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quarta-feira, 24 de julho de 2013

domingo, 21 de julho de 2013

FRANK SINATRA - LOVE'S BEEN GOOD TO ME



A ROUPA PARA DORMIR QUE NOS ACORDA




Arte de Isabelle Tuchband


A mulher mais sexy não dorme de baby doll.

Não dorme de camisola.

Não dorme de pijama.

Não é a que dorme nua tampouco.

É a que dorme com as roupas emprestadas de seu homem. Aquela que veste sua camiseta.

Você vê sua roupa nela e fica com vontade de botar no dia seguinte, deseja levar o perfume futuro adentro. Você lembrará dela ao escolher o que vestir de manhã, não somente ao se despir de noite.

É uma armadilha para a dependência. Para criar vínculo e intimidade.

A mulher que dorme com sua roupa devolverá a crença do sexo no casamento e o gosto pela rotina, além de ser uma prova incontestável de beleza. Pois, apesar de seu traje, ela permanece linda. Nem as medidas masculinas estragam sua volúpia. Ela transforma a camiseta larga em um vestido curto, sofisticando a simplicidade.

A mulher fatal não é a que encarna figurino de sex shop, que está armada para o crime.

A mulher fatal não é a que realiza espetáculo e pole dance.

A mulher fatal não será previsível com rendas e cinta-liga, não aparecerá rebolando com chicote e algemas.

A mulher fatal é absolutamente caseira. Ela disfarça seu desejo, não entrega sua intenção de imediato.

Jamais imaginará que terá sexo com alguém que colocou sua camiseta.

Mas ela engana para impressionar, é uma pureza que excita, uma ingenuidade que desconcerta.

Com a despretensão de uma peça emprestada, ela não segue roteiro, faz com que a transa seja inesperada.

Você cogitará que ela quer apenas dormir, mas ela acordará seus instintos selvagens.

É um golpe de estado. Uma impressionante virada de mesa. Na verdade, uma virada de cama.

A mulher que toma sua roupa para dormir arma um ataque caseiro, uma invasão camuflada. Finge que não se interessa para assumir o controle da situação.

Uma mulher que pega sua roupa para dormir irá enlouquecê-lo (o que é mais sensual do que o improviso?).

Ela vai dizendo nas entrelinhas: “Enquanto não tenho seu corpo, uso sua roupa”.

Não existe cena mais encantadora do que uma mulher que rouba sua roupa para dormir. É o começo de todos os saques. Roubará sua vida dali por diante.

Fabrício Carpinejar

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, Revista Donna, p. 6
Porto Alegre (RS), 21/07/2013 Edição N° 17498

A dor dos brasileiros calados, na visão de Pedro Nava


O médico, escritor e poeta mineiro Pedro da Silva Nava (1903-1984), no poema “Toadas Para Meu Irmão”, expressa a dor dos brasileiros calados.



TOADAS PARA MEU IRMÃO
Pedro Nava

Nem eu posso esconder
que esta noite fina assim
seja a mesma noite assu
que assombra Taquarassu!

Que seja a mesma noite densa
soturno enorme abajada
escondendo o sofrimento
dos brasileiros calados!

Mas fosse a noite maior
mais densa, mais abajada
mesmo assim seria fraca
e se deixaria varar
pela ternura que eu mando
voando com a força do vento
- Meu pensamento rasgando
o assombro da noite assu
vai velar sono cansado
dos brasileiros calados…

O sono tão sossegado
de um brasileiro cansado
dormindo na noite assu
que esmaga Taquarassu!

Da cidade outro poeta
quer a distância varar
pra ver o sono do irmão
seu descanso proteger!

Dorme teu sono José (…)

Meu pensamento voando
nesta noite fina assim
vai fugindo da cidade
desgarra sertão afora
pra vigiar bem de perto
o doce sono sossegado
dum brasileiro calado!

