Pesquisar este blog
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
domingo, 24 de novembro de 2013
Mais que a lei da gravidade [Paulinho da Viola & Capinan]
Mais Que a Lei da Gravidade
O grão do desejo quando cresce
É arvoredo, floresce
Não tem serra que derrube
Não tem guerra que desmate
Ele pesa sobre a terra
Mais que a lei da gravidade
E quando faz um amigo
É tão leve como a pluma
Ele nunca põe em risco
A felicidade
Quando chegar dê abrigo
Beijos, abraços, açúcar
Só deseja ser comido
O desejo é uma fruta
E com ele não relute
Pois quem luta
Não conhece a força bruta
Nem todo mal que ele faz
Satisfeito é uma moça
Sorrindo, feliz e solta
Beije o desejo na boca
Que o desejo é bom demais
UM ASSOMBRO REMOTO

Na mitologia poética de Fernando Pessoa, o que caracteriza o discípulo — me lembra George Steiner em um memorável ensaio, Chuva de fogo — é a “capacidade de ser hipnotizado”. Na linhagem de seus célebres heterônimos, tanto Ricardo Reis como Álvaro de Campos se definem como discípulos de Alberto Caeiro. Ao ouvir a primeira lição de Caeiro, recorda Steiner, Campos experimentou “um choque sísmico”. A sentença proferida pelo mestre é, de fato, perturbadora: “Tudo difere de nós e é por isso que existe”.
Quando conversava com Caeiro, retoma ainda o crítico literário, Álvaro de Campos tinha a sensação física de “estar a discutir não com um outro homem, mas com um outro universo”. O paganismo de Caeiro, sua maneira direta e sem filtros de observar o mundo, é, sim, muito particular. Mas, em vez de fugir, Campos — relatava Pessoa — dele se aproximava mais ainda. A partir do contato com Alberto Caeiro, o discípulo chegou a uma conclusão difícil e um tanto repulsiva: “Pessoas inferiores não podem ter um mestre, posto que não têm o que é necessário para terem um mestre”. E o que é necessário? Justamente estar disponível para a experiência da hipnose, para o tal “choque sísmico” que revira o mundo de ponta cabeça e nos leva a ver o que, antes, parecia inexistente. E para isso — o nobre Campos me perdoe — não é preciso ter status social.
Foi o que senti quando, em 1969, me preparando para as provas do vestibular, tive uma conversa decisiva com José Rodrigues, meu professor de literatura francesa no Colégio Santo Inácio — hoje um diplomata em alguma parte do planeta. Desde menino, queria me tornar escritor. Minha idéia inicial era tornar-me poeta. A leitura de Bandeira, Vinicius e Cabral, em particular, feita ainda de calças curtas, me abalara de tal modo que eu não podia imaginar outro caminho a seguir. Meu pai me advertia: “Pare de sonhar e faça engenharia”. Sim: mesmo tendo desistido depois da poesia, eles foram, continuaram a ser e ainda hoje são — mesmo ausentes — meus mestres. Com Bandeira aprendi o amor lírico pelas coisas simples. Com Vinicius, o primado absoluto da paixão, elemento sem o qual nada que realmente preste se faz. Com Cabral, o papel decisivo do corte. Disse-me ele, muito mais tarde, que cortar é ainda mais importante que escrever. Mais ainda: que cortar é a verdadeira maneira de escrever. Você não pode ter piedade da palavra, nem se deixar enganar por sua falsa beleza, me aconselhou. Deve ser rígido, firme, intolerante, e cortar, cortar, cortar, até que o osso (a pedra) da palavra apareça à sua frente.
