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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

RARIDADES!!!!



Trecho de entrevista com Caetano Veloso. Entre os convidados Tom Jobim, Eduardo Mascarenhas, Chico Anísio e Luiz Carlos Maciel.
Infelizmente não tenho esta entrevista inteira. Consegui apenas este trecho de um VHS cheio de raridades que um amigo me emprestou, mas fiquei super curiosa também para conferir o restante, espero conseguir, ou que alguém consiga e poste aqui no You Tube. Carol

Uploaded by on May 3, 2008




Paulinho da Viola foi um dos convidados do especial de Caetano Veloso dentro da série "Grandes Nomes". Neste vídeo, os dois interpretam "Nas Ondas da Noite", que o sambista gravou em 1971.

O programa foi ar em 05/06/81, com direção de Marcos Paulo, roteiro de Luiz Carlos Maciel, cenários de Mário Monteiro e Raul Travassos, iluminação de Peter Gasper e Henrique Leiner, figurinos de Marília Carneiro, direção de imagem de Maurício Nunes, direção musical de Guto Graça Mello e produção de João Paulo de Carvalho e José de Almeida.

Uploaded by on Oct 18, 2008






O programa "Conexão Internacional", foi criado por Fernando Barbosa Lima, em 1984, na extinta TV Manchete. A cada programa, uma personalidade era entrevistada por Roberto D'Ávila. Neste vídeo, trechos da entrevista com Gal Costa, onde Caetano Veloso e Chico Buarque fazem depoimentos sobre a cantora. Interessantes revelações em um momento bem-humorado e de insinuante interpretação da entrevista. "Conexão Internacional" foi um dos melhores programas do gênero da televisão brasileira.

Uploaded by on Dec 2, 2009


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

VIVA EDU LOBO!!!

 
 
 
 
 
 
 
 
Eduardo de Góes Lobo, conhecido como Edu Lobo, (Rio de Janeiro, 29 de agosto de 1943) é um cantor, compositor, arranjador e instrumentista brasileiro.
 
 
Filho do compositor Fernando Lobo, começou na música tocando acordeão, mas acabou se interessando pelo violão, contra a vontade do pai. Iniciou a carreira nos anos 60 fortemente influenciado pela bossa nova, quando então numa parceria com Vinicius de Moraes, compôs Só Me Fez Bem. Porém, com o decorrer do tempo adotou uma postura mais político-social, refletindo os anseios da geração reprimida pela ditadura militar brasileira. Nesta fase surgiu uma parceria com Ruy Guerra e as composições engajadas Reza e Aleluia.
Ao mesmo tempo em que participava de vários festivais de música popular, obtendo o primeiro prêmio em 1965 como Arrastão (com Vinicius de Moraes) e em 1967 com Ponteio (com Capinam), e que venceu o Terceiro Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, Edu dedica-se a compor trilhas para espetáculos teatrais, entre eles o histórico Arena Conta Zumbi, ao lado de Gianfrancesco Guarnieri. Depois de uma temporada nos Estados Unidos, Edu volta ao Brasil e retoma várias parcerias, entre elas a com Chico Buarque, e compõem a música de novas peças e balés.
 
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A Apple é nossa!!!

Apple processa igreja por usar imagem de maçã na história de Eva

 
 


O pecado original terá que ser revisto. A Apple processou a igreja católica por usar a imagem da maçã na história de Eva. Segundo a empresa de Cupertino, a maçã é vista como algo pecaminoso na Bíblia e não pode continuar assim. A Apple, inclusive, registrou a patente da maçã e a fruta terá que ter outro nome.
A briga entre a Apple e a Igreja promete. Afinal, as duas são as empresas mais lucrativas do mundo. Em outra ofensiva nos tribunais, a empresa também pediu que Nova Iorque pare de usar a imagem da maçã. A Apple quer que todos os produtos turísticos que usem o nome “Big Apple” sejam retirados do mercado. Em comunicado, a empresa diz que a patente da maçã não foi registrada antes da Bíblia, mas isso não invalida o processo. “A história do mundo pode ser dividida entre o antes da Apple e o depois da Apple. E antes da Apple simplesmente não existia nada”, diz a nota, com humildade.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O maior desejo