Te beijo de leve nos olhos
te beijo de leve na face
te beijo o cabelo inteirinho
te beijo no coração…

Brasileiro sossegado
dorme teu sono calado…

Dorme teu sono José…
E me perdoa, meu Mano
se eu não posso cantar
cantos mansos pro teu sono!
Quem me dera, mas não posso!
Pois na noite da cidade
Só de pensar no teu sono,
as veias ficaram doendo
O corpo todo sem jeito
fiquei esquisito, palavra!
Coração no peito calado…
Que dor nos nervos senti
de não ter voz pra falar
(o coração no peito calado)
de não ter choro pra chorar
de palavra não achar,
dor(i)da boa sincera

como aquela comovida
achada por Mário de Andrade
(aquela tão comovida)
que acalantou de São Paulo
o brasileiro do Acre…
Te beijo o cabelo inteirinho
te beijo no coração…

Descansa na noite mansa
descansa, Mano, descansa…

O suicídio anunciado de Pedro Nava



HUMBERTO WERNECK - O Estado de S.Paulo


Tanto tempo depois de Pedro Nava disparar um tiro contra a própria cabeça, aos 80 anos de idade, tenho hoje poucas dúvidas de que o grande escritor mineiro há muito caminhava para se matar. Se não fisicamente (como fez naquela noite, 13 de maio de 1984, arriado num banco sob um oitizeiro quase em frente à sua casa, no Rio), ao menos literariamente Nava teria decidido abreviar o fim.

Não vou dizer que eu desconfiava disso quando, um ano antes, passei alguns dias conversando com ele, em seu apartamento na rua da Glória, para escrever na IstoÉ um perfil do memorialista às vésperas de completar 80 anos. Hoje vejo que poderia, deveria ter desconfiado, tantas eram as evidências. Estavam numas enigmáticas entrelinhas de nossa conversa, quando, enfático, Nava deplorava a erosão do corpo na velhice e insistia no esplendor da juventude e no primado do amor físico. Estavam sobretudo nas 2.500 páginas dos seis volumes de memórias que ele publicou em vida. Depois de sua morte, voltei aos livros - e tudo então me pareceu transparente.

"Sou um suicidário", chegou a dizer Nava, pela boca de um personagem de O Círio Perfeito, saído cinco meses antes da tragédia. "O calvário para o suicida é arranjar o revólver, providenciar o veneno, pendurar a corda no gancho, sentar-se no peitoril da janela." Naqueles dias em que o entrevistei, estive também, para falar sobre ele, com Afonso Arinos de Melo Franco, seu amigo de vida inteira, e o ex-senador me contou que Nava, certa vez, o demovera da ideia de matar-se. Saiu levando a arma - cuja lembrança, um ano mais tarde, me veio instantaneamente, ao saber do suicídio. (Mas não, não foi com o trabuco de Afonso Arinos que Pedro Nava escoiceou as têmporas, e sim com um Taurus calibre 32, comprado em 1980.)

A revelação de que o escritor se matou porque estava sendo chantageado por um garoto de programa - circunstância que a imprensa descobriu no ato, mas sobre a qual silenciou por anos, até que Zuenir Ventura escancarasse aquele mau momento do nosso jornalismo num memorável capítulo de Minhas Histórias dos Outros - veio jogar luzes sobre a trajetória de Nava rumo a um silêncio sem apelo.

Quem conhece a extraordinária sensualidade de sua prosa pode se indagar se o memorialista, ao desfiá-la, não enveredou, ou se viu arrastado, por aquele "desregramento sistemático de todos os sentidos", capaz, disse Arthur Rimbaud, de fazer do poeta um vidente. Não é descabido imaginar que Nava, ao se contar, tenha se aproximado por demais de algo que havia nele desde sempre, muito bem guardado, e que por inconfessável não deveria subir à tona, mas que ainda assim foi emergindo, inelutavelmente, até se converter, chegado à superfície, na fogueira que o consumiria.

Nos quatro primeiros volumes de suas memórias - Baú de Ossos, Balão Cativo, Chão de Ferro e Beira-Mar -, Pedro Nava está na primeira pessoa. A partir de Galo-das-Trevas, em que as sombras já estão no título, ele se refugia num alter ego, José Egon Barros da Cunha, protagonista também do sexto volume, O Círio Perfeito e das poucas páginas de Cera das Almas, em que trabalhava quando se matou.

Nas linhas finais de O Círio Perfeito, Nava chegou à beira de uma radical revelação: ao descobrir que o Egon flagrara, certa madrugada, seus amores masculinos, o misterioso e fascinante amigo Comendador entrega os pontos - e se dispõe a contar: "Agora escuta". Cera das Almas não retoma a narrativa nesse ponto, mas não tarda a enveredar pela descrição naturalista de um corpo de macho em que arde "a arrogância floral dos genitais".

