No site Brasil Indomável, uma matéria de André o’Zaca mostra que a ameaça mais recente à liberdade está sendo arquitetada atualmente pelo Congresso americano, na forma de duas leis antipirataria na Internet, em discussão no Senado, ambas inconstitucionais
Os supostos objetivos destas leis seriam combater e erradicar da internet a pirataria de material com conteúdo protegido pelas leis de direitos autorais, tais como músicas, filmes etc. Por isso, seu processo de elaboração é feito sob um massivo lobby da indústria de gravadoras e produtoras de filmes de Hollywood e de outros setores interessados.
O jornalista André o’Zaca denuncia que corporações privadas terão o direito de tirar sites do ar sem o devido processo legal. Somente será necessário que estas corporações denunciem um site que alegadamente esteja disponibilizando a seus usuários o download de filmes, programas de TV e de músicas protegidos por direitos autorais.
Acontece que a maioria destes sites está fora da jurisdição dos EUA. Por isso, as leis que estão sendo elaboradas fazem uso de táticas diferentes:
* Elas dão ao governo o poder de fazer com que provedores de internet dos EUA bloqueiem o acesso a nomes de domínios de sites supostamente infratores.
* As leis também possibilitarão que se processem judicialmente sites de busca, blogs e fóruns para fazer com que estes removam links que direcionem a sites infratores.
* As leis darão às corporações e ao governo o poder de impedir que estes sites infratores tenham acesso a recursos financeiros, fazendo com que anunciantes e serviços de pagamento com base nos EUA cancelem suas contas com os mesmos.
* Usuários comuns poderão ser condenados a 5 anos de cadeia por postar qualquer conteúdo que seja protegido pelas leis de direitos autorais.
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YOUTUBE E FACEBOOK, COMO FICAM?
As novas leis antipirataria darão ao governo americano e às grandes corporações o poder de tirar do ar sites como o YouTube, que recebem conteúdo postado por seus usuários.
Caso este conteúdo viole os direitos autorais de uma terceira parte (como quando postamos um trecho de um filme, de uma música, ou até de uma pessoa desconhecida apenas cantando uma música, o site, e não mais o usuário que individualmente postou o conteúdo, é que será responsabilizado pela violação destes direitos.
Em consequência, estes sites serão obrigados a avaliar com antecedência todo conteúdo postado ou até mesmo a fechar contas e canais de usuários que só querem circular informação e se comunicar, limitando a abrangência dos maiores veículos de interação social e de divulgação de mídia do mundo, além de minar a criatividade de seus usuários. Isto cerceará o direito à liberdade de expressão de todas as pessoas que usam a Internet no planeta.
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FIM DA IMUNIDADE DO “PORTO SEGURO”
Nos últimos meses temos visto como sites como YouTube, Twitter e Facebook podem mudar a face do globo, literalmente. O seguinte trecho pertence a um artigo do New York Times:
“O YouTube, o Twitter e o Facebook têm tido um papel importante nos movimentos políticos, desde a Praça Tahrir até o Parque Zucotti. Atualmente, os serviços de redes sociais estão protegidos por uma provisão de ‘porto seguro’ da Lei de Direitos Autorais Milênio Digital, que garante a sites da Web imunidade contra processos judiciais desde que eles ajam de boa-fé para retirar conteúdo ilegal tão logo os detentores de seus direitos o identifiquem. A lei da Câmara de Representantes destrói esta imunidade, atribuindo ao YouTube a responsabilidade de verificar vídeos de forma antecipada, sob risco de este site sofrer ação judicial. Ela colocaria o Twitter numa posição similar a de seu primo chinês, o Weibo, sobre o qual foi reportado que são usadas cerca de mil pessoas para monitorar e censurar o conteúdo de seus usuários e para manter-se bem-quisto pelas autoridades.”
Não é preciso dizer mais nada.
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PROTESTO TEVE ADESÃO, AOS POUCOS
A Agência Reuters informa que grandes potências da Internet resolveram não aderir ao “apagão digital” realizado nesta quarta-feira em protesto contra um projeto de lei dos EUA que pune atos de pirataria eletrônica.