Mas retorno a meu diálogo decisivo com José Rodrigues, meu professor de literatura. Eu queria me tornar escritor — e por isso me preparava para o vestibular de Letras. Parecia-me o caminho natural. Rodrigues foi duro comigo (e recordo que era um brilhante professor de literatura francesa): “Se você quer ser escritor, faça tudo, menos Letras. Fazendo, sua mente será tomada por teorias, teses, gêneros, classificações, experimentações intelectuais. Tudo aquilo de que um poeta não precisa. Tudo aquilo que barra o caminho da poesia”. Sua apreciação, a princípio, me assustou. Ela arrancava de minhas mãos o fio em que eu me apoiava rumo à escrita. Cambaleei, o chão me fugiu e ainda tonto perguntei: “Mas, então, o que devo fazer?”. Rodrigues parou um pouco para pensar. Ruminou algumas palavras que não chegou a concluir e depois, num ímpeto, me disse: “Faça jornalismo!”. Jornalismo? Meu pai, José Ribamar, foi jornalista profissional. Durante muitos anos foi o setorista de O Globo no Senado Federal, quando o Rio de Janeiro ainda era a capital da República. Talvez “contra o pai”, em busca de minha afirmação individual, jamais pensara em me tornar jornalista. E um professor de literatura me dizia que, para me tornar escritor, tinha que estudar Jornalismo, e não Letras?
Ali, naquele segundo semestre de 1969, depois de freqüentar durante dois anos e meio as aulas de José Rodrigues, tornei-me, enfim, seu discípulo. Ele me hipnotizara. Sempre acreditei que houve nisso um pouco de fraqueza de minha parte; que todo hipnotizado se torna, um pouco, um objeto. Agora, quase meio século depois, releio as palavras de George Steiner em seu ensaio sobre Pessoa: “A capacidade de ser hipnotizado distingue as personalidades fortes. Estas retêm sua individualidade transmutada após terem passado pela intervenção do mestre”. Mas então eu fui forte, e não fraco! Os argumentos de José Rodrigues eram dois e eram simples. Primeiro: o jornalismo me obrigaria a escrever diariamente, não permitiria jamais que eu me afastasse das palavras. Em segundo lugar e, de acordo com Rodrigues, a mais importante: o jornalismo nos empurra drasticamente para a realidade, nos lança sobre ela sem nenhuma delicadeza ou mesura, e esse choque direto com o real, que nos contamina quase que como um veneno, é indispensável para a formação do escritor. Pelo menos para aqueles que não querem ser apenas escritores “de gabinete”.
Não me arrependo de ter seguido as instruções de meu mestre. Muito ao contrário, hoje me orgulho de ser jornalista também. Não cheguei a ser poeta. Faço uma literatura oscilante, que estremece entre os gêneros e os estilos. Sei que, como escritor, tenho uma identidade fluida, que alguns talvez vejam como insuficiente. Nada disso me perturba, eu sigo meu caminho. E a ele cheguei, a verdade é essa, graças ao jornalismo. Poderia aqui repetir as palavras de Álvaro de Campos a respeito de seu encontro com o mestre Caeiro: “E, a partir de então, para melhor ou para pior, eu tenho sido eu”.
NOTA
O texto Um assombro remoto foi publicado no blog A literatura na poltrona, mantido por José Castello no site do jornal O Globo. A republicação no Rascunho faz parte de um acordo entre os dois veículos.
O texto Um assombro remoto foi publicado no blog A literatura na poltrona, mantido por José Castello no site do jornal O Globo. A republicação no Rascunho faz parte de um acordo entre os dois veículos.
sábado, 23 de novembro de 2013
¿Un affaire es señal de que todo va mal en la pareja?
Por: Anne Cé | 20 de noviembre de 2013
Si todo ha sido puesto en cuestión ya en territorios de amor, orientación sexual, paternidad y poliamor, ¿por qué es tan difícil poner en duda la monogamia?, se pregunta la experta Esther Perel en uno de sus interesantes artículos, que se puede consultar, completo, aquí.
Días atrás, Venus sugería, en este mismo espacio, que "los únicos infieles que realmente se sienten culpables son los que ven sus aventuras como algo malo, pero a la vez sienten una atracción intensa hacia otra persona".
Getty Images.
Y en eso llegó la última de Woody Allen, Blue Jasmine, que se anuncia como el drama de la denuncia de los desfalcos de los chicos de la bolsa neoyorkina, pero que se alza, ante todo, sobre la piedra de la necedad y la locura de celos de una esposa engañada (entre comillas), interpretada por Cate Blanchett. La traición tiene la cara de Alec Baldwin y el cuerpo de un dandy con casa en Los Hamptons, que además de los líos de Manhattan, se permite enamorarse en París.