Penso na sugestão crepuscular dos títulos dos três últimos livros: um candelabro cujas 13 velas vão se apagando uma a uma, um círio integralmente consumido e aquilo que restou de sua combustão. Com ou sem revelação, pareciam fechar-se os horizontes: difícil supor que depois disso algo estivesse por vir - embora as memórias mal houvessem entrado na década de 30, faltando ainda meio século para o momento em que eram escritas. Físico ou literário, ou ambos, era o silêncio final a se precipitar.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-suicidio-anunciado--de-pedro-nava-,1055754,0.htm

sábado, 20 de julho de 2013

França Teixeira encarnou os ficcionais paradoxos baianos





No início da década de 1960, a poetisa Lina Gadelha disse para um deslumbrado Sartre, recém-desembarcado na Cidade da Bahia, que o dendê simbolizava a alma de Salvador. É pouco provável que o ateu existencialista, sempre reticente para com as coisas invisíveis, tenha caído na culhuda oleaginosa da moça – até porque esta província lambuzada de exclusão nunca teve alma. Aliás, urbe alguma possui qualquer tipo de espírito – a não ser o de porco.

Mas derivo.

O fato é que, neste mesmo início da década 1960, estreava na rádio de Soterópolis um sujeito que conseguiu dialogar com a alma da capital baiana, independentemente de ela existir ou não. Antônio França Teixeira, eis o nome do cristo-exu, soube, como nenhum outro, captar a alma citadina, esta entidade etérea e intangível.

E o fez de modo absolutamente radical. Em apenas um bordão, ele abraçou todos os dialetos soteropolitanos, conseguindo criar uma saudação ao mesmo tempo anárquica e reverente. Ouçam: “É ferro na boneca, minha cara e nobre família baiana”.

(E a cara e nem tão nobre família baiana, testemunharia, algum tempo depois, “o ferro na boneca” ser escolhido como título do primeiro disco de estúdio de uma certa banda chamadaOs Novos Baianos).

Assim sempre foi França Teixeira: uma contradição ambulante. Conseguiu parecer anti-carlista ao mesmo tempo em que lançava um dos epítetos que mais agradariam a ACM: “O Pelé branco das construções”. E acabou arrumando uma sinecura no Tribunal de Contas do Estado exatamente pelas mãos de Waldir Pires, maior adversário político do Cabeça Branca.

PUTAQUEPARIU A MALEMOLÊNCIA!!!

Aliás, talvez tenha sido exatamente por conta destes insanos paradoxos que França Teixeira e a Bahia conseguiram se entrelaçar de forma inexorável. Afinal, o sobrenome desta terra é oximoro. É uma utopia de lugar, tristemente alegre, onde estúpidos são confundidos com gênios, retrógrados com revolucionários e viva o vice-versa.

E ninguém, como nosso anti-herói, foi tão pródigo em circular entre os extremos desta besta (e ainda bela) província. Inclusive, o refrão de sua campanha a prefeito na década de 80 pregava esta, digamos assim, totalizante elasticidade: “De Itapuã a Ribeira o voto é de França Teixeira”.

Porém, foi na área do Ludopédio que ele conseguiu ser mais baiano, com toda a beleza, perversidade e ousadia possíveis. Durante sua conservadora e vanguardista atuação, inovou, correu riscos e fez bobagens em doses cavalares.

Eis abaixo quatro exemplos, nos quais ele trafega da mais ampla e irrestrita irresponsabilidade até a galhofa pura e genuína.

1- No auge da ditadura militar, se é que ditadura tem auge, o indigitado teve o desplante de propagar o terror, inventando que a Fonte Nova, que seria reinaugurada, não suportaria a multidão.

No dia da reabertura do estádio, um refletor ou outro objeto não identificado pipocou e a velha Fonte foi o palco de uma das maiores tragédias do futebol brasileiro. (Esta triste história tem poucos relatos porque vivíamos sob a pesada farda de Médici, que, inclusive, estava no estádio. Até hoje não se sabe a quantidade exata de vítimas. O jornal A Tarde relatou na ocasião que “nem todos os casos atendidos pelo HPS foram registrados, em vista da balbúrdia reinante. Na porta do ambulatório do Hospital, soldados da Polícia Militar vedavam a passagem de jornalistas”).

2- O ex-preparador físico da seleção brasileira, Paulo Amaral, tentava implantar no Bahia um novo sistema, privilegiando a força física. Como não concordava, França, então, colocou no ar relinchos de cavalos afirmando que era o treinamento do Esquadrão de Aço. Antes do final do programa, o musculoso e careca treinador entrava por uma porta na emissora e o apresentador fugia por outra.