Sábado, 25 de agosto de 2012

 

Desde o dia em que resolvi ter minha própria casa, foram muitos os desejos. O primeiro de todos adquirir a bendita residência. Um apartamento, na verdade. Que fosse amplo, ventilado, nascente e com duas garagens. Foram esses os pré-requisitos solicitados a duas imobiliárias. Após visitar trocentos imóveis novos e usados, eu e ele chegamos a conclusão que a melhor opção do momento era o aluguel. Os novos eram muito caros, muito pequenos e repletos de itens que os encareciam e não nos interessava, como varanda gourmet (entenda: uma pia na varanda) e deck molhado (entenda novamente: uma espreguiçadeira dentro da piscina). Os antigos agradavam em espaço ao passo que intimidavam no quesito reforma. Ele, engenheiro, em uma rápida vistoria percebia que seria necessário trocar toda rede hidráulica (inclusive a do vizinho) ou então detectava falta de isolamento acústico, ou não tinha garagem, ou era de escada, sem falar que, na maioria dos casos, o valor do condomínio era bem próximo a um aluguel. Passada a frustação e com a casinha alugada, voltamos a sonhar. Com a geladeira vintage, o sofá top of conforto, os livros na estante, os quadros na parede, a cama king, o iMac, a porcelana Smith, meus cristais... Passaram-se sete meses, parte dos desejos foi realizado, parte foi improvisada e a outra parte está vindo a prestação. Aos poucos a casinha pode ser chamada de lar. Só não contávamos que para se tornar um doce lar seria necessária a presença de um terceiro elemento: a cozinheira, acessório de utilidade doméstica ameaçado de extinção. No quesito faxina, mesmo com a canseira cotidiana, somos imbatíveis. Ele passa pano como ninguém e arruma gavetas e armários com simetria prussiana. Eu sou ótima para tirar pó, decorar e lavar banheiro. Cozinho relativamente bem. Ele também. Problema é que trabalhando mais de dez horas por dia (contando com hora extra e engarrafamento) não sobra tempo para viver direito quem dirá para cozinhar. Pior coisa é chegar em casa e não ter o que comer - além do marido, digo. Sem falar que cozinha é bom apenas quando dá vontade. Cozinhar para os amigos, pro amor ou para agradar a si mesmo. Fora isso, preparar o café, almoço e jantar, lavar louça e panelas todo dia é martírio. Por aqui, já passaram sete candidatas. Jamile quebrou a vassoura (nova, cabo de madeira) logo no primeiro dia. Rosa - que é excelente na casa da minha amiga - na minha ela marca e não aparece. Tati achei meio porca. Mari, a mais caprichosa, se mudou pro interior. Sandrinha comia produto de limpeza. As duas últimas eram tão boas que nem lembro o nome direito. E o pior: nenhuma queria cozinhar; apenas faxina. Já pedi indicação aos amigos, vizinhos, colegas de trabalho, Sutrab etc etc. Estamos praticamente desiludidos. Mas, como a esperança é a última que morre, continuamos pedindo a Deus, todos os dias antes de dormir, que coloque uma cozinheira de mão cheia em nossas vidas. Porque parece que a casa própria, a lua de mel na Europa, o carro novo, tudo isso um dia será possível de conquistar. Não precisa cardápio sofisticado. Basta que faça um arroz, feijão e frango assado. Pouco sal, porém bem temperado.
 
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Obsessão









 
"Sou um menino
que vê o amor
pelo buraco da fechadura.
Nunca fui outra coisa.
Nasci menino,
hei de morrer menino.
E o buraco da fechadura é,
realmente,
a minha ótica de ficcionista."
 
