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sábado, 8 de outubro de 2011

Vamos Fugir

Wish You Were Here - Pink Floyd

[Blue Six] - Tropicalia [Jays Bahia Remix]

OSWALDO DE ANDRADE = O MODERNISTA


Erro de Português

"Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português."

OSWALD DE ANDRADE, poeta, romancista e dramaturgo, nasceu em São Paulo em 11 de janeiro de 1890. Filho de família rica, estuda na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e, em 1912, viaja para à Europa. Em Paris, entra em contato com o Futurismo e com a boemia estudantil. Além das idéias Futuristas, conhece Kamiá, mãe de Nonê, seu primeiro filho, nascido em 1914.

De volta a São Paulo faz jornalismo literário. Em 1917, passa a viver com Maria de Lourdes Olzani (ou Deise), conhece Mário de Andrade e defende a pintora Anita Malfatti de uma crítica devastadora de Monteiro Lobato. Ao lado deles, e de outros intelectuais, organiza a Semana de Arte Moderna de 1922.

Em 1924 publica, pela primeira vez, no jornal "Correio da manhã", na edição de 18 de março de 1924, o Manifesto da Poesia Pau-Brasil. No ano seguinte, após algumas alterações, o Manifesto abria o seu livro de poesias "Pau-Brasil".

Em 1926, Oswald casa-se com a Tarsila do Amaral e os dois tornam-se o casal mais importante das artes brasileiras. Apelidados carinhosamente por Mário de Andrade como "Tarsiwald", o casal funda, dois anos depois, o Movimento Antropófago e a Revista de Antropofagia, originários do Manifesto Antropófago. A principal proposta desse Movimento era que o Brasil devorasse a cultura estrangeira e criasse uma cultura revolucionária própria.

O ano de 1929 é fundamental na vida do escritor. A crise de 29 abalou as suas finanças, ele rompe com Mário de Andrade, separa-se de Tarsila do Amaral e apaixona-se pela escritora comunista Patrícia Galvão (Pagu). O relacionamento com Patrícia Galvão intensifica sua atividade política e Oswald passa a militar no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Além disso, o casal funda o jornal "O Homem do Povo", que durou até 1945, quando o autor rompeu com o PCB. Do casamento com Patrícia Galvão, nasceu Rudá, seu segundo filho.

Depois de separar-se de Pagu, casou-se, em 1936, com a poetisa Julieta Bárbara. Em 1944, mais um casamento, agora com Maria Antonieta D'Aikmin, com quem permanece junto até a morte, em 1954.

Nenhum outro escritor do Modernismo ficou mais conhecido pelo espírito irreverente e combativo do que Oswald de Andrade. Sua atuação intelectual é considerada fundamental na cultura brasileira do início do século. A obra literária de Oswald apresenta exemplarmente as características do Modernismo da primeira fase.


A poesia de Oswald é precursora de um movimento que vai marcar a cultura brasileira na década de 60: o Concretismo. Suas idéias, ainda nessa década, reaparecem também no Tropicalismo


Canto de Regresso à Patria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.




