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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O circo pegou fogo!!!!!

Caetano, relaxa, o Facebook já está contando sua história

Jornal GGN - Do Facebook vem a resposta ao clamor de famosos contra as biografias não autorizadas. Uma página foi criada para produzir “a mais pirata e coletiva biografia não autorizada” de Caetano Veloso. Com menos de 24 horas no ar, a página já conta com 1.184 ‘curtidas’ e várias contribuições. A última, nada pirata, é um pequeno vídeo com Caetano tentando falar Hashtag. Não aconselhada para menores, a foto de Caetano, nu, postada por sua então mulher, Paula Lavigne, no Twitter.
Em sua apresentação, a página traz o seguinte: “Parece que Caetano não gosta de biografias. Mas nós gostamos. Então vamos escrever coletivamente a primeira biografia não autorizada deste ícone da MPB. Poste sua história aqui, mande pra gente vídeos, imagens, frases e tudo mais o que você souber sobre ele - ou não”.
E para não dizer que as informações são cheinhas de disse-me-disse, a página traz a biografia autorizada do Wikipedia. Mas é sempre bom esmiuçar uma contribuição, vinda de um site de variedades, que faz um post só com a informação de que Caetano estaciona o carro, atravessa a rua, olha para o fotógrafo e espera o carro de volta. Tudo isso acompanhado da ironia: “Nossa, este dia foi polêmico”.
As pessoas vão contribuindo. O assunto pegou.
Outra abordagem da biografia do muso, foi o bate boca entre Paula Lavigne e Mônica Bergamo, na última quarta-feira, pelo Twitter. O embate aconteceu após reportagem da Folha sobre o tema das “não autorizadas”. Paula chiou, Mônica respondeu com twittada de que ela tentou ler matéria antes da publicação e a solicitação foi negada e Lavigne disparou suas farpas sem piedade: “'Deixa de ser chata e recalcada. Você não tem mais o que fazer não! Mulher encalhada é foda”. O destempero da ex-mulher de Caetano não pegou bem nas redes sociais.
Como todos sabem, e a página da biografia no Facebook não deixou de fora, Lavigne pode ser ex-mulher, mas é presidente da diretoria do grupo Procure Saber, formado por Caetano, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan e Erasmo Carlos. E como se nota, são contrários à publicação daquelas não autorizadas mas, conforme o Painel do Leitor da Folha revelou, não são a favor da autorização prévia, mas sim “propõe que direitos e obrigações sejam equânimes, e que não haja abusos à guisa de proteger direitos que não estão sendo violados”. Mônica retrucou que Lavigne mandou e-mail com opinião contrária à publicação. E Lavigne gritou no Twitter: “Botem a fita da minha entrevista dada a Juliana na internet! Vao censurar a fita? Já pedi isso? Vão censurar a fita?”.
E não termina por aí, já que os seguidores de ambas começaram a discutir o assunto. Então Lavigne colocou: “Gente, vou sair desse twiter. Está muita baixaria! Não dá para aguentar @monicabergamo levando a sério os retwiters! Francamente". E mais: “eu tenho q trabalhar. @monicabergamo ganha para encher o saco das pessoas. Eu nao. Tw ñ paga as minhas contas. Estou indo! Vamos elevar o astral". E este foi o ponto final colocado por Lavigne na discussão. 
E as contribuições vão chegando.
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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sem imperfeição não há tesão


POR XICOSA




Retomo as loas e homenagens a Vinícius de Moraes, cujo centenário é motivo de festa neste mês, com a reciclagem de uma crônica que dialoga com o poema “Receita de mulher”.

A mulher tem que ter uma barriguinha, nem que seja mínima, mas que haja uma hipótese de barriguinha.

Que haja uma hipótese de barriguinha, repito o poeta, depois de alertado por uma passional vinissólaga paulistana.

Que haja uma hipótese de barriguinha.

Essa é do mais safado dos nossos mulherólogos, na sua receita de beleza feminina.

Naquele mesmo poema em que ele pede desculpas às muito feias –devia ter bebido pouco naquele dia.

No mesmo poema que diz da beleza fundamental brota esse belo paradoxo para os padrões atuais.

Que haja uma hipótese de barriguinha. Nesse verso acertou em cheio. Depois de nove casamentos, o cara era um safo, o homem que sabia demais.