As principais adesões foram da enciclopédia eletrônica Wikipedia e do site de notícias sociais Reddit, que escureceram suas páginas para que os visitantes só pudessem encontrar informações sobre os dois projetos. Mas, aos poucos, os grandes sites, como Google, AOL, Yahoo, eBay, Facebook e muitos outros registraram protestos.
As empresas de tecnologia em geral se mostram preocupadas com os projetos de lei, mas a baixa adesão ao protesto desta quarta-feira mostra que essas companhias não estão dispostas a sacrificar um dia do seu faturamento e ainda correrem o risco de atrair a fúria dos usuários por causa de um protesto cujo impacto sobre os congressistas é difícil de avaliar.
http://www.tribunadaimprensa.com.br/
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Carta de Vinicius para Chico 1968
Finalzinho de 1968. Nelson Motta, 24 anos, assinava coluna diária no Jornal Ultima Hora. Roda viva era o nome, o mesmo da música de Chico Buarque, que tinha a mesma idade de Nelson, compusera no ano anterior. Em dezembro, ele publicou uma carta de Vinicius de Moraes, 55 anos, que fazia shows em Lisboa com Baden Powell e a cantora Márcia, para Chico Buarque. Vinicius, que se diz em lua-de-mel com Cristina Gurjão, sua sexta mulher, se delicia com o “falar” dos lusos, dá conselhos ao futuro papai Chico e conta um papo com Tom Jobim de Las Vegas e fala sobre a curva descendente dos festivais de música no Brasil: “estão se transformando em verdadeiras partidas de futebol – eu por exemplo, enquanto eles estiverem assim, não mais participarei, pois detesto todo gênero de competição”.
Antes de publicar a carta, Nelson Motta faz uma introdução sobre o sucesso dos "shows recitais" de Vinicius em Lisboa, no Teatro Villaret e na boate Ad Lib e diz que “Vinicius iniciou esse seu show com uma carta a Chico Buarque de Holanda seus amigo de todas as horas”. Logo abaixo vem a carta com data de 13 de dezembro. Atenção na data: é a da decretação do AI-5. A temporada, conta José Castelo conta na bio O Poeta da Paixão, começou dia 11 e no show do tal dia 13, antes de encerrar com Canto de Ossanha, Vinicius fez um discurso inflamado, e leu seu poema Pátria Minha, o que lhe causou problemas com a ditadura salarazista que reinava no País.
Abaixo, a carta de Vinicius para Chico.
Lisboa, sexta-feira, 13 dezembro
Chico querido:
Pois, pois. Aqui estamos nós, Márcia, Baden e eu, num dos teatros mais prestigiosos de Lisboa, o Villaret, para fazer um showzinho de música e poesia também, como gostamos de apresentar – bem informal, em comunicação bem íntima com as pessoas. As pessoas, pelo que pude notar, são lindas de morrer. Mas não há perigo. Cristina está presente, e nossa lua-de-mel corre mais doce que ovos moles d’Aveiro. Você já provou ovos moles d´Aveiro, Chico? É de comer em prantos. Melhor que isso só mulher, isto é, Cristina. Pena eu estar em dieta de emagrecimento. Mas felizmente não estou em dieta de Cristina.
E você, Chiquinho, como vai essa gravidez? O “miúdo” já está a se revelar um novo Pelé no ventre paterno, aos pontapés, ou tem tendências abstratas, como os poetas novos, aos quais ninguém ouve? Diga a Marietinha que não se preocupe não, porque tudo vai correr muito bem para você. Faça respiração de cachorrinho durante as contrações, como manda o método Lamase, e você não vai sentir dor alguma – ouviu, papai inchado? E por falar nisso, “miúdo” aqui é o equivalente de menino. E trem é comboio. E alô é tá. É engraçado e bonito. E quando uma pessoa é muito bacana, caindo de bossa, diz-se que tem piada, que é giro. Você aqui teria muita piada, seria “girérrimo”.