Nelson Rodrigues

Exactly Like You (Live In Rio) - Diana Krall


domingo, 26 de agosto de 2012

Por causa de você - Gal Costa


pelas ruas das cidades

 

Comida de rua brasileira e sua origem

por em 25 de ago de 2012
 
 
Porque a comida é só um dos encantos desse magnífico país que não cabe definição.
Uma das formas mais seguras de se conhecer um país, sua história, a construção de sua cultura é pela sua comida. È pelo sabor que se conhece o tempero de um povo. E no caso do Brasil, é pelas ruas das cidades, em suas inúmeras barraquinhas de guloseimas espalhadas, que conhecemos as variadas faces do povo brasileiro.
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Foto de Sergio Coimbra/O vendedor de milho

O Brasil é um país povoado por vários fragmentos de civilizações do globo, formando assim, um país de incríveis possibilidades para tudo. Assim como na música, na dança dentre tantos outros tópicos a culinária é um artigo extremamente criativo amoldado pelo povo brasileiro.
Ela é completa em suas misturas, e conta com uma variedade enorme de elementos fornecidos pelo clima propício e pela terra fértil. Sobre essa perspectiva o povo brasileiro improvisou receitas nas horas de dificuldade, reciclou receitas de outros povos, apimentou massas já esquecidas, e criou assim, uma das comidas mais saborosas do mundo. È o que dizem alguns dos chefs de cozinha mais renomados da atualidade como o chef Alex Atala e Claude Troisgros.
A apetitosa culinária brasileira não se faz só pelas mãos dos grandes mestres cucas atrás de bons restaurantes não, a originalidade dos temperos se faz pelo povo nas barraquinhas de ruas espalhadas pelo Brasil. A seguir, mostrarei alguns exemplos de comidas brasileiras nascidas e recriadas aqui.
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Acarajé

O Acarajé foi a primeira comida de rua brasileira. Surgiu na Bahia e era vendido pelas negras escravas, que colocavam suas guloseimas em tabuleiros e saiam a vender pelas ruas. È uma delícia tradicionalmente brasileira, que foi considerada Patrimônio Imaterial Nacional.
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Imagem de Sergio Coimbra/O vendendor de pastel

O pastel, muito popularizado nas feiras e nos estabelecimentos denominado popularmente de “Chinas”, também são uma boa pedida de comida gostosa e barata. A massa original do pastel é Chinesa, e foi inspirada no rolinho primavera Chinês. Mas essa iguaria foi popularizada no Brasil pelos Japoneses, que são na verdade, donos da maioria dos “Chinas” que conhecemos. Vieram para o Brasil na segunda-guerra mundial e tiveram que se dizer Chineses para fugir da discriminação que sofriam por terem aliança com alemães e italianos, inimigos do Brasil na época. A verdade é que tanto Chineses quanto Japoneses tiveram de adaptar os pastéis aos recheios disponíveis no Brasil como o queijo, banana, carne seca, palmito dentre outros.
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Hot dog

O hot dog, iguaria americana, muito popular nas ruas brasileiras. Em seu molho foram acrescentados temperos variados para dar um sabor bem brasileiro. Como cebola, pimentão, alho, milho, ervilha...
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Churros

Churros, tradicional da culinária espanhola. No seu país de origem não costuma ter recheio, mas o Brasil incrementou esse saborzinho extra, pondo-lhe recheios variados como doce de leite, chocolate ou doce de coco.
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Tapioca

A tapioca é um artigo muito valorizado tanto pelos brasileiros quanto pelos estrangeiros que vem conhecer o Brasil. È um sabor tipicamente brasileiro, originário da alimentação indígena.
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Empadinhas

Empadinhas são uma das perdições das barraquinhas. È uma iguaria Àrabe trazida para o Brasil e adaptada aos variados recheios tradicionalmente brasileiros.
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Yakisoba

Yakisoba é uma receita Chinesa muito popularizada no Brasil. Foi trazido para o Brasil pelos Japoneses que também incorporaram o prato a sua alimentação. O Yakisoba Chinês é mais gorduroso que o japonês. Os vendidos nas barraquinhas brasileiras são Yakisobas ao modo Japonês com muitos legumes, frango e carne vermelha.
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Açaí

