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domingo, 22 de janeiro de 2012

Como era o Brasil de Nelson?

Nelson Rodrigues, 100 anos, nosso Dickens do subúrbio

3jan
O jornalista, cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues
Nelson Rodrigues (1912-1980) mostrou aos brasileiros como era o Brasil, em linguagem simples e direta. Ninguém mais fez isso tão bem como ele.
No ano em que completaria 100 anos – depois de intensa relação de amor e ódio com a intelectualidade brasileira — a obra de Nelson conquista certa unanimidade, a mesma que ele, ironicamente, considerava burra.
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Na noite de 28 de dezembro de 1943, a nata da elite intelectual carioca — embaixadores, escritores, poetas e jornalistas — lotou o Teatro Municipal do Rio de Janeiro para assistir à estreia de Vestido de Noiva. O autor, o então jovem dramaturgo Nelson Rodrigues, de 31 anos, passou todo o tempo na antecâmara de um camarote, apavorado, ora de frente, ora de costas para o palco, a úlcera pegando fogo. Ao término do primeiro ato, duas palmas foram ouvidas. “Estou frito”, pensou Nelson. Acabou o segundo ato e as palmas minguaram. Nem as irmãs do autor aplaudiram. Ao fim do último ato, o pano caiu, e com ele um silêncio esmagador. Algumas palmas foram ouvidas, e outras, e mais, aumentando até o teatro ser tomado por um estrondo de aplausos frenéticos que ecoou por minutos.
Nos dias seguintes, Nelson foi acolhido por aquela elite intelectual. O poeta Manuel Bandeira e os críticos Álvaro Lins e Décio de Almeida Prado, que conheciam o texto, já haviam feito elogios públicos antes da estreia. Gilberto Freyre, Augusto Frederico Schmidt e Guilherme Figueiredo logo engrossaram o coro de admiradores. Mesmerizados com o que viram — um show de 132 efeitos de luz, 140 mudanças de cenas e 32 personagens conduzidos pelo diretor polonês Ziembinski —, Otto Maria Carpeaux, Carlos Drummond de Andrade e Alceu Amoroso Lima juntaram-se àqueles que passaram a ver em Nelson a grande novidade do teatro brasileiro.
Era isso e mais. Com Vestido de Noiva, Nelson Rodrigues entrava para o clube dos pensadores brasileiros, pertencente a uma geração — a dos anos 30 — que achava importante decifrar o país. Nos anos anteriores ao seu primeiro sucesso nos palcos surgiram as três obras magnas dessa corrente: Casa Grande & Senzala (1933), de Gilberto Freyre, Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Hollanda, e Formação do Brasil Contemporâneo (1942), de Caio Prado Júnior. Nelson viu-se nesse time atacando em duas frentes por muito tempo desprezadas pelos estudiosos, pela distância que guardavam do mundo acadêmico: a crônica de jornal e o teatro.
Em ambos os casos, interessava-lhe menos o estilo rebuscado do ensaio e mais a linguagem direta das ruas. Pode-se dizer que Nelson fez a crônica de seu tempo mesmo quando escreveu teatro. Nas duas formas, ele teve o mérito de resumir, de forma acessível, o Brasil para os brasileiros. Mas será que ele próprio se levava a sério como pensador das coisas brasileiras? A crítica de teatro Barbara Heliodora acha que sim. “Ele levava sua obra muito a sério, e ela revela que ele tinha, mesmo que não verbalizados, certos princípios dominantes para sua visão das coisas”, diz.
O jornal como princípio de tudo