Ontem, consegui falar com o nosso querido maestro Antônio Carlos Jobim em Las Vegas, onde ele está com o Frank Sinatra, trabalhando num novo disco. Pois imagina que disse só assim à telefonista internacional – “olha aqui, minha filha, eu preciso muito falar com o maestro Tom Jobim nos Estados Unidos, sei que ele está gravando com o Frank Sinatra. Me podia fazer o favor de caçá-lo para mim?” E dez minutos depois ouvi a voz de Tom que me perguntava: “Onde está você?” E eu respondi: “Em Lisboa”. E ele disse: “Que coisa boa!” E eu lhe perguntei: - E eu lhe pergunto: - E você onde está?” E ele retrucou: “Estou em Las Vegas” E eu: “Ai não me pegas”.
E ele falou: “Que estás fazendo?” E eu respondi: “Um show com o Baden e a Marcinha”. E ele, com um profundo suspiro intercontinental: “Ah, que coisinha!” E meu parceiro sabe o que diz!
Fiquei contente em saber que você tirou o primeiro lugar no júri popular do IV Festival da Record. Eu acho que os festivais brasileiros estão se transformando em verdadeiras partidas de futebol – eu por exemplo, enquanto eles estiverem assim, não mais participarei, pois detesto todo gênero de competição. Mas gostei de conhecer o Eusébio, com quem bati um papo ameno, depois do jogo entre o Benfica e o CUF. Você sabe, Chico, que Cristina é torcedora do Flamengo tão violenta que embora nós tivessemos sido convidados para o jogo pelo CUF, em recinto privado, ela teve o topete de agitar uma flâmula do Benfica, que é o correspondente português do Flamengo, e torcer por sua vitória? Eu confesso que tive medo que os dirigentes do CUF nos chutassem para “córner”.
Estou contente porque vamos passar o Natal juntos em Roma e tomar um porre firme e cantar juntos e dar muitos “manguitos” (que é o correspondente de banana) para as estátuas dos imperadores romanos. Foi em Roma que eu conheci você menino, e você, seu safadinho, enquanto eu bebia com seu pai, ficava no alto da escada, no meio da madrugada, só para nos ouvir cantar.
***
Marcinha chegou hoje. Agora nós vamos começar nosso “show” naquela base simples de amor e comunicação como você, Baden e eu gostamos de fazer – e Marcinha de interpretar. O que nos motiva é o amor. Não é o amor que move o Sol e outras estréias, como disse Dante Aligheri?
Outro dia minha mulher riu-se muito quando eu lhe disse que o amor cura o câncer. E cura mesmo! E não é outra a razão porque Márcia veio de São Paulo, Baden de Paris e eu do Rio, para esta comunicação linda e indispensável à nossa vida de artistas. E ao levar a vocês nossa poesia e nossas canções, nós o fazemos – insisto mais uma vez em dizê-lo – só por amor. Só amor.
‘aborrecente’ na Casa Branca

Veja também
Naquele momento, o governante fazia uma homenagem ao legado de direitos humanos deixado por Martin Luther King Jr.. Malia, logo atrás do sujeito que é considerado o homem mais poderoso do mundo, mostrava-se irritada, fazendo caras e bocas para demonstrar seu descontentamento. Em muitos momentos, a garota ficou olhando fixamente para o chão ou para algum ponto a sua frente, lutando para ficar com os olhos abertos.
Ao lado da menina, a mãe, Michelle Obama, chegou a sussurrar algo ao seu ouvido, aparentemente na tentativa de deixá-la mais animada, e Malia logo riu. Mas o episódio mostrou o quanto pode ser “dura” a vida das filhas do presidente. Comparecer a eventos diplomáticos cheios de pompa, andar cercadas de seguranças e até mesmo ter um telefone celular grampeado... Tudo isso faz parte da realidade das garotas. Mas o maior drama é mesmo quando papai resolve ir a uma reunião na escola.
Numa entrevista que a primeira-dama deu à rede americana de TV “ABC”, semana passada, a senhora Obama revelou que tem um truque para fazer sua filha mais nova, Sasha, se animar quando está chateada:
- Quando estamos em algum lugar e quero que Sasha ria, porque noto que ela está muito séria, eu digo: “Se você não sorrir, vou começar a dançar!”. Então ela responde: “Não, não, não faça isso!” - contou Michelle.