Es cierto que esta vez Woody Allen cose con puntada gruesa este guión dramático sobre cómo cambian las relaciones, los umbrales de tolerancia y las ganas de mirar hacia otro lado cuando la cuenta bancaria se queda en rojo y los ricos se ponen el uniforme de presidiarios. Sin embargo, la película vale por el retrato de esa mujer (magnífica Blanchett) que creyó haber nacido con 'buenos genes' y merecerse una vida de placeres mundanos y displicencia, hasta que un paso en falso, quizá el suyo propio, tiñe esa existencia con la luz cálida de un vestidito pastel y de un mantel color nácar de 'azul oscuro casi negro' (en este caso, el del Pacífico en la Bahía de San Francisco).
Jasmine/Blanchett y Hal/Baldwin, un matrimonio como los que 'dibuja' Woody Allen
"Hacía el amor como nadie", evoca Jasmine cuando todo se ha derrumbado, frente a una indiferente pasajera del vuelo que la lleva de Park Avenue al sofá de su hermana, en San Francisco. Nadie sabrá nunca si es verdad que esos recuerdos del hombre que la complacía como nadie tienen algo que ver con la realidad o son fruto de su memoria creadora (todas hemos probado con fantasías un poco edulcoradas, alguna vez).
Como sea, la mujer del corrupto habla sola o tiene que entablar diálogos prosaicos con los amigos mecánicos de su hermana (por cierto, una gran disfrutadora de las relaciones eróticas). Apenas le queda a Jasmine la idealización infinita de aquellas sábanas caras pagadas con dinero ajeno... o buscarse un nuevo marido.
Este es Woody Allen, a vueltas con la monogamia.
¿Por qué es intocable la monogamia?, se pregunta Esther Perel, la terapeuta norteamericana que suele dar con la cuestión indicada.
¿Hay respuesta? En su sitio web, Perel plantea cuestiones realmente peliagudas, de esas que nos hacen discutir acaloradamente en una sobremesa con amigos o en la barra del bar. Y todo porque hay temas que nos duelen, que nos sacan la cascarita de alguna herida sentimental y queremos taparla rápido, de nuevo, con argumentos.
Insiste Perel en que hoy todo está puesto en cuestión y todo es aceptado o aceptable: parejas del mismo sexo, transgénero, padres solteros, etcétera, etcétera, pero la monogamia no se toca. Y propone un ejercicio: imaginarnos a una mujer que se ha casado seis veces en su vida, o sea que está divorciada cinco veces. E imaginarnos, a continuación, a otra mujer que ha estado casada durante cincuenta años y tiene un amante cada diez años. ¿Quién será la que se lleve un juicio más severo?
La experta cuestiona la idea de que tener un affaire sea señal de que algo va mal en la pareja. Y sostiene que una aventura no es consecuencia directa de nada, simplemente sucede y no le ofrecemos resistencia. Hay veces en que esas aventurillas dan en el blanco. En ocasiones, nos propulsan "más allá de nuestras fronteras". Es natural, la sed de vida provoca encuentros. El disparador son nuestras ganas de vivir, respirar, tener esperanzas. El empujón que da el deseo erótico, afirma Perel, nos lleva más allá de lo ordinario.
Así, nosotros nos preguntamos, con ella: ¿quién no quiere echar un vistazo un poco más allá alguna vez? La intensidad de los debates que el tema provoca en EE.UU. y en otros países occidentales ilustra "la paradójica tensión entre dos estimables ideales americanos: la libertad y la responsabilidad individual", en palabras de Perel. Tensión que se expresa en una travesía sin salida entre el derecho a la felicidad y el sentido de la obligación y el compromiso.
La terapeuta recuerda las discusiones en torno al affaire Clinton y los escritos del sociólogo Robert Bellah, que le permitieron ver claro que, en el marco de nuestra ideología moderna sobre el amor y el matrimonio, un principio fundamental es que se trata de una empresa de libre elección. Aunque las bodas y las ceremonias de compromiso sean eventos públicos, la pareja es un asunto privado y (en la actualidad y en Occidente) una expresión espontánea de libertad interior, profundamente personal y voluntaria.
