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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Clarão



Clarão by Cacaso and Olivia Byington

O rochedo tem dureza
o corisco tem clarão
é do mar a profundeza
a escureza é do carvão

Toda vez que te procuro
e você me diz que não
a tristeza põe a mesa
na palma da minha mão

Onde nasce uma paixão
passa um rio de ilusão
passa de brincadeira
deixa de brincadeira
entra na brincadeira
a vida não vai passar em vão

Natureza tem beleza
o azedo é do limão
é do rio a correnteza
a leveza é do balão

Toda vez que te perjuro
E você me dá razão
passa um rio de incerteza
dentro do meu coração

Toada




Eu gosto desta canção. E gosto ainda mais que você a tenha tocado em minha cama, sem que eu lembrasse de pedir, sem que você esquecesse de lembrar que eu gosto tanto desta canção. Felicidade é isso, pergunta a menina inquieta que joga amarelinha em meu peito. Esse instante que é arte e, por ser assim, é completamente inútil? Felicidade é isso, esse momento quase tela, quase som, quase letra, uma perfeição que do outro lado do espelho só poderia ser sussurrada: angústia? 
Eu gosto desta canção, digo, depois, deitada em teu corpo, as mãos brincando de dedilhar notas antigas e preguiçosas, escorregando na pele que se desfaz e, em um susto, sabemos: toca-se o coração.
Cá dentro, eu sei: gosto, de uma forma terna e dolorida, que não cheguemos nunca a nos amar, mesmo com toda essa fome que temos um pelo outro. Gosto que não cheguemos nunca a nos amar, tantos futuros se desencontrando. 
Gosto que não cheguemos nunca a nos amar, eu repito, agora em voz alta, e as nossas mãos se procuram e são mornas e salgadas. Você entende e me conta do seu primeiro bichinho de estimação: um porquinho da índia que um dia, tão velho, tão velho, sumiu e você quis acreditar quando a sua mãe abraçou apertado e disse: ele fugiu. 
E eu também, eu também quis acreditar na fuga do porquinho. E em futuros. Porque você sempre sabe o jeito certo de encaixar as pernas, a piada, os sonhos. Porque nunca nos falta vontade, assunto ou fôlego. Porque brincamos nus, bebemos no mesmo copo e fazemos caretas. Porque podia ser pra sempre, porque é tão mais fácil ficar, eu quis acreditar e dizer: onde será que ele está agora? Mas eu sei as mortes todas, respiro como quem se afoga e faço silêncios. 

http://borboletasnosolhos.blogspot.com/2012/08/toada.html


De novo, o violão. Nunca uma Toada foi tão bonita. Dizem que o belo é feito de impossíveis.



 
TOADA (NA DIREÇÃO DO DIA)
(Composição: Zé Renato / Juca Filho / Claudio Nucci)

Vem morena ouvir comigo essa cantiga
Sair por essa vida aventureira
Tanta toada eu trago na viola
Prá ver você mais feliz

Escuta o trem de ferro alegre a cantar
Na reta da chegada prá descansar
No coração sereno da toada, bem querer

Tanta saudade eu já senti, morena
Mas foi coisa tão bonita
Da vida, nunca vou me arrepender

Morena, ouve comigo essa cantiga
Sair por essa vida aventureira
Tanta toada eu trago na viola
Prá ver você mais feliz

Escuta o trem de ferro alegre a cantar
Na reta da chegada prá descansar
No coração sereno da toada, bem querer

Tanta saudade eu já senti, morena
Mas foi coisa tão bonita
Da vida, nunca vou me arrepender

Vem morena (6x)

Vem morena ouvir comigo essa cantiga
Sair por essa vida aventureira
Tanta toada eu trago na viola
Prá ver você mais feliz

Escuta o trem de ferro alegre a cantar
Na reta da chegada prá descansar
No coração sereno da toada, bem querer

domingo, 12 de agosto de 2012

Sunday @ the park



Al Jarreau

Going to the Stern Grove to see/hear Al Jarreau... http://www.sterngrove.org/

Bom Domingo!!! Bom Apetite!!!


