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domingo, 7 de julho de 2013
Da narrativa cinematográfica - André Setaro

André Setaro
A construção de uma narrativa cinematografia obedece a diversos critérios assim como um projeto arquitetônico corresponde a determinadas opções. Há uma construção narrativa que se pode considerar simples e outra que se desenha como complexa. Dois tipos de estruturas, portanto, mas que se deve ter em conta e ressaltar que a simplicidade ou a complexidade são noções exclusivamente inerentes ao como do discurso e não à sua coisa. Isto quer dizer: pode haver histórias intrincadíssimas mas de estrutura simples, elementar, e, pelo contrário histórias lineares, com começo, meio e fim e progressão dramática tradicional mas que se tornam intrincadas por uma disposição particular dos segmentos narrativos.Dentre as narrativas de estruturas simples estão: a linear, a binária e a circular.
Narrativa linear. Percorrida por um único fio condutor que se desenvolve de maneira seqüencial do princípio ao fim sem complicações ou desvios do caminho traçado. A narrativa de estrutura linear é a de mais fácil leitura e é concebida de modo a respeitar todas as fases do desenvolvimento dramático tradicional. O esquema que se obedece é aproximadamente o seguinte: a) introdução ambiental; b) apresentação das personagens; c) nascimento do conflito; d) conseqüências do conflito; e) golpe de teatro resolutório. Este esquema da narrativa linear repete ao pé da letra o que era a estrutura base do romance psicológico do século XIX. Incluem-se nesse tipo de narrativa aquela nas quais o elemento poético e metafórico é reduzido ao mínimo e os motivos de interesse residem exclusivamente na fábula (story), excetuando-se os eventuais casos de erosão dentro do referido esquema - que se constituem uma exceção à regra.
Narrativa binária. Este tipo de narrativa é percorrido por dois fios condutores a reger a ação como só acontece nos casos de narrativas paralelas baseada na coexistência de duas ações que podem entrecruzar-se ou manter-se distintas. Garantia certa de tensão dramática, a binária é empregada em fitas de ação - thrillers, westerns, etc - porque valoriza o paralelismo e o simultaneismo, fornecendo, assim, amplas possibilidades de impacto. Exemplo clássico da narrativa binária está em David Wark Griffith (Intolerância, 1916, O lírio partido, 1918, Broken blossoms no original). A linguagem cinematográfica tomou impulso com a descoberta da ação paralela e da inserção de um plano de detalhe no plano de conjunto.
Narrativa circular. Este tipo de narrativa tem lugar quando o final reencontra o início de tal modo que o arco narrativo acaba por formar um círculo fechado. É menos frequente e mais ligada a intenções poéticas precisas com um propósito de oferecer uma significação da natureza insolúvel do conflito de partida e denota a desconfiança em qualquer tentativa para superar a contradição assumida como motor dramático do filme. A significação implícita a este gênero de escolha estrutural poderia ser: "as mesmas coisas repetem-se". Em A faca na água (Noz W Wodzie, Polônia, 62), o primeiro longa metragem de Roman Polansky, assim como também em O fantasma da liberdade (Le fantôme de la liberté, 74) de Luis Buñuel, e Estranho Acidente (Accident, 68), de Joseph Losey, para ficar em três exemplos, as coisas que se observam no início voltam a surgir no final, a despeito das tentativas registradas pela narrativa para se libertar delas e da sua influencia nefasta. A construção das obras citadas obedece e exprime a visão do mundo de seus autores do que, propriamente, à matéria da fábula, que pode se apresentar tranquila e jocosa e destituída de relevância maior.
Dentre as narrativas de estrutura complexa estão: a estrutura de inserção, a estrutura fragmentada e a estrutura polifônica.
Narrativa de inserção. Consiste numa justaposição de planos pertencentes a ordens espaciais ou temporais diferentes cujo objetivo é gerar uma espécie de representação simultânea de acontecimentos subtraídos a qualquer relação de causalidade. Os segmentos narrativos individuais interatuam entre si, produzindo, com isso, uma complicação ao nível dos significantes que potencializa o sentido global do discurso. A contínua intervenção do flash-back pode provocar um entrelaçamento temporal que esvazia a noção do tempo cronológico em favor do conceito de duração. Por outro lado, as frequentes deslocações espaciais conferem aos lugares uma unidade de caráter psicológico mas não de caráter geográfico. Na narrativa de inserção, a realidade é vista de modo mediatizado, isto é, a realidade é refletida pela consciência do protagonista ou pela do realizador omnisciente. Seguem esta narrativa de inserção filmes como 8 ½ (Otto e mezzo, 64), de Federico Fellini, A guerra acabou (La guerre est finie, 66), Providence, entre outros trabalhos de Alain Resnais,Morangos Silvestres (Smulstronstallet, 57) de Ingmar Bergman, etc. Nestes exemplos, o receptor/espectador é posto diante de um desenvolvimento narrativo que não é lógico mas puramente mental: o velho Professor Isaac contempla a própria infância (Bergman), o cineasta Guido (Marcello Mastroianni) no cemitério conversa com seus pais já falecidos (Fellini), a projeção do desejo de um escritor moribundo (John Gielgud) imaginando situações (Resnais). O desenvolvimento puramente mental determina, por sua vez, um jogo de associações visuais e emotivas que cria um universo fictício exclusivamente psicológico.
