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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

“Lolcat”

Paródia de Protesto contra a lei anti pirataria da Internet


Os protestos contra os projetos de lei SOPA e PIPA continuam na rede.

Desta vez uma paródia da música “American Pie” modificada para ” The day that LOLcats die” feita pelo pessoal da Cheezburger.
Pra quem não sabe o que quer dizer LOLCats, é uma imagem que combina uma fotografia de um gato com um texto engraçadinho.
“Lolcat”é um palavra composta da abreviatura “LOL” (“laugh out loud” que em português significa “rindo muito alto”) e a palavra “Cat”.
Lolcats são normalmente feitos para compartilhamento de fotos em fóruns da Internet.


Confira!
http://blog.jovempan.uol.com.br/blogando/parodia-de-protesto-contra-a-lei-anti-pirataria-da-internet/

Bar é poesia - Vinicius de Moraes

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXPpVSmcz_1lPzgCORcSoqgpLDw0WuAnvx5GDnWVtac2_SGmClAKu-k8DNJml8UkleQQ4jzEuqtfcxkgJ-vJC9AS8ZuxXF0AtpI_SH01y7gIJduoWpf5J9zYNF_NOGsOqWV5T-u48s5Q/s1600/Vinicius+de+Moraes.jpg



Vinicius de Moraes




A ausente


(Vinicius de Moraes)





Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...
 
 

Elis Regina dá o recado


"O Cantador" deu a Elis Regina o prêmio de melhor intérprete no III Festival da Música Popular Brasileira, de 1967 e foi composta por Dori Caymmi e Nelson Motta


Música de Milton Nascimento, "Canção do Sal" é uma das faixas do disco de Elis Regina, simplesmente chamado "ELIS", lançado em 1966.


Composed by Tom Jobim and Vinicius de Moraes.


Composed by Vinicius de Moraes


Composição de Baden Powell e Paulo César Pinheiro


Elis Regina - boa noite amor (José M. de Abreu, Francisco Mattoso) 

Elis Regina, um nome inesquecível. Uma cantora genial e muito tempe-ramental. "A maior cantora do Brasil". Quantas vezes você já ouviu isso? Tantas são as cantoras e os músicos que ela influenciou com a sua voz e seu canto.
Ah, doce pimenta, nossa saudosa Pimentinha, que falta você faz...



 

"Furacão Elis"

Como se fora brincadeira de roda

Elis Regina morreu há exatos 30 anos. Foi a maior cantora brasileira? Difícil responder, somos um país de tantas grandes cantoras. Mas foi a que colocou a arte acima de tudo. Foto: Folhapress