Nelson é resultado da sucessão de revezes que marcou sua vida pessoal e do jornalismo que praticou desde cedo. Fumava quatro maços de cigarro ordinário por dia. Ficou tuberculoso aos 23 anos. Era cardíaco, enxergava muito mal e cultivou uma úlcera durante quase toda a vida. Foi repórter policial, editorialista político, cronista esportivo e autor de folhetins, crônicas, contos, romances, novelas e peças teatrais. Começou a escrever teatro premido pela falta de dinheiro, mas logo foi tomado de ambição literária. A partir de então, seu objetivo passou a ser o reconhecimento dos grandes intelectuais da época — que ele atingiu ainda jovem, no episódio descrito no início desta reportagem.
Nelson sempre esteve no jornal — e o jornal, em sua época, era o ponto de encontro dos intelectuais. Suas colunas e crônicas misturavam literatura, colunismo social, crítica literária e comentários políticos. Fustigava seus desafetos publicamente. Até Otto Lara Resende, de quem era amigo e admirador, foi alvo da sanha rodrigueana. De acordo com Victor Hugo Adler Pereira, professor de literatura da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o jornalismo não somente atraía uma parcela da intelectualidade que desejava interferir nos rumos da vida pública, como também oferecia possibilidades de ganho aos jovens intelectuais. “Durante os anos 50 e 60 pode-se reconhecer que a consagração pública de alguns poetas e escritores de peso, como Drummond, Cecília Meireles e até mesmo Clarice Lispector, deveu-se, em parte, à atuação nos jornais como cronistas”, afirma. Segundo o dramaturgo Caco Coelho, que coligiu num livro os primeiros escritos do autor, Nelson não via diferença entre literatura e jornalismo — e naquela época ela, de fato, quase não existia.
Como era o Brasil de Nelson?
O que torna a obra de Nelson relevante para entender o país em seu tempo é que ele buscou o chamado “Brasil profundo” no subúrbio carioca. A chamada literatura regionalista, contemporânea dos grandes ensaístas Gilberto Freyre, Sérgio Buarque e Caio Prado Júnior — e que também tentava, a seu modo, “explicar” o país —, se debruçava sobre o Brasil rural. Nelson era eminentemente urbano. A partir de A Falecida (1953) surge no teatro uma parcela da sociedade quase invisível na produção cultural nacional: a classe média, até então só focalizada por Lima Barreto. Para Fábio de Souza Andrade, professor de literatura da USP, Nelson tinha faro e pena de caricaturista e, em suas mãos, o subúrbio do Rio sobrevive à pesada estilização por trás do moralismo histriônico. “Nelson Rodrigues tinha alguma coisa de vitoriano deslocado, de Dickens da Pavuna, sem demérito para nenhum dos dois. A atualização de arquétipos míticos e uma linguagem sensível às imagens fazem do seu teatro coisa difícil de igualar”, diz.
Em sua visão do subúrbio, Nelson incorporou até Sigmund Freud, o que era extremamente ousado para a época. “Nelson, mesmo sem dominar em profundidade as lições psicanalíticas, tinha do assunto aquela informação genérica, acervo de todo cidadão de conhecimento mediano, que autorizava a tratar de incesto e assuntos familiares”, afirma o crítico Sábato Magaldi. Foi por causa disso que uma peça como Álbum de Família (1945), que levou o incesto para os palcos e inaugurou, nas palavras do próprio Nelson, a fase do “teatro desagradável”, causou tanto escândalo e foi proibida por duas décadas. A influência freudiana também está em Anjo Negro (1947), na relação incestuosa entre a jovem Ana Maria e seu pai presumido, o negro Ismael; e em Senhora dos Afogados (1947), na paixão de Moema pelo próprio pai. O mesmo vale para Vestido de Noiva, em que duas personagens mortas, Alaíde e Clessi, enunciam com liberdade — justamente porque mortas — o plano do inconsciente.