Apesar de Sasha, de 10 anos, não ter comparecido ao evento em Washington, Michelle teve que lançar mão do recurso para alegrar Malia. Após o discurso de Obama, a garota, a primeira-dama e o presidente ajudaram a construir uma biblioteca no centro comunitário local. Nesse momento, Malia pareceu acordar e, apesar das expressões de tédio, se mostrou mais participativa.
Em outra entrevista recente, à rede “CBS”, a primeira-dama comentou que sua filha adolescente morre de vergonha dos pais, como qualquer outra garota de sua idade.
- Minhas crianças são como quaisquer outras: nada que a gente [Obama e eu] faz é maneiro - disse.
Michelle ainda contou que Malia tem seu próprio celular, para tentar levar uma vida normal. Só que as ligações são monitoradas, é claro, e sua lista de contatos também é restrita. Ser filha do presidente ainda tem outra mazela... Para a garota de 13 anos, é um pesadelo quando o pai resolve aparecer nas reuniões da escola:
- Outro dia Malia disse: “Ah, não! O papai vai à escola? Ele vai levar todos aqueles carros? Sério, porque, tipo, um dia desses, acho que eles quase atropelaram minha professora” - lembrou a mãe.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/megazine/filha-de-obama-de-13-anos-banca-aborrecente-em-evento-3694242#ixzz1jpyKJ8da
A poesia e o poeta
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ANTÓNIO SALVADO, de Portugal ao meu coração
NOTA:
Quero compartir com vocês um trecho de um e-mail recebido hoje e que me deixou a certeza de que o que faço aqui não é em vão.....
Regina:
(....) Escrevo-lhe desde Castelo branco, uma pequena capital do interior de Portugal, situada no mesmo distrito onde se situa Belmonte, a terra do dito “descobridor” das terras de vera cruz. Como o mundo ficou pequeno… restam sussurros positivos como os seus que na diversidade fazem a difrença nesta globalização dos nossos existires. Face ao amorfo, resistir, sussurrando com amor, música e poesia. O joga continua como diz.
Meu pai gostaria de lhe enviar alguns dos seus livros como prova de gratidão pela fixação do seu poema no seu blog, (.....)
Agradecendo desde já toda a atenção, cordialmente
Pedro Salvado
PS- Envio-lhe este linq onde Luís Gaspar, uma das melhores vozes da rádio portuguesas, recita alguns poemas de meu pai
uma boa audição
Muito grata, António Salvado & filho.
regina
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
De mão cheia
Imaginem que dois cozinheiros preparam um tema simples, um molho para temperar uma salada. Imaginem que os dois (ou três ou quatro ou cinco ou dez cozinheiros) contam com ingredientes iguais, o mesmo açúcar, o mesmo vinagre balsâmico dos que passam anos dormindo em barris de carvalho, castanheiro e cerejeira, o mesmo azeite extra-virgem, dentes de alho de tamanho equivalente. Tudo exatamente igual e ainda assim, com certeza absoluta o molho feito por cada um dos cozinheiros terá gosto diferente.
Uma receita não é lei talhada em pedra, mas uma sugestão, um guia, um elenco de passos para chegar a um resultado. Alguns cozinheiros vão seguir ao pé da letra, milimetricamente, sem tirar nem pôr – no caso dos doces é mais seguro. Outros vão rearranjar, pegar atalhos, improvisar. Alguns vão remixar e acrescentar boas doses de estilo pessoal. Outros vão alterar só um pouquinho, talvez substituir um ingrediente. Os gulosos vão exagerar. Os experientes nem precisam de receita, são capazes de provar um prato e remontar o gosto, de ouvido. O mesmo cozinheiro pode servir uma mesma receita com gosto diferente em dias diferentes, tudo depende do estado de espírito e atenção. Vamos improvisar:
Partitura para molho de salada:
Para cada medida de vinagre balsâmico, 3 de azeite extra virgem, um dente de alho inteiro descascado e amassado a ponto de quebrar e soltar um pouco de seu óleo, uma colher de chá rasa, de açúcar. Colocar tudo em um recipiente bem tampado e chacoalhar vigorosamente até que a mistura fique cremosa.
