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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

"el hombre de la paz era una fortaleza"


Allende



Mario Benedetti

para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que congregar todos los odios
y además los aviones y los tanques
para batir al hombre de la paz
tuvieron que bombardearlo hacerlo llama
porque el hombre de la paz era una fortaleza

para matar al hombre de la paz
tuvieron que desatar la guerra turbia
para vencer al hombre de la paz
y acallar su voz modesta y taladrante
tuvieron que empujar el terror hasta el abismo
y matar más para seguir matando
para batir al hombre de la paz
tuvieron que asesinarlo muchas veces
porque el hombre de la paz era una fortaleza

para matar al hombre de la paz
tuvieron que imaginar que era una tropa
una armada una hueste una brigada
tuvieron que creer que era otro ejército
pero el hombre de la paz era tan sólo un pueblo
y tenía en sus manos un fusil y un mandato
y eran necesarios más tanques más rencores
más bombas más aviones más oprobios
porque el hombre del paz era una fortaleza

para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que afiliarse para siempre a la muerte
matar y matar más para seguir matando
y condenarse a la blindada soledad
para matar al hombre que era un pueblo
tuvieron que quedarse sin el pueblo.


Lee todo en: Allende - Poemas de Mario Benedetti http://www.poemas-del-alma.com/mario-benedetti-allende.htm#ixzz2eR1ZUKA7

domingo, 8 de setembro de 2013

Simples




E se for mesmo simples? Um dia, um lugar, uma vez? Uma esquina? E se for mesmo simples, um querer e a rima? E se for mesmo simples? Sem dor, sem medo, sem esperas? E se for mesmo simples, as letras azuis construindo estradas e abraços?

E se for mesmo simples, eu, você e o tempo espiando a gente aprender o prazer? E se for mesmo simples, eu vou, você vem, as estradas se fazem quarto para um tempo sem amanhãs. E se for mesmo simples, café forte, música na vitrola e olhos se fazendo poços?

E se for mesmo simples, a pele arisca, os desejos inquietos, as saudades antecipadas? E se for mesmo simples, gentileza, malícia e aquela vontade de não dormir nunca mais? E se for mesmo simples: todos os verbos no presente, todas as perguntas no pretérito, todas as vontades no gerúndio?

E se for mesmo simples, beijos curiosos, mãos pacientes e horas fora do calendário? E se for mesmo simples, sem memória, sem história, sem álbum de fotografias? E se for mesmo simples, um pouco sem razão, um tanto sem esperança, o reconhecimento tranquilo do outro.

E se for mesmo simples: coragem?

Eu tenho confusos planos de me perder em você. Nada de hora seguinte, nenhuma informação de trajeto, só a seta, certeira, no mapa: aqui. Em qual esquina de mim mesma te espero?

POR LUCIANA NEPOMUCENO 
http://borboletasnosolhos.blogspot.com

Dos Silêncios




Fez-se silêncio. A casa ficou enorme. Não mais as conversas interrompidas por gargalhadas, os passeios guiados pela maresia, as comidas com sabor de gentileza. Fez-se silêncio e um oco a que se costuma chamar saudade. Fez-se silêncio e memória. Fez-se silêncio e projeto. Fez-se silêncio e promessa. Fez-se estrada e novas conversas, outros sabores, outros lugares, nós mesmos, outros. Fez-se aquela dorzinha gostosa de sentir falta de alguém que realmente se ama e faz diferença no viver.

POR LUCIANA NEPOMUCENO 
http://borboletasnosolhos.blogspot.com

Salve-nos poetas!!!

Edição 1855 de 23 a 29 de janeiro de 2011
Inéditos | Nei Duclós
Palavra perdida
Quando dorme o dorso da Terra
encontre a fera, palavra síntese 
a medrar no escuro. Ela te acorda
na manhã seguinte 
 
A madrugada é boa para poesia 
O poder dorme, o desamor cochila. 
E tuas asas, em desuso, circulam 
Como a carga de um casulo 
 
A infância, resto de memória 
Imaginada depois de ter sumido
Reaparece de amor em punho
único brinquedo ainda explícito
 
O que fazer com a insônia,
vôo que morre ao sol a pino? 
Não importa. O que vale é o salto 
no abismo, onde vive a criatura:
 
A Lua cheia, coberta de nuvens 
fugindo em maquiagem espessa 
até ficar apenas uma trilha 
no veludo sem estrelas
 
More no poema insepulto
Componha a sinfonia
Nenhum verso faz sentido 
Sem alguém que o habite 
 
Gaia
 
Ventos: a terra respira.
Rios: o sangue circula. 
Mar: existe uma alma.
 