Um dia sem chuva em Visconde de Mauá no verão é algo praticamente impossível de acontecer.
No início dos anos 80, para chegar àquele povoado localizado na divisa entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro era necessário encarar mais de 30 quilômetros de uma estrada de terra repleta de buracos do tamanho de um automóvel. E um garoto, ainda bem novo, passava todo o mês de janeiro por lá.
Um dia choveu mais que o normal. Pouco antes do almoço, uma correria para a sala. A pequena televisão, cheia de chuvisco e em preto e branco anunciava um plantão jornalístico. Seria mais alguma notícia de desabamento por conta das chuvas?
Elis Regina estava morta. O dia: 19 de janeiro de 1982.
A causa mortis ainda era desconhecida. E isso era o que menos importava. No dia seguinte, uma multidão acompanhou o féretro entre o Teatro Bandeirantes, onde Elis realizou alguns de seus shows mais memoráveis, até o túmulo 2.199, quadra 7, setor 5 do cemitério do Morumbi.
Elis Regina virava História. Era, afinal, a melhor cantora do Brasil em todos os tempos?
Pergunta dificílima para ser respondida por um país que gerou tantas grandes cantoras.
Dificílima e inútil.
Alguém pode até argumentar que Elis Regina não foi a melhor cantora do Brasil. Mas poucos vão discordar que Elis foi a cantora brasileira que mais se preocupou em colocar a Arte acima de tudo.
Desde os tempos em que, de nervosismo, espargia sangue pelo nariz antes de se apresentar no “Clube do Guri”, programa da Rádio Farroupilha, até a sua última apresentação, na turnê “Trem azul”, que aconteceu no dia 11 de dezembro de 1981, no hotel Rio Palace, na Praia de Copacabana.
Em 1974, quando Elis Regina completou dez anos no elenco da Philips, a gravadora queria presenteá-la.
A cantora poderia escolher qualquer carro, viagem ao exterior, um apartamento com vista para o mar… Não. Elis escolheu um presente do qual não abriria mão: um álbum gravado em parceria com Antônio Carlos Jobim.
Não foi fácil convencer o maestro. Dez anos antes, o nome de Elis havia sido cogitado para cantar no álbum “Pobre menina rica”, de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra. O arranjador do disco reprovou a cantora. “Esta gaúcha é muito caipira. Ainda está cheirando a churrasco”, disse.
O arranjador era Tom Jobim.
Mas, dez anos depois, o maestro hesitou em gravar o álbum com Elis Regina não por causa do cheiro da picanha, que certamente não estava mais entranhado no corpo da cantora. Quando o produtor Aloysio de Oliveira comunicou a Tom o desejo da cantora gaúcha, o maestro respondeu: “Mas… Mas… Espera um pouquinho… Um disco com Élis [era assim que Tom a chamava] Regina, a maior cantora do Brasil… Não sei… Não sei… É muita responsabilidade… Ou irresponsabilidade??”
O disco “Elis & Tom” saiu. A gravação de “Águas de março” é o dueto mais importante da história da Música Popular Brasileira. E esse foi o presente pelos dez anos de Elis Regina na gravadora Philips.
Pouco antes, em agosto de 1973, já no auge da fama, Elis trocou os grandes teatros e casas de espetáculos e colocou a sua banda dentro de um ônibus para cantar no Circuito Universitário do interior de São Paulo, Santa Catarina e Paraná.
Quarenta e cinco dias e 39 shows, todos eles em cidades diferentes, e organizados pelos centros acadêmicos das Universidades.
Em seu brilhante livro de memórias “Solo”, Cesar Camargo Mariano descreve a rotina: “Quando chegávamos a uma cidade, nos sentíamos como um circo mambembe, com muito orgulho. Terminado cada espetáculo, recebíamos o público, íamos jantar, depois desmontávamos tudo e seguíamos para a próxima cidade. Quando dava, dormíamos em algum hotel da cidade; caso contrário, seguíamos viagem, logo após a desmontagem, e dormíamos no ônibus.”
O espetáculo “Falso brilhante”, que estreou em dezembro de 1975 no Teatro Bandeirantes, em São Paulo, representou o ápice da carreira de Elis Regina.
Foram 14 meses ininterruptos de temporada, com mais de 400 apresentações. Um sucesso merecido, tendo em vista a alta dose de risco injetada no projeto.
Elis queria fazer algo absolutamente diferente de tudo o que já havia realizado. Um roteiro que mostrasse ao público o começo, o meio e o fim da carreira de um artista. Todos os músicos da banda participariam, como verdadeiros atores em cena. Para investir no espetáculo, a cantora teve que liquidar todo o seu patrimônio. A fim de apresentar o melhor show possível, Elis e toda a sua banda enfrentaram cursos de balé, dança, maquiagem teatral, cenografia e de expressão corporal.
A Arte acima de tudo.
E mais acima ainda quando da montagem da turnê de “Saudade do Brasil”, em janeiro de 1980. A ideia do diretor Ademar Guerra era montar uma espécie de “A chorus line” tupiniquim, com onze bailarinos desconhecidos em cima do palco. Até anúncio no jornal foi publicado. Mais de 700 pessoas compareceram aos testes. E, assim, o inovador espetáculo “Saudade do Brasil” (registrado em álbum duplo gravado em estúdio) tomou forma. Além do corpo de balé, Cesar Camargo Mariano rodou São Paulo atrás de 13 músicos jovens para compor a banda.
Como não poderia deixar de ser, “Saudade do Brasil” foi mais um sucesso avassalador.
Um sucesso que também pode ser certificado nos ótimos álbuns que a cantora lançou; na quantidade de artistas novatos (como Belchior, João Bosco, Milton Nascimento, Ivan Lins e Gonzaguinha) que foram alçados ao estrelato através da voz de Elis; nos excelentes músicos que a cantora sempre fez questão de ter ao seu lado em cada um de seus trabalhos.
Existiram várias Elis.
A Elis iniciante, que arrebatou o Brasil com os seus braços rodando feito hélices durante “Arrastão”, no I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, em 1965.
A Elis que amou tão intensamente que casou com o seu “inimigo mortal” Ronaldo Bôscoli.
A Elis que deu chance a novos talentos, colocando um quase desconhecido Tim Maia para dividir os vocais de “These are the songs” com ela.
A Elis que gravou 24 álbuns (magistrais em sua maioria) em apenas 19 anos de carreira. A Elis que virava fera quando o assunto era amor; fera a ponto de jogar todos os LPs de Frank Sinatra que Ronaldo Bôscoli tanto venerava, tais quais “discos voadores”, ao mar de São Conrado, durante uma crise de ciúme.
A Elis que protestava contra a ditadura de forma inteligente; seja no arranjo “samba-fúnebre” de “É com esse que eu vou”, seja no hino da anistia “O bêbado e a equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc. A Elis que disse que o Brasil, durante o regime militar, era governado por “gorilas”.
Durante os testes para a escolha do corpo de balé para o espetáculo “Saudade do Brasil”, aconteceu um fato comovente, descrito no livro de Cesar Camargo Mariano.
Um dos finalistas foi reprovado na última etapa, depois de 40 dias de testes. A notícia da reprovação tinha que ser dada. O bailarino se ajoelhou e abaixou a cabeça. Chorou por mais de cinco minutos. Após enxugar cada gota de lágrima, disse: “Desculpem a minha reação. Este desabafo tem muito da tristeza de não continuar com vocês neste trabalho. Mas tem muito, mas muito mesmo, de agradecimento. Passei 40 dias convivendo com arte e aprendendo a ser gente. O que vocês me proporcionaram nenhuma escola do mundo vai me dar, nem em 40 anos.”
Pensando bem, Elis Regina proporcionou isso a todos nós, que tivemos a chance de ter contato com a sua obra.
Como se fora brincadeira de roda.