Narrativa fragmentária. Estrutura-se pela acumulação desorganizada de materiais de proveniência diversa, segundo um procedimento análogo ao que, em pintura, é conhecida pelo nome de colagem, A unidade, aqui, não é dado pela presença de um fio narrativo reconhecível, porém pelo ótica que preside à seleção e representação dos fragmentos da realidade. Se, neste caso, da narrativa fragmentária, a intenção oratória do cineasta prevalece sobre a fabulatória, mais acertado seria considerar o filme como um ensaio do que um filme como narrativa. A expectativa de fábulas, no entanto, encontra-se presente no homem desde seus primórdios e o cinema, portanto, desde seu nascedouro possui uma irresistível vocação narrativa. Poder-se-ia, então, ainda que esta irrefreável expectativa do receptor diante de um filme, falar de um cinema-ensaio ao lado de um cinema-narrativo. O exemplo de, novamente Alain Resnais, Meu tio da América (Mon oncle d'Amerique) vem a propósito, assim como Duas ou Três Coisas Que Eu Sei Dela (Deux ou trois choses que je sais d'elle, 66) de Jean-Luc Godard - um minitratado sobre a reificação que ameaça o homem na sociedade de consumo, La hora de los hornos (68), de Fernando Solanas - obra nascida como ato político que utiliza documentos, entrevistas, cenas documentais e trechos com o objetivo de proporcionar a tomada de consciência revolucionária por parte do espectador.
Narrativa polifônica. Estrutura-se pelo número de ações apresentadas que confere uma feição coral à narrativa, impedindo-a de afirmar-se de um ponto de vista que não seja o do realizador-narrador. Os acontecimentos que se entrelaçam são múltiplos, dando a impressão de um afresco, que se forma pelas situações captadas quase a vol d'oiseau. Utilizando-se desse tipo de narrativa complexa, o cineasta capta de maneira sensível, se capacidade houver, o clima social de uma determinada época, como fez Robert Altman em Nashville (1975). Neste filme, vinte e quatro histórias se entrecruzam para compor um mosaico revelador da realidade dos Estados Unidos durante a década de 70. Outro exemplo do mesmo Altman é Short cuts. (Short cuts, EUA, 91).As estruturas examinadas são todas elas do tipo fechado, segundo as coordenadas estabelecidas por René Caillois (12). Porque, assim fechadas, estas estruturas servem de suporte à narrativas concluídas do ponto de vista de seu desenvolvimento, não importando o seu significado poético. Existem, no entanto, casos de estruturas abertas, nas quais a conclusão do discurso é deixada em suspenso ou então prolongada para além do filme. O que caracteriza a obra cinematográfica como um trabalho em devir, um filme que busca ainda o seu desfecho ou, então, como um texto que se oferece à meditação do espectador. EmApocalypse now (1978), de Francis Ford Coppola, o cineasta apresenta três finais todos igualmente legítimos e solidários com o contexto narrativo. Já em Dalla nube nulla ressitenza (81), de Jean-Marie Straub, formado por blocos de sequências fixas, a solução final é deixada ao subsequente trabalho de reflexão do espectador/receptor. Trata-se de uma obra que faz uma reflexão, por meio de representações dialogais, sobre a passagem da idade feliz do Mito para a idade infeliz da História.O caráter aberto da narração, todavia, em nada desfalca a contextualidade orgânica do discurso, contextualidade que se mantém íntegra apesar da suspensão da fábula. A solidariedade estrutural, ressalte-se, constitui a conditio sine qua non de qualquer discurso cinematográfico que pretenda considerar-se artístico.
http://setarosblog.blogspot.com/2013/07/da-narrativa-cinematografica.html?spref=fb
impacto da poesia na Primavera Árabe
Oh, Egito, está perto.
Está perto, será hoje.
Nada resta do poder
a não ser alguns cassetetes.
Se você não acredita, venha a praça e veja por si próprio.
Um tirano só existe na imaginação de seus súditos.
Todo mundo que ficar em casa estará em perigo.
Depois disso, estaremos livres.
Está perto, será hoje.
Nada resta do poder
a não ser alguns cassetetes.
Se você não acredita, venha a praça e veja por si próprio.
Um tirano só existe na imaginação de seus súditos.
Todo mundo que ficar em casa estará em perigo.
Depois disso, estaremos livres.