Montanha: Deus medita. 
Lagos: os anjos se banham. 
Selva: o jaguar te enxerga 
 
Nuvens: o céu cria filhos. 
Raios: gigantes rabiscam. 
Chuva: o sonho descamba. 
 
Noite: manto de estrelas. 
Dia: chapéu de brisa
Inverno: o avô pega o ônibus. 
 
Verão: um jardim de formigas. 
Outono: um tio puxa briga. 
Primavera: a rosa desfila
 
Deus: o fim é o início. 
Homem: irmão de sementes. 
Mulher: mudança de tempo 
 
Praia: Netuno é criança. 
Velas: há um motor na esperança. 
Porto: o amor vem à tona
 
Sonho: o passo imagina. 
Vigília: o olhar está frio. 
Sono: a vida se abriga
 

Resposta ao Tempo - Aldir Blanc & Nana Caymmi


Encerrando Ciclos




Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

(Nota: o texto Encerrando Ciclos não é de Fernando Pessoa ou de Paulo Coelho)

Gloria Hurtado



sábado, 7 de setembro de 2013

Bola entre as pernas

RUY CASTRO


RIO DE JANEIRO - De certa maneira, a culpa é do querido d. Pedro 2º. Em 1876, de chapéu de palha e guarda-chuva, ele circulava com os jurados pela Exposição do Centenário dos EUA, em Filadélfia, quando passou pelo estande de um jovem magro e humilde que conhecera semanas antes, em Boston. O rapaz tinha um aparelho para mostrar, mas ninguém se dignava a examinar sua criação. Por insistência de d. Pedro, os jurados aceitaram submeter-se a uma demonstração. O jovem se chamava Alexander Graham Bell. Seu invento era o telefone.
Outro dia, num episódio do seriado americano "Peter Gunn", de 1958, a que eu assistia em DVD, o herói está na rua e precisa falar com alguém na França. Liga para a telefonista, dá-lhe o número a chamar em Paris e o número de seu cartão de crédito. Dez minutos depois, a ligação é completada e ele se admira com as comunicações modernas. Ao ver isso hoje, em 2013, eu também me admiro --com que então, em 1958, os americanos já pagavam uma ligação internacional com cartão de crédito! Naquele tempo, nós, aqui, ainda nos comunicávamos por tambores.
E o que mais me impressionou na chegada do homem à Lua, em 1969, não foi a chegada em si, mas ver o presidente Nixon, da Sala Oval, ligar --direto-- para o Mar da Tranquilidade e mandar chamar os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin. Quanto a nós, aqui, ainda nos arriscávamos a morrer de velhice antes de completar uma ligação Rio-São Paulo.
Mais recentemente, os americanos levaram isso às últimas consequências, com seus aparelhos que escutam, leem, gravam e classificam tudo o que se fala em toda parte, sem que as pessoas percebam que estão sendo xeretadas.
E, quando percebem, reagem indignadas --pelo fato de, tão triunfalistas, autossuficientes e espertas, estarem há anos tomando bola entre as pernas.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

candomblé - religião autenticamente afro-brasileira






FÉ

Inquices, voduns e orixás vieram junto com os africanos que desembarcaram na América. Mas, aqui, grupos étnicos estavam em contato, vivendo juntos. Dessa proximidade, surgiu um religião autenticamente afro-brasileira, onde convivem divindades e ritos de diferentes tradições. Foram surgindo assim, de forma disfarçada, para driblar a severa perseguição, os candomblés de angola, jejes e nagôs. Casas religiosas que oferecem apoio espiritual, físico, financeiro e emocional a pessoas de todas as origens. Com o passar dos anos, pela força moral dos seus líderes, conquistaram apoiadores e respeito. Contaremos aqui uma pequena parte dessa história. Um dos textos fala das mães-de-santo de alguns dos mais antigos candomblés de tradição jeje-nagô do Brasil. Em um outro, contamos a história de uma delas – Mãe Menininha do Gantois – uma das mais respeitadas líderes da religião dos orixás. Há também uma entrevista com Mãe Stella, do Ilê Axé Opô Afonjá, um texto sobre a língua iorubá e mais dois que retratam a importância dos alimentos votivos, presentes nos terreiros e cozinhas do Brasil.


>> A mãe da sabedoria


>> Banquete dos orixás


>> Caruru de Cosme e Damião


>> Entrevista com Mãe Stella de Oxóssi


>> Iorubá dos terreiros


>> Mães-de-santo



* Nota: Atendendo ao pedido de um leitor do "Sussurro", Victor Machado, estudante universitário na cidade de Marília - interior do estado de São Paulo que se dedica à Antropologia, com ênfase no Candomblé. Espero que estas 3 postagens agucem teus sentidos... Grata, e volte sempre!!!! regina