O Brasil de Nelson era, assim, cosmopolita, de temática urbana e ligado às idéias de seu tempo. Mas havia mais. Como bom cronista, ele resumiria o país numa frase de efeito que hoje é um slogan sobre o Brasil tão citado quanto o “país do homem cordial”, de Sérgio Buarque, ou o “país das idéias fora do lugar”, de Roberto Schwarz — um dos muitos críticos das posições políticas do autor durante o regime militar. Nelson é autor da expressão “complexo de vira-latas”, que surgiu durante a cobertura da Copa do Mundo de futebol, em 1958. A epopeia do Brasil em busca de seu primeiro título mundial parece feita sob medida para um manual de sociologia — ou para ilustrar o livro Casa Grande & Senzala.
Oito anos antes, o Brasil havia perdido a Copa do Mundo para o Uruguai, derrota atribuída na época a dois jogadores, por acaso, negros — o goleiro Barbosa e o lateral Bigode. Na Copa de 1958, coincidência ou não, o Brasil definiu um time titular com dez jogadores brancos e um único negro — o botafoguense Didi, inegavelmente o grande craque do país na época. No banco, nas primeiras partidas, ficaram o mulato Garrincha e o negro Pelé. Quando os dois entraram em campo, a partir do terceiro jogo, o time passou a ganhar todos os jogos e conquistou o título. Uma fábula destinada a ilustrar a obra de Gilberto Freyre, para quem o Brasil, no futuro, deixaria de considerar a mestiçagem uma desvantagem para glorificá-la, orgulhando-se deste traço da identidade nacional. Nas suas crônicas, Nelson fez, por meio do futebol, com que o país se orgulhasse de ser um caldeirão de raças. Nesse ponto, é interessante notar que seu irmão, Mário Filho, uma figura estelar na crônica esportiva, é autor do clássico O Negro no Futebol Brasileiro (1947).
Por que não temos mais um cronista como ele
Uma explicação possível é que o ambiente cultural no Brasil mudou bastante. Na época de Nelson, as circunstâncias eram bem diferentes das que vivemos hoje.
• O Brasil era pequeno, tudo acontecia no Rio de Janeiro. Nos anos 30, a então capital federal contava com pouco mais de 2 milhões de habitantes, e era ali que circulavam todas as discussões sobre a formação de um ideário nacional. Além disso, estava em curso na época um projeto urbanístico que expandiu os subúrbios cariocas, levando sua cultura — as modinhas, as serestas de violão, os cordões carnavalescos, o reisado, as brigas de galo — para o centro, para o universo da elite intelectual, e foi desse universo que Nelson extraiu a atmosfera de suas obras.
• A imprensa escrita tinha uma tremenda influência no meio intelectual. Hoje a força do jornal é relativamente menor. Ganharam prestígio as universidades, que passaram a ser as instituições de produção e intercâmbio de conhecimento. Surgiram também outros meios de comunicação — as revistas, a TV e depois a internet. No que se refere à internet, não deixa de ser curioso que os blogs tenham desenvolvido novos formatos de crônica, baseadas quase sempre num certo intimismo confessional.
• No mundo globalizado, os intelectuais não têm mais a pretensão de resumir o país em ideias básicas. Nunca mais surgiram ensaístas — ou cronistas, ou dramaturgos — com a pretensão de decifrar a alma brasileira simplesmente porque hoje ninguém mais busca isso.
Tudo isso é verdade, mas nenhuma dessas razões oculta a evidência mais simples de todas — a de que gênios são mesmo raros. Por enquanto, embora inúmeros talentos do jornalismo e do teatro tenham surgido, nenhum deles suplantou o artista múltiplo que foi Nelson Rodrigues. Na história do pensamento brasileiro, Nelson já foi pulha, já foi santo. Mas, como ele escreveu certa vez, “o gênio, não sei por quê, é mais difícil do que o santo ou o pulha”.