Presença confirmada na Flip, em julho, o poeta egípcio-palestino analisa o movimento dois anos após a tomada da Praça Tahrir. Para Al-Barghouti, a mera existência de uma poesia árabe é um ato de resistência que zomba das fronteiras, dos governos e da ordem colonial
Por Pedro Sprejer
Através de um telão improvisado com lençóis brancos e um sistema de alto-falantes, os versos de Tamim al-Barghouti se espalharam pela Praça Tahrir lotada de manifestantes, que saíram às ruas do Cairo para cobrar a renúncia do presidente egípcio Hosni Mubarak, em janeiro de 2011. O protesto fez parte da chamada Primavera Árabe, movimento que derrubou governos autoritários na Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen. Intitulado “Oh, Egito, está perto”, o poema de Al-Barghouti tornou-se logo uma espécie de hino.
Passados mais de dois anos, a Primavera deu lugar a um período tempestuoso no Egito, agora comandado pela Irmandade Muçulmana. Paralelamente, a guerra civil jogou a vizinha Síria nas trevas e ameaça os países ao redor. Diante da crise, a poesia, um modo de expressão valorizado na tradição árabe, invadiu as ruas, do Iêmen à Faixa de Gaza.
— Uma coisa que as revoluções no mundo árabe fizeram é que todos agora escrevem poesia, e todos querem escutá-la — contou Al-Barghouti, em entrevista exclusiva ao Prosa por e-mail, na qual analisou o papel da poesia nos protestos e falou sobre suas expectativas em relação à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em julho, onde participará de uma mesa sobre literatura e política.
Nascido no Egito em 1977, filho do renomado poeta palestino Mourid Barghouti (que esteve na Flip em 2006, numa mesa com Ferreira Gullar) e da escritora egípcia Radwa Ashour, Al-Barghouti é também um cientista político. Autor de livros sobre história e cultura árabe, além de coletâneas de poesias, ele atualmente é professor da Universidade de Georgetown, nos EUA, onde vive.
Seus versos ganharam fama internacional em 2007, quando declamou o poema “Em Jerusalém” no programa “Príncipe dos Poetas”, uma espécie de “American Idol” dos bardos, transmitido para milhões de telespectadores árabes. Mesmo não vencendo, foi aclamado na internet, viu seus versos em cartazes nas cidades palestinas, sua voz reproduzida em ringtones de celular e se afirmou como um dos mais importantes poetas de sua geração.
Como você se sentiu ao ver seus poemas declamados em diversos países e entoados por uma multidão na Praça Tahrir?
Eu me senti feliz, grato, sufocado e um pouco assustado, me senti responsável pela conservação daquele tipo de amor e honra. Por um lado, você deve se observar para não perder totalmente a identidade individual, tornando-se um mero porta-voz. Se você perder a si mesmo para as pessoas, você perde as pessoas. Por outro lado, você nunca deve se tornar um egoísta depressivo e introvertido que ignora aqueles que o escutam. O poema cantado na Praça Tahrir foi escrito nos dois primeiros dias da revolução. No terceiro dia, uma quinta-feira, consegui fazer com que a TV Al-Jazeera o transmitisse. Os manifestantes fizeram uma tela com lençóis brancos e o poema foi exibido na praça a cada poucas horas. O compositor Mustafa Said, hoje um grande amigo, ouviu e aprendeu os versos ali. No sábado, ele os transformou em canção.
Neste momento histórico, a poesia pode contribuir na luta pela democracia no mundo árabe?
Sim. A poesia é uma forma mais eficiente de falar, intensificar e aprofundar o significado das palavras. A relação entre poesia e identidade perdurou ao longo de toda a história árabe. Quando a sociedade se definia em termos de tribos, o poeta era o poeta da tribo. Quando era um califado, o poeta cantava para o califa. Na era moderna, quando a sociedade define-se em termos de “o povo” ou “a nação”, o poeta tornou-se a voz do povo. Mesmo quando os movimentos árabes de libertação nacional do século XX fracassaram e a sociedade se decompôs em indivíduos introvertidos, autocentrados e deprimidos, cresceram escolas de poetas árabes voltados para o indivíduo. No início do século XXI, nós experimentos um sentimento coletivo de perigo. Era como se depressão e tristeza fossem luxos. Poucos antes, ao longo dos anos 1990, 5 mil iraquianos haviam morrido por mês por causa do embargo conduzido pelos EUA. Quando Madeleine Albright, ex-secretária de Estado americana, foi perguntada na TV se valeu a pena matar meio milhão de crianças iraquianas para derrubar Saddam Hussein, ela disse “sim”. A sensação de uma ameaça existencial física para os árabes era esmagadora, o que as guerras americanas no Afeganistão, no Iraque e os ataques israelenses na Cisjordânia, em Gaza e no Líbano apenas aumentaram. Daquele momento em diante, emerge uma escola de poesia que busca uma reconexão com o coletivo.
Quais seriam as principais características dessa escola?
Nós escrevemos em uma linguagem que todos possam entender, pensamos em tradição como um ativo e não um passivo, criamos novas técnicas, mas também podemos ser inspirados por formas que remetem ao início da Idade Média. O objetivo é criar um senso de dignidade, merecimento, empoderamento, coragem e vontade de lutar, de sobreviver e de tentar usar a imaginação para tornar o mundo real melhor.
Que lugar a poesia ocupa dentro da tradição cultural árabe?