sábado, 11 de agosto de 2012

Amor, Amor - Maria Bethânia

A liberdade, essa mulher

  
Aninha Franco

A trilha de hoje era outra até o momento em que Na estrada, de Walter Salles, se exibiu para a minha intranquilidade provinciana. O ponto de partida do filme é On the Road, romance que Jack Kerouac (1922-1969) escreveu em 1951 e que se tornou referência da Geração Beat. Mas o livro é só o miolo da massa. Salles usou a câmera de maneira, às vezes, crítica, para falar da mais benéfica das revoluções humanas do século 20, a revolução Beat, com Allen Ginsberg (1926-1997), William Burroughs (1914-1997), os hippies, o rock-and-roll, o sexo livre, o uso de drogas, a vida em comunidade, conduzindo o planeta Terra a um estágio menos ameaçador.
Sempre há guerras. A dos anos 1940 foi assustadora. Campos, gás, genocídio, e a multiplicação dessa capacidade Humana de destruir a si mesmo e as outras espécies fotografada e filmada, não tanto como agora, mas em velocidade considerável. Devia ser difícil acreditar nos humanos nos anos 1950, talvez mais que agora. A mesma espécie que condenava a liberdade sexual e o uso de drogas, se matava com requintes de perversidade, como ainda hoje, e aplicava as regras do capitalismo com sofreguidão. O capitalismo, instituído pela revolução industrial do século 18, estava pleno. A mais valia, substituta astuta da escravidão, multiplicava fortunas.
Quem precisava fugir disso, como aquela juventude inteligente e desencantada, ia para a estrada, comportamento de outros transgressores que Salles cita todo o tempo, exibindo o exemplar sebento de No Caminho de Swann, de Marcel Proust, outra estrada, ou a única foto conhecida de Rimbaud que, depois de escrever uma obra pequena e capital, embarcou para sempre, na África, traficando armas, escravos e outras especiarias.
Os muros Beat caíram quando o capitalismo se apropriou de seus signos, da calça azul e desbotada, da música, da estrada, da droga, mas ninguém conseguiu impedir que a liberdade, essa mulher de ombros largos e risada escandalosa, que mete medo aos tiranos, abrisse caminhos. Por causa de suas conquistas, essa foi a melhor revolução que os humanos fizeram no século 20.

http://revistamuito.atarde.uol.com.br/

'apertura musical' de Cuba

Desconfianza, sorpresa y optimismo en Miami tras la 'apertura musical' de Cuba

Gloria Estefan, en una marcha por las 'Damas de Blanco'. | Joe RaedleGloria Estefan, en una marcha por las 'Damas de Blanco'. | Joe Raedle
  • Para algunos es una maniobra demagógica o un engaño más de La Habana
  • Sin embargo, muchos en Miami lo consideran algo positivo

Rui Ferreira | Miami
Actualizado sábado 11/08/2012

El próximo levantamiento de la censura a la presentación de los cantantes cubanos exiliados en las emisoras radiales de la isla ha sido acogido con una mezcla de desconfianza y optimismo en Miami.
"Es bueno que lo permitan. Es un reconocimiento a su trabajo, popularidad y una constatación de que son populares", dijo a ELMUNDO.es, Eduardo Fernández, un musicólogo de Miami que sigue de cerca el fenómeno del 'intercambio cultural', como se conoce popularmente a la ,cada vez mayor, presentación de artistas residentes en Cuba en los escenarios de la capital del exilio cubano.
Este intercambio siempre estuvo desequilibrado. El Gobierno de Estados Unidos siempre dio más permisos a escritores, músicos, académicos e intelectuales estadounidenses para que viajaran a la isla, que los que el Gobierno cubano concedió a los suyos. Por ello, en Miami hay quien ve con desconfianza el próximo fin de la 'lista negra' de cantantes del exilio en las estaciones de radio cubanas.
"Mire, a ellos [el Gobierno cubano] no les quedó otra que hacer esto. La presión de la gente es muy grande. Hay toda una generación que no le importa la política y quiere escuchar lo que le gusta. Y ellos tienen que entretenerlos porque, si no, se van a ir", agregó Manuel Elizardo, un exiliado cubano de 70 años, que se confiesa un "acérrimo contrarrevolucionario", pero admite abiertamente que "estos son otros tiempos".