Uma versão deste texto foi publicada originalmente na revista Bravo! em julho de 2007

http://epimenta.wordpress.com/2012/01/03/nelson-rodrigues-100-anos-nosso-dickens-do-suburbio/

"um menino"


Nelson Rodrigues

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."

 siga lendo em: http://www.releituras.com/nelsonr_bio.asp

Nelson Rodrigues na intimidade

 

Uma raridade filmada em 1968 pelo teatrólogo João Bethancourt que mostra Nelson Rodrigues em 1968 na sua casa, na intimidade de seu lar, lançado livro, batendo com dois dedos, em programa de televisão com João Saldanha, na redação do jornal O Globo.. O filme foi achado recentemente nos Estados Unidos.






Read more: http://clippingsetaro.blogspot.com/2012/01/nelson-rodrigues-na-intimidade.html#ixzz1kCzWqax2

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Stormy Weather - Etta James & Frank Sinatra




Agora vale tudo...

President Obama

Obama Sings 'Let's Stay Together'

January 20, 2012


President Obama aired out his best Al Green impersonation at a fundraiser in New York Thursday, after following the veteran soul star on stage. Singing the opening line of the singer's classic "Let's Stay Together" – "I-I'm, so-oo in love with you. . ." – the president grinned broadly while supporters whooped and clapped. "I told you I was gonna do it!" he said. Then he looked for Green in the audience: "Don't worry, Rev, I cannot sing like you."
He may not be Al Green, but Obama's singing skills are impressive. We put together a playlist of ten more songs we'd like to hear the Commander in Chief croon.
1. 'Ooh, Child' by Lenny Williams
2. 'What's Goin' On' by Marvin Gaye
3. 'If I Ruled the World' by Kurtis Blow
4. 'I Hope' by Dixie Chicks
5. '(I've Had) The Time of My Life' by Bill Medley and Jennifer Warnes
6. 'Super Bad' by James Brown
7. 'Fight the Power' by Public Enemy
8. 'Mama Said Knock You Out' by LL Cool J
9. 'Bring It On Home to Me' by Sam Cooke
10. 'Signed, Sealed, Delivered (I'm Yours)' by Stevie Wonder


Read more: http://www.rollingstone.com/videos/single/obama-does-al-green-president-sings-lets-stay-together-20120120#ixzz1k2jIZCTe

Etta James, la fiera nunca domada

Activa desde 1954, la cantante mantuvo su dignidad hasta el final, en una carrera que incluyó blues, jazz y soul. La artista murió en el hospital Riverside Community de California víctima de una leucemia