É interessante notar que a raiz da palavra árabe para comunidade ou nação, “Umma”, tem como sinônimo a raiz da palavra árabe poema, “qaseeda”. Conceitualmente, Umma é qualquer número de pessoas que seguem um ideal, uma imagem, um exemplo, normalmente expresso em um texto ou conjunto de textos. As pessoas que seguem esse exemplo só estariam seguindo a sua própria interpretação do mesmo, portanto, sua própria imaginação. A criação de tal autoimagem, na tradição secular árabe, é a função da poesia, e na tradição religiosa, a função dos textos religiosos. É como ter uma comunidade cuja constituição é um poema, ou um texto religioso rimado e cheio de metáforas, com muitas interpretações. Ambas as raízes, “amm” para “Umma” e “qasad” para “qaseeda”, significam ter intenção de ir a um determinado destino, ou seguir uma imagem ou um ideal.
Você concorda com o termo “poesia de protesto” para descrever o seu trabalho?
Não, a poesia é apenas uma forma mais eficiente de expressão. Mas o fato de eu, ou minha sociedade, estarmos em um estado de rebelião ou engajados em uma luta colonial pela maior parte dos últimos dois séculos vai certamente se refletir naquilo que digo. Os árabes foram divididos em 22 estados soberanos por potências coloniais, o que garantiu sua dependência econômica e vulnerabilidade militar. As fronteiras foram traçadas em mapas, arames farpados foram estendidos no deserto. Constituíram exércitos, burocracias e forças policiais cuja principal tarefa era proteger o interesse de seus criadores coloniais. No entanto, o colonialismo não conseguiu convencer a maioria dos árabes de suas novas identidades. Ele dividiu a terra, mas não a linguagem; confinou as pessoas, mas não a sua imaginação. Portanto, hoje a mera existência de uma poesia árabe é um ato de resistência. Ela zomba das fronteiras, dos governos e dos ditames da ordem internacional colonial e neocolonial. Versos de um poeta tunisiano do início do século XX foram cantados no Egito e no Iêmen durante as recentes revoluções, poesias sobre a Palestina estiveram presentes nos cânticos de quase todos os protestos árabes, não só agora, mas durante os últimos 60 anos.
Como a poesia contribuiu com a Primavera Árabe, e como o movimento tornou a poesia mais popular nos países árabes?
Uma coisa que as revoluções no mundo árabe fizeram foi que todos agora escrevem ou tentam escrever poesia, e todos querem escutá-la. Note que eu digo “escutar”, pois em nossa parte do mundo preferimos ouvir poesia do que apenas ler. A poesia também esteve presente nas revoluções árabes na maneira surpreendente como elas se organizaram. Ao contrário de revoluções com base em estruturas piramidais de partidos revolucionários clássicos ou golpes de Estado, os manifestantes que tomaram as ruas do Cairo e de Túnis não tinham qualquer central de comando ou liderança designada. Assim como a boa e velha “umma”, eles estavam seguindo um conjunto de ideias e ideais em sua própria imaginação. Essas imagens significam coisas diferentes para pessoas diferentes, mas tinham em comum o suficiente para fazê-los agir coletivamente e em perfeita harmonia, eficiência e coordenação. Ao invés de tentar tomar o controle do Estado, eles simplesmente o transcenderam. Nos 18 dias da revolução egípcia, os 20 milhões de egípcios nas ruas foram capazes de gerenciar a segurança, administrar os suprimentos e gerenciar a comunicação sem ter qualquer ministério constituído. E o mais importante é que eles foram capazes de gerenciar a defesa e as relações exteriores tão bem que os militares e os EUA não tiveram como manter o presidente Mubarak . A revolução em si foi, portanto, um ideal, um poema, uma proeza de imaginação capaz de derrubar a realidade concreta desprovida de imaginação instalada pelo colonialismo.
O seu poema “Em Jerusalém” parece evocar um sentimento de exclusão. Porque tantos se identificaram com tais versos?
Porque quase todo árabe é um palestino. E Jerusalém sempre foi a cidade que pertence àqueles que são excluídos dela, aos que não estão autorizados a chegar lá. Jerusalém é um daqueles lugares associados ao martírio, ao triunfo dos oprimidos. Os reis de Jerusalém devem ser aqueles com coroas de espinhos e não aqueles com coroas de ouro e cabeças nucleares. O problema na Palestina não está na presença de pessoas de diferentes credos, a Palestina é uma terra com um significado simbólico para muitas culturas e religiões. O problema acontece, como sempre, quando um grupo de pessoas pensa que tem mais direitos. Qualquer homem ou mulher da fé judaica pode se tornar um cidadão de Israel, palestinos que foram expulsos de suas casas pelas forças israelenses em 1948 não estão autorizados a voltar. Se os palestinos se tornassem judeus amanhã, eles seriam autorizados a voltar. A razão pela qual eles estão em campos de refugiados é que eles parecem ter a religião errada! A exclusão dos palestinos por parte de Israel não é apenas uma ofensa contra eles, mas contra os árabes, os muçulmanos, os cristãos e todos que acreditam na igualdade humana.