'Tienen que dejarles ir a Cuba'

Los hay más radicales. Como Miguel Saavedra, el líder de 'Vigilia Mambisa', una organización callejera, que se ha hecho famoso por destruir discos y casetes de películas de cantantes y actores que residen en Cuba, cuando viajan a Miami.
El año 2010, Saavedra adquirió notoriedad cuando alquiló una aplanadora y destrozó en pleno corazón de la Pequeña Habana unos 20 discos del cantante colombiano Juanes, cuando este hizo un concierto en la Plaza de la Revolución, en La Habana.
"Nosotros no aceptamos esto de ninguna manera. Pasar a nuestros cantantes en la radio no es lo importante. Lo que tienen que hacer es dejar es que ellos vayan personalmente a Cuba a cantar al pueblo. Pero el Gobierno no los deja porque sabe que aquello se les puede virar a los gritos de 'libertad'", dijo Saavedra a ELMUNDO.es.

'Se han dado cuenta de que es inútil'

De momento no se sabe cuando los artistas del exilio comenzaran a ser escuchados en las emisoras de la isla. De hecho, el Gobierno no ha admitido nada oficialmente. Apenas empleados de las estaciones han confirmado a periodistas extranjeros en La Habana que la 'lista negra' ha desaparecido. Una lista que, en una época llegó a incluir al cantante español Julio Iglesias, cuando en los años 80, este se solidarizó con los refugiados cubanos que llegaron en el puente marítimo del Mariel.
"El fin de la prohibición en Cuba de radiar las obras de autores contrarios al régimen tiene, al menos, dos aspectos que merecen destacarse. Uno, cotidiano, que tiene que ver con la supresión de la 'lista negra', que nunca fue oficial sino oficiosa y es el final de ciertos niveles deplorables de censura cultural", comentó a ELMUNDO.es el analista cubanoamericano, Alejandro Armengol.
El otro aspecto, en su opinión, "es que el Gobierno cubano finalmente se ha dado cuenta de que son mecanismos inútiles y contraproducentes en un mundo cada vez más globalizado, donde es fácil hacer rodar grabaciones de todo el mundo".
"Ahora, es el final de una veda que no hay que confundir con la desaparición de la censura porque, si hay un terreno donde Miami y La Habana han manifestado actitudes similares, aunque en direcciones opuestas, es en la intolerancia artística", agregó el analista.

Respuesta al 'intercambio cultural'

Entre los que recelan de la decisión del Gobierno comunista, hay quien piensa que es una forma de responder al impacto que tiene dentro de la comunidad exiliada la, cada vez mayor, presentación de artistas residentes en Cuba en los escenarios de la capital del exilio cubano.
Se trata de un movimiento creciente, no exento de controversia, al que se conoce popularmente como 'intercambio cultural', una frase sacada del lenguaje político de la administración de Barack Obama que ha estado concediendo visados a artistas de Cuba para que se presenten en Estados Unidos, casi siempre haciéndose de la vista gorda cuanto a los requisitos migratorios de pagar impuestos por los ingresos en taquilla.
Es así como en Estados Unidos han actuado cantantes con connotación y trayectoria política como Silvio Rodríguez, Pablo Milanés, o otros no tan 'politizados', como Carlos Varela, Paulito FG, la banda los Aldeanos y Omara Portuondo.
Esto sin obviar toda una legión de escritores, actores, pintores y escultores que, en los últimos años, han tenido la oportunidad de viajar a Estados Unidos, ya sea por trabajo o como simples visitantes.
No ha sido un movimiento visto con simpatía por muchos en el exilio. Casi siempre, sus actuaciones son acogidas por un sector del exilio con manifestaciones de rechazo que llevan, incluso, a gestos públicos de destrucción de discos, libros y boicot de las presentaciones.
Uno de los grandes argumentos de los que se oponen a estas visitas, actuaciones y presentaciones, es que el régimen de La Habana nunca ha autorizado que los cantantes, actores, escritores e intelectuales exiliados puedan cantar, actuar o ser publicados en la isla.

