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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Amor até o fim - Elis Regina (1979)



Amor até o Fim
Gilberto Gil

Amor, não tem que se acabar
Eu quero e sei que vou ficar
Até o fim, eu vou te amar
Até que a vida em mim resolva se apagar
Amor
É como a rosa num jardim
A gente cuida,a gente olha,
A gente deixa o sol bater pra crescer, pra crescer
A rosa do amor tem sempre que crescer
A rosa do amor não vai despetalar
Pra quem cuida bem da rosa
Pra quem sabe cultivar
Amor não tem que se acabar
Até o fim da minha vida eu vou te amar
Eu sei que o amor não tem
Não tem que se apagar
Até o fim da minha vida eu vou te amar
Eu sei que o amor não tem que se acabar

Uma pitada de Eros na amizade...

 


Fico pensando se a amizade existe realmente. Não me refiro ao prazer ocasional de duas pessoas que se alegram por ter se encontrado num dado momento de suas vidas em que pensam da mesma maneira sobre determinados assuntos, descobrem os mesmos gostos e preferem as mesmas lutas. Nada disso tem a ver com amizade. As vezes acho que ela representa a relação mais íntima que existe na vida… Talvez por isso seja tão rara. E então, em que se funda? Na simpatia? É um termo impróprio, brando demais: não se pode dizer que a simpatia seja suficiente para levar duas pessoas a se responsabilizarem uma pela outra nas situações mais críticas de suas vidas.
Então, em que mais?
Não haverá talvez uma pitada de Eros no fundo de todas as relações humanas?”



‘Verdades a granel’ - Sándor Márai

Condenados a ser livres: filosofia ou paradoxo?

 


“Se o homem não é, mas se faz, e se, em se fazendo, assume a responsabilidade por toda a espécie humana, se não há valor ou moral dados a priori, mas se, em cada caso, precisamos resolver sozinhos, sem ponto de apoio e, no entanto, para todos, como haveríamos de não sentir ansiedade quando temos de agir?” “Queremos a liberdade pela liberdade através de cada circunstância em particular. E, ao querermos a liberdade, descobrimos que ela depende inteiramente da liberdade dos outros e que a liberdade dos outros depende da nossa(...)”
Sartre, O existencialismo é um humanismo (1946)
"Realmente, só pelo fato de ser consciente das causas que inspiram minhas ações, estas causas já são objetos transcendentes para minha consciência; elas estão fora. Em vão tentaria apreendê-las.
Escapo delas pela minha própria existência. Estou condenado a existir para sempre além da minha essência, além das causas e motivos dos meus atos. Estou condenado a ser livre. Isso quer dizer que nenhum limite para minha liberdade pode ser estabelecido, exceto a própria liberdade, ou, se você preferir; que nós não somos livres para deixar de ser livres."
Jean-Paul Sartre, O Ser e o Nada (1943)
O homem é um ser apenas possível. Existo à medida que transformo esse possível em real.
É no processo livre de escolha, a cada dia, de nossa existência que construímos a essência humana. Escolhemos a nossa essência ao procedermos à escolha do personagem que pretendemos ser. Daí, a famosa frase de Sartre: “A existência precede a essência”.
Frequentemente esqueço que eu mesmo escolhi livremente construir os amores, esquecer-me dos amigos ou curtir meus pais. Mas o mais saboroso, e quase fantástico, desta aventura humana é que cada uma vai fazendo sua libertação ao longo deste caminhar. E não só a sua vida, mas de toda a humanidade, pois, com sua vida, está construindo sua essência humana.
O homem é um ser que não pode querer senão a sua liberdade e que reconhece também que não pode querer senão a liberdade dos outros. Daí que ninguém vive livre sozinho... Enfim, para Sartre, não existe o destino, nós construímos o nosso futuro.

F.J. Almeida "Sartre - É Proibido Proibir", Editora FTD, São Paulo, 1988.


Toda manhã esconde um entardecer e este traz consigo a noite...a minha reflexão, hoje, desde a hora em que olhei pela janela. Não sou livre para escolhê-las. Será?!!!!
 

Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios

sábado abr 28, 2012

Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (2011), de Beto Brant e Renato Ciasca

Serão poucos aqueles que, hoje, irão discordar da afirmação de que Beto Brant é o mais talentoso cineasta brasileiro surgido desde a chamada “retomada”. A começar por sua estreia em longas-metragens, com Os Matadores, realizado em 1997, Brant conseguiu produzir com uma regularidade quase sem par entre nossos realizadores, construindo uma filmografia forte e coerente, de alguma forma passando ao largo das facilidades dos vícios autorais ou das concessões ao grande público.
Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios é seu sétimo filme, o quinto em parceria com o escritor Marçal Aquino e o segundo codirigido por Renato Ciasca (o primeiro sendo o delicado Cão Sem Dono). O trio assina o roteiro, adaptado do romance homônimo de Aquino, sua obra mais famosa.
Certeiramente, a versão cinematográfica vai ao cerne do livro, eliminando personagens secundários e substituindo o pano de fundo do garimpo pelo da exploração madeireira: Cauby (Gustavo Machado) é um fotógrafo que chega a uma cidade ribeirinha, no interior da Amazônia. Lá, envolve-se em uma paixão avassaladora com Lavínia (Camila Pitanga). Neste momento, Brant, habilmente, instaura o espectador na vida de seus dois personagens, relegando a segundo plano suas vidas pregressas. Ela é casada com Ernani (Zécarlos Machado), o pastor da cidade e, claramente, dita o ritmo simultaneamente incerto e imediato de seu caso com Cauby, que passa os dias aguardando-a em sua casa.
É, assim, tão mais vigoroso o longo e inesperado flashback que nos leva ao Rio de Janeiro, onde Lavínia cambaleia drogada e fora de si, pelas calçadas, até ser socorrida por Ernani; ele mesmo um homem recém-recuperado da morte abrupta de sua esposa, tendo encontrado, na religião, a força para prosseguir e mudar o rumo de sua vida. E é através de suas palavras que ele consegue tirar Lavínia da prostituição e, finalmente, encontrar uma parceira com quem possa viajar, oferecendo sua experiência e suas preces às comunidades carentes.
E é quando a narrativa volta à Amazônia que os tons premente e ameaçador da história passam a prevalecer e, só então, o espectador começa a ter dimensão da tragédia iminente (no romance já sabemos, de início, que a conclusão da história não será sem grandes custos aos personagens). E tal estranhamento se dá pelas oscilações da narrativa, sempre com sua força atrelada às inquietações emotivas e espirituais de Lavínia, estilhaçada entre dois homens apaixonados e propensos a tudo por sua companhia – e se o elenco está extraordinário, podemos destacar Camila Pitanga, no que consiste na melhor atuação de sua carreira.
Absorto nos personagens e no ambiente hostil que os cercam, Brant novamente lida com os liames entre as forças vitais cônscias dessas vidas e seus destinos inelutáveis; no entanto, aqui inserindo uma invulgar camada ascética a seus amores e motivações. Não obstante as várias cenas de sexo e, novamente, uma trama centrada no relacionamento entre um artista (Cauby, fotógrafo) e sua musa (Lavínia), a esses se sobrepõem, em uma instância, a moral de um homem cuja compaixão cristã parece trazer pouco além de tumulto e, antes, uma sufocante e extravagante paisagem, onde nela refletem-se os mistérios ameaçadores do porvir de seus habitantes: esse ambiente parece, crescentemente, ser a causa e a razão inescapáveis da fatalidade das vidas desses personagens. Cauby, Lavínia e Ernani encontram-se tão indefesos de suas próprias existências quanto a floresta, que é rápida e ilegalmente devastada.
O que antes era intimidade e introspecção (Cão Sem Dono, O Amor Segundo B. Schianberg), com a natureza fervorosa torna-se objeto de clamor público e desejos imperiosos. E assim, Brant realiza um fascinante (senão, e por isso, errático e dilatado) conto de seres traumatizados em situações extremas (amor, morte; ganância, generosidade) que, ao final delas, se encontrão renascidos e, de uma maneira ou de outra, com seus caminhos já percorridos.
Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios é, arriscadamente, atordoante, belo e vivo, como poucos lançamentos do ano, brasileiros ou não.
Bruno Cursini

http://www.revistainterludio.com.br/?p=3018

segunda-feira, 21 de maio de 2012

domingo, 20 de maio de 2012

Too Much Heaven - Bee Gees


"Love is such a beautiful thing."

R.I.P. Robin Gibb

I Started A Joke (LIVE @ MGM Las Vegas 1997) - Robin Gibb (Bee Gees)


I started a joke,
which started the whole world crying,
but I didn't see that the joke was on me, oh no.
I started to cry,
which started the whole world laughing,
oh, if I'd only seen that the joke was on me.
I looked at the skies,
running my hands over my eyes,
and I fell out of bed,
hurting my head from things that I'd said.
Til I finally died,
which started the whole world living,
oh, if I'd only seen that the joke was on me.
I looked at the skies,
running my hands over my eyes,
and I fell out of bed,
hurting my head from things that I'd said.
'Til I finally died,
which started the whole world living,
oh, if I'd only seen that the joke was one me.