3- Romântico inveterado, França Teixeira defendia uma tese anti-europeia, meio que impedimentística. Ele entendia que, mesmo o maior craque, se tivesse atuando no exterior, não deveria jogar na seleção brasileira. Aliás, nem ser convocado. “Jogou fora, tá fora”, dizia, acrescentando que isso iria melhorar o nível do futebol brasileiro e contribuir para a diminuição das negociatas.

4- Apesar de se auto-proclamar torcedor do Ypiranga (time que só lhe dava alegria, pois “não treinava, não jogava e não perdia”), a verdade é que França Teixeira sempre torceu pelo Bahia, inclusive interferindo na administração do clube. Tal fato, porém, não impedia de armar sacanagens, como no dia em que inventou uma fictícia contratação de Pelé, contando com a participação do próprio Edson Arantes e do então presidente do Bahia Alfredo Saad na consecução da farsa. (Recentemente, em entrevista, França Teixeira afirmou que quem o ajudou nesta presepada foi o presidente Osório Vilas-Boas, mas se equivocou, pois nesta época Osório não comandava mais a agremiação).

Pouco importa. O fato é que o cidadão nunca sossegou, ao contrário dos hodiernos radialistas escrotos baianos (desculpem a redundância), que se acomodaram e se acostumaram a armar falsas polêmicas apenas para incrementarem o holerite. É óbvio que França também agiu pensando no contracheque, mas não somente. Era uma genuíno adepto do fuzuê dos 600 DEMÔNHOS.

Porém, baiano e paradoxal ao extremo, o homem que revolucionou os meios de comunicação da província, especialmente o rádio e a TV, acabou passando os últimos 20 anos numa repartição pública, como um simples burocrata. Simples, vírgula, pois mesmo na Corte de Contas, ele achava um jeito de polemizar, seja lendo os relatórios governamentais como se estivesse narrando uma partida de futebol ou usando uma démodé gravata borboleta, que ele classificava como vanguardista.

Enfim, o fato é que com a morte de França na última quinta-feira, dia 18, morre também uma parte da paradoxal alma da cidade, mesmo que ela nunca tenha existido.

A Bahia perde um pouco de sua ficção.

Franciel Cruz

P.S França Teixeira foi também pioneiro na nova linguagem da TV. Muito antes da Rede Globo, ele fez um programa chamado França Teixeira – Profissão Repórter. Porém, em entrevista ao jornalista Nelson Rocha na Tribuna da Bahia, ele conta que “A Globo patenteou o Profissão Repórter, e eu ganho o que Inês ganhou na roça”.

Na TV, França também criou a seguinte expressão que intimidava os entrevistados “Câmera nos olhos dele”. Um dia, ele mandou a câmera fixar nos olhos de Luís Melodia – e estava uma brasa, mora?


http://impedimento.org/franca-teixeira-encarnou-os-ficcionais-paradoxos-baianos/

terça-feira, 16 de julho de 2013

Lágrima - Oasis de Bethânia



Lágrima 

autor: Candido das Neves

Ai, deixa-me chorar para suavizar
O que não sei dizer, mas sei sentir
Não prantear um amor que se perdeu
É a nossa alma enganar
E ao próprio coração querer mentir

Rir é quase iludir
É querer forçar o próprio coração a gargalhar
Quando ele está solitário na dor
A soluçar de amor

É mais sublime a lágrima
Que exprime as nossas emoções
Amenizando a alma cheia de ilusões
Do que sorrir para esconder a mágoa
Que o olhar não diz
Não há ninguem feliz

Quero fazer das lágrimas que choro
Estrelas a brilhar
Rosas de cristal
Do pranto emocional
Mas se ela voltar
Fulgente diadema então lhe ofertarei
O pranto que chorei

Sim, quem nunca chorou
Certo nunca amou
Talves nem alma tenha para sentir
Não me faz inveja este prazer
Eu gosto até de padecer
Chorar é a mága em pérolas diluir
mas quem quiser amar
Certo há de chorar
Há de sentir morrer o coração
Porque o amor sendo belo e falaz
como os ais
se desfaz em ilusão.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Superwoman (where were you when I needed you) - Stevie wonder -


porte, vestuario, actitud...


Nueve cantantes elegantes: porte, vestuario, actitud

Por: Diego A. Manrique | 15 de julio de 2013



La música pop alienta las extravagancias indumentarias pero también ha generado su cupo de elegantes, que saben distinguir las buenas telas y apreciar los cortes certeros.