Oswaldo de andrade - Entrelinhas

Oswald de Andrade - O Culpado de Tudo

Oswald de Andrade é tema de mostra em São Paulo
Em cinco anos e meio de existência, o Museu da Língua Portuguesa nunca fez uma exposição de um autor paulistano. Hoje, às 19 horas, suas portas serão abertas para os convidados de uma mostra em homenagem ao primeiro deles, "Oswald de Andrade: o Culpado de Tudo", que ficará aberta para o público de quarta-feira até janeiro de 2012, um mês antes das comemorações dos 90 anos da realização da Semana de Arte Moderna de 1922, da qual o escritor foi um dos mentores.
Não se trata de uma mostra museológica no sentido tradicional. Nem poderia. Oswald de Andrade (1890-1954) odiaria uma exposição com muitos objetos e poucos roteiros, ele que aconselha o leitor do seu "Manifesto Antropófago" (1928) a reagir contra todas as catequeses e acreditar nos sinais. Assim, o curador José Miguel Wisnik, poeta, músico, professor, ensaísta - enfim, um homem multidisciplinar como o homenageado -, preferiu estabelecer um roteiro para os visitantes, que cobre todos os períodos da vida do escritor, da infância ao triste epílogo da trajetória do autor de "Serafim Ponte Grande".
Esse roteiro começa com painéis ilustrados por meio de textos e desenhos extraídos do poema "As Quatro Gares" (1927), escrito um ano antes do "Manifesto Antropófago". Eles introduzem o visitante no roteiro traçado por Wisnik com as quatro fases da vida do modernista: a do pirralho abastado sob as ordens da mamãe (1890-1919), a do vanguardista que revolucionou a literatura e ajudou a introduzir a modernidade artística no Brasil (1920- 1929), a do revolucionário que abraçou causas populares (1930-1945) e, por fim, a fase da utopia, em que Oswald, no seu último decênio (1945-1954), tenta retomar o ideário antropofágico e cai no ostracismo, sendo recuperado nos anos 1960 pelos poetas concretistas e os criadores do movimento tropicalista.
O movimento que o visitante fará na exposição é circular. Tudo volta ao mesmo ponto, afinal, na vida de Oswald. Wisnik recorre a uma correspondência analógica, a do sambódromo, para explicar o desfile que organizou, começando com as quatro gares da vida, passando pelo carrossel amoroso de Oswald - outra sessão cíclica com suas nove mulheres - e chegando à apoteose, sua afirmação da antropofagia cultural. Por esse carrossel passou a bailarina americana Isadora Duncan (1877-1927), que dançou "quase nua" para ele em Osasco. O círculo fecha-se com a última esposa, Maria Antonieta d?Alkmin, sua sexta mulher, que tinha características próximas à da figura da mãe, Inês Henriqueta Inglês de Sousa Andrade. Oswald não escapou de Freud e da própria ficção. Vagou de porto em porto como os passageiros de sua nau dos insensatos em "Serafim Ponte Grande".
Essa inconstância teve um preço amargo. No carrossel das amantes, duas figuras se destacam: a de Deise, poeta que frequentava a garçonnière de Oswald na Rua Libero Badaró - morta aos 19 anos, em consequência de um aborto malsucedido - e a bailarina Landa Kosbach, que conheceu em 1912, numa viagem de navio ao continente europeu (ela se tornaria, na maturidade, a professora de dança de sua filha Marília). Por causa de Landa, que tinha 16 anos na época, o impulsivo Oswald foi acusado publicamente de pedófilo.
Próximo à "Praça da Apoteose" do metafórico sambódromo montado na Luz, Wisnik aponta o único objeto de arte da época, o busto de Deise esculpido por Brecheret. Caminhando para a direita, o visitante terá acesso a um simulacro da garçonnière de Oswald, onde o escritor produziu o diário coletivo "O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo". Como os amigos do escritor, que deixavam recados e desenhos nesse livro, o visitante poderá fazer o mesmo. Na praça, ele entra definitivamente no universo literário do autor: lá está a íntegra do "Manifesto Antropófago". Em frente a essa síntese do pensamento modernista brasileiro destaca-se uma parede com o esboço do cenário da peça "O Rei da Vela" (desenhado por Hélio Eichbauer). Atrás dela, trechos de filmes baseados em obras modernistas são exibidos em looping.
Na Praça da Apoteose o visitante verá ainda como o escritor e ensaísta, nascido no berço esplêndido da alta burguesia paulista, traiu sua classe social para abraçar a causa socialista. Imagens da crise de 1929 mostram como ela empobreceu os barões de café um ano depois de Oswald ter decretado a "revolução caraíba" em seu "Manifesto Antropófago". Excertos de livros mostram como Oswald antecipou a sintaxe literária modernista em "Memórias Sentimentais de João Miramar" (1924) e tratou de temas políticos com humor em "Serafim Ponte Grande" (1933), sobre um funcionário público que rouba o dinheiro dos revolucionários e foge num navio para a Europa. Completam a "apoteose" uma instalação de Laura Vinci feita de notas de mil cruzeiros (com a estampa de Pedro Álvares de Cabral) manchadas como as de um caixa eletrônico arrombado - além de uma obra inédita de Cildo Meirelles (uma variação de sua nota de zero cruzeiro, em que a imagem de Cabral recebe o carimbo "O culpado de tudo"). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Oswald de Andrade: O Culpado de Tudo - Museu da Língua Portuguesa


Em Oswald de Andrade: o culpado de tudo, o público terá a oportunidade de conhecer profundamente o polêmico escritor, um dos criadores da Semana de Arte Moderna. A curadoria é de José Miguel Wisnik, com a curadoria-adjunta de Cacá Machado e Vadim Nikitin, e consultoria de Carlos Augusto Calil e Jorge Schwartz. O projeto expográfico é de Pedro Mendes da Rocha.

O Pavão - Rubem Braga




O Pavão

Rubem Braga



Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade. Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

Rio, novembro, 1958



http://fontanablog.blogspot.com/2008_12_05_archive.html

Onde Estará O Meu Amor - Chico César Maria Bethânia









Quero voltar a sonhar.





Você vem sem nada,
Como quem não quer nada,
E tira tudo de mim,
E deita e rola em cima de mim.
E quando acordo do sonho,
Já se foi,
E nem sei se é verdade,
Se há verdade.
Quero voltar a sonhar.







Não vou parar

Vou confessar:
Não vou parar.
Não vou conseguir;
Não vou consentir.
Mas também não vou partir.
Vou continuar,
Sem nunca me encontrar.
Pra viver as muitas vidas,
Com muitas vidas.
Pra me tornar imortal,
Surreal.
Pra ser amado,
Desejado
E esquartejado.
Vou viver sem plano,
Vou entrar pelo cano,
Morrer aos poucos,
Viver como os loucos.
Se no fim vamos todos para o mesmo lugar,
Vai ter briga pra me levar!
Não vou correr o risco do esquecimento,
Que se dá ao excesso de consentimento.
E por falar em sentimento,
Em nenhum momento vou deixar de me envolver,
De devolver
O que recebo sem merecer.
E me dou pra não esquecer
O que é viver.
(E pra não ser esquecido)
Esquisito?
É o que digo:
Melhor se adaptar,
Se quiser continuar.
http://afprsantos.blogspot.com