Mais de dois anos depois, a energia da Primavera Árabe se dissipou?
As revoluções árabes ainda podem evoluir se evitarmos uma guerra civil total entre sunitas e xiitas na Síria, Líbano e Iraque. Uma guerra financiada, armada e apoiada pelos EUA, Otan e Arábia Saudita. Com isso, seremos capazes de livrar todo o Oriente Médio da hegemonia americana. Se não fosse pela catástrofe da Síria, as revoluções árabes poderiam ter realizado seu potencial de reorganizar o equilíbrio global de poder e acelerar a transição de um sistema mundial unipolar para outro multipolar.
Ainda há esperança?
Acho que há. Afinal, no Iraque e na Síria, os americanos mudaram seu apoio entre sunitas e xiitas tantas vezes que hoje há pouca confiança neles. As pessoas estão se tornando cada vez mais conscientes de que esta é a clássica tática de dividir para reinar, nada de novo. Além disso, se as coisas ficarem bem no Egito, o resto da região o seguirá. As coisas não estão indo bem agora, mas vão dar certo, pois todas as condições estruturais estão lá. Você tem uma população cada vez mais engajada, ativa e consciente, e um aparato de segurança enfraquecido, que não pode oprimir em larga escala. E os EUA, que não estão em posição de impor violentamente a sua hegemonia. O Egito vai se libertar da influência americana, e junto com o Irã e a Turquia será capaz de reorganizar o Oriente Médio.
O que você espera encontrar em sua primeira visita ao Brasil?
Estou muito animado para conhecer o Brasil. Para as pessoas da minha região, o Brasil é um desses exemplos com os quais gostaríamos de aprender. Temos muito em comum com a América Latina em geral, uma região que tem conseguido alcançar o que deseja: romper com a hegemonia dos EUA, independência, desenvolvimento econômico e justiça social. Na verdade, esperamos que um dia os árabes, os iranianos e os turcos possam tornar-se parte dos BRICS, para lutarmos juntos por um mundo com um melhor senso de igualdade e justiça.
http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2013/04/27/tamim-al-barghouti-fala-sobre-impacto-da-poesia-na-primavera-arabe-494634.asp
NOTA:
'Poeta da primavera árabe' não participará mais da Flip
Al-Barghouti não conseguiu pegar voo de conexão a partir de Londres.
O egípcio-palestino Tamim Al-Barghouti não vem mais à Flip. Na sexta-feira, a organização do evento disse que ele havia conseguido pegar um voo do Cairo para Londres, de onde viria para o Brasil. Mas ele não conseguiu pegar o voo de conexão na capital britânica por problemas com sua documentação.
Segundo a organização da Flip, houve extravio do passaporte e Al-Barghouti não conseguiu embarcar.
06/07/2013 16h53 - Atualizado em 06/07/2013 23h36
http://g1.globo.com
RECONCILIAÇÃO

Nei Duclós
Decida-se pela paz dentro de você
não apenas com imagens no espelho
ou com todos os avatares fake
Reconcilie-se com seu presente
deixe o passado no ermo
e aperte a mão de quem não é idêntico
Some a dor acumulada e livre-se
instaurando a saúde da recompensa
Coloque sua cabeça a prêmio
e faça um evento onde você discursa
para uma platéia configurada no amor
Distribua o abraço a esmo
E não permita que interfiram no movimento
que venham roubar seu dinheiro
que sequestrem o voto, que comprem
famílias, que invadam casas,
que coloquem freios nas almas
Não recue diante da violência
Tente compor esse comportamento
você solidário com o país sem esperança
e ao mesmo tempo firme no leme da força
Batize a mocidade na ante-sala do espanto
e habite o espírito de quem chega tarde
Está com você o encargo dessa dança
Não se entregue às pretensões, mas à mudança
palmilhe o canto que foi sufocado no exílio
desate o nó que amarra a vivência
componha a linguagem que se contrapõe ao ruído
e avance apenas com o corpo escasso
o trêmulo andar, as pétalas ao vento
Como poderemos, perguntarão, vencer
contando apenas com a poesia e o sonho?
Não apenas isso, dirá a reconciliação
mas os frutos de jardins abandonados
e o lixo que vamos recolher das ruas
transformado numa constelação de rumos
Importa que diga sim ao convite que faço
armado apenas da vontade de resgatar
o que perdemos para sempre
Somos um navio que recuperou o impulso
e com velas a pleno nos dirigimos
ao cais onde enfim seremos de novo uma nação
E não se renda ao aparelhamento
partidário ou religioso do que pactamos aqui
Os sectários que cumpram seu destino
e permaneçam à parte. Pois nós, proprietários
do nosso coração, temos algo maior a cumprir
antes que decretem para hoje o fim dos tempos
RETORNO - Imagem desta edição: foto de Cartier-Bresson
http://outubro.blogspot.com.br/2011/11/reconciliacao.html
sexta-feira, 5 de julho de 2013
um poema de Fernando Pessoa

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
"quem colocou o Pessoa no meu colo" Maria Bethania
05/07/2013
Ao lado de Cleonice Berardinelli, cantora leu obra do português na Flip.