“Sempre disse para Elis, e vou morrer dizendo, que ela era a pessoa mais normal que já conheci. Anormal sou eu. Quem soube entender a genialidade dela passou por cima de tudo.”

(Cesar Camargo Mariano, em depoimento a Regina Echeverria, para o livro “Furacão Elis”)
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Amo-te Muito - Nara Leão

“apagão digital”

 
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 | 09:00

Os Estados Unidos, que se julgam a meca da Liberdade, preparam-se para censurar a internet.


No site Brasil Indomável, uma matéria de André o’Zaca mostra que a ameaça mais recente à liberdade está sendo arquitetada atualmente pelo Congresso americano, na forma de duas leis antipirataria na Internet, em discussão no Senado, ambas inconstitucionais
Os supostos objetivos destas leis seriam combater e erradicar da internet a pirataria de material com conteúdo protegido pelas leis de direitos autorais, tais como músicas, filmes etc. Por isso, seu processo de elaboração é feito sob um massivo lobby da indústria de gravadoras e produtoras de filmes de Hollywood e de outros setores interessados.
O jornalista André o’Zaca denuncia que corporações privadas terão o direito de tirar sites do ar sem o devido processo legal. Somente será necessário que estas corporações denunciem um site que alegadamente esteja disponibilizando a seus usuários o download de filmes, programas de TV e de músicas protegidos por direitos autorais.
Acontece que a maioria destes sites está fora da jurisdição dos EUA. Por isso, as leis que estão sendo elaboradas fazem uso de táticas diferentes:
* Elas dão ao governo o poder de fazer com que provedores de internet dos EUA bloqueiem o acesso a nomes de domínios de sites supostamente infratores.
* As leis também possibilitarão que se processem judicialmente sites de busca, blogs e fóruns para fazer com que estes removam links que direcionem a sites infratores.
* As leis darão às corporações e ao governo o poder de impedir que estes sites infratores tenham acesso a recursos financeiros, fazendo com que anunciantes e serviços de pagamento com base nos EUA cancelem suas contas com os mesmos.
* Usuários comuns poderão ser condenados a 5 anos de cadeia por postar qualquer conteúdo que seja protegido pelas leis de direitos autorais.

