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segunda-feira, 5 de março de 2012

Os Mino Pira na Biscatagi

 

Guest Post, por Augusto Mozine*
Eu já tentei, fiz de tudo pra te esquecer
Eu até encontrei prazer, mas ninguém faz como você
Quanta ilusão, ir pra cama sem emoção
Se o vazio que vem depois só me faz lembrar de nós dois
Nelson… cê já pegou uma Biscate? não sabe o que é Biscate… ah, meu saco! eu explico. como diz o Chico, fio, Biscate é quem te chama pra sambar, te leva pra benzer e vai pegar uma praia… capitou? ainda não! raios… vê se entende então: uma Biscate é quem vive na gandaia e espera que você a respeite; é quem toma conhaque com o tíquete do leite e te serve o pitéu na cama… é alguém pra, por fim, casar na igreja e fugir pra Bahia pra ver o sol nascer…
Agora cê entendeu, né! tinha isso na sua época? chamava cortesã… humm, sei… você pirava nelas também, né!?! então você sabe como é pegar uma Biscate (ou ser pegado, tudo que sobe, desce) fio! fala se não é irado! eu lembro daquelas da minha adolescência… putz, Nelson… toda vez que tinha dança da vassoura nas festas americanas era uma coisa!
Tinha que esperar a hora certa de dançar com a Biscate, não era em qualquer música… enquanto o Rodriguinho d’Os Travessos [uooo-ho-how] não mandasse um “sorria, que eu estou te filmando”, nem adiantava… por quê? ora bolas, porque, Nelson! Porque existia um código pra aproveitar a Biscate da sua vida! vê o vídeo e presta atenção…

Era assim: “toda vez que eu vejo vocêêê” – entrega a vassoura pro menino bonzinho que tava com a biscate; fala oi; espera ela dar um sorrisinho e abaixar a cabeça – “eu sinto uma coisa diferente [diferentiii]” – abraça ela pela cintura, sem indecência e chama ela junto na pegada – “toda vez que eu penso em vocêêê [uhmm-humm] / te vejo nos meu olhos tão carente” – cantando no ouvidinho dela… se ela é Biscate, Nelson, pronto! desmanchou…
Na próxima estrofe, meu querido, começa o jogo! “por que você não cola do meu lado?” – ela deixa você entrelaçar a perna em meio às dela – “esquece os grilos todos do passado” – ela desce uma das mãos da sua nuca para as suas costas… é a senha pra você sair da cintura e segurá-la pelos quadris – “vem comigo e tenta ser feliz” – é a hora da cafungada no cangote…
Se até aí deu tudo certo, fio, não tem mais erro… continua a música: “pare de dizer tá tudo errado” – aquela rebolada – “deixa eu logo ser seu namorado” – já tem pitu no dendê – “o resto é o destino é quem diz” – aí rola o beijo desentupidor de pia que vai durar todo o refrão…
Mas espera, Nelson! ainda não acabou…é na repetição do refrão, naquela hora em que o Rodriguinho já está em êxtase com o cavaquinho chorando e cantando com a cabeça pra cima e de olho fechado, que vem o melhor!!! é aí que você reconhece a nata da biscatagem… vem o tão esperado direito à encoxada…. ahhhh, o direito à encoxada…
É tipo assim… o beijo acabou e o Rodriguinho tá esgoelando um “sorria, que eu estou te filmando” – ela tira as suas mãos dos quadris dela, vira de costas e faz com que você a abrace envolvendo a barriguinha – “sorria, o coração tá gravando / o seu nome aqui dentro de miiim [uooo-ho-how]” – ela dá aquela reboladinha no compasso da música e você passa o queixo no pescoço dela e o nariz na orelhinha – “sorria, que o prazer já vem vindo” – a encoxada tá na velocidade cinco com direito a beijo – “sorria, nosso tá tão lindo” – uma mão espalmada na barriguinha, a outra levemente abaixo do peitinho; a festa americana inteira parou pra gritar e apontar o dedo pra vocês… claro que já tem um sacana te cutucando com a vassoura – “não quero ver você tão triste assiiiiim” – aí tem que voltar à decência… cara vermelha e a boca babada…
Ah, Nelson! o bobó derreteu… Nelson. Nelson?? tava fazendo o que no banheiro, fio? escutou o final? pois é, Nelson… os mino pirava na biscatagi…


*Augusto Mozine é desses. Desses que chega conquistando espaço. Diz-se por aí que ele não gosta de se definir, mas nós por aqui dizemos que é cientista social e surrealista. Se você passar quietinho e com atenção, vai ouvi-lo conversando com estátuas enquanto escreve nonsense pra quem quiser… Se espalha entre O Blog que Habito, Pode isso, Nelson? e Hipérbole Política (um segredinho: é um inveterado apaixonado, sofre e aproveita o melhor e o pior que as pessoas estão dispostas a oferecer…). Quer mais? Segue ele no twitter: @Mozzein

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