Com 96 anos, professora afirmou sempre descobrir sonetos do poeta.
Letícia MendesDo G1, em Paraty
A obra de Fernando Pessoa foi celebrada por Maria Bethânia e pela estudiosa do poeta Cleonice Berardinelli na mesa mais disputada da 11ª Flip, que aconteceu na noite desta sexta-feira (5). Com ingressos esgotados logo no primeiro dia de vendas, em 10 de junho, a sessão de leitura começou com 20 minutos de atraso e lotação na Tenda dos Autores. Poucos minutos após a hora marcada para o início, 19h30, ainda havia uma multidão em frente ao local.
O G1 transmitirá ao vivo todas as mesas da Flip 2013, tanto com áudio traduzido (se a palestra não for em português) quanto com áudio original.
Aplaudida de pé ao subir ao palco, dona Cléo - como prefere ser chamada -, de 96 anos, iniciou a mesa "Lendo Pessoa à beira-mar". Bethânia, que tem integrado versos do poeta português em seus shows há mais de 40 anos, foi convidada por Cleonice para entrar em cena.
saiba mais
Acompanhe a cobertura da Flip 2013
As duas fizeram uma leitura ininterrupta de 50 minutos de poemas de Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis, como "Dois Excertos de Odes"; "O meu coração quebrou-se"; "Leve, breve, suave"; "Natal... na província neva"; "Autopsicografia"; "Cerca de grandes muros quem te sonhas"; "Prece"; "O rei"; “O infante”; "O guardador de rebanhos"; "Quando eu não te tinha"; "O amor é uma companhia"; "Já sobre a fronte vã"; "Quer pouco terás tudo"; "Aniversário"; "Esta velha angústia"; "Depus a máscara"; "Todas as cartas de amor são ridículas"; "Poema em linha reta"; "O Binômio de Newton".
Em seguida, o mediador Júlio Diniz questionou Cleonice sobre qual seria seu heterônimo favorito. "É como perguntar para a mãe de qual filho ela gosta mais. Eu tenho um aluno que faz pesquisa constantemente sobre Pessoa, descobrindo novos sonetos cada vez mais", disse.
Bethânia contou que foi o diretor teatral Fauzi Arap "quem colocou o Pessoa no meu colo". "Ele viu que tinha a ver comigo. Ele me fez aprender, ler, entender e gostar", afirmou. Junto com Cleonice, a cantora disse que deseja gravar um CD com leitura dos poemas. "Claro que eu aceito", respondeu dona Cléo.
http://g1.globo.com/flip/2013/noticia/2013/07/maria-bethania-diz-que-deseja-gravar-cd-com-poemas-de-fernando-pessoa.html?fb_action_ids=10201056029317272&fb_action_types=og.recommends&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=28838148123758
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quarta-feira, 3 de julho de 2013
Don't Call it Frisco
History of San Francisco Nicknames
This story is brought to you by the great people over at the Bold Italic. The Bold Italic is an online magazine, shop, and events hub in San Francisco. We celebrate the free-wheeling spirit of the city.
San Francisco is a lot of things.
It’s hippies, hipsters, vagrants, flagrants, artsy, fartsy, and more. You name it, and it probably lives here. And accordingly, no single nickname has ever really stuck for Saint Frank.
Riffs on the grand title of our city come and go. Many of them are "locals only" tags. But no major urban destination can escape the nicknaming process – just look at the Big Apple or the Windy City. Like most things San Francisco, there's no consensus on which nickname – if any – is appropriate. We’ll leave that question for the comments section. In the meantime, here’s what I’ve discovered about the history of San Francisco nicknames.
The Great Debate: Frisco
The St. Louis–San Francisco Railway known as the “Frisco” began operating in 1876, but the nickname is as old as the American West. Herb Caen, the Pulitzer-winning San Francisco Chronicle columnist, was adamant that no one call his fair city by such a sliced up moniker. Instead, "Caress each Spanish syllable, salute our Italian saint. Don't say Frisco and don't say San-Fran-Cis-Co," he advised. "That's the way Easterners, like Larry King pronounce it. It's more like SanfrnSISco." Yet, cultural forces from Otis Redding ("headed for the Frisco bay") to Pink Floyd (the unofficial Darkness Over Frisco live album) to Google (search "Frisco" and see what comes to the top of the page) keep the name associated with San Francisco.
Here's the thing with "Frisco": Nicknames are supposed to embody some overall characteristic, not just act as a lazy surgery of the city’s name. There's a reason we don't call New York "Nork" when we're feeling saucy. It’s the "The City That Never Sleeps" for poetic reasons. Just because "Frisco" sounds like a place (and it is, in Texas and Colorado), doesn't make it a good nickname. No one would get on the I-5 and head south for "Agles."
(Pro tip: If an out-of-town friend calls it Frisco, avoid the soapbox. San Franciscans have a rep for being uptight jerks about the nickname. Don't play into the stereotype. They'll eventually notice you never call it that anyway.)
