientras en 2010 la presión hizo que la RAE diera marcha atrás y no modificara la definición del término "nacionalidad", vinculando nacionaliad con la "condición de pertenencia a un Estado".
"¿Por qué nos apasionan o nos hieren las cuestiones léxicas, gráficas (me refiero a las tildes y acentos) o terminológicas?", se pregunta el sociólogo y escritor Enrique Gil Calvo. Y explica: "Puede ser debido a que nos identificamos con nuestros nombres, a que hacemos una cuestión de identidad personal de lo que solo es una herramienta nominal. La nuestra parece ser todavía una sociedad estamental, nobiliaria, incluso señorial, en la que nos identificamos con los nombres que designan nuestra identidad. Y si nos cambian las palabras o los signos, nos sentimos desposeídos, degradados o hasta ultrajados. Por eso reaccionamos con dignidad ofendida".

http://cultura.elpais.com/cultura/2012/03/06/actualidad/1331072204_886132.html

Dueto

Deixa eu morrer só um pouquinho? No teu colo, na tua mão, no teu olho? Deixa eu descansar, não precisar rir nem falar nem escrever as histórias todas que se fazem em tantas letras que você me ensinou desnecessárias? Deixa eu parar, eu não ser, não precisar, não dizer, não fazer. Deixa eu não, sussurro contra o vento, mas você não sabe da minha prece e acena, displicente, e não me deixa morrer.








A noite, enorme. A fome, enorme. Não há luas em mim. Nenhuma luz. Um viver maior que eu me oprime e mesmo a beleza só é percebida em memória. Em surpresa, recebo-te na noite. Eu precisava tanto. E vieste. Como um abraço, as boas palavras. Que foram se fazendo calor e intimidade. Leve, tua mão é leve ao pousar na lembrança e brincar de despertar os sentidos. A fala desenha caminhos e o corpo se faz estrada, percorre-me, eu diria se alguma coisa fosse dizer. Mas calo e só quem fala é a fome. Enorme.