É preciso que haja, pelo menos, uma hipótese de barriguinha. Decorei, jovens. Palmas, poeta.

Aquela secura de tudo, além de fora da realidade anatômica, não é apreciável.

Chega de tábua. Isso é coisa boa apenas na passarela, como mulher-cabide para os estilistas.

Que haja aquela dobrinha quando a mulher se senta. A realíssima dobrinha da fêmea. Espetáculo.

E que não fique apenas na hipótese. Que haja uma barriguinha mesmo.

Pelas mulheres reais. Sem lipo, mas com muito desejo e outras aspirações.

Todo o segredo está na capacidade de variadas safadezas. Nunca no tamanho ou no peso.

Sem imperfeição não há tesão, que me perdoem as certinhas da praça.

E fica o mantra, pela milésima vez, à guisa de educação sentimental aos moços, pobres moços: homem que é homem não sabe, nem procura saber, a diferença entre estria e celulite.




http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2013/10/08/sem-imperfeicao-nao-ha-tesao/

domingo, 6 de outubro de 2013

‎"BAHIA DE TODOS OS FADOS"



"BAHIA DE TODOS OS FADOS".By Luca Alverdi; An essay dedicated to the astonishing cities of Lisbon and Salvador da Bahia, featuring musician and composer Mucio Sa.

sábado, 5 de outubro de 2013

"Autumn Leaves"





Comecei a amar-te no dia em que te abandonei.



Foram as palavras dele quando, dez anos depois, a encontrou por mero acaso no café. Ela sorriu, disse-lhe “olá, amo-te” mas os lábios só disseram “olá, está tudo bem?”. Ficaram horas a conversar, até que ele, nestas coisas era sempre ele a perder a vergonha por mais vergonha que tivesse naquilo que tinha feito (como é que fui deixar-te? como fui tão imbecil ao ponto de não perceber que estava em ti tudo o que queria?), lhe disse com toda a naturalidade do mundo que queria levá-la para a cama. Ela primeiro pensou em esbofeteá-lo e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, de seguida pensou em fugir dali e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, e finalmente resolveu não dizer nada e, lentamente, a esconder as lágrimas por dentro dos olhos, abandonou-o da mesma maneira que ele a abandonara uma década antes. Não era uma vingança nem sequer um castigo – apenas percebeu que estava tão perdida dentro do que sentia que tinha de ir para longe dali para ir para dentro de si. Pensou que provavelmente foi isso o que lhe aconteceu naquele dia longínquo em que a deixara, sozinha e esparramada de dor, no chão, para nunca mais voltar.

De tudo o que amo és tu o que mais me apaixona.

Foram as palavras dela, poucos minutos depois, quando ele, teimoso, a seguiu até ao fundo da rua em hora de ponta. Estavam frente a frente, toda a gente a passar sem perceber que ali se decidia o futuro do mundo.

Ele disse: “casei-me com outra para te poder amar em paz”. Ela disse: “casei-me com outro para que houvesse um ruído que te calasse em mim”. Na verdade nem um nem outro disseram nada disso porque nem um nem outro eram poetas.

Mas o que as palavras de um (“amo-te como um louco”) e as palavras de outro (“amo-te como uma louca”) disseram foi isso mesmo.

A rua parou, então, diante do abraço deles. Não há memória de alguém, algum dia, ter considerado que aquele abraço foi um abraço de traição entre duas pessoas casadas. Toda a gente percebeu, logo ali, que a única traição seria não abraçar aquele abraço, por mais que houvesse documentos que comprovassem o contrário. Nunca casaram nem nunca se divorciaram. Não queriam perder tempo com papéis desnecessários. Os únicos papeis que assinaram, todos os dias, foram os dos poemas que, religiosamente, deixavam nos mais recônditos e secretos lugares da casa um para o outro. Não eram grandes obras e terminavam, sem qualquer variação possível, sempre da mesma forma: “amo-te”. Nunca receberam qualquer elogio da crítica literária, o que os deixava particularmente irritados. Souberam, anos mais tarde, que toda a sociedade os havia renegado. Chamavam-lhes, mesmo, os fugitivos. Eles, nesse ponto, concordaram em absoluto. Ambos sabiam que haviam fugido durante dez anos. E tinha sido tempo demasiado.

Sim, quero.

Foram as palavras dele quando ela, no registo civil como tinha de ser, lhe perguntou se queria nunca casar com ele.