The Uncool One: San Fran
This suffers from the same lame laziness as Frisco, but with an added layer of sounding like someone trying to be hip. San Fran seems like a name that could and should work in conversation, but it's just so out of the local vernacular that it never fails to trip alarm bells.
The Explain-y One: Baghdad by the Bay
Such a name may trigger worries of negative geopolitical undertones, but this was actually the title of a collection of Caen essays about San Francisco (and a persistent nickname he used). The reference to the ancient Iraqi capital – which is also near Babylon – was meant as an indication of the wide range of characters and cultures you found in San Francisco decades ago. This past decade has put our relationship with Baghdad in a tough place, though. Anyone hearing the phrase for the first time needs a delicate explanation. That's not the sign of a great nickname. Sorry, Herb.
The Easy One: SF
"Es-ef" is fine because it's technically not a nickname, but an acronym. People travel to LA and DC without getting raised eyebrows. I use SF all the time (especially when flying out of “es-ef-oh”) and know plenty of others who do the same. It's just not particularly endearing or interesting.
The Maybe a Century Ago: The Paris of the West
This was a common nickname at the turn of the twentieth century used to coax tourists and lure Easterners to move to our glorious city on the other side of the railroads. But no proud urban destination likes to be thought of as the "something else" to a better-known city, so it's fallen out of use.
The Humble Brag One: The Golden City
Echoes of the gold rush make for a great nickname, but these days, when the Golden City is used by locals, it feels pretty self-indulgent.
Yes, there was gold in them hills, and yes we still have golden sunsets, and the rolling hills shimmer gold most of the year. But San Francisco has a reputation for being a little too proud of itself, and the Golden City doesn't do much to alter that. This is especially true with the modern tech gold rush and the debatable economic value it's creating. The Golden City is really the kind of nickname that everyone except people from San Francisco should use.
The Locals-Only One: The City
The City is a local’s nickname not because of any exclusivity, but because if you are within a reasonable distance of another city, people will have no idea what you're talking about. The capital letters don't translate in conversation. But when used appropriately, the nickname creates a nice recall of the days of Old West yore, when San Francisco was the only metropolitan area within conceivable traveling distance. If you told someone in the Salinas Valley that "I'm heading to The City," they'd know what you meant. Oakland and San Jose were still glimmers in the eyes of today's giants. Everything between here and LA was wild ranching and farmlands. "The City" didn't need capital letters.
The Intimate One: Fog City
To outsiders, fog is San Francisco’s gentle lover. The white duvet creeps through the hills each morning, wrapping us in a great amalgam of cloud and steel. Yet to locals, the fog can be a freezing pain in the ass, ruining bocce ball games and dates on the beach. Karl replaces that warm California sun with a menacing wind that feels like ghosts sucking out your soul. We do love him – HE IS BEAUTIFUL – but in the bittersweet way New Yorkers may love the fact that they never sleep. He's woven into the city's fabric – or, really, he is the city's fabric – which makes for a pretty good nickname.
The Best One (So Far): City by the Bay
Keep it simple. You can drive over the bridges a thousand times and still catch yourself lost in the majesty of San Francisco nestled against the water, islands, sailboats, and sunshine of the bay. Let's call a spade a spade.
terça-feira, 2 de julho de 2013
O POETA NERUDA E AS DORES DO MUNDO
por eli boscatto em 01 de jul de 2013 às 15:00
Nascido Neftalí Ricardo Reyes Basoalto em 12 de julho de 1904, na cidade de Parral, Chile, filho de José del Carmen Reyes Morales, um operário ferroviário, e de Rosa Basoalto Opazo, professora primária, morta quando ele ainda era um bebê, adotou o pseudônimo Pablo Neruda em homenagem ao poeta tcheco Jan Neruda e ao francês Paul Verlaine.
Ainda na escola, publica seus primeiros poemas no jornal “La Manãna”, e no ano de 1920, começa a contribuir com a revista literária “Selva Austral”. Em 1921 passa a morar na cidade de Santiago do Chile e estuda pedagogia no Instituto Pedagógico da Universidade do Chile. Em 1923 publica “Crepusculário” e no ano seguinte “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”, já com uma forte marca do modernismo.
Neruda foi um dos maiores poetas da América Latina, e um poeta do mundo. Clamava em prosa e verso por liberdade, justiça e paz, e seus poemas de amor são de um lirismo fascinante, onde ele expressa toda sua saudade e suas dores.
Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.
Te amo como se amam certas coisas obscuras
secretamente, entre a sombra e a alma
sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
secretamente, entre a sombra e a alma
sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
(A Dança – Pablo Neruda)
Sua inquietude por justiça e liberdade o levou também a ser um ativista político, o que se nota em vários de seus poemas. Neruda passou pela Guerra Civil Espanhola, por duas guerras mundiais e por duas ditaduras no Chile. Como arma tinha a palavra, a arma mais letal dos poetas.
