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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Se o homem amasse mulher como ama futebol


POR XICOSA


Amor fora de campo: Garrincha & Elza Soares.Foto:EPA

O que aconteceria se o homem, aqui vale o homem normal, a média dos homens -aquele cara simples, tarado por mulher, cerveja e futebol – gostasse tanto da sua amada como gosta do seu time do peito?

Seria uma revolução. Mudaria tudo. Tudo mesmo. Repare:

Para começar, o macho jamais deixaria a sua fêmea. Nunca, never. Homem que é homem muda de sexo mas não muda de time.

Mesmo quando ela se sentisse a pior das criaturas, por baixo mesmo, mesmo quando ela blasfemasse aos céus e se queixasse ao espelho que estava gorda e autoestima despencara.

Muito pelo contrário. Isso seria motivo para aumentar ainda mais o amor e até para renovar a paixão, com garantia eterna de fidelidade, como ocorre quando o time do homem cai para a Segundona do campeonato –“Eu nunca vou te abandonar, Corinthians”.

Se o homem gostasse da mulher pelo menos 50% como ama o seu time, nem uma bola nas costas, uma traição, como uma derrota incompreensível, seria motivo para o fim do relacionamento. No futebol, assim como no amor, tudo seria perdoável.

Se o macho normal gostasse da cria da sua costela como quem aprecia um Flu, um Fla,um São Paulo, um Peixe, um Palmeiras, um Bahia, um Santa Cruz, um Galo, um Grêmio, arranjaria tempo para ir com ela ao cinema ou jantar fora pelo menos duas vezes por semana –no mínimo empataria com o tempo que dedica ao clube.

Apreciasse sua mulher como é chegado ao futebol, o sujeito trocaria pelo menos uma mesa-redonda na tv por um conversa com a dama. Em vez da crise no Vasco, tentaria entender a derrota que virou seu casamento.

Se o Cruzeiro anda tão bem, brilha na dianteira do firmamento, por que não melhorar também, amigo, a posição na tabela no jogo dentro e casa? Deixar tudo mais celeste, o amor azulzinho em um céu de brigadeiro?

Não sejamos exagerados. Bastaria dedicar 30% do que se devota ao time do peito. Teríamos uma mudança radical na vida dos casais.

Imagina se o torcedor do Goiás, caro Rogério Bueno, cantasse assim para aa namorada, como canta para o time esmeraldino: “Pra vencer tem que ser guerreiro/ Pra te ver sou sempre o primeiro…”

O cara é capaz de morrer por um triunfo do Furacão, do Coxa ou do Sport, o cara chora pelo Botafogo, o cara come toda a água do planeta pelo Vitória, o timbu deixa o lar doce lar para ir sofrer em São Lourenço da Mata…

Se o homem gostasse tanto da sua mulher como gosta do seu clube o domingo seria outro. Quando o time fosse derrotado, ele se confortaria no amor e no sexo da princesa. Não é o que acontece. A desgraça no futebol o inviabiliza na cama. É batata.

No caso da mulher doente por futebol, mesmo uma corintiana, creio que a relação seja outra. Na alegria ou na tristeza clubística, ela é a mesma. Consegue separar o desejo com o amado do placar domingueiro.

Como diria meu amigo Nick Hornby, não há termômetro que entenda o macho e essa febre de bola.


http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/


É por Ti que Vivo

António Victor Ramos Rosa (Faro17 de Outubro de 1924 - 23 de Setembro de 2013), um poeta português
António  Ramos RosaAntónio Ramos RosaPortugaln. 1924Poeta/Ensaísta
É por Ti que VivoAmo o teu túmido candor de astro 
a tua pura integridade delicada 
a tua permanente adolescência de segredo 
a tua fragilidade acesa sempre altiva 

Por ti eu sou a leve segurança 
de um peito que pulsa e canta a sua chama 
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro 
ou à chuva das tuas pétalas de prata 