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YOUTUBE E FACEBOOK, COMO FICAM?
As novas leis antipirataria darão ao governo americano e às grandes corporações o poder de tirar do ar sites como o YouTube, que recebem conteúdo postado por seus usuários.
Caso este conteúdo viole os direitos autorais de uma terceira parte (como quando postamos um trecho de um filme, de uma música, ou até de uma pessoa desconhecida apenas cantando uma música, o site, e não mais o usuário que individualmente postou o conteúdo, é que será responsabilizado pela violação destes direitos.
Em consequência, estes sites serão obrigados a avaliar com antecedência todo conteúdo postado ou até mesmo a fechar contas e canais de usuários que só querem circular informação e se comunicar, limitando a abrangência dos maiores veículos de interação social e de divulgação de mídia do mundo, além de minar a criatividade de seus usuários. Isto cerceará o direito à liberdade de expressão de todas as pessoas que usam a Internet no planeta.

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FIM DA IMUNIDADE DO “PORTO SEGURO”
Nos últimos meses temos visto como sites como YouTube, Twitter e Facebook podem mudar a face do globo, literalmente. O seguinte trecho pertence a um artigo do New York Times:
“O YouTube, o Twitter e o Facebook têm tido um papel importante nos movimentos políticos, desde a Praça Tahrir até o Parque Zucotti. Atualmente, os serviços de redes sociais estão protegidos por uma provisão de ‘porto seguro’ da Lei de Direitos Autorais Milênio Digital, que garante a sites da Web imunidade contra processos judiciais desde que eles ajam de boa-fé para retirar conteúdo ilegal tão logo os detentores de seus direitos o identifiquem. A lei da Câmara de Representantes destrói esta imunidade, atribuindo ao YouTube a responsabilidade de verificar vídeos de forma antecipada, sob risco de este site sofrer ação judicial. Ela colocaria o Twitter numa posição similar a de seu primo chinês, o Weibo, sobre o qual foi reportado que são usadas cerca de mil pessoas para monitorar e censurar o conteúdo de seus usuários e para manter-se bem-quisto pelas autoridades.”
Não é preciso dizer mais nada.

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PROTESTO TEVE ADESÃO, AOS POUCOS
A Agência Reuters informa que grandes potências da Internet resolveram não aderir ao “apagão digital” realizado nesta quarta-feira em protesto contra um projeto de lei dos EUA que pune atos de pirataria eletrônica.
As principais adesões foram da enciclopédia eletrônica Wikipedia e do site de notícias sociais Reddit, que escureceram suas páginas para que os visitantes só pudessem encontrar informações sobre os dois projetos. Mas, aos poucos, os grandes sites, como Google, AOL, Yahoo, eBay, Facebook e muitos outros registraram protestos.
As empresas de tecnologia em geral se mostram preocupadas com os projetos de lei, mas a baixa adesão ao protesto desta quarta-feira mostra que essas companhias não estão dispostas a sacrificar um dia do seu faturamento e ainda correrem o risco de atrair a fúria dos usuários por causa de um protesto cujo impacto sobre os congressistas é difícil de avaliar.

http://www.tribunadaimprensa.com.br/

Carta de Vinicius para Chico 1968

Finalzinho de 1968. Nelson Motta, 24 anos, assinava coluna diária no Jornal Ultima Hora. Roda viva era o nome, o mesmo da música de Chico Buarque, que tinha a mesma idade de Nelson, compusera no ano anterior. Em dezembro, ele publicou uma carta de Vinicius de Moraes, 55 anos, que fazia shows em Lisboa com Baden Powell e a cantora Márcia, para Chico Buarque. Vinicius, que se diz em lua-de-mel com Cristina Gurjão, sua sexta mulher, se delicia com o “falar” dos lusos, dá conselhos ao futuro papai Chico e conta um papo com Tom Jobim de Las Vegas e fala sobre a curva descendente dos festivais de música no Brasil: “estão se transformando em verdadeiras partidas de futebol – eu por exemplo, enquanto eles estiverem assim, não mais participarei, pois detesto todo gênero de competição”.