Pedro Chagas Freitas

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Sabor a mi - Lila Downs


Lila Downs: La catarsis de la heredera de Chavela Vargas

La cantante habla de su carrera, recuerda su relación con Chavela y apuesta por la solidaridad.


Downs colma el aforo del Auditorio Nacional de México y se consolida como una de las artistas más importantes de la música popular latinoamericana.

JAVIER MOLINA México 3 OCT 2013




Lila Downs en el concierto del Auditorio Nacional de México DF. / JIMENA GADEA

Las luces del inmenso Auditorio Nacional de México ciegan a los presentes durante medio segundo. De pronto, sin previo aviso, aparece una hermosa mestiza ataviada de blanco con enormes trenzas anudadas en lazos amarillos. Un chorro de voz que parece venir de las entrañas de México entona la mítica Piensa en mí y evoca en todos los presentes el espíritu de Chavela Vargas. "Sé que estás aquí con nosotros pero no te podemos ver Chavela, mil gracias por tu música. Esta canción es para ti".

Lila Downs, heredera indiscutible de la dama del poncho rojo, regaló dos horas de sentimiento y autenticidad en una noche memorable el pasado 29 de septiembre. Dos horas que fueron un soberbio repaso a la música folclórica mexicana y un grito de lucha para los más desfavorecidos, las víctimas de las inundaciones que han devastado parte del país.

Chavela nunca va a haber otra. Ella es un personaje muy importante de nuestra historia. Se reinventó a sí misma como cantante de rancheras. No cualquiera puede hacer eso”

Nos encontramos con ella en la terraza del Hotel Camino Real (en México DF). Su mirada azabache reflejaba una profunda y sincera tristeza por las víctimas de los ciclones. Solo después de un rato pudimos verla feliz, serena y sonriente. Desde el comienzo de su carrera la artista oaxaqueña ha apoyado diversos proyectos en defensa de los derechos de los inmigrantes y los indígenas. Tan solo tres días antes de esta gran cita en el Auditorio Nacional, Downs participó en el lanzamiento de Voces por México, un disco doble protagonizado por una treintena de artistas mexicanos cuyos fondos irán a parar a los damnificados. “Es una tragedia muy difícil. Para mí es muy duro no estar en Oaxaca. Me afecta mucho. Ojalá podamos apoyar a muchas personas a través de la música”, expresó con voz entrecortada.

La presencia de Lila irradia una mexicanidad tan premeditada como innata y trae a la mente el colorido imaginario de una Frida Kahlo musical. Al igual que Chavela, la cantante emula el talante provocador y el atuendo indigenista de la pintora. Hija de una indígena mixteca (etnia del sur de México) y de un cineasta de Colorado (Estados Unidos), por sus venas corre sangre de dos culturas aparentemente inconciliables. Su herencia y su formación es claramente mestiza: estudió música en Oaxaca y antropología en Minnesota, su madre la enseñó a amar la tradición mexicana y su padre le abrió las puertas al mundo de los clásicos como Bob Dylan y John Coltrane. Resultado de todo ello es un estilo ecléctico que funde melodías del norte y del sur como la ranchera, el son, el jazz e incluso el hip-hop, pero cuya temática es rotundamente mexicana.

Aunque comenzó a cantar en los años ochenta, la fama tardó en llegar. Ella misma reconoció que, durante años, fue demasiado gringa para el gusto mexicano y demasiado morena para triunfar en Estados Unidos. En 2001 por fin consiguió saborear el éxito internacional con su disco La línea/Border, inspirado en la cultura norteña y en las grandes figuras de la canción popular latinoamericana como Lucha reyes, Amparo Ochoa y Mercedes Sosa.


El mundo no hispano la conoció en el año 2003, cuando saltó al escenario de los Oscar junto al brasileño Caetano Veloso para interpretar el tema principal de la película Frida: Burn it blue. Desde entonces el público Europa y América no ha dejado de conocer la virtuosa voz de Lila, su formidable capacidad de pasar del agudo al grave y el sentimiento puesto al límite en cada canción: “Me lo dijo mi madre: Lila, canta con sentimiento y si no, mejor ni cantes”.