Robin Gibb dies at age 62

©AP/ Robin Gibb
© AP/ Robin Gibb
Robin Gibb of Bee Gees fame dies at age 62
RollingStone.com
Robin Gibb, one-third of the Bee Gees, died Sunday after a long battle with cancer, his spokesperson has confirmed via a statement. Gibb was 62 years old.
"The family of Robin Gibb, of the Bee Gees, announce with great sadness that Robin passed away today following his long battle with cancer and intestinal surgery," reads the statement. "The family have asked that their privacy is respected at this very difficult time."

Two years ago, Gibb battled colon and liver cancer, but despite making what he called a "spectacular recovery," a secondary tumor recently developed, complicated by a case of pneumonia.
Gibb was born in Manchester, England, in 1949, along with twin brother Maurice. (Maurice died in 2003 of complications from a twisted intestine; eerily, Robin had surgery for the same medical issue in 2010.) Along with their older brother Barry, the brothers began harmonizing as a trio in Australia, where the family moved in 1958. Although the Bee Gees had some success in Australia -- they hosted a weekly variety show there -- they didn't truly arrive until they returned to England and signed with manager Robert Stigwood. Robin's quivering, vulnerable voice was featured prominently on several of the group's earliest and most Beatles-eque hits, including "New York Mining Disaster 1941," "I Started a Joke," "Massachusetts," and "I've Gotta Get a Message to You."
Although he looked and sounded like the meekest Bee Gee, Robin grew into the family rebel. By 1969, he and Barry were feuding over whose song should be singles, and Robin, then 20, was declared a "ward of the state" by their father when his drinking and partying seemed to take over his life. "It happened so fast that we lost communication between us," Gibb later recalled. "It was just madness, really."
But it also Robin who, in 1971, made the first call to Barry to reunite with his brothers. Robin's solo career had stalled, and Barry and Maurice's attempts to continue as the Bee Gees as a duo had floundered as well. "If we hadn't been related, we would probably have never gotten back together," Robin said at the time. Robin's voice was heard, beautifully, on the chorus of their minor 1972 hit "Run to Me."
The Bee Gees' massive second wind arrived with their proto disco hit, "Jive Talkin'," in 1975; two years later, their contributions to "Saturday Night Fever" made them bigger stars than ever. Most of the hits from that era featured Barry's falsetto voice, but the brothers' vocal blend remained an indelible apart of their sound.
The group entered another fallow period during the early '80s, although during this time, Robin produced a semi-hit album by Jimmy Ruffin, brother of the Temptations' David Ruffin. The last Bee Gees album, "This Is Where I Came In," was released in 2001. Two years later, Maurice died, and with his passing the Bee Gees ended. (Their other, younger brother Andy died in 1988.)
Robin and Barry reunited periodically -- in 2010, they made an appearance on "American Idol" and inducted ABBA into the Rock and Roll Hall of Fame -- and talked about a duo tour, but nothing materialized. Robin, though, kept his hand in music. With his son Robin-John, he wrote an ambitious piece, "The Titanic Requiem," a mix of orchestral and vocal pieces telling the story of the doomed liner on the 100th anniversary of its sinking. "It's a serious subject and it's not a rock opera," Gibb said before its debut. "There are no backbeats. This could have been written 300 years ago."
Featuring the Royal Philharmonic Orchestra, the work had its world premiere in London on April 10. But in a sign that Gibb's health had taken a turn for the worse, he wasn't able to attend. Ironically, next week's episode of "Glee" will include covers of Bee Gees songs from "Saturday Night Fever."

http://music.msn.com/music/article.aspx?news=730092&ocid=todent11

Paixão, Passione - Thais Gulin

Da Paixão






Paixão fode com a gente





Essa pessoa que eu amo

Dilata minhas pupilas

Enche meus pulmões de ar

Dá corda no coração

Me deixa arrepiada

Suando frio

Com a boca seca

Mas só a boca...

Levemente tonta

Absurdamente boba

Sucubindo ao choro, ao riso

À fragilidade, à raiva

À inocência descabida...

Estou com hemorragia interna

De mel, calda de chocolate, orvalho

Morno, lento, entorpecente...

É grave, é gravíssimo!!!!



RS 05/20/12