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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Do it Again - Diana Krall



"Ohh, do it again

I may say no, no, no but do it again

My lips just ache to have you take the kiss that's waiting for you

You know if you do, you won't regret it, come and get it...."




*********

"If He Walked Into My Life"



R.I.P.

Eydie Gorme


Como bate o coração de uma mulher

POR XICOSA / 13/08/13


Para entender como bate o coração de uma mulher é preciso ter sentido algum dia na vida um pássaro preso na mão.
Não há blues, não há jazz, não há bossa, não há rock.
Não há educação de ritmo que nos faça entender, a princípio, essa coisa toda.
Não há escola, livro bom ou picaretagem de auto-ajuda. Ou se convive loucamente ou nunca vai saber o que seja uma mulher na vida. Mesmo convivendo loucamente, sabe-se pouco ainda. Eis o mistério do planeta, baby.
O coração de uma mulher sequer é bebop, é um sopro autoral no coração dos iluminados vagabundos, sopro que nos mantém vivos entre uma sístole e uma diástole.
Elas vão notar, de cara, quando se trata apenas de um donzelo a decifrá-las, um cabaço, mas tá valendo, bom é que seja homem e tente.
“Vem, meu menino vadio…”
É mais fácil enganar a Deus e a Darwin juntos do que enganar uma fêmea.
Cada mulher sopra de um jeito. Pobre de quem tenta entender como gênero ou discurso amoroso uma rapariga. Há mulher Billie Holiday, há mulher Nina Simone, há mulher crente, há mulher desgostosa, há mulher e isso é o que interessa.
Uma cachorra de hoje, uma Anitta, por exemplo, pode ser tão significante quanto uma Simone de Beauvoir na laje. Tão revolucionária quanto. Com a vantagem de não ter aguentado o ser, a náusea, o Jean-Paul Sartre.
Não há coração vira-lata no peito de uma fêmea.
Só sei que nada sei, como me disseram os dois Sócrates da minha vida, o grecorintiano e o grego de fato, mas tudo que aprendi no mundo aprendi com os pobres corações dos pássaros.
Embora em pequena cadeia comercial de família, capturei, prendi, vendi, trafiquei, no varejo de uma cidade do interior do Nordeste brasileiro –o centro do universo-, aves, bichos, passarinhos. Infinitas contradições da trajetória: amava, estimava e com tais criaturas ganhava um troco para o xerém da existência.
É preciso ter prendido algum pássaro ou soltado algum dia no aquário um peixe vermelho, mesmo sem ser aqueles caras cinematograficamente charmosos e metidos do “Rumble Fish”(by Francis Ford Coppola), para saber como desliza para dentro da sua vida uma mulher.
É preciso ter cuidado com pássaros, peixes e mulheres, é preciso respirar os mesmos ares e oxigênios, mesmo morando em São Paulo, mesmo dentro de um aquário ou de uma gaiola sob o Minhocão aos domingos.
A primeira vez que eu vi seu rosto, agora peço ajuda ao bardo Johnny Cash, digo, a primeira vez que eu beijei sua boca, eu senti a Terra girar em minha mão como o coração trêmulo de um pássaro de cativeiro, aquilo estava ao meu comando, minha pequena, como no meu primeiro tráfico de pássaros.
Mal sabia que não há domínio sobre os mistérios sagrados. As aves se domesticam; os peixes se aquietam diante de luzes, algas e farelos; as mulheres criam escamas, asas, mesmo as que não desejam sair nunca do mesmo canto –ou reino- cometem seus belos deslizes.
As mulheres não se contentam nunca. Aí mora a lindeza danada delas.
Tal como os tremores do coração de uma ave em cativeiro, viejo Johnny Cash.
Tal, mas nunca qual!
Para segurar minimamente uma mulher não há segredo. É só tentar rezar todas as manhãs para Nossa Senhora das ~Belas Bucetas~ Impossíveis, amém.
Para entender como bate o coração de uma mulher é preciso ter sentido algum dia na vida um pássaro preso na mão. Liso como um peixe vermelho.