Forma parte del ritual del estrellato. Adquirir la mansión, los coches, tal vez el barco. Y, sin duda, hacerse con el sastre fiable o el estilista que sabe atender las nuevas necesidades del jilguero dorado. Puede que tus seguidores paguen por verte en vaquero y camisa de leñador pero descubres que necesitas otro atuendo para acudir a las funciones de la industria y demás actos donde se congregan cámaras ansiosas.

Para algunos cantantes, el vestir elegante forma parte del ADN o incluso del paquete de “la mejor venganza es vivir bien”. En algún momento, hasta el vocalista más desastrado descubre la necesidad de proyectarse como un galán. Otros van aprendiendo mediante la prueba, el error y vuelta a empezar. Además, existe la figura del personal shopper, que se patea tiendas hasta que localiza las prendas necesarias. Y que firma el contrato de confidencialidad, como cualquier empleado valorado.


DAVID BOWIE

Durante años, parecía tener la mejor bola de cristal y adivinar hacía donde se movían las tendencias punteras. Como se puede comprobar en la exposición que se desarrolla en el Victoria and Albert Museum, esa intuición produjo algunas de imágenes más impactantes de la historia del pop. Pero no debe olvidarse que David (1947) comenzó como chico moden el Londres de los sesenta. Que acudió al panal de rica miel que ofrecía Carnaby Street; se decepcionó ante la baja calidad de los productos teen y descubrió que, en los alrededores, trabajaban modistos, camiseros y zapateros dispuestos a materializar los deseos de los aspirantes a la nueva aristocracia pop. Luego llegarían las etapas hippy,glam, futurista y un largo etcétera...pero nunca perdió el contacto con aquellos artesanos caros y discretos.


YVES MONTAND


Intenten imaginar los equilibrios que el hombre nacido como Ivo Livi hizo a lo largo de su intensa vida (1921-1991). El italiano sureño que se convirtió en esencia del charme francés. El vocalista que alternaba con el cine, incluso con estancia en Hollywood (donde NADIE se hubiera atrevido a cantar un repertorio como el suyo). El caprichoso que se retiraba de la circulación y se dejaba querer cuando se le reclamaba para actuar, girar, grabar, hacer televisión. El militante que rompió estrepitosamente con el comunismo. El hombre que intimó con Édith Piaf, Marilyn Monroe y, claro, Simone Signoret. Le ayudaba su apostura innata; bajo los focos, su capacidad para manejar un bastón, un paraguas, un sombrero hasta que se convertían en extensiones de su persona.

ROBERT PALMER

A poco que se esfuercen, encontrarán fotos de un Robert Palmer (1949-2003) con pelos largos, barba, chaqueta de cuero con flecos, pantalones vaqueros: los tiempos del grupo Vinegar Joe, por ejemplo. Sin embargo, a partir de 1974, se reinventó como cantante sofisticado y un tanto canalla, acompañado por damas con poca o ninguna ropa. Siguió la pista de tantos ilustres bon viveurs ingleses y se instaló en las Bahamas (aunque terminó en Suiza, cuando el ambiente isleño se puso peligroso). En contra de su reputación de pichabrava, era buen esposo y mejor padre. Su refinamiento exterior le permitió ir saltando de estilo en estilo, incluyendo el rock duro con Power Station. Con el fotógrafo Terence Donovan, hizo videos cruciales, que se burlaban del arquetipo de la modelo descerebrada. ¿Algún secreto? Era mañoso en coctelería. Me reservo lo del dia que nos quedamos encerrados en el ascensor diminuto que sube hasta los estudios madrileños de la SER...

FRANK SINATRA

Los chicos pobres suelen asimilar rápido las ventajas sociales de mostrarse impecables. Sinatra (1915-1998) era físicamente un alfeñique pero se hizo estrella en tiempos de carencias, durante el racionamiento de la Segunda Guerra Mundial, y decidió lucir una gallardía vulnerable. No renunció a las buenas tijeras que le vistieron en sus primeros tiempos, aunque también adoptó algo de la moda sport propia de ámbitos calurosos, como Los Ángeles o Las Vegas. Cabe imaginar que su conocida repugnancia ante el rock and roll tuvo que ver con lo que creía era el uniforme oficial de la delincuencia juvenil. Los rockeros, sin embargo, le tomaron la medida: como dijo Springsteen, “se convirtió en sinónimo de elegancia, buena vida, champán y refinamiento, pero su voz evocaba las desgracias del mundo”.