Antes de publicar a carta, Nelson Motta faz uma introdução sobre o sucesso dos "shows recitais" de Vinicius em Lisboa, no Teatro Villaret e na boate Ad Lib e diz que “Vinicius iniciou esse seu show com uma carta a Chico Buarque de Holanda seus amigo de todas as horas”. Logo abaixo vem a carta com data de 13 de dezembro. Atenção na data: é a da decretação do AI-5. A temporada, conta José Castelo conta na bio O Poeta da Paixão, começou dia 11 e no show do tal dia 13, antes de encerrar com Canto de Ossanha, Vinicius fez um discurso inflamado, e leu seu poema Pátria Minha, o que lhe causou problemas com a ditadura salarazista que reinava no País.

Abaixo, a carta de Vinicius para Chico.


Lisboa, sexta-feira, 13 dezembro

Chico querido:

Pois, pois. Aqui estamos nós, Márcia, Baden e eu, num dos teatros mais prestigiosos de Lisboa, o Villaret, para fazer um showzinho de música e poesia também, como gostamos de apresentar – bem informal, em comunicação bem íntima com as pessoas. As pessoas, pelo que pude notar, são lindas de morrer. Mas não há perigo. Cristina está presente, e nossa lua-de-mel corre mais doce que ovos moles d’Aveiro. Você já provou ovos moles d´Aveiro, Chico? É de comer em prantos. Melhor que isso só mulher, isto é, Cristina. Pena eu estar em dieta de emagrecimento. Mas felizmente não estou em dieta de Cristina.

E você, Chiquinho, como vai essa gravidez? O “miúdo” já está a se revelar um novo Pelé no ventre paterno, aos pontapés, ou tem tendências abstratas, como os poetas novos, aos quais ninguém ouve? Diga a Marietinha que não se preocupe não, porque tudo vai correr muito bem para você. Faça respiração de cachorrinho durante as contrações, como manda o método Lamase, e você não vai sentir dor alguma – ouviu, papai inchado? E por falar nisso, “miúdo” aqui é o equivalente de menino. E trem é comboio. E alô é tá. É engraçado e bonito. E quando uma pessoa é muito bacana, caindo de bossa, diz-se que tem piada, que é giro. Você aqui teria muita piada, seria “girérrimo”.

Ontem, consegui falar com o nosso querido maestro Antônio Carlos Jobim em Las Vegas, onde ele está com o Frank Sinatra, trabalhando num novo disco. Pois imagina que disse só assim à telefonista internacional – “olha aqui, minha filha, eu preciso muito falar com o maestro Tom Jobim nos Estados Unidos, sei que ele está gravando com o Frank Sinatra. Me podia fazer o favor de caçá-lo para mim?” E dez minutos depois ouvi a voz de Tom que me perguntava: “Onde está você?” E eu respondi: “Em Lisboa”. E ele disse: “Que coisa boa!” E eu lhe perguntei: - E eu lhe pergunto: - E você onde está?” E ele retrucou: “Estou em Las Vegas” E eu: “Ai não me pegas”.

E ele falou: “Que estás fazendo?” E eu respondi: “Um show com o Baden e a Marcinha”. E ele, com um profundo suspiro intercontinental: “Ah, que coisinha!” E meu parceiro sabe o que diz!

***

Fiquei contente em saber que você tirou o primeiro lugar no júri popular do IV Festival da Record. Eu acho que os festivais brasileiros estão se transformando em verdadeiras partidas de futebol – eu por exemplo, enquanto eles estiverem assim, não mais participarei, pois detesto todo gênero de competição. Mas gostei de conhecer o Eusébio, com quem bati um papo ameno, depois do jogo entre o Benfica e o CUF. Você sabe, Chico, que Cristina é torcedora do Flamengo tão violenta que embora nós tivessemos sido convidados para o jogo pelo CUF, em recinto privado, ela teve o topete de agitar uma flâmula do Benfica, que é o correspondente português do Flamengo, e torcer por sua vitória? Eu confesso que tive medo que os dirigentes do CUF nos chutassem para “córner”.