Inflexibles durante décadas

En los últimos años, los escritores han sido una excepción. A poco y poco el régimen ha dado ciertas señales de apertura hacia el exilio, que comenzó con los escritores y actores, a quienes se ha comenzado, tímidamente, a imprimir en publicaciones oficiales o se les ha permitido viajar a Cuba para participar en proyectos junto a sus colegas de la isla.
Faltaban los músicos. Posiblemente porque un cantante es siempre más popular que un actor o un escritor, el régimen siempre tuvo reticencias en relación a permitir que los exiliados fueran escuchados en las emisoras cubanas, todas bajo control estatal. Mucho menos actuar en vivo.
La explicación era siempre la misma, sea porque se fueron de la isla, desertaron durante una gira o, sencillamente, tuvieron manifestaciones públicas contra la Revolución Cubana. Fue una política inflexible durante décadas que, sin embargo, no impidió que su arte llegara a la isla clandestinamente en el fondo de las maletas de los exiliados que viajan continuamente, o divulgada a través de rústicas grabaciones hechas por aquellos que escuchan las emisoras de radio del sur de Florida.
Fue así, como cantantes como Gloria Estefan, Willy Chirino o las fallecidas Olga Guillot y Celia Cruz, se hicieron populares en la isla durante generaciones.

http://www.elmundo.es/

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

"Em verdade sou um obá" Jorge Amado e outras palavras...


Jorge Amado e o seu Brasil mestiço, alegre, festeiro e sensual

“A amizade é o sal da vida, se você tem amigos, tem tudo."



100 ANOS JORGE AMADO 1912-2012.


“Não possuímos direito maior e mais inalienável do que o direito ao sonho. O único que nenhum ditador pode reduzir ou exterminar.”
"Fiz da minha vida e da minha obra uma coisa única,
unidade do homem e do escritor."

Jorge Amado, Zélia Gattai e os filhos.
“A vida me deu mais do que pedi e mereci. Não me falta nada. Tenho Zélia e isso me basta."
- Jorge Amado, aos 84 anos, em entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo", 18/08/1996.



Jorge Amado
Nem a rosa, nem o cravo...
As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades?

Jorge Amado
Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde? Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a água, o céu, o mar e teu rosto. Contra tudo que é a beleza cotidiana do homem, o nazifascismo se levantou, monstro medieval de torpe visão, de ávido apetite assassino. Outros que falem, se quiserem, das árvores nas tardes agrestes, das rosas em coloridos variados, das flores simples e dos versos mais belos e mais tristes. Outros que falem as grandes palavras de amor para a bem-amada, outros que digam dos crepúsculos e das noites de estrelas. Não tenho palavras, não tenho frases, vejo as árvores, os pássaros e a tarde, vejo teus olhos, vejo o crepúsculo bordando a cidade. Mas sobre todos esses quadros bóiam cadáveres de crianças que os nazis mataram, ao canto dos pássaros se mesclam os gritos dos velhos torturados nos campos de concentração, nos crepúsculos se fundem madrugadas de reféns fuzilados. E, quando a paisagem lembra o campo, o que eu vejo são os trigais destruídos ao passo das bestas hitleristas, os trigais que alimentavam antes as populações livres. Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão. É como u'a nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então encontrar palavras inocentes, doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traição neste momento.

