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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Improv Everywhere: os 10 melhores vídeos

 

  • Sabe aquela coisa que você acha e guarda com carinho, para compartilhar com todo mundo que puder se interessar? Pra mim, O Improv Everywhere é bem isso. Um dos meu tesouros de estimação da internet.
O Ian Black queimou a largada e falou sobre isso no PdH em 2010:
O Improv Everywhere é um coletivo de pessoas que acreditam no que eles chamam de “diversão organizada”: acontecimentos extraordinários protagonizados em locais públicos por um grupo de tamanho variado com o objetivo de divertir a si próprios e aqueles que os assistem.
O coletivo nasceu em 2001 a partir de uma ideia de Charlie Todd, um ator norte-americano que decidiu que não precisava de um palco para entreter as pessoas. Com essa ideia (na qual ele se passava pelo músico Ben Folds) ele juntou alguns amigos e começou a colocar em prática, e em público, o que eles chamam de “missões”.
Algumas delas ficaram muito conhecidas como quando centenas de pessoas permaneceram imóveis, como estátuas vivas, na Grand Central Station de Nova Iorque. Eles também já arrumaram problemas, como no episódio em que eles se passaram pelo U2 tocando no topo de um edifício na cidade ou quando promoveram uma invasão da Best Buy com pessoas vestindo roupas com as mesmas cores das usadas pelos vendedores da loja.
O projeto já rendeu um livro e um DVD.
Você provavelmente já viu dois ou três vídeos deles e talvez nem saiba. Eles são tão bons que de vez em quando um deles se torna viral, o que significa que muita gente vê sem saber direito o que é, só porque um amigo compartilhou com uma frase entusiasmada.
Por isso te convido a parar por alguns minutos e assistir, comigo, aqui, bem juntinho, os meus dez vídeos favoritos deles. Faz a pipoca lá no microondas que eu vou arrumando os negócios aqui na sala.

O botão de mudo


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Uma praça. Vários grupos. Um bando de gente dançando break. Um cara falando alto no celular. Outro tocando trombone. Um casal brigando. Do nada, todo mundo continua fazendo o que está fazendo, só que sem som.

Black Tie Beach 2012


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Casamento = traje de gala. Praia = sunga ou biquíni. Mas por que não pirar um pouco e inverter as coisas, juntando uma galera para aparecer em uma praia e curtir a areia e o mar como se estivessem em um casamento? (Ideia: alguém podia gravar um casamento onde os convidados aparecem de sunga e canga, né?)

Sinfonia de Alarmes


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Todo mundo deixa o carro no estacionamento de um shopping, dá a volta por trás do muro e liga o alarme do carro ao mesmo tempo. Ninguém entende nada.

Quadrigêmeos


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O quão raro é ver quadrigêmeos idênticos? O quão raro é ver 8 grupos de quadrigêmeos idênticos em um parque ao mesmo tempo?

O metrô do descanso


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Já que todo mundo dorme no metrô tarde da noite, por que não colocar umas camas e oferecer um serviço melhorzinho?

Encontro romântico instantâneo


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Você e a sua namorada/mulher estão de boa num banco de praça, conversando sobre a novela, quando vem alguém e simplesmente começa a servir um jantar maravilhoso e romântico, com vinho e tudo. Ali, no meio das pessoas, a céu aberto. Depois ainda rola uma música clássica ao vivo.

Levando os computadores de mesa pro Starbucks


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Levar notebook pro Starbucks todo mundo leva. Quero ver usar um desktop. “Ah, quer? Então toma.”

O experimento mp3


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Centenas de pessoas com fones de ouvido, seguindo as instruções faladas por um mp3 secreto. Ninguém que não está ouvindo entende qualquer coisa.

Nada de várzea


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Imagine que você é uma criança, jogando futebol com seus amiguinhos no campinho do bairro. Do nada, chegam torcidas organizadas fazendo barulho pelos times, repórteres, fotógrafos, carro de transmissão de TV com narradores… foi isso que fizeram com uns guris que estavam jogando Baseball lá nos EUA.