Açaí é uma fruta originária da região amazônica, ficou super popular em todo o Brasil e fora dele. É utilizada pelos índios para fazer pirão junto com farinha e se come com peixe assado. Mas, dentre todas as suas utilidades as mais populares são a produção de bebidas, geléias e sorvetes. O açaí vendido nas barraquinhas brasileiras vem acompanhado de granola, confetes, guaraná em pó dentre outras gostosuras.
Todas as iguarias citadas acima são bastante apetitosas e com preço muito popular.
O prazer de desfrutar essas delícias não está somente na brasilidade dos temperos, está em não ter que se preocupar com comportamentos tradicionais exigidos em restaurantes, por exemplo; está em poder conversar com quem está em volta da pequena barraquinha comendo a mesma delícia que você; e está principalmente em poder parar em um espaço público e admirar tudo a sua volta como o céu aberto, os jardins e as pessoas.
A comida de barraquinhas brasileiras é um fenômeno culinário, cultural e social que só tende a expandir-se pelas fronteiras de quem se aventurar a experimentar. Não perca essa oportunidade.


Leia mais: http://lounge.obviousmag.org/entre_ocio_e_sonhos/2012/08/comida-de-rua-brasileira-e-sua-origem.html#ixzz24fjbNvDl

De pernas e janelas

 





Querer morada é tomar consciência da forma que os sonhos tem. Casa ou apartamento? Não! A pergunta é: queres chão ou vista? Queres o espaço que se constitui da memória dos afetos da infância? A casa da avó, da madrinha, da mãe? A casa que é, quase sempre, de posse feminina, e que existe como uma força de aterramento, de não abandono, de criação. Pensa casa, geralmente, quem quer filhos. E filhos correm. Têm bicicletas e cachorros. Na casa, os imaginamos com as mãos e os pés sujos, o pescoço e o rosto suados, a bola sob o braço e a dificuldade de reconhecer a hora de encerrar a brincadeira.
Se não for casa, ergue-se o apartamento sobre escadas que simulam outras seguranças. Não mais as da memória, mas as de um moderno citadino, do menos enraizado, do marco das liberdades de quem acredita começar em si mesmo. O apartamento carrega um sonho de vista à uma paisagem que nem sempre se consegue. A cidade vai fechando o olhar e o apartamento ganha cores de uma intimidade onde as janelas são telas. Sem vista, o apartamento joga seus moradores aos escapes, às saídas, que são a TV, a internet e, por vezes, as portas. Menos generalista e emotivo que a casa, o apartamento especializa e foca.
Não se há de achar que tamanho não é nada, se é grande ou pequena a casa ou o apartamento. O número de quartos é o número de filhos ou de necessidades. Um lugar para os livros, um lugar para os amigos, uma cama de passagem. Uma cozinha para quem cozinha ou uma combinação de refrigerador, microondas e chaleira elétrica.
Quanto vale desistir de um desses? Quanto vale desistir de um quarto? Isto que é, de fato, desistir de quem estaria ali. Desistir do universo que ele ou ela construiria dentro do seu mundo. Qual o tamanho da perda que é não ter daquela janela sob a qual se colocaria a mesa de trabalho e os olhos abertos do sonho? O que fica? O que vai?
Afinal, qual é seu espaço vital? Aquele sem qual lhe é impossível viver, impossível ser em plenitude? Querer morada é perguntar-se, e, na busca, encontrar respostas e o que elas dizem sobre o que se é e sobre os sonhos dos quais você pode abrir mão. Por quantos metros há se espalhar sua cama? E as suas pernas… você tem ideia de até onde elas poderiam caminhar antes de encontrar seu descanso? Talvez, suas pernas, não tenham a mesma paixão por janelas que você.

http://www.sul21.com.br/blogs/sapatinhosvermelhos/
 

Vinhos finos... cristais

 
 
 
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    Sartre diz em Que é a literatura? que a poesia, diferentemente da prosa, está lado a lado com a pintura, a escultura e a música. Estas artes, para ele, não são linguagem, não buscam significar algo através delas, são coisas: Aquele rasgo amarelo no céu sobre o Gólgota, Tintoretto não o escolheu para significar angústia, nem para provocá-la: ele é angústia feita coisa (...). Diz Sartre que as cores, as formas, os sons musicais são coisas que existem por si mesmas, não remetem a nada que esteja fora delas e o trabalho do artista será o de transformar estas coisas em objetos imaginários. Assim, o significado de uma melodia é a própria melodia: Diga que a melodia é alegre ou sombria; ela estará sempre além ou aquém de tudo que se possa dizer a seu respeito. As paixões do artista, que podem ser o motivo da sua criação, sofrem uma transubstanciação, transformam- se em som musical. Ouvindo o Prelúdio de Tristão e Isolda de Wagner, posso sentir isso, sim, a melancolia feita coisa, transubstanciada em música.