Esta idea de la responsabilidad individual va unida a la noción de que, entonces, lo que nos toca es ejercer el control sobre nosotros mismos y sobre todo lo que suceda en nuestra vida. Ciertamente, Perel está poniendo en cuestión la gran noción de la responsabilidad, para concluir en que un lío es una señal de debilidad, una muestra de un carácter "con imperfecciones". Dicho esto, claro está, con todas las reservas y la ironía del caso, porque ¿quién tiene o quién quiere una vida sin 'imperfecciones'?.
http://blogs.elpais.com/eros/2013/11/tener-un-affaire.html
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Complicated Life
"Complicated Life"
Well I woke this morning with a pain in my neck,
A pain in my heart and a pain in my chest,
I went to the doctor and the good doctor said,
You gotta slow down your life or you're gonna be dead,
Cut out the struggle and strife,
It only complicates your life.
Well I cut down women, I cut out booze,
I stopped ironing my shirts, cleaning my shoes,
I stopped going to work, stopped reading the news,
I sit and twiddle my thumbs cos I got nothing to do,
Minimal exercise,
To help uncomplicate my life,
Gotta stand and face it life is so complicated,
Ladi dah di dahdah, ladi dah di dah dah,
You gotta get away from the complicated life, son,
Life is overrated, life is complicated,
Must alleviate this complicated life.
Cut out the struggle and strife,
It's such a complicated life.
Like old Mother Hubbard
I got nothin' in the cupboard,
Got no dinner and I got no supper,
Holes in my shoes, I got holes in my socks,
I can't go to work cos I can't get a job,
The bills are rising sky high,
It's such a complicated life,
Gotta stand and face it,
Life is so complicated.
Ladi dah di dahdah, ladi dah di dah dah
Gotta get away from the complicated life, son,
Life is overrated, life is complicated,
Must alleviate this complicated life.
Gotta get away from the complicated life, son,
Gotta get away from the complicated life.
A pain in my heart and a pain in my chest,
I went to the doctor and the good doctor said,
You gotta slow down your life or you're gonna be dead,
Cut out the struggle and strife,
It only complicates your life.
Well I cut down women, I cut out booze,
I stopped ironing my shirts, cleaning my shoes,
I stopped going to work, stopped reading the news,
I sit and twiddle my thumbs cos I got nothing to do,
Minimal exercise,
To help uncomplicate my life,
Gotta stand and face it life is so complicated,
Ladi dah di dahdah, ladi dah di dah dah,
You gotta get away from the complicated life, son,
Life is overrated, life is complicated,
Must alleviate this complicated life.
Cut out the struggle and strife,
It's such a complicated life.
Like old Mother Hubbard
I got nothin' in the cupboard,
Got no dinner and I got no supper,
Holes in my shoes, I got holes in my socks,
I can't go to work cos I can't get a job,
The bills are rising sky high,
It's such a complicated life,
Gotta stand and face it,
Life is so complicated.
Ladi dah di dahdah, ladi dah di dah dah
Gotta get away from the complicated life, son,
Life is overrated, life is complicated,
Must alleviate this complicated life.
Gotta get away from the complicated life, son,
Gotta get away from the complicated life.
Originally written by Ray Davies of the Kinks, this song is performed by the Preservation Hall Jazz Band featuring Clint Maedgen on vocals. Filmed mid-2005, this music video features Clint Maedgen, the Preservation Hall Jazz Band and a guest appearance by the New Orleans Bingo! Show.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
... Quando eu fui ver, esse artigo que havia explodido.
Da relação entre limpar seu próprio banheiro e abrir sem medo um Mac Book no ônibus
por DANIEL DUCLOS em 13/11/2013
Antes de começar, uma introdução: esse artigo é antigo. É de 2009, e foi publicado em meu blog pessoal e lá ficou escondido até janeiro desse ano (2013).
Daí em janeiro eu notei que o Ducs estava com acessos anormalmente altos. Fui ver de onde vinham e descobri que era desse meu blog pessoal. Pensei "né possível, esse blog nem cadastrado no Google está." Quando eu fui ver, esse artigo que havia explodido.
O texto teve mais de 150 mil acessos em um par de dias (e não parou de crescer desde então), está com mais de 50 mil "curtidas" no Facebook, foi tuitado diretamente mais de 800 vezes, e isso sem contar os outros lugares onde foi reproduzido na íntegra. Isso em um um texto que não teve divulgação, não estava no Google e tem um título enorme e complicado, contrário a qualquer ensinamento de problogagem.
