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quarta-feira, 6 de março de 2013

De Noite na Cama




De noite na cama, eu fico pensando
Se você me ama ... E quando
Se você me ama, eu fico pensando
De noite na cama ... E quando
 

Tulipa Ruiz - Efêmera

 
 
 
 
 

Qui nem Jiló - Luiz Gonzaga


Saudades

 

É uma sopa muito leve. É só para esquentar o coração. Inverno. Ao telefone: "Pai, fiz uma farofa tão boa. Pai, que saudades do sinhô". Faço uma lista dos temperos que dão sabor a tudo. Pimenta do reino reina absoluta. Descobri com a Perolada que usar raspar de gengibre - gengibre em pó para temperar é o céu. O sertão não alisa sua gente. Seus rios secos e suas flores de espinhos. Uma gente com o olhar meio seco. Picado de arroz com carne seca, pitomba que não mata a fome, mas faz criança feliz, panela de feijão borbulhando na trempe de pedra, carne de caça, o olho d'água. Bater feijão, secar arroz, pilar arroz, tocar os bois no engenho de cana, ouvir as conversas dos adultos ao redor do tacho de garapa, do forno de arribar farinha. Abraçar as barrigudas, espirrar até ficar vermelha desfiando os capuchos das barrigudas. Matar galinha, cevar porco, debulhar milho. Será que ainda tem disso no sertão?

 
 
 
http://corpoindisciplinado.blogspot.pt/2013/01/saudades.html#comment-form
 

“Te amamos, aunque estés muerto”




Una multitud acompaña el féretro con los restos de Hugo Chávez por las calles de Caracas.
 
"...Chávez, con sus vulgaridades y excentricidades, se metió en la conversación de cada familia. Y despertó a una generación que era indiferente a los asuntos de la política antes de su llegada, que consideraba a la política como un oficio de pillos que solo pretendían ponerle la mano a la renta petrolera para el propio beneficio. Y puso en la palestra la crisis de las organizaciones políticas, que son incapaces, tanto en Venezuela como en el mundo, de sintonizar con los verdaderos problemas de la gente. Todo lo negativo perece frente a lo que trata de construir el Gobierno: la épica de un hombre pobre, de un cristo de los pobres que merece descansar al lado del padre de la patria Simón Bolívar."
 
 

terça-feira, 5 de março de 2013

A mulher autônoma assusta?

Homem não teme mulher independente, mas teme mulher autônoma
 

Imagem de um homem dependente sendo protegido pela mulher
Ilustração: Lumi Mae

Comentando a Pergunta da Semana

A mulher, durante séculos, foi sustentada pelo pai ou marido, a quem devia obediência. Afinal, não lhe era permitido ter instrução e foi sempre considerada incompetente e incapaz. A partir dos anos 1960, a mulher começou a se libertar dessa submissão, adquirindo novo status.
Atualmente, muitas dessas mulheres ganham seu próprio dinheiro — às vezes mais que seus maridos ou amigos —, compram o que desejam, viajam para onde querem, escolhem onde morar e, o melhor de tudo, não têm que prestar contas dos seus gastos a ninguém. A mulher independente é invejada pelas mulheres que, por mais que trabalhem, não garantem seu próprio sustento.
Entretanto, a maioria das pessoas que respondeu à enquete da semana acredita que uma mulher independente assusta o homem. Há quem diga que, além de não estar preparado para abrir mão da superioridade que o papel de provedor lhe confere, poderia se sentir desvalorizado caso a parceira ganhasse mais do que ele.
Mas na realidade não é isso o que acontece. O homem não teme a mulher que tem uma profissão e ganha bastante dinheiro. Muitos temem, sim, a mulher autônoma. Ser uma mulher independente ou uma mulher autônoma não é a mesma coisa. Mas existe uma confusão a respeito disso.
O que é, afinal, uma mulher autônoma? Em primeiro lugar, ela olha com novos olhos para o mundo, o amor, o homem, a mulher, sem estar presa aos padrões de comportamento que tanto limitam as pessoas. Tem coragem de ser ela mesma na sua totalidade, e não renuncia a partes do seu eu tentando corresponder ao que dela se espera. Se sente livre para expressar todos os aspectos de sua personalidade, mesmo os considerados masculinos pela nossa cultura, como força, decisão, ousadia.
Na relação amorosa, não se preocupa em se submeter às exigências sociais do que é aceito ou não para uma mulher, tais como: mulher não deve tomar a inciativa, mulher não pode mostrar que gosta de sexo, mesmo com muito desejo mulher não pode transar no primeiro encontro, mulher precisa ter um homem ao lado para ser valorizada, etc…
A questão é que autonomia não é fácil de ser alcançada. São anos e anos de condicionamento, em que vamos assimilando os valores do lugar em que vivemos, como se fosse nosso idioma natal. Mas hoje, cada vez mais mulheres questionam a suposição da nossa cultura de que a verdadeira felicidade se equipara a estar envolvida com um homem. Isso já é um bom sinal. Ter ou não um homem ao lado está aos poucos deixando de ser a questão básica da vida. Porém, ainda são poucas as pessoas que realmente buscam autonomia.
É evidente que sem independência financeira não existe autonomia. Mas não basta. Existem mulheres totalmente independentes sem autonomia alguma. Muitas alcançam sucesso profissional, se tornam brilhantes executivas e, no entanto, vivem sonhando em encontrar o príncipe encantado, com a ilusão de que só assim a vida terá sentido.

http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2013/03/05/homem-nao-teme-mulher-independente-mas-teme-mulher-autonoma/
 

"Grande Hotel" - Chico Buarque & Wilson das Neves -


Como não amar esses dois?
 