Se guardo algum tesouro não o prendo 
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto 
que dure e flua nas tuas veias lentas 
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar 

Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva 
para que sintas a verde frescura 
de um pomar de brancas cortesias 
porque é por ti que vivo é por ti que nasço 
porque amo o ouro vivo do teu rosto 

António Ramos Rosa, in 'O Teu Rosto'

Tema(s): Amor Ler outros poemas de António Ramos Rosa 

sábado, 21 de setembro de 2013

CHAVELA VARGAS - CONCIERTO COMPLETO


CHAVELA VARGAS E O CANTO DA ALMA

em musica por  em 13 de set de 2013

Talvez a voz mais emblemática da América Latina. Rebelde, forte e genuína. Levou uma vida de excessos, sofrida, que quase perdeu, mas a vitória alcançada no final foi gloriosa! - “Salí de los infernos, pero lo hice cantando”
Chavela Vargas 1.JPG
Fez em Agosto, 1 ano sobre o falecimento de Izabel Vargas Lizano, mais conhecida como Chavela Vargas. Nascida em 1919, em San Joaquín de Flores, Costa Rica, viu a sua infância manchada pela doença e pelo divórcio dos seus pais, sendo deixada ao cuidado dos tios.
Saiu aos 14 anos do seu país, sozinha, incompreendida, e identificou-se com o México. Ali desempenhou várias funções, mas foi com a voz e a atitude que surpreendeu, chamando a atenção com o tema Macorina.
Macorina é a história verdadeira de uma mulher astuta e bela, que no seu tempo foi uma precursora na luta pelos direitos das mulheres. Uma musa e inspiração para muitos. Uma lenda.
O seu nome era María Calvo Nodarse (1892 – 1977) e abandonou Cuba aos 15 anos rumo a Havana, com o noivo e único amor. A mudança foi difícil devido às dificuldades económicas, vendo–se obrigada a abdicar do seu romance para entrar no mundo da prostituição.
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A forte personalidade e beleza levaram-na até às esferas mais selectas e ricas, tornando-se uma das prostitutas mais famosas e elegantes da época. Foi considerada a Mata Hari cubana e foi a primeira mulher a obter licença de condução e a conduzir um automóvel em Cuba. Numa sociedade de moral católica, foi apelidada de “diabólica”. Muitos foram os seus feitos, intensa foi a sua vida.
Macorina foi imortalizada nas artes. Alfonso Camín escreveu um poema sobre ela e Chavela cantou-a com muito sentimento e compreensão, transformando-a numa das músicas mais conhecidas da sua carreira. Numa entrevista falou sobre ela:
“Macorina te voy a llevar conmigo alrededor del mundo. Vas a recorrer de mi mano muchos mares y tierras lejanas. Se lo dije así y ella sonrió. Quién sabe si en ese momento me había creído, seguro que no, pero vivió el tiempo suficiente como para darse cuenta de que cumplí mi promesa. Cuando ella murió, en 1977, ya mi Macorina había ido y venido alrededor del mundo”.
Como diz Chavela, este tema percorreu mundo e converteu-se também num hino ao espírito rebelde, prenúncio da essência da sua música e carreira.
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Destemida, as suas músicas seriam normalmente cantadas por homens e falavam de desejo pelas mulheres. Vestia roupa masculina, fumava e carregava uma arma. Era conhecida pelo casaco vermelho que adorava envergar.
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Passeava com Agustín Lara, compositor e poeta mexicano, musa e amiga de Juan Rulfo, escritor mexicano. Vivia com os pintores Diego Rivera e Frida Kahlo e bebia grandes doses de tequila. As melodias iam surgindo…
Somos, Luz de Luna, Las simples cosas, Toda una Vida … a preciosa Llorona.
O alcoolismo privou-a da música durante 12 anos e quase lhe roubava a vida.
"Estrenaba un coche el viernes y el lunes ya no tenía nada, me emborrachaba y me iba a cantar por las calles. Yo tomaba tequila, todo me lo tomé, por eso no quedó nada allá"
Pois foi no início dos anos 90 que fez o seu regresso!... A cantar!
Foi por esta altura, que o editor Manuel Arroyo a leva para Espanha e o êxito é imenso. Chavela conquista. Para ela Espanha é um país que a torna sua amiga, abrindo-lhe os braços e a sua juventude. O reconhecimento e as alegrias fluem.
O realizador espanhol Pedro Almodovar descobre nela uma amiga, uma musa:
“Não acredito que haja neste mundo um palco suficientemente grande para ela.”
pedro almodovar.jpg
Chavela Vargas só falou da sua homossexualidade aos 81 anos na autobiografia “Y si quieres saber de mi passado”. Numa entrevista à televisão columbiana, declarou que era lésbica e reconheceu Frida Kahlo como o grande amor da sua vida.
frida e chavela.jpg
Em 2000, o Conselho de Ministros espanhol concede-lhe a Gran Cruz de Isabel la Católica.
“La Vargas” actua em palcos importantes como o Olympia de Paris, Carnegie Hall e o Palácio de Belas Artes no México. Homenageada pelo Governo da cidade do México, nos seus 90 anos.
Morre a 5 de Agosto de 2012.
Chavela Vargas teve as suas aparições em filmes como “Frida” de Julie Taymor, a cantar os clássicos Llorona e Paloma Negra.
Também aparece em Babel de Alejandro González Iñárritu a cantar “Tú me acostumbraste”.
Foram mais de 40 discos gravados e quase 1000 concertos. Uma vida cheia para esta mulher de carácter rebelde e contestador. Autêntica. A sua maneira de cantar tão sensível, mas ao mesmo tempo profunda e assertiva, transporta-nos para um mundo de dor, onde sentimos o seu “ riacho de esquecimento alagado” de “lembranças afogadas” e muito amor. Um mundo totalmente diferente e especial, recriado na voz desta mulher inspiradora.
O seu legado:
“Soy Chavela Vargas, tengo 90 años y estoy viva; viva de tanto amor y de disfrutar todo lo que me ha sucedido"
chavela vargas 2.jpg