Espalhe o molho sobre a salada, de preferência folhas de rúcula pequenas, e misture bem. Quem quiser pode esmigalhar nozes descascadas e lascas de parmesão sobre as folhas temperadas. Quem preferir alternar texturas, pode manter as nozes e substituir as lascas de parmesão por pedaços de queijo de cabra ou mozzarella.
Este molho é um campo propício para abordar questões quase filosóficas: quão rasa é a colher rasa de açúcar para cada um, qual o tamanho da medida padrão que determinará o equilíbrio entre o aceto e o azeite, além da quantidade de molho em relação à quantidade de folhas (uma colher de sopa ou um 1/4 de copo e tudo muda de figura). Para alguns, salada boa é a que flutua em molho e permite 'fare la scarpetta', ou seja, limpar o prato com pedaços de pão depois que a salada acabou. Para outros, boa é a salada que do molho tem apenas o brilho.
A Cozinha Transcendental incentiva com entusiasmo o scat singing de receitas. Aqui um exemplo de mão cheia, de talento e alegria:
Fundos musicais para meditar sobre a questão da interpretação de pratos:
Pão de queijo: uma experiência no exílio
“Quem diria, nossa predileção por pão de queijo provoca efeitos colaterais!”
É o que relata Bia, que nos acompanha de Londres.
Vejam só a mensagem que recebemos:
Para: Cozinha Transcendental
De: Bia
Assunto: Pão de queijo
Pão de queijo: uma experiência no exílio
O entusiasmo da Cozinha Transcendental pelo mais amado dos salgados brasileiros deixa qualquer um morrendo de vontade. Post após post de receitas e avaliações e o contágio é inevitável. A boca se enche de água e o pensamento entra num loop; aparece uma voz vindo de longe, hipnotizando… pão de queijo, pão de queijo, pão de queijo… Mas a terra onde polvilho é comum e abundante está longe. Do lado de cá do mundo nada de polvilho, nem doce e nem azedo. Satisfaria até polvilho amargo ou polvilho umami – sabor que aceitaríamos assentindo veementemente com a cabeça, mas ninguém sabe dizer exatamente como é e onde tem – se isso significasse um pão de queijo dourado e gostoso recém saído do forno. Quando a vontade atingiu um nível insuportável abriram-se, desesperadamente, armários e geladeira em busca de ingredientes. Farinha e cheddar eram os itens mais próximos e foi com eles mesmo que o experimento culinário se deu.
Mistura amassada, a cara grudou no visor do forno para assistir a maravilha que nascia amarela e redonda. Até então, tudo bastante promissor. Mas pão de queijo é coisa séria e não é qualquer ingrediente que serve. Ao sair do forno, a massa murchou um pouco, como um bolo que afunda. Mesmo assim, a primeira mordida foi mais ou menos como a madeleine do Marcel. O segundo pão de queijo deve ter assado em uma parte mais fraca do forno e o interior ficou cremoso. A consistência era familiar, lembrava alguma coisa. Entre os cremosos e outros mais massudos, a epifania: em mãos, ora um pastel de nata salgado, ora um muffin de queijo, mas valendo a premissa de que quem não tem cão caça com gato, o pão de queijo disfarçado de pastel de nata à la muffin serviu. Esta receita nada ortodoxa de pão de queijo é para os saudosos em estado de abstinência radical dessa delícia tão brasileira.
Ingredientes
3 colheres cheias de manteiga (derreter no microondas)
3 ovos
300 ml de leite
1 xícara cheia e mais 1/4 de farinha de trigo peneirada
Sal a gosto
1 xícara de cheddar ralado (ou o queijo que você tiver)
Modo de fazer
- Aqueça o forno (a 200º C).
- Se não tiver forma de empadinha, unte uma forma de muffin/cupcakes.
- Bata no liquidificador os ovos, a farinha, a manteiga derretida, o leite e o sal. Prove e corrija o sal. Retire, acrescente o cheddar e misture com uma colher.