Até hoje recebe muitos acessos e continua sendo republicado pela web afora. Ele foi discutido em sala de aula de colegial e universidade, foi espontaneamente traduzido pro espanhol e recebi contatos de brazucas do mundo todo sobre ele.
Por popular não quero dizer que todos gostem ou concordem com ele. Recebi minha cota de pessoas me xingando. E muitas críticas também.
Algumas pessoas parecem se incomodar pelo texto não ser uma análise sociológica completa, imparcial e rigorosamente científica. Não é e nem quer ser. É um post de blog, curto, parcial, e tem orgulho disso.
Desde 2009 eu aprendi muito mais sobre a sociedade holandesa (e sobre a brasileira), como o seu PS original previa, e hoje vejo muito mais nuances do que via em 2009. Apesar disso o texto continua atual e causando reflexão nas pessoas.
Como autor, eu não poderia pedir mais.
Abaixo, o texto original, incluindo o PS da época, sem correções nem adições.
Da relação entre limpar seu próprio banheiro e abrir sem medo um Mac Book no ônibus
A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade. Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem, e há censura, e há desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como norte na bússola social holandesa.
Um porteiro aqui na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor doutor. Todos trabalham, levam suas vidas, e uma profissão é tão digna quanto outra. Fora do expediente, nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heinekens juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima. A profissão não define o valor da pessoa – trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos. Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.
Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto. Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1300 euros/mês. Um bom salário de profissão especializada, é uns 3500, 4000 euros/mês. E ganhar mais do que alguém não torna o alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando. Todos ali estão em um time, do qual você faz parte tanto quanto os outros (mesmo que seu trabalho dentro do time seja de tomar decisões).
Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade. Entre brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum – há exceções - estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos – chefe não te olha de cima, o garçom não te olha de baixo. Quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializadas do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?
Os salários pagos para profissão especializada no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time. Os salários pagos à mesma profissão aqui não são suficientes pra esse luxo, e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague (bem mais do que pagaria no Brasil) a um ajudante, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poerinha sua, servindo cafézinho. Eles vêm, dão uma ajeitada e vão-se a cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você. De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio, e pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável (seja porque “estudaram mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade).
Porém, a igualdade social holandesa tem um outro efeito que é muito atraente pra quem vem da sociedade profundamente desigual do Brasil: a relativa segurança. É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência – pessoas são assassinadas, há roubos. Estou fazendo uma comparação, e menos violenta não quer dizer “não violenta”.
O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo.
Eu, pessoalmente, acho excelente os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não têm qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado, ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito. Não enxergo a superioridade moral de um trabalho honesto sobre outro, não importa qual seja. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei” - não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não. O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior – mas não te torna superior a quem não tenha estudado (por opção, ou por falta dela). Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser cuzão. Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem relação com valor pessoal.
Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde. Limpar o banheiro é um preço a pagar pela saúde social. E um preço que acho bastante barato, na verdade.
PS. Ultimamente vem surgindo na sociedade holandesa um certo tipo particular de desigualdade, e esse crescimento de desigualdade tem sido acompanhado, previsivelmente, de um aumento respectivo e equivalente de violência social. A questão dos imigrantes islâmicos e seus descendentes é complexa, e ainda estou estudando sobre o assunto.
Leia mais em: Da relação entre limpar seu próprio banheiro e abrir sem medo um Mac Book no ônibus — Ducs Amsterdam http://www.ducsamsterdam.net/da-relacao-entre-limpar-proprio-banheiro-abrir-sem-medo-mac-book-onibus/#ixzz2lITzHivN
Follow us: @ducsamsterdam on Twitter | ducsamsterdam on Facebook

quarta-feira, 20 de novembro de 2013
momentos
Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa dos nossos sonhos e abraçá-la.
Clarice Lispector
"Quando a Palavra Era um Verbo"
Colecção: Prazeres Poéticos
Páginas: 71
Data de publicação: Junho de 2011
Género: Poesia
"Sou eu,
Ou serei,
Para lá caminho.