Espelho humano


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Dezenas de gêmeos idênticos ocupando lados opostos de um vagão de metrô e imitando os movimentos do seu par, formando um espelho humano que confunde os outros passageiros.

 

domingo, 16 de setembro de 2012

problemas


Dance Like Nobody Is Watching




 

We convince ourselves that life will be better after
we get married, have a baby, then another.
Then we are frustrated that the kids aren't old enough
and we'll be more content when they are.

After that, we're frustrated that we have teenagers to deal with.
We will certainly be happy when they are out of that stage.
We tell ourselves that our life will be complete when our
spouse gets his or her act together, when we get a nicer
car, are able to go on a nice vacation,or when we retire.

The truth is, there's no better time to be happy than right now.
If not now, when? Your life will always be filled with challenges.
It's best to admit this to yourself and decide to be happy anyway.
Happiness is the way. So, treasure every moment that you have
and treasure it more because you shared it with someone special,
special enough to spend your time with...and remember that time
waits for no one.

So, stop waiting

--until your car or home is paid off
--until you get a new car or home
--until your kids leave the house
--until you go back to school
--until you lose ten pounds
--until you gain ten pounds
--until you finish school
--until you get a divorce
--until you get married
--until you have kids
--until you retire
--until summer
--until spring
--until winter
--until fall
--until you die

There is no better time than RIGHT NOW to be happy.

Happiness is a JOURNEY, not a destination.

So -- work like you don't need money,
Love like you've never been hurt,
Sing like no one is listening,
 Dance like no one's watching,
Live like it's heaven on earth.

Genipapo Absoluto - Caetano Veloso



Genipapo Absoluto
Caetano Veloso

Como será pois se ardiam fogueiras
Com olhos de areia quem viu
Praias, paixões fevereiras
Não dizem o que junhos de fumaça e frio
Onde e quando é genipapo absoluto
Meu pai, seu tanino, seu mel
Prensa, esperança, sofrer prazeria
Promessa, poesia, Mabel


Cantar é mais do que lembrar
É mais do que ter tido aquilo então
Mais do que viver do que sonhar
É ter o coração daquilo


Tudo são trechos que escuto - vêm dela
Pois minha mãe é minha voz
Como será que isso era este som
Que hoje sim, gera sóis, dói em dós
"Aquele que considera"
A saudade de uma mera contraluz que vem
Do que deixou pra trás
Não, esse só desfaz o signo
E a "rosa também"

Tô pouco me importando com idade


Dona Canô recebeu o G1 em sua casa, em Santo Amaro, recôncavo baiano. (Foto: Egi Santana/G1)

Ela chega tímida, mas mostra humildade e simpatia contagiantes. Seu nome de batismo é Claudionor Viana Teles Veloso, ou Dona Canô. Mãe de Caetano Veloso, Maria Bethânia e mais cinco filhos, a matriarca da família abriu as portas da casa número 179, em Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, para entrevista ao G1 e à TV Bahia. Antes de falar, ajeita o vestido branco e limpa os óculos, roxos, recém-escolhidos. "Um rapaz veio aqui e trouxe os modelos, aí eu gostei desses", inicia a conversa.
Entre os assuntos, fala dos preparativos para os festejos de seus 105 anos, que serão comemorados no domingo (16), e sobre a fé, a família e a vida, com a sabedoria e bom humor de uma jovem senhora que mostra a leveza de uma “menina”, apelido dado pelos próprios filhos.
saiba mais
 
Nascida em 1907, na cidade em que vive até hoje, Dona Canô costuma dizer que a fama veio por conta de Caetano e Bethânia, seus filhos famosos. “As pessoas me conhecem por causa de Caetano, já chegam aqui perguntando por ele. Mas eu nem sei direito por onde ele anda, o que vou responder?", diz. Mas um pouco mais de conversa faz entender que o motivo da popularidade da matriarca vai além dos filhos ícones da música popular brasileira. Conhecida na cidade pelo ativismo, a casa de Dona Canô guarda memórias de políticos e autoridades em fotografias espalhadas pelas paredes. “Ela costuma pedir aos políticos que melhorem a cidade e já conseguiu muita coisa”, revela o filho Rodrigo Veloso.

