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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A poesia e o poeta



ANTÓNIO SALVADO
Poeta português, natural de Castelo Branco. Depois de terminar os estudos secundários, partiu para Lisboa onde se licenciou na Faculdade de Letras em Filologia Românica. Em Coimbra e em Paris freqüentou posteriormente outros cursos superiores, relacionados com as atividades que desempenha, desde há alguns anos, como Diretor do Museu Tavares Proença Júnior.
Além de museólogo e de poeta, tem-se dedicado a outras tarefas culturais, tais como a tradução, o ensaio, o ensino e a direção de publicações.
Está traduzido para francês, inglês, italiano e castelhano.
Em 1980, ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia/Personalidade Cultural, da União Brasileira de escritores, e em 1986 foi galardoado com a Medalha de Mérito da Universidade Pontifícia de Salamanca.
Obra poética: A Flor e a Noite (1955), Recôndito (1959), Na Margem das Horas, (1960), Narciso (1961), Difícil Passagem (1962), Cicatriz (1965), Tropos (1969), Jardim do Paço (1971), Estranha Condição (1977), Interior à Luz (1982), Antologia (1955-1971) (1985), Face Atlântica (1986), Amada Vida (1987), Descodificações (1988), Matéria de Inquietação. E as obras que serviram de base para a presente seleção: Interior à Luz (nova edição, 1995), e A Plana Luz do Dia (1999);
Rochas, 2003; Entre Pedras, o Verde, 2004; Palavras Perdudas seguido de Oito Encómios, 2004; Modulações, 2005; Recapitulação, 2005; Quase Pautas, 2005; Ao Fundo da Página, 2007; Afloramentos, 2007


QUEIMOR
Gozaram o prazer da união:
os corpos encontrados totalmente,
o esforço do suor os ligou tanto
que perdiam contornos juntos sempre.
Não tinha dimensão aquela posse
arfada de contínuo harta sem trégua
que para ser intemporal completa
apenas lhe faltava o az da morte.
Mas sucumbiram ao queimor do cárcere
sem porta que se abrisse devagar
e tolhidos na rede do cansaço
separados os corpos deslembraram-se.
De Afloramentos, 2007


 



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