Ana Lila Downs Sánchez comenzó a acaparar portadas. Los medios se refirieron a ella como El Tesoro de México, la Frida Kahlo de la música y sobre todo como la heredera de Chavela Vargas. “Ella misma anduvo diciendo esas cosas exageradas”, comenta Lila riéndose y restando importancia. “Chavela entró a mi vida en el rodaje de Frida, pero fue en España cuando la conocí de verdad. Coincidimos en una gira y me invitó a visitarla. Una vez la acompañé con la guitarra. Antes de comenzar la pregunté: ¿En qué tono la cantas? Me dijo en fuuu menor, burlándose de mí”. Y se ríe de nuevo a carcajadas.

Éxito tras éxito

Lila Downs se encuentra en su momento más dulce. Su último disco, Pecados y milagros, la ha valido su segundo Grammy Latino a mejor álbum folclórico y un Grammy americano a mejor regional mexicano. Además ha alcanzado la certificación de disco doble Platino por las más de 120.000 copias vendidas. Su gira, la más exitosa hasta el momento, arrancó a mediados de 2011 y tendrá punto final en noviembre de este año. El Próximo viernes 4 de octubre actuará en León (Guanajuato) y en noviembre finalizará su gira en Europa.

Desde su encuentro en España, Chavela se enamoró de la oaxaqueña. “Me llevó de la mano. Me escribía mucho preguntándome que tal me iba. La sentí como a una madre que se preocupaba de mí. Era muy divertida, muy tierna y muy cercana”. El recuerdo de la gran cantante afónica dibuja una sonrisa en su “heredera”. Pero no, ella no acepta ese honor: “Chavela nunca va a haber otra. Ella es un personaje muy importante de nuestra historia. Se reinventó a sí misma como cantante de rancheras, de esa música tan música bravía. No cualquiera puede hacer eso”.

En el año 2007 sufrió uno de los peores golpes de su vida. Al igual que le pasó a Frida Kahlo, los médicos le anunciaron que no podría tener hijos. Pensó que la tristeza ya no la abandonaría jamás: "Me sentí vacía, destrozada, sin saber por qué había venido al mundo", contó en una entrevista con El País. Salió del paso, ayudada por su madre, su curandera y su pareja de siempre, el compositor y saxofonista newyorkino Paul Cohen, con quien finalmente adoptó un niño al que llamó Benito Dxuladi. El tema Palomo del Comalitoresume la catarsis que supuso su último álbum, Pecados y milagros (2011), un brindis musical por el mezcal, por el maíz y por su hijo (cuyo apellido significa maíz tierno en zapoteco): “Siempre me preguntan por la violencia de mi país, pero yo prefiero hablar de esas mujeres maravillosas que hacen las tortillas”.


Hoy Lila se encuentra en su mejor momento. El concierto del pasado 29 de septiembre en el Auditorio Nacional la reafirma una vez más entre las artistas más importantes de la música popular latinoamericana. Las entradas se agotaron un mes y medio antes y todas las expectativas se cumplieron: Su voz desbordó el recinto más importante de México acompañada por una producción espectacular en la que se vieron procesiones de mojigandas, faroles y más de cincuenta bailarines ataviados con trajes tradicionales de las distintas regiones del país. Casi 10.000 personas vibraron al ritmo de canciones como Mezcalito, Tu Cárcel, Fallaste Corazón, Vámonos, Cucurrucucú Paloma, La cumbia del mole, Paloma negra y Zapata se queda (en el vídeo con la colombiana Totó la Momposina).

El final aguardaba uno de los temas más conmovedores de la música mexicana: La llorona, un son oaxaqueño sin autor conocido que hoy es casi un himno de ese México trágico y alegre, de ese folclor devoto de la muerte que encarnó Chavela Vargas y que, hoy más que nunca, encarna la gran Lila Downs.


http://cultura.elpais.com/cultura/2013/10/03/actualidad/1380755358_425375.html


todo meu amor agora é um poema sem nome



Dele, tenho a cura que me suplanta, o escolhe e esvai-se à tarde, ao som de toda pressa trincada entre chãos e cheiros. Tenho a fuga que me lembra, clareia e contorce as pernas – mar inteiro a recolher meu mundo mesmo quando não transbordo –. Dele, tenho a palavra que amansa o adeus já partido, nascido ou reinventado, e dois reflexos que ainda me ferem os olhos: todo meu amor agora é um poema sem nome, uma saudade que recolheu-se à chance de não mais reavê-lo.


Priscila Rôde