Mas sei todas as palavras de ódio, do ódio mais profundo e mais mortal. Eles matam crianças e essa é a sua maneira de brincar o mais inocente dos brinquedos. Eles desonram a beleza das mulheres nos leitos imundos e essa é a sua maneira mais romântica de amar. Eles torturam os homens nos campos de concentração e essa é a sua maneira mais simples de construir o mundo. Eles invadiram as pátrias, escravizaram os povos, e esse é o ideal que levam no coração de lama. Como então ficar de olhos fechados para tudo isto e falar, com as palavras de sempre, com as frases de ontem, sobre a paisagem e os pássaros, a tarde e os teus olhos? É impossível porque os monstros estão sobre o mundo soltos e vorazes, a boca escorrendo sangue, os olhos amarelos, na ambição de escravizar. Os monstros pardos, os monstros negros e os monstros verdes.

Jorge Amado
Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas. Hoje só ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras, que nos impeça de ver qualquer espetáculo - desde o crepúsculo aos olhos da amada - sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.

Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor. Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!
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- Texto originalmente publicado no jornal "Folha da Manhã", edição de 22/04/1945, e consta do livro "Figuras do Brasil: 80 autores em 80 anos de Folha", PubliFolha - São Paulo, 2001, pág. 79, organização de Arthur Nestrovski.

“E, se não fôssemos nós, pontais ao crepúsculo, vagarosos caminhantes dos prados do luar, como iria a noite – suas estrelas acendidas, suas esgarçadas nuvens, seu manto de negrume – como iria ela, perdida e solitária, acertar os caminhos tortuosos dessa cidade de becos e ladeiras? Em cada ladeira um ebó, em cada esquina um mistério, em cada coração noturno grito de súplica, uma pena de amor, gosto de fome nas bocas de silêncio, e Exu solto na perigosa hora das encruzilhadas.”
- Jorge Amado, em "Pastores da Noite".


Jorge Amado, por Wal Alves.
"Devemos a Jorge Amado a abertura da consciência literária no Brasil. Ele foi um pioneiro cheio de esplendor e obstinação. é um homem indissociavelmente ligado não somente à história da literatura, mas também à cultura brasileira. Foi escolhido pelas fadas, ou por quem quer que seja. Jorge Amado atravessou toda a literatura brasileira, praticamente desde a Semana de Arte Moderna, e atravessou-a com uma obsessão que, pode-se dizer, chega a ser sublime, o sentimento de uma missão . De forma incrível. Ele ajudou a conduzir o Brasil dentro da modernidade."
- João Ubaldo Ribeiro, In: RAILLARD. Alice. Conversando com Jorge Amado. Rio de Janeiro: Record, 1990.

João Amado de Faria (Fazendeiro de cacau) e D. Eulália Leal e seus filhos.[família de Jorge Amado]
"(...) Em verdade sou um obá - em língua ioruba da Bahia obá significa ministro, velho, sábio: sábio da sabedoria do povo."

"Não se vive inutilmente uma infância entre os Capitães da Areia."

Sonia Braga e Jorge Amado.
“É um paradoxo, mas ele conseguiu transformar o regional em universal.”
- Bruno Barreto, cineasta.

"Jorge Amado [(1912-2001), escritor baiano que celebrizou, no país e no mundo, personagens típicas da Bahia], quem não gosta de Jorge Amado? A verve do Jorge Amado, a criatividade, vai ficar. Nós já temos um acervo de literatura que nos retrata e que é o espelho em que o Brasil se olha. Nós aprendemos a nos olhar assim. As mulheres brasileiras aprenderam a fazer amor com o preto, foi lendo Jorge Amado, aprenderam que era factível."
- Darcy Ribeiro, no Roda Viva, TV Cultura, em 17 abr. 1995.


"O Escritor, a meu ver, deve estar comprometido com o seu tempo e seu povo."

Pierre Verger, Jorge Amado e Carybé.
“Não nasci para famoso nem para ilustre, não me meço com tais medidas, nunca me senti escritor importante, grande homem: apenas escritor e homem.”
- Jorge Amado, em “Navegação de Cabotagem”.

É Doce Morrer no Mar, de Dorival Caymmi e Jorge Amado.