La cantante Etta James posando. en 1962. / GETTY

Etta James, que falleció hoy en el hospital Riverside Community de California, por culpa de complicaciones en la leucemia que padecía, por era la proverbial dama de armas tomar. En 2009,arremetía contra Barack Obama, que prefirió llamar a Beyoncé Knowles para las celebraciones de su toma de posesión en Washington. El presidente y su esposa bailaron acaramelados con At last, uno de los grandes éxitos de Etta,pero cantado por Beyoncé.
Otra suplantación más, que dolía por venir de quién se suponía lo bastante sensible para evitar esos deslices. Llovía sobre mojado, dado que Etta James había sido encarnada por Beyoncé en la película Cadillac Records, un retrato de la discográfica Chess que se tomaba muchas libertades con la historia real deEtta. Su indignación resultaba comprensible: Beyoncé, el modelo fashion de feminidad negra, se llevaba toda la atención mientras ella, la original,solo podía actuar en locales modestos.
Y es que EttaJames siguió trabajando hasta que su cuerpo dijo basta, debilitado por la leucemia y el alzheimer. En noviembre, Verve/Universal publicó The dreamer,un disco de soul sorprendentemente robusto, y no digamos para tratarse de una cantante de 73 años. La jubilación nunca fue una opción para artistas como Etta James, que no componían y que no recibieron suficiente compensación de muchas de las discográficas que contaron con sus servicios.
Paradigma delas glorias y miserias de la música negra, Jamesetta Hawkins nació en LosÁngeles en 1938. Nunca conoció a su padre, posiblemente blanco (ellasospechaba que pudo ser Minnesota Fats, un maestro del billar inmortalizado enla película El buscavidas). Educada musicalmente en la iglesia baptista,era menor de edad cuando llamó la atención de Johnny Otis, otro extraordinariobuscavidas, que la lanzó con una canción lujuriosa, Roll with me Henry,púdicamente rebautizada en la galleta del disco como The wallflower.
Tuvo más éxitos considerables durante la segunda mitad de los años cincuenta pero su visibilidad aumentó en 1960, cuando fichó para el sello Chess, en Chicago.Leonard Chess la vio como vocalista de amplio espectro y la hizo grabar desde baladas empapadas de violines (Trust in me o la citada At last)hasta sesiones de jazz, aparte de un incendiario directo, Etta James rocksthe house. Con la eclosión del soul a mediados de los sesenta, Ettapudo sacar al aire todos sus recursos de mujer brava y lenguaraz. Fascinó al gran público con Tell mama y la dolorida I’d rather go blind,ambas grabadas en 1967 con los músicos blancos de Muscle Shoals, en Alabama.
Todo setorció poco después. La muerte de Leonard Chess provocó la decadencia de su compañía, incapaz de proporcionar el impulso que necesitaba Etta. Aún peor:ella, que había flirteado con muchas drogas, se convirtió en heroinómana. Los años, las décadas, se fundieron en un vertiginoso carrusel de malas compañías,detenciones, condenas, intentos de desintoxicación. Aunque también hubo discos con admiradores como el productor Jerry Wexler, responsable del potente Deepin the night.
Pudo equivocarse a la hora de escoger amantes pero Etta nunca desperdició sus poderes: durante su época dura, el redactor de estas líneas acudió a verla a un pequeño restaurante del downtown de Los Ángeles. En un escenario mínimo,con una banda elemental, dio cumplida cuenta de sus clásicos…y desapareció nada más cobrar, a pesar de que había accedido a una entrevista.
Con la ayuda del experto David Ritz, explicó sus altibajos vitales en una descarnada autobiografía, Rage to survive: the Etta James story (1995) . Se podía permitir la sinceridad ya que su carrera se volvió a enderezar a finales de los ochenta. No pudo tomar el puesto de Janis Joplin, como fantaseaban algunos productores, pero facturó discos espléndidos en Island y Private Music.Solucionó elegantemente caprichos -o encargos- como Mistery lady,colección de piezas identificadas con Billie Holiday, y Christmas,canciones navideñas.
La reedición de su material clásico, en antologías del calibre de R & B dynamite oThe Chess box, ayudó a situarla históricamente. Había en ella un descaro natural, que explica tanto sus andanadas contra Obama y Beyoncé, como las audacias en su repertorio. Para consternación de sus doctores, su reciente disco contenía odas al alcohol y al tabaco, aparte de una insospechada versión de Welcome to the jungle, de Guns ‘N’ Roses.