Lembranças
Sobre a história construída nos 105 anos de vida em Santo Amaro, Dona Canô recorda de quando passeava com os amigos nas usinas de açúcar da cidade. Lembra também da época dos bondes. “A cidade cresceu, as coisas ficaram longe, os bondes eram importantes”, diz.
Ela lembra, também, de um dos melhores momentos de sua vida.“Foi quando conheci Zeca. Ele era a única pessoa em que eu me perdia", diz. Zeca, ou José Teles Veloso, foi o marido de dona Canô. Seu Zezinho, como também era chamado, morreu em 1983, com 82 anos. “A gente se conheceu na rua, lembro dele passando por mim, tudo foi diferente a partir dali”, revela.

Quadros de seu "Zeca" e dona Canô estão espalhados pela casa. (Foto: Egi Santana/G1)
 
Quadros de seu "Zeca" e dona Canô estão
espalhados pela casa. (Foto: Egi Santana/G1)
 
Foi com seu Zezinho que ela construiu a família que hoje, além dos seis filhos vivos (Nicinha morreu em 2011), tem também seis netos e nove bisnetos. “Eu costumo dizer que minha bisavó é a pessoa mais jovem da família. Me dá conselhos sobre tudo, desde mudanças profissionais até nos relacionamentos”, conta o bisneto Jorge Veloso, de 28 anos.
Devota de Nossa Senhora da Purificação, ela atribui à fé os 105 anos e a disposição e lucidez com que enfrenta a vida. "A fé é tão importante que eu tô viva, não é? Acho que cheguei até essa idade porque acredito em Deus e porque sempre vivi com a minha família, com pessoas do meu lado, com casa cheia. Acho que esse é o segredo”, conta. Ainda sobre família, ela comemora o fato de todos estarem saudáveis e bem empregados. “Todo mundo tem o seu dever, trabalham com o que gostam. Isso pra mim é importante”.

Rotina
Dona Canô vive com o filho Rodrigo Veloso, uma enfermeira, que cuida e monitora a sua saúde, além das empregadas e cozinheiras da casa com um grande quintal e cheia de gatos, animais pelos quais ela tem um grande apreço. A única reclamação que a idosa faz é com relação a não permitirem que ela faça as tarefas da casa. "Não deixam mais que eu faça as coisas, mas se mandarem eu posso preparar qualquer coisa na cozinha", diz. Mas as opinões sobre os cardápios da casa ela não dispensa: "Quando Caetano vem eu já mando deixar pronto o peixe que ele gosta", lembra.

Fachada da casa de dona Canô. (Foto: Egi Santana/G1)
 
Fachada da casa de dona Canô.
(Foto: Egi Santana/G1)
 
Além disso, “ela faz questão de ler os jornais todos os dias logo no começo da manhã”, pontua o filho Rodrigo. Durante a conversa, ela fala dos últimos acontecimentos lidos nos impressos: “Li histórias com adolescentes envolvidos com coisas ruins [...] esse mundo anda tão maluco, não é?”. Além disso, costuma assistir diariamente a missas na televisão. “Ela prefere as missas, hoje em dia, mas já foi uma grande admiradora de novelas”, diz a filha Mabel Veloso.
Dona Canô também garante que para exercer a importância da cidadania, este ano irá às urnas para votar. “Vou porque acho importante, mesmo, e quero que meu candidato faça algo pela nossa Santo Amaro”, explica.