domingo, 11 de agosto de 2013

Nat King Cole, por Omara






Projeto sigiloso fará encontro da dama cubana com a grande voz da canção dos EUA
11 de agosto de 2013
JULIO MARIA - O Estado de S.Paulo


Antes mesmo de esbarrar em Omara Portuondo pela primeira vez, Nat King Cole sabia bem do que era capaz a flor de Havana. Sabia e respeitava. Pois Fidel Castro nem havia ainda escalado sua Sierra Maestra para arquitetar a tomada da Ilha das mãos do ditador Fulgencio Batista quando Omara começou a se tornar um nome de respeito e a fazer a própria revolução. Cantava em um grupo chamado Cuarteto d'Aida, com o qual já havia lançado um álbum de sucesso dez anos antes de Che Guevara dar o ar da graça, com uma técnica e uma emoção que pareciam estar sempre sobrando em sua voz. Mais ou menos ao mesmo tempo, Omara e Nat conquistavam seus mundos. Do lado de cá do oceano, ela despontava em espanhol, nos cassinos da era pré-revolução. Do lado de lá, ele já era um fenômeno, lançando discos como pianista de um trio de jazz que chegou a gravar os desconhecidos alicerces do rock and roll em 1945, chamado Straighten Up And Fly Right.

As afinidades foram crescendo até que Nat e Omara se juntaram para uma série de shows em Havana, na casa Tropicana, ainda hoje uma das mais conhecidas da Ilha. O episódio que entrou para a biografia do cantor, e que deixou Omara sem cor, foi o dia em que o suntuoso Hotel Nacional, de frente para o Malecón, não aceitou Nat como hóspede pelo fato de ser ele negro. "Mas isso foi antes da revolução, uma época em que muitos sofriam com o racismo no mundo todo", diz Omara ao Estado, de um hotel em Barcelona, Espanha, onde estava para uma apresentação com os remanescentes do grupo Buena Vista Social Club.

Omara acaba de celebrar um reencontro póstumo com Nat King Cole. Dirigida pelo violonista brasileiro Swami Jr., a cantora já gravou todas as faixas de um disco em que só canta músicas da fase hispânica de Nat, extraída de álbuns que o cantor lançou nos anos 1950, com canções de origens mexicanas, cubanas e brasileiras.

Ainda sem nome e data de lançamento definidos, o projeto é guardado em caráter confidencial pelos agentes de Omara, que não liberaram nem trechos de canções para serem disponibilizados no portal do Estadão. Mas Swami, diretor, violonista e arranjador de Omara, conseguiu permissão para mostrar todas as faixas à reportagem. As gravações mostram uma Omara de voz grande e comovente, aos 82 anos, tocada ao rever músicas que estiveram consigo desde que tudo começou. "Ele já era uma autoridade quando começamos com o grupo em Cuba", lembra Omara.

Swami coloca faixa por faixa, como se escutasse o trabalho pela primeira vez. Acerca-te Más, bolerão em sua versão original, já mostra a mão do brasileiro nas harmonias. El Bodeguero, em que Omara divide vozes com Natalie Cole, filha de Nat, deixa claro que Swami universaliza Omara, retirando-a do conforto e das amarras da música caribenha ao arranjá-la com texturas e acordes que não sairiam da tradição cubana. Noche de Ronda é feita com mais sofisticação do que a versão de Nat. Com delicado solo de Flugelhorn, Solamente Una Vez vira um danzón, gênero mais lento apreciado pela velha guarda dançante, e Piel Canela, um chachachá cheio de convenções que os músicos brasileiros gostam de usar. Entraram ainda Maria Helena, com uma levada que fica entre o samba-canção e o bolero, Quizás, Quizás, Quizás, totalmente renovada em sua rearmonização muito mais encrencada do que a versão original, e Tu Mi Delírio, a mais brasileira das faixas, com marcação rítmica de tamborim. Em inglês, Omara canta Autumn Leaves, em arranjo para violão, cajón e baixo, uma rumba flamenca que fez questão de incluir.