Outra Vez - Nara Leão -


AUTUMN's here....




Amber Glow

Wesley Mincin


Red and yellow painted leaves

hang idly within the trees

They break and sail along the breeze

As fires of Autumn's time


They dance and surf upon the ground

Overlap each other with ruffling sound

A setting I am glad I found

As fires of Autumn's time


Like fires of the Autumn season

they leap and dance without a reason

A factor of Autumns many seasons

As fires of Autumn's time'


The grey clouds break, the sun appears

The dancing leaves appear to sere

These flames its kept for many years

As fires of Autumn's time



The meaning of the blues - Toni Harper -


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Tú y yo tenemos amaneceres pendientes

Me preguntaste con qué momento del día me quedaría. En ese instante me levante de la cama dejándote con un halo de intriga y me acerque a la ventana. Tenias que haber sabido la respuesta, muchos momentos compartidos. El reloj marcaba las 6:00 de la mañana y justo entonces decidí contestarte, ¿sabes cuál? con este. Me quedo con el amanecer y ¿quieres saber porque?. Porque es cuando el mundo está lleno de promesas.

Me miraste sorprendido, supongo que esperabas una respuesta más simple. Pero lo cierto es que lo amaba, amaba despertarme con el amanecer para observarlo desde todas sus perspectivas mientras me tomaba una tostada con mermelada de fresas de esa que tanto me gustaba... Buscando infinitas posibilidades al nuevo día y dejando atrás otras tantas noches de placer.





Ir e vir / Vir e ir





Significação

Quero o olhar vago
a imagem fora de foco

Ir e vir

Desprender-me da consciência
Tirar os pés do chão

Vir e ir

Mergulhar em sonhos
Voltar à tona

Voar
Sentir
(Re)significar:
a existência.

- Bianca Velloso -

http://poesiacotidianabia.blogspot.com.br/