Aniversário
Sobre os 105 anos, ela revela: “Na verdade eu tô pouco me importando com idade. A minha vida é essa até o dia que Deus permitir. Se ele quiser que eu viva, eu vivo." Com um porém: "Tem que ser alegre, porque senão, é pior”, sorri a simpática dona Claudionor.

Dona Canô mostrou em primeira mão os sapatos que irá usar no dia do aniversário. (Foto: Egi Santana/G1)
 
Dona Canô mostrou em primeira mão os sapatos
que irá usar no aniversário. (Foto: Egi Santana/G1)
 
Da festa, programada para o domingo (16), com direito a bolo, guaraná, caruru e uma tacinha de vinho do Porto, ela diz com bom humor: "Eu não entendo porque esses malucos [os filhos] inventam isso de festa. Mas se vai ter, é com roupa nova, sapato novo, com tudo novo", diz seguida de uma gargalhada.
Rodrigo Veloso explica que, apesar de dizer que não gosta, a mãe se mostra preocupada com os preparativos, todos os anos. "Este ano ela já perguntou como vai ser, se a missa já está programada, quem vem. Ela diz que não, mas todo ano fica ligada nos preparativos".
Para este ano, inclusive, a família já anunciou uma missa, programada para as 10h na Igreja da Purificação, que será presidida pelo padre Reginaldo Manzotti. A filha Mabel Veloso conta que “a maior preocupação dela é a missa, que tudo saia bem e que todos se sintam bem.”
Em seguida, será oferecido um café da manhã para familiares e amigos do lado de fora da igreja. Já o tradicional caruru, este ano deve ser mais íntimo, apenas para familiares. "Nós estamos tentando restringir a festa dentro de casa por conta da saúde dela, para poupá-la e para que ela possa circular com maior liberdade, falar com os convidados", explica Rodrigo.

“Portas abertas”
Receptiva, antes de terminar a conversa ela diz que “todo mundo que quiser me ver pode vir. A casa tem muitas pessoas ao redor, mas sempre haverá de ter um espacinho para quem gosta de mim. As portas estão abertas.”
Por conta dos cuidados médicos que necessita, Dona Canô não pode conversar por muito tempo. Da entrevista ela se despede quando o fisioterapeuta chega para sua sessão diária. "Ele vem para fazer a ginástica comigo, todo dia eu faço ginástica", diz. Antes de ir, ela deixa uma opinião, um conselho para quem vê nela uma inspiração de vida e de longevidade: "Acho que vivo muito esse tempo todo porque vivi muito com a família, todos juntos, acho que é por isso", diz. E um conselho, para quem pensa em 'receitas' para a vida: "hoje as pessoas querem o mundo. Mas não é assim. Você tem que fazer por onde, merecer o mundo para ter as coisas", se despede Dona Claudionor Viana Teles.

Igreja de Nossa Senhora da Purificação, onde será celebrada a missa para a matriarca dos Veloso. (Foto: Egi Santana/G1)Igreja de Nossa Senhora da Purificação, onde será celebrada a missa para a matriarca dos Veloso. (Foto: Egi Santana/G1)

Lendo a sua mão


Soluço


Eu julgava que tecia, mas desfiava, e esgarçado o desejo se revela. Tenho frio.

Era ácido o querer, fez um furo no peito.

Pela janela, observo: é minha vida lá fora.

Eu lembro quando nos amamos: ia ser no futuro.

Brincando de caber na sua mão, não vi os riscos na palma.

Sempre festa no meu corpo ao saber você. Mas ninguém avisou que era bota-fora.


Vem fácil, vai fácil. Tenho uma borracha cravada no lugar do coração.