O disco foi registrado no estúdio Abdala, em Havana, que tem como proprietário o cantor Silvio Rodrigues, com moderníssimos recursos. "É hoje o melhor estúdio de Havana", conta Swami, quando questionado sobre a opção por não gravar no Egrem, a histórica sala da música cubana. Ele conta que Omara não repetiu nenhuma canção. "Com ela não tem isso. Fez, passou, está pronto. Omara é um tipo de cantora que não temos mais. Sua vivência, seu passado, faz com que ela seja a própria música. Não é algo processado no cérebro para sair como sai. O que sai é a própria Omara", define.

Em um tom que não parece cordialidade de compadres, Omara também passa a se referir a Swami quando sente que a entrevista se aproxima do fim. "Ele tem um violão e uma orquestração muito especiais. É um grande músico que me deu a oportunidade de conhecer e gravar com muitos brasileiros, como Maria Bethânia e Chico Buarque." Seja com o projeto Orquestra Buena Vista, com o qual roda pela Europa, seja para lançar o álbum com a obra de Nat King Cole, Omara diz que só espera o chamado de um empresário para voltar ao Brasil. "Vou na hora. É só me convidarem."




http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,nat-king-cole-por-omara-,1062950,0.htm

sábado, 10 de agosto de 2013

Historia(s) de la belleza


De los rituales faciales de la prehistoria al retoque corporal moderno pasando por el cine, la publicidad y la moda: el Museo de la Evolución Humana disecciona el canon estético a través de los tiempos

ANA MARCOS Burgos 23 JUL 2013 -



Un visitante contempla un detalle de la Venus de Botticelli. / TOMAS ALONSO


Los esclavos germanos no tenían derecho a la vida ni a la muerte, pero sí bonitas melenas rubias. La envidia de las mujeres romanas, que mandaban importar cabellos del norte de Europa para confeccionar sus elaboradas pelucas. La élite de la antigüedad imponía su canon de lujo y exotismo mediante prácticas esnobistas que se nutrían de los piojos de los descastados. Las mujeres del Romanticismo del XVIII entraron en una competición suicida por conseguir un aspecto frágil y pálido ingiriendo vinagre y limón. La meta era limar las curvas y tornar sus caras de enfermedad. Al contrario que sus lustrosas antecesoras del Renacimiento, bien orgullosas de sus grandes caderas y sexis papadas. Todas ellas se lucen hasta el 12 de enero de 2014 en el Museo de la Evolución Humana de Burgos en la exposición La belleza, una búsqueda sin fin.



La publicidad y los objetos, a caballo entre la verdad y la mentira, son protagonistas en la muestra de Burgos.

Protegidas por la vegetación de la sierra de Atapuerca que se recrea a la entrada de la institución, más de 100 piezas reflexionan sobre cómo “la belleza ha ido cambiando a la luz de los acontecimientos culturales”, como apunta Quionia Herrero, comisaria de la muestra. La institución, en colaboración con la firma de cosmética L’Oréal España, afronta el recorrido desde la biología como sustrato de la belleza, pero rendida al fundamentalismo cultural, responsable último de establecer los cánones. “Lanzamos la pregunta: ‘¿Por qué estamos programados para detectar la belleza?’ y la confrontamos con las teorías clásicas de la simetría, la proporción y la herencia genética”, apostilla Herrero.

Una bonita y simétrica concha de nautilus recibe al visitante. Su espiral perfecta se desliza por el cascarón siguiendo la fórmula áurea, para fortuna de Pitágoras, la mancha de texto de los libros medievales, el Partenon, La Gioconda de Da Vinci o los diseños de Le Corbusier. Pero para desgracia de Darwin. Por muy controlados que creyera que tenía a los pinzones de Galápagos, hubo un pájaro que decidió llevarle la contraria. El pavo real sacaba de sus casillas al naturalista inglés con su plumaje colorido y su pavoneo a la conquista de las hembras. Para Darwin la provocación era más bien el cebo para los depredadores, no para las pretendientas. Es decir, toda su teoría de la lucha contra el medio para la supervivencia de la especie se iba al traste por el coqueteo. Así que antes de tirar la toalla, introdujo en El origen de la especies (1859) un capítulo sobre la selección sexual. Los machos ya tenían excusa para seguir contoneándose. “Hay teorías científicas que plantean que la belleza es un sistema de señales para transmitir los genes”, explica la comisaria, “cuanto mayor éxito reproductivo, mayores cualidades genéticas especiales, como por ejemplo un sistema inmunitario fuerte”.