http://cultura.elpais.com/cultura/2012/01/20/actualidad/1327078925_479708.html

Remembering Etta Jones

There always seemed to be something indestructible about Etta Jones. You could hear it best on up-tempo tunes when she would swing with a joyful abandon and an almost godlike authority. But even when she sang the most tragic and heart wrenching of ballads—and she sang more than her share of tragic, heart wrenching ballads—Jones conveyed a resilient inner core. You knew that when the crying and heartache were over, she would pick up the pieces and move on. She was a survivor. So when the news filtered out that Etta Jones had passed away on October 16, 2001, due to complications from cancer, it seemed like it had to be a mistake. But, as we have come to learn in recent days, the saddest, most unbelievable news often turns out to be all too true.
The death of Etta Jones is first and foremost a terribly painful loss for her family and the many people who personally knew and loved her. But it is also a loss for her fans and for people who care about the art of jazz singing.
The jazz community has become all too used to saying goodbye to our heroes. And when we lose an artist, we often find ourselves returning to our CD collection with ears sharpened by sadness. After re-listening to Jones's prodigious output, two things became clear: first, Etta Jones was a great artist, and, second, we didn't say that out loud nearly often enough when we had the chance.
But then Jones was never the kind of person who craved publicity or praise. Although she was one of the few real jazz singers who could boast of a million-selling record, 1960's "Don't Go to Strangers," Jones had an almost willful disregard for careerism. In a business filled with narcissism and fragile egos, she was the very opposite of the self-obsessed diva. On stage, she was a warm, considerate performer who genuinely tried to please her audiences and generously shared time with the instrumentalists. Off stage, she may very well have been one of the nicest people in jazz. She always had time to speak to fans after a performance or to support up and coming musicians. Although she endured her share of personal difficulties—including an earlier battle with cancer and the death of her daughter—she never wallowed in her troubles or exploited them for the sake of publicity. "All I want to do is work, make a decent salary and have friends," she once told a reporter. Fortunately for us, she was able to accomplish a good deal more than that.
Etta Jones was one of the most consistent singers in jazz. While she began her career in the 1940s, it was the success of Don't Go to Strangers in 1960 that firmly entrenched her in the jazz community. In the four decades that followed, she was a constant presence on the road and a frequent visitor to the recording studio. Her recorded output is generally thought of in terms of the three labels with which she enjoyed extended associations: Prestige in the early 1960s, Muse from the mid '70s through the mid '90s, and finally HighNote from 1996 onward. Although distinctions can be drawn between these eras, in terms of the strength of the material and the quality of her performances, they are all parts of a greater whole. Unlike some other singers, Jones's gifts largely survived the ravages of time. Although perhaps slightly less limber, her voice in the '90s sounded pretty much like it did in the '60s.
However, her sound and style in the 1960s were quite different from what they had been in the 1940s. When she was 16 years old, Etta Jones made her first records for the Black & White label under the supervision of noted jazz writer Leonard Feather. Feather had produced Dinah Washington's first recording session, and he was clearly hoping to mimic that success. Feather scheduled the session for December 29, 1944, exactly one year to the day after Washington's first session. He also included two of the songs, "Evil Gal Blues" and "Salty Papa Blues," that Washington had recorded at that first session. But while Feather was trying to conjure another Dinah Washington, Jones was channeling an entirely different singer.

continue reading on : http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=24821




She sang the blues because she lived it


Etta Jones delivers....







Rest in Peace, Thank you for the gift of your voice and soul!!!!

Etta James, blues icon, dies aged 73

Etta James
Etta James's approach to singing and to life was one of wild, desperate engagement.
Photograph: Sherry Rayn Barnett/Getty Images
 