Não há nudez maior que a esperança.



http://borboletasnosolhos

sábado, 15 de setembro de 2012

Das vestes talares


Das vestes talares

As borlas, os torçais e os alamares dos advogados do mensalão.
 
por Daniela Pinheiro
 

De costas, eles podem lembrar um Batman desenxabido. Mas beca é assunto sério para os advogados. É claro que nem todos vão aos exageros do renomado jurista italiano Piero Calamandrei, que queria ser enterrado com a sua porque “se ela me ensinou a abrir os portões de masmorras, me ensinará a abrir a porta dos céus”. Mas aqueles 8 metros de tecido preto, ornado com cordinhas, botões e babados, são bem mais que um acessório quando se trata de livrar do inferno a cúpula do partido do governo no julgamento mais visado da história deste país.
Em oito dias de sustentações orais, 37 advogados envergando suas garnachas foram à tribuna do Supremo Tribunal Federal defender os 38 acusados no processo do mensalão. “É um traje de respeito à tradição, com um significado histórico. Mas, pelo amor de Deus, beca é de advogado e toga é de juiz”, disse, professoral, o mineiro Marcelo Leonardo, defensor de Marcos Valério, corrigindo a ignorância alheia. A sua, com punhos de renda e mangas retas, foi comprada pela internet e entregue no prazo combinado.
Becas e togas são chamadas de vestes talares, em alusão ao talus, calcanhar em latim, até onde chega seu comprimento. Remontam à Roma Antiga, onde eram usadas pelos sacerdotes. Foram incorporadas ao universo acadêmico a partir do século XIII e hoje servem em ocasiões especiais a clérigos, juízes, advogados, promotores, procuradores, reitores, doutores e formandos.
Uma beca pode ter torçal (uma cordinha trançada com fios de seda), borla (o pingente da cordinha em forma de campânula, como de cortinas), rosetas (botões paralelos na altura do peito) e alamares (quando as cordinhas cruzam o peito presas nos botões frontais). Também pode ter mangas bufantes, plissadas, drapeadas ou lisas. Nas costas, pode ser reta, ter elástico na altura do cóccix ou sobrepeliz nos ombros. O punho pode ter renda francesa ou sintética. Ou não ter nada. Pode-se usá-la sobre o terno, com um grosso cinto preto marcando a cintura ou aberta como uma capa. É a gosto do freguês.
Arnaldo Malheiros Filho, defensor do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, exibiu torçal duplo: preto sobre o peito e vermelho com borla de cor idêntica sobre o ombro esquerdo. Paulo Sérgio Abreu e Silva, advogado de Rogério Tolentino e de Geiza Dias dos Santos, foi espartano: manga lisa, cordinha preta, sem mais. Quando terminou a fala, na qual considerou sua cliente uma “funcionária mequetrefe”, tomou o rumo da saída do plenário com a veste arrastando pelo chão e quase caiu. “Isso é uma arma. Tem que dobrar senão a gente tropeça.”

advogado Leonardo Isaac Yarochewski, que representa a ex-funcionária de Marcos Valério, Simone Vasconcelos, fez o ministro Gilmar Mendes explodir em uma gaitada quando citou uma personagem da novela Avenida Brasil. “Virou moda falar em quadrilha, porque é bonito falar. Até a Carminha disse que ia processar a Rita por bando ou quadrilha.” Duas rosetas, alamares pretos, punhos de renda e elástico nas costas para moldar a cintura, ele tem uma peça única, que fica pendurada na parede do escritório de sua casa, como um troféu. “Gosto do modelo simples, sem muita firula”, afirmou.
Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça e advogado do ex-vice-presidente do Banco Rural, José Roberto Salgado, atravessou o plenário levando sua beca de estimação dobrada sobre o antebraço como um manto sagrado. Manga de punhos de renda, aberta na frente, solta atrás, duas rosetas de seda e um singelo torçal preto em volta do pescoço, que cortava a visão de seu nó de gravata inglês. “Essa beca é dos anos 80. É de uma loja simples, foi muito barata, deve ter custado uns 200 mil réis”, disse. Há alguns anos, recomendaram-lhe um alfaiate em Paris, especialista em trajes em seda. Comprou uma beca de 500 euros, que permanece intocada em seu guarda-roupa. “Tenho medo de mudar e perder a sorte que essa velhinha aqui me dá”, disse.
Supersticioso, em um canto do plenário do STF ele afastou o tecido da beca, desabotoou dois botões da camisa e puxou do peito um cordão de ouro com mais de quinze pingentes pendurados: uma pimenta dedo de moça, um olho grego, vários crucifixos de tamanhos distintos, trevo de quatro folhas. “Vou colocando o que me dão. Durmo com isso, não tiro nunca”, contou. “É isso e a beca. Não tenho coragem de trocar.”
Alberto Toron, advogado do deputado João Paulo Cunha, tinha alamares vermelhos no peito. “É um modelo antigo, que valoriza minha barriga”, falou, dirigindo-se à tribuna do stf, após gargarejar e praticar exercícios vocais antes de sua sustentação oral.
Foi o advogado do ex-ministro Luiz Gushiken, José Roberto Leal de Carvalho, que desfilou o modelo mais formal: gola e punhos de renda, cinto grosso com fivela prateada, mangas drapeadas e torçal vermelho sobre o ombro esquerdo – o que lhe dava a aparência de pertencer a um passado longínquo.