- Coloque a massa nas forminhas até a metade e leve ao forno (pode colocar mais um pouquinho de queijo por cima)
- Asse até que cresçam e fiquem dourados (uns 40 minutos).

Fundo Musical recomendado para acompanhar qualquer tipo de obsessão:

É o que relata Bia, que nos acompanha de Londres.
Vejam só a mensagem que recebemos:
Para: Cozinha Transcendental
De: Bia
Assunto: Pão de queijo
Pão de queijo: uma experiência no exílio
O entusiasmo da Cozinha Transcendental pelo mais amado dos salgados brasileiros deixa qualquer um morrendo de vontade. Post após post de receitas e avaliações e o contágio é inevitável. A boca se enche de água e o pensamento entra num loop; aparece uma voz vindo de longe, hipnotizando… pão de queijo, pão de queijo, pão de queijo… Mas a terra onde polvilho é comum e abundante está longe. Do lado de cá do mundo nada de polvilho, nem doce e nem azedo. Satisfaria até polvilho amargo ou polvilho umami – sabor que aceitaríamos assentindo veementemente com a cabeça, mas ninguém sabe dizer exatamente como é e onde tem – se isso significasse um pão de queijo dourado e gostoso recém saído do forno. Quando a vontade atingiu um nível insuportável abriram-se, desesperadamente, armários e geladeira em busca de ingredientes. Farinha e cheddar eram os itens mais próximos e foi com eles mesmo que o experimento culinário se deu.
Mistura amassada, a cara grudou no visor do forno para assistir a maravilha que nascia amarela e redonda. Até então, tudo bastante promissor. Mas pão de queijo é coisa séria e não é qualquer ingrediente que serve. Ao sair do forno, a massa murchou um pouco, como um bolo que afunda. Mesmo assim, a primeira mordida foi mais ou menos como a madeleine do Marcel. O segundo pão de queijo deve ter assado em uma parte mais fraca do forno e o interior ficou cremoso. A consistência era familiar, lembrava alguma coisa. Entre os cremosos e outros mais massudos, a epifania: em mãos, ora um pastel de nata salgado, ora um muffin de queijo, mas valendo a premissa de que quem não tem cão caça com gato, o pão de queijo disfarçado de pastel de nata à la muffin serviu. Esta receita nada ortodoxa de pão de queijo é para os saudosos em estado de abstinência radical dessa delícia tão brasileira.
Ingredientes
3 colheres cheias de manteiga (derreter no microondas)
3 ovos
300 ml de leite
1 xícara cheia e mais 1/4 de farinha de trigo peneirada
Sal a gosto
1 xícara de cheddar ralado (ou o queijo que você tiver)
Modo de fazer
- Aqueça o forno (a 200º C).
- Se não tiver forma de empadinha, unte uma forma de muffin/cupcakes.
- Bata no liquidificador os ovos, a farinha, a manteiga derretida, o leite e o sal. Prove e corrija o sal. Retire, acrescente o cheddar e misture com uma colher.
- Coloque a massa nas forminhas até a metade e leve ao forno (pode colocar mais um pouquinho de queijo por cima)
- Asse até que cresçam e fiquem dourados (uns 40 minutos).
Fundo Musical recomendado para acompanhar qualquer tipo de obsessão:
It's a long way - Céu + N.A.S.A + Apollo Nove
Woke up this morning
Singing an old, old Beatles song
We're not that strong, my lord
You know we ain't that strong
I hear my voice among others
In the break of day
Hey, brothers
Say, brothers
It's a long long long long way
Os olhos da cobra verde
Hoje foi que arreparei
Se arreparasse a mais tempo
Não amava quem amei
Arrenego de quem diz
Que o nosso amor se acabou
Ele agora está mais firme
Do que quando começou
It's a long road
A água com areia brinca na beira do mar
A água passa e a areia fica no lugar
E se não tivesse o amor
E se não tivesse essa dor
E se não tivesse sofrer
E se não tivesse chorar
E se não tivesse o amor
No Abaeté tem uma lagoa escura
Arrodeada de areia branca
Caetano Veloso
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