Etta James, who has died aged 73 after suffering from leukaemia, was among the most critically acclaimed and influential female singers of the past 50 years, even if she never achieved huge popular success. From her first R&B hit, in 1955, the risqué Roll With Me Henry – cut when she was only 15 – through a series of classic 1960s soul sides (the lush ballad At Last, the raucous house rocker Tell Mama and the emotional agony of I'd Rather Go Blind), then a series of critically acclaimed 1970s and 1980s albums that won her a broad rock audience, to more recent albums of jazz vocals, James proved capable of developing and changing as an artist.
Her approach to both singing and life was throughout one of wild, often desperate engagement that included violence, drug addiction, armed robbery and highly capricious behaviour. James sang with unmatched emotional hunger and a pain that can chill the listener. The ferocity of her voice documents a neglected child, a woman constantly entering into bad relationships and an artist raging against an industry and a society that had routinely discriminated against her.
James's continuing appeal to new generations was proved when the R&B superstar Beyoncé played James in the 2008 film Cadillac Records. The British pop singer Adele said that it was buying an Etta James CD when she was 13 that made her want to sing.
She was born Jamesetta Hawkins to 14-year-old Dorothy Hawkins and an unknown white father, although James maintained he was the pool shark Rudolf "Minnesota Fats" Wanderone, and was raised at first in Los Angeles by adoptive parents. From the age of five, she sang gospel in the local church and later acknowledged the influence of the choirmaster, Professor James Earl Hines.
When Jamesetta's adoptive mother died, Dorothy reappeared and took her 12-year-old daughter to San Francisco. Dorothy was a hustler and showed no inclination to change her lifestyle. "She was never there when I got off from school," James recalled, "so I could pretty much do what I wanted to do … drinking, smoking weed." Violence and substance abuse were now constants in James's life and she would maintain a difficult, combative relationship with her mother across many decades.
James formed a vocal trio, the Creolettes, with two teenage friends. They auditioned for the maverick R&B band leader Johnny Otis. He was so impressed with James's voice and her composition of Roll With Me Henry that he offered to take her to Los Angeles the following day to record. She agreed, lied to him that she was 18 and, when he demanded her mother's signed consent, went home and forged it – Dorothy was then in prison.
Roll With Me Henry was retitled The Wallflower – Modern Records decided the original title was too explicit – and Otis renamed his protege Etta James. The song reached No 1 on the R&B charts (while Georgia Gibbs's bland cover went to No 1 in the pop charts). The follow-up, Good Rockin' Daddy, reached No 12 in the R&B charts in November 1955.
As a teenager on tours with Otis, Johnny "Guitar" Watson, Ike and Tina Turner and Little Richard, James encountered and quickly embraced much debauchery. Although there were no more 50s hits, she was a popular attraction in black America's working-class "chitlin' circuit" clubs.
In 1959 James signed with the Chicago blues label Chess, which began marketing her as the "Queen of Soul". She notched up such hits as All I Could Do Was Cry, If I Can't Have You and At Last. Here her powerhouse contralto voice was matched with the sumptuous, bluesy string arrangements of Riley Hampton, and James truly came into her own as a singer. Her 1963 album Etta James Rocks the House was recorded live at the New Era club in Nashville and documents a formidable performer.
In 1967 Leonard Chess, the founder of Chess Records, sent James to Alabama to record at Fame studios with the producer Rick Hall. The resulting sessions produced the roaring Tell Mama, which took her back to the R&B top 10. Tell Mama's B-side was I'd Rather Go Blind, a brooding, agonised ballad of loss and jealousy which now stands as James's most celebrated recording and one of the classic sides of soul music. James wrote or co-wrote several of her greatest songs.

That year, James's influence was everywhere, with a variety of black female singers (including Turner, Gladys Knight and Candi Staton) employing her defiant, abrasive vocal style. Janis Joplin modelled her singing closely on James and covered Tell Mama. James was a star, yet one seemingly set on self-destruction. Addicted to heroin and bad men, she lived a criminal lifestyle and was jailed several times. After leaving jail in Anchorage, Alaska, in 1969, she met and married Artis Mills. When, in 1971, the couple were arrested in San Antonio, Texas, on narcotics charges, Mills took the fall. On his release in 1981, the couple reunited.
James never again enjoyed a major US hit, although she continued to record strong material. Perhaps her voice, so raw and emotionally expressive, was too fierce for the general public. Indeed, hurt, anger and self-destructive behaviour boiled beneath the surface of her vocals. Once asked to describe her style, she responded that singing allowed her to vent "all this bitch shit inside of me".
James became a natural replacement for Joplin after the latter's death in 1970. Teamed with Joplin's collaborator Gabriel Meckler in 1973, James began to record rock songs: mauling the Eagles, slugging Randy Newman.
The 1974 album Come a Little Closer, recorded while she was in rehab at a psychiatric hospital, features James at her best. A shift to Warner Brothers in 1978 did not return her to a wide audience and, although she often worked with major producers, James remained beloved more by critics and blues-soul aficionados than a mass audience.
When paired with the right producer and material, she delivered superb albums: Seven Year Itch (1989), Matriarch of the Blues (2000) and even her swansong The Dreamer (2011) find her interpreting lyrics with grace and venom. An elite fanclub ensured James sang at the Los Angeles Olympics opening ceremony in 1984, appeared in Taylor Hackford's celebrated Chuck Berry feature Hail! Hail! Rock'n'Roll (1987), opened stadium dates for the Rolling Stones and was inducted into the Rock'n'Roll Hall of Fame in 1993. She scored a surprising (and sole) UK top 10 hit in 1996 when her threatening reading of I Just Want to Make Love to You became the soundtrack to a Diet Coke advertisement. In 1995 James recorded Mystery Lady, the first in a series of jazz vocal albums where she channelled the influence of Billie Holiday. This brought her to yet another audience.