Estou contente porque vamos passar o Natal juntos em Roma e tomar um porre firme e cantar juntos e dar muitos “manguitos” (que é o correspondente de banana) para as estátuas dos imperadores romanos. Foi em Roma que eu conheci você menino, e você, seu safadinho, enquanto eu bebia com seu pai, ficava no alto da escada, no meio da madrugada, só para nos ouvir cantar.

***
Marcinha chegou hoje. Agora nós vamos começar nosso “show” naquela base simples de amor e comunicação como você, Baden e eu gostamos de fazer – e Marcinha de interpretar. O que nos motiva é o amor. Não é o amor que move o Sol e outras estréias, como disse Dante Aligheri?

Outro dia minha mulher riu-se muito quando eu lhe disse que o amor cura o câncer. E cura mesmo! E não é outra a razão porque Márcia veio de São Paulo, Baden de Paris e eu do Rio, para esta comunicação linda e indispensável à nossa vida de artistas. E ao levar a vocês nossa poesia e nossas canções, nós o fazemos – insisto mais uma vez em dizê-lo – só por amor. Só amor.





 

‘aborrecente’ na Casa Branca


O presidente Obama discursa, enquanto a filha Malia leva um puxão de orelha da mãe, Michelle, em evento de caridade em Washington
Foto: JONATHAN ERNST / REUTERS
O presidente Obama discursa, enquanto a filha Malia leva um puxão de orelha da mãe, Michelle, em evento de caridade em WashingtonJONATHAN ERNST / REUTERS
RIO - Ser adolescente não é nada fácil, principalmente se você for uma das filhas do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A herdeira mais velha, Malia, de 13 anos, mostrou todo seu humor “aborrecente” enquanto ouvia o pai discursar durante um evento de caridade, em Washington, na última segunda-feira (16).

Naquele momento, o governante fazia uma homenagem ao legado de direitos humanos deixado por Martin Luther King Jr.. Malia, logo atrás do sujeito que é considerado o homem mais poderoso do mundo, mostrava-se irritada, fazendo caras e bocas para demonstrar seu descontentamento. Em muitos momentos, a garota ficou olhando fixamente para o chão ou para algum ponto a sua frente, lutando para ficar com os olhos abertos.
Ao lado da menina, a mãe, Michelle Obama, chegou a sussurrar algo ao seu ouvido, aparentemente na tentativa de deixá-la mais animada, e Malia logo riu. Mas o episódio mostrou o quanto pode ser “dura” a vida das filhas do presidente. Comparecer a eventos diplomáticos cheios de pompa, andar cercadas de seguranças e até mesmo ter um telefone celular grampeado... Tudo isso faz parte da realidade das garotas. Mas o maior drama é mesmo quando papai resolve ir a uma reunião na escola.
Numa entrevista que a primeira-dama deu à rede americana de TV “ABC”, semana passada, a senhora Obama revelou que tem um truque para fazer sua filha mais nova, Sasha, se animar quando está chateada:
- Quando estamos em algum lugar e quero que Sasha ria, porque noto que ela está muito séria, eu digo: “Se você não sorrir, vou começar a dançar!”. Então ela responde: “Não, não, não faça isso!” - contou Michelle.
Apesar de Sasha, de 10 anos, não ter comparecido ao evento em Washington, Michelle teve que lançar mão do recurso para alegrar Malia. Após o discurso de Obama, a garota, a primeira-dama e o presidente ajudaram a construir uma biblioteca no centro comunitário local. Nesse momento, Malia pareceu acordar e, apesar das expressões de tédio, se mostrou mais participativa.
Em outra entrevista recente, à rede “CBS”, a primeira-dama comentou que sua filha adolescente morre de vergonha dos pais, como qualquer outra garota de sua idade.
- Minhas crianças são como quaisquer outras: nada que a gente [Obama e eu] faz é maneiro - disse.
Michelle ainda contou que Malia tem seu próprio celular, para tentar levar uma vida normal. Só que as ligações são monitoradas, é claro, e sua lista de contatos também é restrita. Ser filha do presidente ainda tem outra mazela... Para a garota de 13 anos, é um pesadelo quando o pai resolve aparecer nas reuniões da escola:
- Outro dia Malia disse: “Ah, não! O papai vai à escola? Ele vai levar todos aqueles carros? Sério, porque, tipo, um dia desses, acho que eles quase atropelaram minha professora” - lembrou a mãe.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/megazine/filha-de-obama-de-13-anos-banca-aborrecente-em-evento-3694242#ixzz1jpyKJ8da

