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sábado, 9 de novembro de 2013

na hora exata de te amar…



havia qualquer coisa de santa,
*imagem: Vanessa Ho

intenso
só o sabor que eu sinto
e só eu sinto
só o doce e doce
balançar
deslizar
escorregar
tocar
no corpo
na pele
com os dedos
passear
inventar
melar
transbordar
com a boca
chamar
sussurrar
gemer teu nome
na hora exata de te amar…


- Cau Lanza -


http://eraumavezlaranja.wordpress.com/

Tara




*imagem: Tumblr


não deixe o escuro esconder,

as curvas de teu vestido andante

quero ver -te nua, como antes

nunca vi

não teime o meu olho em te espiar

pelo canto da imagem e eu, louca

quem sabe até a voz pareça rouca

e eu pense que estive a sonhar

e não tente o sorriso disfarçar

o gosto da tua boca exata

e comprimindo o que falta

em mão

e nessa hora eu percebo sonho

ao ver o teu sorriso tímido

e meu olhar percorre o decote intímo

e descubro o que é paixão

é pessoal e puro,

o batimento

parece que o coração atento

sai pela boca qualquer hora e vai

percorre a distância que separa

e vai até aí jogar em tua cara

a tara que você exala em mim

é quando a conversa chega ao fim.



Mariana Gouveia.




http://eraumavezlaranja.wordpress.com/

Viaje dentro de Ti




Pudesse a árvore vagar e mover-se com pés e asas não sofreria os golpes do machado nem a dor de ser cortada,


Não errasse o sol por toda a noite, como poderia ser o mundo iluminado a cada nova manhã?


E se a água do mar não subisse ao céu, como cresceriam as plantas regadas pela chuva e pelos rios?


A gota que deixou seu lar, o oceano, e a ele depois retornou, encontrou a ostra a sua espera e nela se fez pérola.


Faltam-te pés para viajar?


Viaje dentro de ti mesmo, e reflete, como a mina de rubi, os raios de sol para fora de ti.


As jornadas trazem amor e poder de volta para você.


Se você não puder ir a lugar algum, mova-se nos caminhos do Ser,


Eles são como raios de luz, sempre mudando, e você muda quando os explora.


Uma viagem como essa pode transmutar teu pó em ouro puro,


Ainda que a água salgada faça nascer mil espécies de frutos, abandona todo amargar e acidez e guia-te apenas pela doçura,


E o Sol de Tabriz que opera todos os milagres: toda árvore ganha beleza quando tocada pelo sol.



Rumi

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A VERDADE E A BELEZA JUNTAS

TONY BENNETT E BILL EVANS – 


por  em 13 de ago de 2013 
Há quase 4 décadas, um dos maiores cantores do mundo e o pianista mais sofisticado do jazz se encontraram para gravar álbuns que pouca gente ouviu


EvansBennett.jpg
É começo de 1980 e Tony Bennett está em uma cidade minúscula perto de Austin, no Texas, aonde irá se apresentar. O telefone toca e do outro lado está o pianista Bill Evans. “Eu fiquei surpreso com o fato dele conseguir me encontrar por lá” – conta Tony – “e disse ‘Bill, por que você ligou?’ Ele me respondeu em uma voz que parecia desesperada e cheia de desencanto: ‘Eu queria te dizer uma coisa: Só pense na verdade e na beleza. Esqueça todo o resto. Concentre-se apenas na verdade e na beleza. Isso é tudo’”.
Foi a última vez que eles se falaram e pouco tempo depois, em 15 de Setembro de 1980, Bill estava morto, aos 51 anos de idade.
Eles tinham se encontrado pela primeira vez em 1962, nos bastidores de uma festa em torno do jazz oferecida pelo Presidente Kennedy.
Quase uma década depois, Bennett estava perdido.
Era um tempo de ocaso das grandes vozes.
Em 1970, ele foi obrigado por sua gravadora a tentar um material mais comercial, em um esforço desesperado para elevar suas precaríssimas vendas.
Tony topou, mas reagia tão visceralmente às canções que empurravam para ele que vomitava depois de sair do estúdio.
Decidido a escolher seu caminho artístico, fundou seu próprio selo, o Improv Records - e foi com a independência de dono que resolveu gravar acompanhado apenas pelo pianista.

Houve dois encontros: The Tony Bennett/Bill Evans Album (1975 - lançado em um acordo quid pro quo com o selo de Evans, Fantasy) e Together Again (1976).

Tony Bennett & Bill Evans Together Again.jpg
Nenhuma preparação antecipou a entrada no estúdio. Bill e Tony escolhiam as canções e iam gravando na medida em que surgiam naturalmente.