Abajo, estatuillla prehistórica en el Museo de la Evolución Humana

Menos peligrosas, aunque igual de superficiales, son algunas herramientas de la Prehistoria. Los bifaces fabricados por el Homo ergaster de la exposición evidencian la búsqueda de la belleza de los primeros hombres: un instrumento simétrico de piedra pulida, nada efectivo para la tarea que se le presuponía. En 2004, un grupo de espeleólogos encontraba en la Sala del Caos del complejo kárstico de la Sierra de Atapuerca una misteriosa joya de oro perteneciente a la Edad del Bronce. Conocida como la Joya del Silo,el brazalete comparte vitrina con una diadema de oro de Roma del siglo I a.C. y los collares egipcios, pertenecientes a la colección de Rafel Pagés.

“Civilizaciones como la griega y la romana no consideraban bella a una persona si no se aplicaba ungüentos, perfumes o maquillaje, a los que concedían un valor mágico”, relata Herrero. “En la Prehistoria o en determinadas culturas aborígenes, un cuerpo al natural, sin decorar, no es humano". La intervención consciente para conseguir la aceptación social aunque implique el sufrimiento. En los 400 metros cuadrados dedicados a la exposición aparecen unos cuantos ejemplos de esta dictadura de la belleza: los pies de loto de las mujeres chinas, las deformaciones en el cráneo en Mesoamérica, las anillas en el cuello de las mujeres de la tribu Karen de Tailandia, los dientes negros tras aplicar la técnica del ohaguro de los japoneses o el absolutismo de los corsés de la Francia anterior a la Revolución Francesa. “Se mezcla la necesidad de cumplir con un canon de belleza y la distinción social, porque por mucho que las clases populares hayan intentado imitar a las élites, siempre existían algunos límites".

No muchos podían permitirse una fragancia a medida como consiguió Napoleón. El Rodillo del Emperador encierra el Agua de Colonia creada por Jean-Marie Farina en un frasco alargado. Gracias al recipiente, el conquistador solo tenía que dejarlo resbalar hasta su bota, sin necesidad de bajarse del caballo y sin perder la frescura cítrica del perfume. Antes de que la Revolución Francesa e Industrial acabaran con sus vanidades, las cortes europeas de los siglos XVII y XVIII elevaron sus peinados al surrealismo y se embadurnaron hasta la distinción social.


La casa del hombre
El 13 de junio de 2010 abrió sus puertas elMuseo de la Evolución Humana, muy cerca de la Catedral de Burgos.
La exposición permanente ofrece los hallazgos de Atapuerca tras medio siglo desde el hito arqueológico.
Uno de los atractivos principales de la muestra es contemplar fósiles homínidos de 850.000 años, encontrados de la Sierra de Atapuerca, en la Trinchera de Ferrocarril.
Atapuerca 4x4 es una de las principales novedades de este 2013. Un paseo por los yacimientos a bordo de uno de estos vehículos por 20 euros para mayores de 16 años.
Entre las actividades que podrán disfrutarse este 2013, destaca Sinfonías del subsuelo, un concierto de Silverio Cavia que tratará de recorrer melódicamente la distancia que separa el Paleolítico de nuestros días. Será el 26 de julio a las ocho de la tarde y la entrada valdrá cinco euros.
El arte del arco en la prehistoria es lo que tendrán que practicar las principales figuras europeas de este deporte entre el 14 y el 15 de septiembre. La cita será en Ibeas de Juarros.