Pressentimento - Elton Medeiros -


segunda-feira, 4 de março de 2013

TUDO É MAR

TUDO É MAR

Tudo é o mar e o resto é o meu coração avistando terra.

Tudo é sal e o resto é o amor pedindo água.

Amor é linguagem cifrada. Fora do sentimento, não significa nada.

Não bastou a atração de corpos. Deus pôs o amor para não haver dúvidas.

Não durma tanto. Terás tempo quando chegar a eternidade.

Não te deixei pensar muito. Voltei à carga logo em seguida para que tua falta de ar não fosse substituída.

Errei de propósito. Te acertei por acaso, meu álibi perfeito.

Voltaste ao sumidouro, flor do abandono. O que faço com as flores, reféns de um domingo morno?

À noite a Minguante fez frila de lâmpada mercúrio. Era a luz mais caprichada na rua. Com a grana foi passear de dia. Usa túnica transparente.

Encaixa porque o coração está embutido.

A tarde passou em branco. Como tu, ausente.

A bela camponesa serviu o fiambre no meio da nossa faina de carpir um lote. Só aí começamos a suar.

Poesia é falta do que fazer. Melhor lavar uma louça. Desde que eu possa prensar aquele corpo contra a pia

Não dedicamos todo o tempo ao amor que nos consome. Deixamos claros ao longo do dia. É quando procuramos telefonar fora da área para quem não pode atender, mas é culpada.

Inventamos a relação onde não havia nada. Um torrão de açúcar no amargo das horas. Uma pele que arrepia à toa. Um olhar por cima do ombro para ver os predadores.

Quando transborda, o amor silencia. Fica idêntico ao tempo de solidão. Como saber a differença entre a paixão em excesso e a longa espera?

Temos medo que o sentimento faça as malas. Por isso estamos sempre de tocaia, revirando gavetas para ver se existe algum bilhete de viagem. É pânico precoce de jardim abandonado

Te beijo para te lembrar de um compromisso: me dar uma chance, nem que seja por um segundo.

O esplendor da manhã é a alegria da criação. Pegamos carona nesse gesto que inventou a claridade.

Todos esses sonhos que não se realizam  levaremos como bagagem na última viagem. 
Deles se servirão os anjos, mendigos do cosmo

Estavas brincando quando quiseste o poema.Ficaste séria na hora do verso. Choraste quando ele se despediu arrancando as flores.


Nei Duclós  


(Imagem: não localizei o nome do pintor ainda)


Tudo é o mar e o resto é o meu coração avistando terra.

Tudo é sal e o resto é o amor pedindo água.
...
Amor é linguagem cifrada. Fora do sentimento, não significa nada.

Não bastou a atração de corpos. Deus pôs o amor para não haver dúvidas.

Não durma tanto. Terás tempo quando chegar a eternidade.

Não te deixei pensar muito. Voltei à carga logo em seguida para que tua falta de ar não fosse substituída.

Errei de propósito. Te acertei por acaso, meu álibi perfeito.

Voltaste ao sumidouro, flor do abandono. O que faço com as flores, reféns de um domingo morno?

À noite a Minguante fez frila de lâmpada mercúrio. Era a luz mais caprichada na rua. Com a grana foi passear de dia. Usa túnica transparente.

Encaixa porque o coração está embutido.

A tarde passou em branco. Como tu, ausente.

A bela camponesa serviu o fiambre no meio da nossa faina de carpir um lote. Só aí começamos a suar.

Poesia é falta do que fazer. Melhor lavar uma louça. Desde que eu possa prensar aquele corpo contra a pia

Não dedicamos todo o tempo ao amor que nos consome. Deixamos claros ao longo do dia. É quando procuramos telefonar fora da área para quem não pode atender, mas é culpada.

Inventamos a relação onde não havia nada. Um torrão de açúcar no amargo das horas. Uma pele que arrepia à toa. Um olhar por cima do ombro para ver os predadores.

Quando transborda, o amor silencia. Fica idêntico ao tempo de solidão. Como saber a differença entre a paixão em excesso e a longa espera?

Temos medo que o sentimento faça as malas. Por isso estamos sempre de tocaia, revirando gavetas para ver se existe algum bilhete de viagem. É pânico precoce de jardim abandonado

Te beijo para te lembrar de um compromisso: me dar uma chance, nem que seja por um segundo.

O esplendor da manhã é a alegria da criação. Pegamos carona nesse gesto que inventou a claridade.

Todos esses sonhos que não se realizam levaremos como bagagem na última viagem.
Deles se servirão os anjos, mendigos do cosmo

Estavas brincando quando quiseste o poema.Ficaste séria na hora do verso. Choraste quando ele se despediu arrancando as flores.


Nei Duclós