A poesia e o poeta



ANTÓNIO SALVADO
Poeta português, natural de Castelo Branco. Depois de terminar os estudos secundários, partiu para Lisboa onde se licenciou na Faculdade de Letras em Filologia Românica. Em Coimbra e em Paris freqüentou posteriormente outros cursos superiores, relacionados com as atividades que desempenha, desde há alguns anos, como Diretor do Museu Tavares Proença Júnior.
Além de museólogo e de poeta, tem-se dedicado a outras tarefas culturais, tais como a tradução, o ensaio, o ensino e a direção de publicações.
Está traduzido para francês, inglês, italiano e castelhano.
Em 1980, ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia/Personalidade Cultural, da União Brasileira de escritores, e em 1986 foi galardoado com a Medalha de Mérito da Universidade Pontifícia de Salamanca.
Obra poética: A Flor e a Noite (1955), Recôndito (1959), Na Margem das Horas, (1960), Narciso (1961), Difícil Passagem (1962), Cicatriz (1965), Tropos (1969), Jardim do Paço (1971), Estranha Condição (1977), Interior à Luz (1982), Antologia (1955-1971) (1985), Face Atlântica (1986), Amada Vida (1987), Descodificações (1988), Matéria de Inquietação. E as obras que serviram de base para a presente seleção: Interior à Luz (nova edição, 1995), e A Plana Luz do Dia (1999);
Rochas, 2003; Entre Pedras, o Verde, 2004; Palavras Perdudas seguido de Oito Encómios, 2004; Modulações, 2005; Recapitulação, 2005; Quase Pautas, 2005; Ao Fundo da Página, 2007; Afloramentos, 2007


QUEIMOR
Gozaram o prazer da união:
os corpos encontrados totalmente,
o esforço do suor os ligou tanto
que perdiam contornos juntos sempre.
Não tinha dimensão aquela posse
arfada de contínuo harta sem trégua
que para ser intemporal completa
apenas lhe faltava o az da morte.
Mas sucumbiram ao queimor do cárcere
sem porta que se abrisse devagar
e tolhidos na rede do cansaço
separados os corpos deslembraram-se.
De Afloramentos, 2007


 



ANTÓNIO SALVADO, de Portugal ao meu coração



NOTA:
Quero compartir com vocês um trecho de um e-mail recebido hoje e que me deixou a certeza de que o que faço aqui não é em vão.....

Regina:
(....) Escrevo-lhe desde Castelo branco, uma pequena capital do interior de Portugal, situada no mesmo distrito onde se situa Belmonte, a terra do dito “descobridor” das terras de vera cruz. Como o mundo ficou pequeno… restam sussurros positivos como os seus que na diversidade fazem a difrença nesta globalização dos nossos existires. Face ao amorfo, resistir, sussurrando com amor, música e poesia. O joga continua como diz.
Meu pai gostaria de lhe enviar alguns dos seus livros como prova de gratidão pela fixação do seu poema no seu blog,  (.....)
Agradecendo desde já toda a atenção, cordialmente
Pedro Salvado
PS- Envio-lhe este linq onde Luís Gaspar, uma das melhores vozes da rádio portuguesas, recita alguns poemas de meu pai
uma boa audição

Muito grata, António Salvado & filho.
regina