James won six Grammy awards and a star on the Hollywood Walk of Fame. Having finally conquered her drug addiction in 1988, she began to struggle with her weight – in 2002, weighing more than 400lb, she had gastric bypass surgery and lost 200lb, which allowed her to return to active singing and performing. The film Cadillac Records, a heavily fictionalised biopic about Chess Records, attracted wide attention due to Beyoncé's appearance as James. The young superstar made a decent job of portraying her as a foul-mouthed, two-fisted singer, yet lacked the raging bull quality that made James so unforgettable.
Beyoncé was invited to sing At Last at Barack Obama's presidential inauguration in January 2009. James publicly criticised her, then later offered an apology, suggesting that she was upset not to have been invited to sing herself. She added that she would have sung the song better. Rage to Survive, James's autobiography, was published in 1995 and proved as blistering as her singing.
She is survived by her husband and her sons, Donto and Sametto.

• Etta James (Jamesetta Mills), singer, born 25 January 1938; died 20 January 2012

http://www.guardian.co.uk/music/2012/jan/20/etta-james?newsfeed=true

Diagnóstico e Destino


RETARDADO AOS OITO ANOS


Mãe é exagerada. Sempre romantiza a infância do filho. A minha, Maria Carpi, dizia que eu fui um milagre, que enfrentei sérias rejeições, que não conseguia ler e escrever, que a professora recomendou que desistisse de me alfabetizar e que me colocasse numa escola especial.

Eu permitia que contasse essa triste novela, dava os devidos descontos melodramáticos, entendia como licença poética.

Até que mexi na estante do escritório materno em busca do meu histórico escolar.

E achei um laudo, de 10 de julho de 1980, assinado por famoso neurologista e endereçado para a fonoaudióloga Zulmira.

“O Fabrício tem tido progressos sensíveis, embora seja com retardo psicomotor, conforme o exame em anexo. A fala, melhorando, não atingiu ainda a maturidade de cinco anos. Existe ainda hipotonia importante. Os reflexos são simétricos. Todo o quadro neurológico deriva de disfunção cerebral.”

Caí para trás. O médico informou que eu era retardado, deficiente, não fazia jus à mentalidade de oito anos. Recomendou tratamento, remédios e isolamento, já que não acompanharia colegas da faixa etária.

Fico reconstituindo a dor dela ao abrir a carta e tentar decifrar aquela letra ilegível, espinhosa, fria do diagnóstico. Aquela sentença de que seu menino loiro, de cabeça grande, olhos baixos e orelhas viradas não teria futuro, talvez nem presente.

Deve ter amassado o texto no bolso, relido sem parar num cantinho do quintal, longe da curiosidade dos irmãos.

Mas não sentiu pena de mim, ou de si, foi tomada de coragem que é a confiança, da rapidez que é o aperto do coração. Rejeitou qualquer medicamento que consumasse a deficiência, qualquer internação que confirmasse o veredito.

Poderia ter sido considerada negligente na época, mas preferiu minha caligrafia imperfeita aos riscos definitivos do eletroencefalograma. Enfrentou a opinião de especialistas, não vendeu a alma a prazo.

Ela me manteve no convívio escolar, criou jogos para me divertir com as palavras e dedicou suas tardes a aperfeiçoar minha dicção (lembro que me fazia ler Dom Quixote, e minha boca andava apoiada no corrimão dos desenhos).

Em vez de culpar o destino, me amou mais.

Na vida, a gente somente depende de alguém que confie na gente, que não desista da gente. Uma âncora, um apoio, um ferrolho, um colo. Se hoje sou escritor e escrevo aqui, existe uma única responsável: Maria Carpi, a Mariazinha de Guaporé, que transformou sua teimosia em esperança. E juro que não estou exagerando.