Quase que para se vingar do que lhe tinha sido imposto anteriormente, Bennett escolheu canções pouco conhecidas, fugiu dos standards, selecionou coisas que quase ninguém conhecia além dos dois artistas.

Mas os ventos não estavam a favor da grande música.
Comercialmente, os álbuns nunca aconteceram.
Aliás, Evans era - e permanece até hoje - o pianista mais sofisticado do universo do jazz - e nada afasta mais rapidamente o grande público do que qualquer insinuação de sofisticação (o que enobrece ainda mais a iniciativa de Bennett, nesta empreitada acumulando as funções de intérprete e de empresário dono de gravadora).

A empresa do cantor – sem acordo com nenhum grande selo, sem equipe de vendas e de marketing - não conseguia distribuir seus LPs e faliu.
Se no plano econômico a situação era ruim, no plano pessoal não era nem um pouco melhor.
Evans e Bennett estavam perdendo suas guerras para as drogas.
Evans por vezes tocava o piano com apenas uma mão – a outra paralisada por incessantes injeções de heroína.
Pouco antes do último telefonema do pianista, Bennett – sem gravadora, sem empresário, com poucos shows agendados e perseguido pelo Imposto de Renda – quase morreu de uma overdose de cocaína em 1979.
Foi quando ele chamou seus filhos Danny e Dae para o socorrerem.
Funcionou.
Com a visão mercadológica da família, Bennett voltou a gravar as músicas que queria para um grande selo. Sinatra, por sua vez, estava de volta ao hit parade, puxando os demais vocalistas. “New York, New York” estava estourando na voz de Frank - por sinal, o homem que havia dito que Tony era o melhor cantor em atividade.
Os grandes intérpretes estavam gradualmente reencontrando seu público.
Tony conseguiu até a medalha de honra da notoriedade: aparecer no desenho animado “Os Simpsons”.
Depois disso, veio seu namoro com a geração MTV e a era dos grandes tributos – CDs dedicados a Sinatra, Billie Holiday e Fred Astaire. Elvis Costello e k d Lang dividiram os microfones com ele – antecipando os duetos de seus lançamentos mais recentes.
Em face de tudo o que veio depois, os encontros do cantor e do pianista permanecem como a lembrança de um período negro para os dois artistas.
Ninguém estava ouvindo na época e eles, corajosamente, decidiram fazer música um para o outro.
Mesmo os críticos não se encantaram com o material. Argumentam até hoje que a potência vocal de Bennett não se harmoniza com a delicadeza de Evans. Mas o fato é que as sessões passaram pelo crivo mais rigoroso que pode existir: os ouvidos dos dois participantes.
E, digam o que disserem, estes álbuns são cápsulas de – como diria Evans - verdade e beleza.
E a verdade e a beleza resistem ao tempo e à indiferença.
http://lounge.obviousmag.org/renzo_mora/2013/08/tony-bennett-e-bill-evans-a-verdade-e-a-beleza-juntas.html

CHUVA...



CHUVA...

"Embora lave o medo
que há do fim
a chuva apaga o fogo
que há em mim
Ouço a voz de quem
me quer tão bem
E fico a ver se a chuva
a ouvirá também..."

Foto: Chris Steele Perkins
Banda - Ornatos Violeta / Música: Chuva -> http://ow.ly/qAbik

Body and Soul - Tony Bennett & Amy Winehouse -


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Walk On The Wild Side - Lou Reed -


Lou Reed, carne y hueso de rock


Un recorrido por los personajes y situaciones reales que inspiraron algunas de las joyas del músico
Falleció el pasado domingo a los 71 años

Lou Reed: muere el poeta eléctrico

 29 OCT 2013




El músico Lou Reed, fallecido el pasado domingo a los 71 años. / GABRIEL GONZÁLEZ-ANDRÍO

Lou Reed transformaba la realidad que le rodeaba a través de sus canciones. Sus letras están pobladas por personajes ficticios que en un principio fueron seres reales con los que compartió experiencias. Su mirada es a veces similar a las de Nelson Algren, Hubert Selby Jr. y otros escritores que le inspiraron. Gracias a eso, otro tipo de protagonistas llegaron a las letras del rock & roll. Con los años, los ángeles caídos fueron pareciéndose más a nosotros. Aunque en realidad, por más extravagantes que fuesen sus personajes, Lou Reed siempre escribió sobre la condición humana para enseñarnos que lo normal no existe y cuán extraños somos todos y cada uno de nosotros. Estos son algunos de los nombres reales que inspiraron algunas de sus canciones.