La belleza, una búsqueda sin finreúne pigmentos que han sido utilizados a lo largo de la historia, como el ocre mineral, el khol y la henna, el sulfuro de mercurio o el antimonio, la harina de arroz y de trigo, además de los productos sintéticos que comienzan a desarrollarse a finales del siglo XIX. Los cítricos y el incienso formaron parte de los primeros mejunjes que sirvieron como desodorantes al frotarlos contra el cuerpo. Aunque el que realmente hizo su labor llegó en el siglo XIX con cloruro de zinc.

Lo que la guerra había separado, lo unieron la paz de finales del XX y el nuevo siglo a través del bombardeo del cine, la televisión y la publicidad. No solo se propiciaron nuevos cánones en los que la gordura representaba la pereza y la delgadez el éxito, sino que las religiones tuvieron que retroceder sus líneas de defensa. “El cristianismo aboga por la pureza del cuerpo, el objeto más bello y la medida de todo”, cuenta Herrero, “sin embargo, los piercings y los tatuajes, considerados algo exótico, más propios de culturas africanas donde prima la escarificación y el uso de pigmentos, han terminado por ser parte de la cultura occidental”.

“Los avances técnicos no solo han permitido realizar ese ideal de belleza, sino que en este momento han multiplicado las patentes en biotecnología y medicina relacionados con la cosmética”, cuenta Herrero al lado de una vitrina donde la firma L’Oréal expone cultivos de tejido humano que además de laboratorio para probar sus productos, permiten a sus científicos (dedican un 3,5% de su negocio a la investigación) avanzar en la reconstrucción de grandes quemados.

“La aspiración eterna a la inmortalidad será una preocupación que perdure”, afirma Quionia Herrero, “no me atrevo a aventurar nuevos cánones de belleza, pero el futuro se debate entre la tendencia biológica de la eugenesia [conocida como bebés a la carta] que ya se practica y no tendría por qué limitarse al sexo, y la tecnología aplicada al cuerpo". ¿Terminaremos siendo cyborgs? "Además de los implantes, puede que lleguemos a ese momento en que los robots sirvan para mejorar nuestra memoria, entre otras muchas funciones”.

http://cultura.elpais.com/cultura/2013/07/23/actualidad/1374612147_742497.html


"The Air That I Breathe" - The Hollies




The Air That I Breath


If I could make a wish

I think Id pass

Cant think of anything I need

No cigarettes, no sleep, no light, no sound

Nothing to eat, no books to read


Making love with you

Has left me peaceful, warm, and tired

What more could I ask

Theres nothing left to be desired

Peace came upon me and it leaves me weak

So sleep, silent angel, go to sleep


Sometimes, all I need is the air that I breathe

And to love you

All I need is the air that I breathe

Yes to love you

All I need is the air that I breathe


Peace came upon me and it leaves me weak

So sleep, silent angel, go to sleep


Sometimes, all I need is the air that I breathe

And to love you

All I need is the air that I breathe

Yes to love you

All I need is the air that I breathe


Sometimes, all I need is the air that I breathe

And to love you

All I need is the air that I breathe

Yes to love you

All I need is the air that I breathe

And to love you

All I need is the air that I breathe

Yes to love you

Maravilhas Contemporâneas [1976] | - Luiz Melodia


Você não sabe...



Artur K.


Não me tortura a tua ausência. Tenho um amor que cresce, brilhante, incontáveis centímetros por dia – enraizou-se no céu da boca; escreveu poemas. Não há tratamento para o que fomos nem haverá tratamento para o que não seremos. Seguiremos doentes de nós. Sei que em algum lugar, no além de mim, continuas forte e real. Impreciso e sensível. Você não sabe... Acompanho a dança das tuas esquinas. Você vira, eu me curvo mais à frente. Você retoma o fôlego, suspiro ao lado. Você se perde, eu me espalho. Você dispensa os passos, me paraliso bem junto. E o coração suspende, infinitamente, todas as nossas continuidades. Você não sabe...

Não abrirei caminhos nesta manhã. Me esqueço nos teus cantos, dentro dos teus móveis, no ruído dessas janelas. Em tudo. E serei feliz em todos os seus lugares. Amar é não mover-se.