"Jubiabá me surpreendeu. Eu o li com a mesma delícia com que leio os melhores autores norte-americanos, ingleses, franceses e alemães. Se eu tivesse engenho e arte havia de escrever o a-bê-cê de Jorge Amado, um sujeito magro de olhos de chinês, que nasceu na Bahia, foi rebelde, fugiu de casa, viu a vida e viveu-a com ânsia; um sujeito que ama os humildes e os oprimidos e que, aos 23 anos, é um dos maiores romancistas que o Brasil já tem."
- Érico Verissimo, In. BLOCH, Pedro. Entrevista. Rio de Janeiro: Bloch Editores, 1989.

Rascunho datilografado de um poema de Jorge Amado, ano 1938.
Extraído: Em busca da prosa simples.

“(...) Liberdade de expressão não há mesmo, está cada vez mais rara pelo mundo afora. È cada vez mais difícil. Chega um momento em que você tem que controlar a palavra, isso e aquilo. Realmente as condições pra você escrever estão se tornando muito difíceis e muito duras (...).”
- Jorge Amado, em "Grandes entrevistas do Pasquim". Rio de Janeiro: CODECRI, 1975. 160 p. il. (Coleção Edições do Pasquim, v.2).


“Assim é a Bahia. Esse é o seu clima, ligado ao passado, fitando o futuro.”

Jorge Amado
“Para mim, a descoberta de Amado foi um alumbramento porque eu lia os seus livros e via a minha terra. E quando encontrei Quincas Berro Dágua eu o via na ilha de São Vicente, na minha rua de Passá Sabe.”
- Gabriel Mariano, escritor de Cabo Verde – África.

Jorge Amado
“Para mim, o sexo sempre foi uma festa. Aos 82 anos, a festa é muito diferente do que era aos 20, aos 50, mesmo aos 60: é uma festa que é feita da experiência, do refinamento."
- Jorge Amado, aos 82 anos, Folha de S.Paulo, 1994.
Ilustração de "Suor", por Mário Cravo.
“Ferreiro saído dos infernos, coberto de fogo e aço, comido de goiva e ácido, os bigodes arrogantes, devassos, quase agressivos, os olhos de insônia, a boca em gargalhada, eis o guerreiro Mário Cravo em luta com o ferro bruto, a madeira pesada e ilustre, a pedra morta, para sempre morta mas, de repente, viva em sua mão, em seu talho, em sua forja, em seu destino deslumbrado e louco, em seu criar sem descanso. O ferro já não é mineral bruto, é o orixá mais poderoso, a fonte cristalina, a mão de onde brota a água e se derrama na boca dos sedentos. Da madeira adusta nasce o mistério de Yemanjá, senhora do mar da Bahia, nasce o cangaceiro do bando de Lampião e do latifúndio feudal, nasce Antônio Conselheiro, capitão da guerra dos pobres, boca de praga, braço de acusação. A pedra se transforma em flor, a flor mais suave e delicada, a mais terna flor, à flor da bem-amada. A madeira, a pedra, o ferro, na forja dos infernos, nas mãos do derradeiro Exu da Bahia são a flor, a água, a poesia, a vida mais vivida e mais profunda. Uma força da natureza por um capricho dos deuses desencadeou-se na Bahia: Mário Cravo, o escultor.”
- Jorge Amado.

Octávio Araújo

Jorge Amado
“Acho que o mais terrível foi a degradação do caráter. Em relação a duas coisas. Você teve a tortura. Em segundo lugar, a ditadura institucionalizou a corrupção. Hoje, esse mal faz parte dos costumes.”
- Jorge Amado, em "Jornal da Tarde", 04/01/1992 - Sobre as consequências da ditadura no Brasil.

Aurélio Buarque de Holanda e Jorge Amado.
“Viver é quase um milagre, e esse milagre o povo realiza diariamente.”

Adonias Filho, Jorge Amado, Gabriel Garcia Marquez.
"Vivi ardentemente, lutei pela liberdade, contra preconceitos, amei, sofri, me alegrei, me diverti."

Jorge Amado e José Saramago.

"O escritor brasileiro tem que ouvir o Brasil."


