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quarta-feira, 28 de março de 2012

O desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes

28/03/2012

Millôr Fernandes
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Entrevista com o desenhista Millôr Fernades, em seu estúdio, em Ipanema, zona sul do Rio de JaneiroO desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes em sua casa, no Rio de JaneiroO jornalista e escritor Millôr Fernandes durante entrevista no programa "Roda Viva", da TV CulturaORG XMIT: 252501_0.tif Desenho de Millôr Fernandes no site do artista.Ilustração da capa do livro "Tempo e Contratempo" de Millôr Fernandes, que assina a obra com o pseudônimo de Vão GôgoO jornalista e escritor Millôr Fernandes durante entrevista no programa "Roda Viva", da TV CulturaO escritor Millôr Fernandes durante lançamento de "O Livro Vermelho dos Pensamentos de Millôr", em São PauloO jornalista e escritor Millôr Fernandes durante entrevista no programa "Roda Viva", da TV CulturaMillôr Fernandes junto a painél que idealizou para parede do Laboratório Fleury, em São PauloO escritor, humorista e chargista Millôr Fernandes durante entrevista à Folha de São de Paulo, em seu estúdio, em Ipanema, no Rio de JaneiroMillor Fernades em seu estúdio em Ipanema na zona sul do Rio de Janeiro Ilustração da obra "Mausoléu" de Millôr FernandesIlustração de Millôr Fernades para a coluna "Pif Paf" da revista "O Cruzeiro"O desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes em fotografia de 1970 Leia maisO desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes em fotografia de 1970 Leia maisMillôr Fernandes participa de entrevista no programa "Roda Viva", da TV Cultura Leia maisMillôr Fernandes junto a painel que idealizou para parede do Laboratório Fleury, em São Paulo (SP) Leia maisMillôr Fernandes é fotografado no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro Leia maisMillôr Fernandes durante entrevista à Folha em seu estúdio em Ipanema, no Rio de Janeiro Leia maisEstúdio de Millôr Fernandes em Ipanema, no Rio de Janeiro Leia maisMillôr Fernandes durante entrevista à Folha em seu estúdio em Ipanema, no Rio de Janeiro Leia maisUma das assinaturas do cartunista Millôr Fernandes que fazem parte do livro "Um Nome a Zelar", com suas criações gráficas Leia maisCapa da revista "PIF PAF", liderada por Millôr Fernandes Leia mais

Ricardo Moraes - 13.nov.06/Folhapress

O último texto publicado, no dia 12 de agosto de 2001:

Da eutanásia
Mais cedo ou mais tarde todo articulista decente tem que falar da eutanásia, razão pela qual eu custei tanto a me decidir. De saída é uma palavra tão bonita que, se a pronunciamos contra o céu azul do colocar-do-sol (antigo pôr-do-sol) de um dia de domingo, qualquer pessoa, por menos poética que tenha a alma, percebe imediatamente que somos muito cultos e lidos. De qualquer forma não é necessário esperar o domingo para usar a eutanásia, já que nos dias comuns essa palavra também pode ser empregada, embora só em legítima defesa.
Porém, que é a eutanásia? A eutanásia, inventada no ano de 1200 por Sir Lawrence Olivier Lancelot, tornou-se imediatamente muito popular entre médicos que tinham pressa em receber as contas das viúvas. Aplicada aos doentes, ela dá excelentes resultados, curandoos completamente dessas tola mania de chamar médicos quando está doente. Médicos só devem ser chamados quando se está vendendo saúde. Por exemplo, aos 18 anos, fazendo surfe no Arpoador.
Outrossim (que eliminou da língua o outronão), é muito fácil saber se você contraiu eutanásia: basta olhar pro canto e ver se a junta médica está falando em voz baixa. Se estiver, é porque você acabou de ser convocado para fim de herói russo no período comunista ou pra doador de órgãos na China atual. Isso, no Brasil do século XIX, ainda não se chamava eutanásia, se chamava "Voluntários da Pátria".
Na Idade Média (aproximadamente 40 anos) essa ciência chegou a ser muito praticada, principalmente em Caxias, no Rio, tendo até mesmo o Sr. Tenório Cavalcanti publicado um livro sobre as melhores maneiras de se empregar a referida Euterpe com metralhadora Lurdinha. Floresceu muito, também, entre os Médicis de Florença e só não floresceu mais porque Florença temeu a concorrência e juizes severos praticaram a eutanásia na eutanásia, tendo ela embarcado para a França, onde apareceu num filme de André Cayatte e posso garantir que estava mais bonita do que nunca.
Mas o local onde crescem as maiores eutanásias que já tive oportunidade de saborear, é no 2o. pavilhão para tratamento psicológico, no Carandiru.
Olha, explico melhor --no tempo em que o cavalo de Tróia ainda era potro, já a eutanásia tinha dado duas voltas ao mundo, usada muitas vezes por pessoas que não tinham a mínima experiência e tentavam apagar alguém praticando a eutanásia e acabavam liquidando sem que a eutanásia sequer desse as caras. (Aqui conviria falar de Hiroshima e Nagasaki, mas eu agora estou sem vontade de me meter na guerra fria, pois acho que essa era até bem quente. Prefiro chuveiro. A propósito, alguém ai tem cinco notas de dez, dessas elásticas estou precisando lavar dinheiro).
Isso é a eutanásia, em suma. Quem souber mais e melhor que me diga, sendo que a bibliografia a respeito é muito rica, estando mesmo Trotsky preparando um grosso volume sobre o assunto quando Stalin praticou a eutanásia nele. E mais não digo porque, aqui pra nós, estou com eutanásia de assunto.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1068397-leia-textos-de-millor-fernandes-publicados-na-folha.shtml

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