Priscila Rôde


http://www.priscilarode.com/2013/05/voce-nao-sabe.html

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Camille Claudel 1915

Camille Claudel 1915

Juliette Binoche está em quase todas as cenas de Camille Claudel 1915. Um tour-de-force para uma atriz que, às vésperas de completar 50 anos, não tem mais nada a provar, mas que continua entregando interpretações únicas. No filme de Bruno Dumont, a parisiense está avassaladora, enchendo a tela tanto quando a câmera busca as expressões mais íntimas de seu rosto quanto nos momentos em que a observa, afastada, dando corpo à solidão e ao incômodo da personagem. Camille Claudel, a escultora, é apresentada já em seus últimos dias de vida, enclausurada num convento, considerada louca.
Operando neste recorte, Dumont evita as armadilhas e maneirismos de uma cinebiografia tradicional, como a que Bruno Nuytten dirigiu em 1988 e que deu uma indicação ao Oscar para Isabelle Adjani. Sem se obrigar a explicar a história da artista o cineasta faz um retrato árido de uma mulher que vive isolada do mundo e, possivelmente pela primeira vez em sua carreira, entrega boa parte da responsabilidade sobre o filme para uma atriz. Em sua obra anterior até aqui, Dumont sempre se caracterizou com um diretor de atores não profissionais, que colaboravam para que seus temas surgissem tanto da ausência do drama quanto da falta de aproximação.
Aqui, embora Binoche pareça ser dirigida para ter uma interpretação econômica, o talento e a experiência da atriz se sobrepõem ao trabalho do cineasta. Camille Claudel 1915 é tanto um filme de Binoche quanto um filme de Dumont, embora os temas caros a seu cinema estejam presentes. As opções do diretor desafiam a atriz. Sem a presença de Auguste Rodin, com quem a personagem teve um conturbado relacionamento amoroso, aqui resumido a uma citação na conversa entre Camille com o diretor do convento, o filme basicamente se resume a Binoche e sua interação muito mais com o vazio do que com os coadjuvantes. Seu único contraponto entra em cena apenas no terço final do longa. Jean-Luc Vicent faz Paul Claudel, irmão de Camille, que concentra o discurso religioso, sempre presente nos filmes de Dumont.
É justamente quando a religião se faz presente, com sua função expiatória e moralista, dando algum tipo de explicação, resolvendo em algum nível a situação, que o filme perde um pouco de sua força. Enquanto Binoche reina solitária, enquanto sua dor é abstrata, enquanto os portões do convento estão abertos, mas sua personagem não pensa em sair dali, enquanto a hostilidade está mais nas paredes do que nas pessoas que convivem com ela, a desesperança de Camille parece ganhar um retrato muito mais fiel, é ali que está a tradução de uma mulher para a qual a vida se tornou intangível.
entrevista com Bruno Dumont
Por que você decidiu focar o filme nos últimos dias da vida de Camille Claudel?
Esta parte da vida dela é praticamente desconhecida. E eu sempre fico tentado com aventuras.
Como você chegou em Juliette Binoche e o que ela trouxe para o filme?
Me parecia natural que uma artista interpretasse outra artista. É como usar o mar para representar o mar.
Religiosidade é um de seus temas favoritos. Neste filme, o personagem de Paul Claudel concentra boa parte do discurso religioso. Como você o vê?
Ele concentra o que nós, franceses, temos de mais covarde, mas sem deixar de inspirar graça.
Alguns críticos comparam seu trabalho neste filme com a obra de Robert Bresson. Ele foi ou é uma influência?
Robert quem?
O que você acha do Camille Claudel que Bruno Nuytten dirigiu? (com Isabelle Adjani, em 1988)
Não lembro.
Você já tem um novo projeto? 
Sim. P’tit Quinquin (segundo o IMDB, uma série prevista para 2014. O título é o mesmo de uma canção composta por Alexandre Desrrousseaux, em 1853, escrita na língua de Picard, um dialeto próximo ao francês).
Camille Claudel 1915 EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha½
[Camille Claudel 1915, Bruno Dumont, 2013]
Filmes do Chico também no Facebook, Twitter e Instagram (@filmesdochico).