Maria Bethânia, Jorge Amado e Zélia Gattai.
"Para criar a vida, é preciso tê-la vivido e ardentemente, com apaixonado coração."
Pablo Neruda, Luiz Carlos Prestes e Jorge Amado.
“Milagre de amor não tem explicação, não necessita.”

Jorge Amado e Dorival Caymmi.
“Eu continuo firmemente pensando em modificar o mundo e acho que a literatura tem uma grande importância.”
- Jorge Amado, em “Jornal da Tarde", 16/01/1988 - (Sobre o engajamento em literatura).

Jean-Paul Sartre, Jorge Amado e Simone de Beauvoir.
"Jorge é um homem muito amigo das pessoas, padece de amor ao gênero humano. Sofreu as conseqüências de uma posição muito clara.”
- Antônio Callado, In: LUCENA, Suênio Campos de. 21 escritores brasileiros: uma viagem entre mitos e motes. São Paulo: Escrituras, 2001.

Scliar e Jorge Amado.
“Um escritor não pode desejar nada de maior e de melhor do que ser lido. Assim ele pode cumprir sua missão..."

Gilberto Freyre, Anísio Teixeira e Jorge Amado.
“O escritor é um aprendiz do seu ofício até que deixe de escrever.”

Glauber Rocha e Jorge Amado.

"A poesia não está nos versos, por vezes ela está no coração. E é tamanha. A ponto de não caber nas palavras."
Casamento de Vinícius de Moraes no Candomblé, em 1972 na Bahia.
(...), Vinicius de Moraes, Zélia Gattai e Jorge Amado.

“A palavra é sempre perseguida por aqueles que desejam impedir que ela seja arma do homem na sua luta por uma vida melhor, de paz, fartura e alegria."
- Jorge Amado, em o "Tempo Magazine", Portugal em 1979.

FUNDAÇÃO CASA DE JORGE AMADO E O ACERVO DO ESCRITOR
Fundação Casa de Jorge Amado - Salvador/BA.
A Fundação Casa de Jorge Amado é uma organização não-governamental e sem fins lucrativos cujo objetivo é preservar, pesquisar e divulgar os acervos bibliográficos e artísticos de Jorge Amado, além de incentivar e apoiar estudos e pesquisas sobre a vida do escritor e sobre a arte e literatura baianas. A Casa de Jorge Amado tem também como missão a criação de um fórum permanente de debates sobre cultura baiana – especialmente sobre a luta pela superação das discriminações raciais e sócio-econômicas.
Para manter viva a memória do escritor – que já teve seus livros publicados em 60 países – desde que foi inaugurada, a Casa de Jorge Amado conta com uma exposição permanente de documentos, fotografias, livros, suas apropriações populares, adaptações e objetos relacionados. Também estão expostos prêmios recebidos por Jorge e fotos tomadas por Zélia Gattai, documentando o dia-a-dia do autor.
Endereço
Largo do Pelourinho | Salvador - Bahia
Tel. (55 71) 3321 0070
Funcionamento: Segunda a Sexta: 10h às 18h e
Sábado: 10h às 16h
Site: http://www.jorgeamado.org.br

Jorge Amado
“Eu estava na Bahia para sua despedida e vi o povo nas ruas, aplaudindo seu escritor com emoção. Muitos entre eles nem leem, mas todos sabem que perderam algo de muito importante, que felizmente viverá sempre na obra que aí está.”
- João Ubaldo Ribeiro, escreve em "Jornal O Globo", em 12 de agosto de 2001.


"Nossas elites são, de fato, extremamente preconceituosas, não merecem grande atenção."

Jorge Amado

"Não acredito que chegue um tempo em que a literatura seja relíquia do passado."

REFERÊNCIA E FONTES DE PESQUISA
Cadernos de Literatura Brasileira publicados pelo Instituto Moreira Salles
Livros do autor, teses e dissertações.

Jorge Amado
“Mais poderoso é o povo que supera e vence as limitações, enfrenta as terríveis condições da vida e marcha em frente, para o futuro.”