á 51 anos no mercado das togas, becas, capas e afins, a Maison de Lello, no Centro de São Paulo, é o endereço predileto dos jurisconsultos do mensalão. “A personalidade do advogado está diretamente ligada ao tipo de beca que ele escolhe”, comentou o proprietário, o alfaiate Domingos de Lello, de 72 anos, que acompanha o julgamento pela TV Justiça. “Se é um sujeito discreto, sua beca será a mais comportada. Se é aparecido, vai fazer o mesmo com a roupa”, falou. Há controvérsias. A do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, era uma pretinha básica com suas iniciais bordadas na etiqueta interna da gola.
Grifes italianas famosas como Loro Piana e Ermenegildo Zegna desenvolveram uma tecelagem específica para togas e becas. Na De Lello, uma veste sob medida pode custar de 1 500 a 5 mil reais. É ali que o advogado José Carlos Dias, que representa a dona do Banco Rural, Kátia Rabello, sempre manda fazer as suas. A atual foi confeccionada para o julgamento do jornalista Pimenta Neves, que matou a ex-namorada.
Dias presenteou o sobrinho, o advogado José Luis de Oliveira Lima, que defende o ex-ministro José Dirceu, com uma beca De Lello no dia de sua formatura, há 23 anos. É a única que possui até hoje. Quantas vezes já a lavou? “Sei lá, depois dos júris. Mas não é sempre, a gente não transpira na beca”, disse Lima.
Dentro do plenário do STF, um armário de duas portas em frente ao banheiro masculino guarda dez becas lavadas semanalmente, de tamanhos e tecidos diferentes, para os incautos advogados que, por infelicidade ou pouca memória, se esquecerem de levar. Foi dali que o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que defende Ayanna Tenório, a ex-vice-presidente do Banco Rural, tirou a sua. Desavisado, vestiu-a ao contrário. Foi alertado por uma jornalista a caminho da tribuna. “Eu vim com mala pequena, ia amassar demais se eu tivesse trazido a minha. Beca, para mim, tanto faz. Pego uma daqui mesmo.”

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-72/esquina/das-vestes-talares
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O amor enlouquece o verbo?