Delmore Schwartz. Escritor norteamericano que dio clases de literatura a Reed en la Universidad de Syracusa. Dejó una honda huella en él, no sólo en su manera de escribir sino también como amigo. Schwartz, que murió solo y enfermo en 1966, odiaba el rock & roll. Reed intentó conjurar eso en la canción European son (1967), usando una letra breve en un tema en la que el caos de Velvet Underground mandaba. En 1982 conjuró su espíritu de nuevo en la letra de My house.

Edie Sedgwick. La oveja negra de una gran familia americana, la belleza de la Factory de Warhol que fue la it girl de 1965, inspiró dos de las canciones del emblemático álbum The Velvet Underground & Nico(1967). Los estragos de su corazón caprichoso están presentes enFemme fatale mientras que All tomorrow's Parties dibujaba su periplo como chica del mes, de fiesta en fiesta, devorada por las noches neoyorquinas.



El músico Lou Reed. / GABRIEL GONZÁLEZ-ANDRÍO

Ondine. En realidad Robert Olivo, nombre real del Pope Ondine, es solo uno de los nombres que Reed va deslizando en la letra de Chelsea girls. Warhol le pidió una canción para su película homónima, pero esta no llegó a tiempo. Nico la cantó en su debut como solista, desgranando con su particular voz las peripecias de Mary Woronow, Ingrid Superstar y otras bestias de la Factory que actuaban en el citado filme. Una letra que, en cierto modo, es el molde de lo que después sería Walk on the wild side.

Candy Darling. Las drag queens y las transexuales conquistaron la Factory a finales de los sesenta, y Candy se convirtió, con su belleza y su labia afilada, en su reina. Walk on the wild side (1972) la hizo mundialmente famosa gracias a los versos “Candy vino de fuera de la isla / en el cuarto trasero era la chica de todos / pero nunca perdió la cabeza / incluso cuando estaba chupándola”. Tres años atrás, Reed ya la había convertido en el leit motif de Candy says (1969), una triste y dulce letanía del tercer álbum de Velvet Underground.

Jackie Curtis. Fue popular en el ambiente underground por sus montajes teatrales en el Nueva York de finales de los sesenta y principios de los setenta. Patti Smith y Debbie Harry llegaron a actuar para ella, y ella a su vez apareció en Andy Warhol's Flesh. Al igual que el resto de personajes de Walk on the wild side, Jackie frecuentaba el club Max's Kansas City, en cuyo famoso cuarto trasero no solo hacía de la suyas Candy Darling; David Bowie, Jane Fonda u Oliviero Toscani y una larga lista de celebridades se dejaban fuera las inhibiciones cuando entraban allí.



Lou Reed durante un seminario en el Cannes Lions Festival, en junio de este año. / GABRIEL GONZÁLEZ-ANDRÍO

Rachel. Enigmática criatura que fue pareja sentimental de Reed entre 1975 y 1977 y a la que el periodista Lester Bangs se refirió en alguno de sus artículos como “It”, aludiendo a su ambigüedad sexual. Rachel se convirtió en el salvavidas de Reed en el momento álgido de su adicción a las anfetaminas y su historia de amor quedó retratada en canciones como Crazy feeling y, sobre todo, en Coney island baby, en cuyo apoteósico final Reed canta: “Y esta se la quiero dedicar a Lou y Rachel / Y a todos los chicos del PS 192 / Tío te juro que lo dejaría todo por ti”. Unos años después, Rachel había desaparecido de la vida de Reed, pero no su huella. En Slipaway, la tercer parte de la suite Street Hassle(1978), Reed desnuda una vez más su alma al cantar: “El amor se ha ido y aquí no queda nadie / no queda nada por decir excepto cómo le echo de menos”.

Sylvia Morales. La que fuera su mujer entre 1980 y 1993. era habitual del CBGB y amiga de amazonas underground como la cantante Lydia Lunch y la diseñadora y manager Anya Philips, Cuando contrajeron matrimonio ya era la musa de un Reed dispuesto a olvidar el personaje decadente que había interpretado en los setenta. El Reed de rock más conciso y básico es también el Reed que canta al nuevo amor de su vida en canciones de Growing up in public (1980) y The blue mask (1982) como Think it over o Heavenly arms.

Doc Pomus. Reed desarrolló una estrecha amistad con Pomus, coautor de algunas de las canciones eternas del cancionero pop norteamericano, y que en su día fueron inmortalizadas por Elvis Presley o Ben E. King. Cuando contrajo el cáncer de pulmón que acabó matándolo en 1991, Reed se convirtió en uno de sus grandes apoyos. Su batalla contra la enfermedad fue exorcizada por Reed en el álbumMagic and loss (1992).

VOLTA - GAL COSTA 1973


Chão De Estrelas - Sílvio Caldas