“Meu caminho junta-se ao caminho de todos. E em seguida vejo que desde o sul da solidão fui para o norte que é o povo, o povo ao qual minha humilde poesia quisera servir de espada e de lenço para secar o suor de suas grandes dores e para dar-lhes uma arma na luta pelo pão.” (Pablo Neruda)
Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
o melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Sê um arbusto no vale mas sê
o melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
(do livro Canto Geral)
No ano de 1927, começa sua carreira diplomática, após ser nomeado consul na Birmânia. Em seguida passa a exercer a função no Sri Lanca, Java Singapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri. Em Buenos Aires, conheceu Garcia Lorca, e em Barcelona Rafael Alberti.
Em 1936, explode a Guerra Civil Espanhola. Comovido com a guerra e com o assassinato do amigo Garcia Lorca, compromete-se com o movimento republicano, o que lhe custou o cargo de diplomata. Já na França, em 1937, escreve “Espanha no coração”. Retorna neste ano para o Chile e começa a produzir textos com temáticas políticas e sociais.
Em 1943, é eleito senador da República no Chile. Comovido com o tratamento repressivo que era dado aos trabalhadores de minas, começa a fazer vários discursos, criticando o presidente González Videla. Passa a ser perseguido pelo governo e é exilado na Europa.
Em 1939, tendo recuperado seu estatuto de diplomata, volta para a França com o objetivo de ajudar os milhares de refugiados espanhóis que vivem em condições sub-humanas no sul da França. Organiza a viagem de cerca de 2.500 destes refugiados para o Chile, numa das maiores operações de salvamento dos exilados da guerra civil da Espanha.
...E numa manhã tudo estava ardendo,
E numa manhã fogueiras
saíam da terra
Devorando seres,
E desde então fogo,
Pólvora desde então,
E desde então sangue.
Bandidos com aviões e mouros,
bandidos com anéis e duquesas,
bandidos com padres de preto abençoando-os
vinham pelos céus a matar crianças,
e pelas ruas o sangue de crianças
corria simplesmente, como sangue de crianças...
E numa manhã fogueiras
saíam da terra
Devorando seres,
E desde então fogo,
Pólvora desde então,
E desde então sangue.
Bandidos com aviões e mouros,
bandidos com anéis e duquesas,
bandidos com padres de preto abençoando-os
vinham pelos céus a matar crianças,
e pelas ruas o sangue de crianças
corria simplesmente, como sangue de crianças...
(trecho de um poema sobre a Guerra Civil Espanhola)
Neruda recebe o Prêmio Nobel de Literatura em outubro de 1971 e falece no Chile em 23 de setembro de 1973. Em abril de 2013, a justiça chilena autorizou a exumação de seus restos mortais por causa de suspeitas de que teria sido assassinado pelo regime de Augusto Pinochet, tendo Neruda falecido dias após o golpe militar. Mas segundo a conclusão dos primeiros exames, a causa de sua morte foi confirmada como sendo mesmo um câncer de próstata em estágio avançado. Tiraram a paz do poeta que descansava em sua mítica Iha Negra, mas como disse em entrevista um cineasta e escritor chileno, “a saúde emocional do Chile pede certezas sobre sua morte.” Neruda infelizmente, não viveu para que sua poesia alcançasse importantes acontecimentos históricos de décadas posteriores.
“Nós, os que perecemos, tocamos os metais, o vento, as margens do oceano, as pedras, sabendo que seguirão, imóveis ou ardentes, e eu fui descobrindo, dando nome às coisas: foi meu destino amar e despedir-me.” (Pablo Neruda)
Principais Obras
• A canção da festa (1921)
• Crepusculário (1923)
• Vinte poemas de amor e uma canção desesperada (1924)
• Tentativa do homem infinito (1925)
• Residência na terra [vol. I, 1931; vol.II, 1935; vol.III,1939, que inclui Espanha no coração (1936-1937)]
• Ode a Stalingrado (1942)
• Terceira residência (1947)
• Canto geral (1950)
• Odes elementares (1954)
• Navegações e retornos (1959)
• Canção de gesta (1960)
• Ensaios (Memorial da ilha negra, 1964) e a peça teatral Esplendor e morte de Joaquín Murieta (1967).
Em 1974, foi publicado o volume autobiográfico Confesso que vivi. (Prêmio Nobel de Literatura, 1971).
Fontes:
www.suapesquisa.com/biografias/pablo_neruda.htm
www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134
www.astormentas.com/PT/poemas/Pablo%20Neruda
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1259085-exumacao-do-corpo-de-neruda-e-concluida-justica-vai-determinar-causa-da-morte.shtml

www.suapesquisa.com/biografias/pablo_neruda.htm
www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134
www.astormentas.com/PT/poemas/Pablo%20Neruda
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1259085-exumacao-do-corpo-de-neruda-e-concluida-justica-vai-determinar-causa-da-morte.shtml
Artigo da autoria de Eli Boscatto.
Formada em Ciências Políticas e Sociais, curiosa, inquieta, adora se emocionar. Pretensa poeta..
Saiba como fazer parte da obvious.
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