 

“Digo, aqui tô eu
Que te amo e às tuas pernas quero bem
Já que estamos nós
Te sugeri-me então o que fazer
Claro que eu beijei
Ao tendo o que outro alguém não quis
E tudo isso
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi
E mais que tudo
Foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Na hora em que eu te quis”
Trecho de Foi no Mês que Vem, canção de Vitor Ramil
Interpretada pelo próprio Ramil
 

Nunca é tarde

 



Nunca é tarde


Tu dizes que não queres abraçar nova aventura
porque a idade já não é a dos sonhos cor de rosa
as rugas te comeram todo o viço e formosura
e já não tens poesia em teus lábios, sòmente prosa

Que teu corpo e tua pele já só têm cores de outono
que o inverno já gelou o calor dos teus abraços
teus seios já murcharam não valendo em teu abono
e teu sexo já só sente o verão a breves espaços

Mas esqueces que és mulher, que estás viva e o que importa
é pensares que em ti ‘inda restam primaveras
que o amor pode estar à tua espera junto à porta
com o sol doutra paixão te oferecendo o que não esperas

Compõe o teu cabelo, veste o teu melhor vestido
passa o rouge pelo rosto e p’lo corpo a emulsão...
mulher olha-te ao espelho e verás que faz sentido
não te deixares prender nas redes da solidão

Nunca é tarde para amar, nunca é tarde p’ra sentir
a emoção duma paixão a pulsar em nosso peito
nunca é tarde p’ra sentir sentimentos a fluir
de dois corpos se amando sem vergonha ou preconceito.

Abgalvão (Maio 2012)

http://palavrasaladas.blogs.sapo.pt/
 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O grande silêncio

 

 LUIS FERNANDO VERISSIMO

É sempre bom investigar a origem dos fatos e das palavras. Você pode descobrir coisas surpreendentes. Por exemplo: o final abrupto de uma frase de jazz moderno, vocalizado, soava algo como "be-ree-bop". É daí que vem o nome do novo estilo de tocar jazz, "bop". O "biribop" foi usado numa música brasileira que falava da influência do novo jazz no samba - "eba biribop", lembra? - e não demorou para que o "biribop" do samba se transformasse em "biriba" e acabasse sendo o nome do cachorro mascote do Botafogo, segundo alguns um dos maiores responsáveis pela boa fase do time na época - e nome de um jogo de cartas. Hoje quem joga biriba (ainda se joga biriba?) não desconfia que tudo começou nos clubes de Nova York onde alguns músicos faziam uma revolução que não tinha nada a ver com o baralho.

A procura de origens pode levar por caminhos errados, é verdade. Ainda no campo da música: quando a Bossa Nova começou a ser tocada nos Estados Unidos uma das curiosidades dos nativos era o significado do termo "bossa". Quem procurou num dicionário leu que "bossa" era a protuberância nas costas de um corcunda, não podia estar certo. Aí alguém se lembrou de um LP gravado pelo guitarrista Laurindo de Almeida nos Estados Unidos anos antes, junto com três americanos, uma saxofonista, uma baterista e um contrabaixista, que incluía ritmos brasileiros. E surgiu a teoria que o disco do Laurindo de Almeida teria sido muito ouvido no Brasil e a marcação do baixo nos sambas muito impressionara os músicos locais. Claro, "bossa" era uma corruptela de "bass", contrabaixo em inglês. Tudo esclarecido. (Não foi a única injustiça que fizeram com o João Gilberto, o verdadeiro criador da batida da bossa. Ainda inventaram que ele roubara o jeito de cantar do Chet Baker.)

Mas tudo isto, acredite ou não, tem a ver com o mensalão. Ouvi dizer que a origem do esquema que está sendo condenado no Supremo é uma eleição em Minas que envolveu alguns dos mesmos personagens de agora, só que o partido favorecido foi o PSDB. Se a origem é esta mesmo, ou - como no caso da origem da bossa nova - há um mal-entendido, não sei. Mas não deixa de surpreender a absoluta falta de curiosidade, da grande imprensa inclusive, sobre esta suposta raiz de tudo. Só o que há a respeito é um grande silêncio. O barulho com o esquema precursor mineiro ainda está por vir ou o silêncio continuará até o esquecimento? É sempre bom investigar a origem dos fatos e das palavras. Inclusive porque dá boas histórias.


ESTADÃO
O GLOBO
ZERO HORA
13/09/2012