    Melancolia, tristeza profunda e vaga que toma conta da alma, rouba a vontade de viver. A tristeza não passa e o melancólico vive num mundo de sombras que se perpetua pois ele não consegue esquecer. J’ai plus de souvenirs que si j’avais mille ans, eu tenho mais recordações do que se eu tivesse mil anos, disse Baudelaire.
    Seguindo a senda de Sartre fico pensando que a música não traduz alguma coisa, ela encarna, incorpora algo; não é intérprete, é medium. A encarnação da melancolia está marcada e sincopada nas canções dos grandes sambistas cariocas dos anos 50 a 70, como Nelson Cavaquinho, Cartola e Paulinho da Viola.

    Trecho do documentário de Leon Hirzman

    Neste samba de Nelson Cavaquinho e Ary Monteiro, Paulinho da Viola canta a angústia da espera incerta, o vazio de sentido deixado pela ausência da mulher amada. Voltará? Nunca mais? Never more? O tempo, frio algoz, vai lentamente matando a esperança no sem lugar do desejo de quem foi, talvez, abandonado.
    O amor doente é feito canção na belíssima e estranha valsa de Paulinho da Viola e José Carlos Capinan, Vinhos finos..., cristais.

    O que me causou espanto quando ouvi esta valsa foi, além de sua estranha beleza, o choque entre o tema corrosivo da canção e a sua forma musical diáfana, pois há uma tensão quase insuportável entre a letra da canção, que fala de um mundo decadente, fragmentado e podre, com a forma delicada e leve do tema musical, uma linda valsa. O verso inicial refere-se à própria melodia, forma “elevada” da canção, valsa, dança de salão, mundo dos costumes requintados, mundo cristalino, polido e artificial, vinhos finos... cristais,talvez uma valsa.No segundo verso, o poeta já fala que este mundo está doente: os dentes da vida estilhaçam uma imagem cristalina que se parte e sangra, e tudo adoece e morre até, finalmente, apodrecer. Lembrei-me do famoso poema de Baudelaire, Uma carniça, da primeira e da última estrofe:

  • Lembra-te, meu amor, do objeto que encontramos
    Numa bela manhã radiante
    :
    Na curva de um atalho, entre calhaus e ramos,
    Uma carniça repugnante.

    - Pois hás de ser como essa infâmia apodrecida,
    Essa medonha corrupção,
    Estrela de meus olhos, sol de minha vida,
    Tu, meu anjo e minha paixão!

  • Em Baudelaire, a forma do poema é tradicional, bem ao estilo dos grandes poemas românticos, mas o conteúdo, a carniça, entra em conflito com esta forma e, desta tensão, surge o espanto e uma nova lírica. A gente sente o choque entre a estrutura tradicional e o tema corrosivo, como na valsa de Paulinho da Viola e Capinan. Nela, a aparência polida deste paraíso artificial adoece e é devorada pelos dentes da vida, pelos dentes da saudade, pelos dentes da morte, pelos dentes da engrenagem, pelos dentes de um cão, pelos dentes da paixão e, finalmente, a valsa e o mundo requintado que ela representa se mostra em toda a sua deterioração: ela é vazia, apenas um jogo de palavras entre tudo e nada, e os dentes devoradores também são devorados, dentes podres da canção. Tudo se corrói. Da síntese deste conflito, onde a aparência requintada vai revelando a podridão interior, forma-se o tecido da canção, encarnação do desengano amoroso e do topos do tempo que tudo devora, motivo que ecoa em nossa lírica desde os gregos.
    Com Sartre direi que esta canção não fala disto, mas que ela é isto, o amor doente feito valsa, invadindo o salão da nossa imaginação e, entre vinhos finos e cristais, fazendo sua bela e sinistra aparição.
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