Para os dias em que os nossos actos
Nos elevam a quem somos
E não ao projecto do que podemos ser.
Sou eu
Ou serei,
Para lá caminho.
Para os momentos em que somos filtros,
Deixamos o banal
E não interessam as palavras que digo
Mas sim a força com que as grito."
No poema perdi-te,
Vi-te morrer.
No poema
Continuei a fingir que não morremos nunca,
No poema desenhei-te,
Traço por traço,
Sombra por sombra.
No poema desenhaste-te,
Fizeste-te vivo em palavras.
No poema despedi-me
Sem dizer adeus.
No poema falei de morte
E deixei de dar nomes às coisas,
Na vida, na morte e no poema,
Esquecemos a forma
E lembramos apenas o sentido.
sara rodrigues costa
in quando a palavra era um verbo (Chiado Ed., 2011)
Fábrica de Escrita
A BAHIA NA TELA
Introducing an artist and his art from my home town Bahia/Brazil, Henrique Passos.
http://www.henriquepassos.com/?p=home
His work speaks for itself...
Enjoy!!!!
Querida Salvador

Que bom te ver! Que bom te conhecer! Eternamente Linda de Todos os Encantos, de Todos os Santos e Axés!
Musa que me inspira de tão linda que és!
Hoje, acordei com vontade de te retratar e mostrar a beleza de tuas curvas, de tuas cores, de tua luz que reluz e me faz sonhar.
Sonhar como poeta que morre de amor por ti! Que saudade de tuas antigas ruas, das torres e sobrados que a cada detalhe me faz lembrar o nosso primeiro encontro.
O que tiraram de ti vou reconstruindo e te devolvendo em traços e cores, apagando as dores que um dia te fizeram sentir.
Tua história, tua beleza serão eternas e como pintor te imortalizarei em minhas telas, sempre te retratando.
Como disse o “Poetinha” somos responsáveis por quem amamos, sendo assim, sempre cuidarei de ti meu Grande Amor! Será Eternamente Linda! Juntos teremos muitas histórias para contar.
Henrique Passos (463 anos de Salvador – 29 de março/2012).
Salvador Vista do Mar - 2013

+ Ver detalhes
tamanho real: 78x136cm
Barra - Forte de Santa Maria - 2013

+ Ver detalhes
tamanho real: 54x73cm
Barra - Forte de Santa Maria - 2013

+ Ver detalhes
tamanho real: 75x140cm
tamanho real: 100x150cm
Festa de Iemanjá.

+ Ver detalhes
tamanho real: 100x160cm
http://www.henriquepassos.com/?p=home
His work speaks for itself...
Enjoy!!!!
Querida Salvador
Que bom te ver! Que bom te conhecer! Eternamente Linda de Todos os Encantos, de Todos os Santos e Axés!
Musa que me inspira de tão linda que és!
Hoje, acordei com vontade de te retratar e mostrar a beleza de tuas curvas, de tuas cores, de tua luz que reluz e me faz sonhar.
Sonhar como poeta que morre de amor por ti! Que saudade de tuas antigas ruas, das torres e sobrados que a cada detalhe me faz lembrar o nosso primeiro encontro.
O que tiraram de ti vou reconstruindo e te devolvendo em traços e cores, apagando as dores que um dia te fizeram sentir.
Tua história, tua beleza serão eternas e como pintor te imortalizarei em minhas telas, sempre te retratando.
Como disse o “Poetinha” somos responsáveis por quem amamos, sendo assim, sempre cuidarei de ti meu Grande Amor! Será Eternamente Linda! Juntos teremos muitas histórias para contar.
Henrique Passos (463 anos de Salvador – 29 de março/2012).
Salvador Vista do Mar - 2013
+ Ver detalhes
tamanho real: 78x136cm
Barra - Forte de Santa Maria - 2013
+ Ver detalhes
tamanho real: 54x73cm
Barra - Forte de Santa Maria - 2013
+ Ver detalhes
tamanho real: 75x140cm
tamanho real: 100x150cm
Festa de Iemanjá.
+ Ver detalhes
tamanho real: 100x160cm
tamanho real: 62x100cm
Assinar:
Postagens (Atom)