MARVIN GAYE

Durante un tiempo que él creyó demasiado largo, la Motown concibió a Marvin Gaye (1939-1984) como la versión sepia de Frank Sinatra o, en todo caso, el continuador de Nat King Cole. Así que lo sabía todo sobre los trajes de corte italiano o el esmoquin apto para impresionar en el Copacabana. Ya en los setenta, se reinventó como cantante socialmente atormentado y, ya de forma definitiva, como el perfecto lover man. Se ennobleció recurriendo a moda sensata entre los excesos del cine blaxploitation, aunque era capaz de salir a actuar con un batín, quizás como metáfora de la desnudez con la que se enfrentaba a sus adicciones al sexo y la cocaína. Cierto que llevaba una pesada carga: diferenciarse de su padre, un reverendo dado al travestismo. El hombre que terminó matando a Marvin.

DOMENICO MODUGNO

¿Qué admiramos de Modugno? Que se organizó una vida plena (1928-1994), a pesar de sus orígenes humildes: su padre era policía municipal e hizo sus estudios (cinematográficos) con una beca. Ejerció de actor hasta que descubrió que poseía talento inmenso para renovar el cancionero italiano, con una amplitud de recursos que iban desde la exuberancia al patetismo. Como decía una de sus piezas, le sentaba bien un viejo frac pero sabía qué ponerse para no desentonar en cualquier contexto. Solo admitía una fobia: la ropa interior blanca (“recuerda a los hospitales ¿no?”). Un ictus le llevó a esas instituciones que tanto detestaba pero se recuperó para funcionar como parlamentario combativo, en las filas del Partido Radical: hizo mucho por humanizar la existencia en los antiguos manicomios.

BRYAN FERRY

Pocas biografías como las de Ferry (1945) justifican los recurrentes mitos sobre la permeabilidad de la sociedad británica para la gente con talento. Hijo de un agricultor, que también cuidaba los ponis que trabajaban en una mina de carbón, supo evitar el destino que le tenían reservado -un “colegio técnico”- y estudió bellas artes en la universidad de Newcastle. Culto, experto en pop art, traspasó ese caudal al pop con Roxy Music y sus abundantes discos en solitario. Su gusto por las bellas cosas de la vida le permitió integrarse en la high society londinense. Aunque esencialmente apolítico, perdió sus simpatías por el laborismo cuando su hijo Otis combatió las leyes contra la caza del zorro; el conservadurismo de Cameron le va como guante a un esteta que se ha hecho a sí mismo.

LEONARD COHEN

Tuvo una larga etapa bohemia, como corresponde a un literato rebelde, pero Leonard (1934) gusta de proclamar que “nació vistiendo un traje”. Los Cohen habían prosperado en el negocio de la ropa, una industria donde solían destacar los judíos, y Leonard asimiló indefectiblemente una apreciación por los paños de calidad, las costuras exactas, los zapatos relucientes y el detalle-que-despista del sombrero. Nunca pareció una impostación: le destacaba entre la desastrada tropa de los cantautores. Esa facilidad para mostrarse impecable le ha permitido sobrevivir a desastres musicales, catástrofes amorosas e incluso a una hecatombe financiera. Todavía sigue el consejo de su madre: “cuando te sientas deprimido y miserable, no te abandones: te afeitas y te sentirás mejor.” Funciona, asegura.

JAY-Z

El sueño americano, versión ghetto. Shawn Corey Carter (1969) creció en una familia sin padre y asegura que se familiarizó con las armas y el menudeo del crack. Chico astuto, pronto aprendió que el hip-hop era un negocio mucho más seguro y rentable. Aunque posee un extraordinario flow, comprendió que la fama rapera se rentabiliza realmente en otros campos. Así que racionó sus lanzamientos mientras, por ejemplo, lanzaba la marca Rocawear, con gran éxito en el rebosante mercado de la “ropa urbana”. Pero él también viste su versión particular del uniforme de los ejecutivos, con una pulcritud que desconcierta a los inversores, políticos y capitanes de industria que se acercan a este Rey Midas. Tener a su lado a la pantera negra de Beyoncé también ayuda, naturalmente.


Entrada realizada a partir de una sugerencia de Fernando Rimblas para la revista Gentleman.

http://blogs.elpais.com/planeta-manrique/2013/07/nueve-cantantes-elegantes-porte-vestuario-actitud.html